17 de julho de 2012

O problema é civilizacional, porque é ético!

Declarações de D. Januário de Torgal à TVI24 a propósito da atuação do governo.

"Eu não acredito nestes tipos, e porquê?

Porque pressionam a comunicação social
Porque têm o seu clube
Porque lutam pelos seus interesses
Porque jogam atrás da cortina com habilidades

O Governo é profundamente corrupto. O problema é civilizacional, porque é ético."

Eis a frase chave de D. Januário Torgal.

Para se tomarem as medidas necessárias é preciso ter outra ética nos comportamentos. Como nós concordamos com ele.

Mas não deixamos de concordar com o caminho da austeridade que o governo delineou, deveria ser ainda muito mais como já tantas vezes explicámos aqui no Blog: mais corte de despesa e redução de impostos até chegar aos 30% do PIB. Défice ZERO

Mas o problema que se coloca agora é que, à luz da opinião pública, o governo perdeu o caráter, a credibilidade, e por culpa própria, nada mais.
É para nós uma total evidência de que comportamentos dissimulados, mentiras e incoerências até podem salvar o dia de hoje, mas hipotecam o de amanhã. A mentira tem sempre pernas curtas. Passos Coelho não teve a coragem de trazer a boa nova com receio das consequências. Esquivou-se, julgando que o futuro faria esquecer as mentirinhas do passado. Que ingenuidade.

E quando nos confrontamos com o caso degradante de Miguel Relvas, o pouco de credibilidade que ainda subsistia, cai por terra.

É mau de mais para ser verdade, e as consequências para Portugal não se farão esperar.
Era neste preciso momento que mais precisávamos de estadistas que puxassem pelos portugueses e pelas energias que ainda estão escondidas.

Ninguém irá aceitar mais medidas de austeridade vindas desta gente, todos tentarão esquivar-se.
Sugerimos ao governo que peça à troika mais 10 anos, e assim só será preciso cortar 0,5% ao ano no défice. Para políticos fraquinhos não poderemos exigir mais do que isto.  Nem chega a ser austeridadezinha.

Tiago Mestre

5 comentários:

Vivendi disse...

Eu vi as declarações e não apreciei o esquecimento dos socialistas. Como se só agora tudo fosse podre no reino da Dinamarca. As pessoas tem de perceber que todos os problemas nascem de uma raíz e não aparecem e caiem do nada como um fruto maduro.

Filipe Silva disse...

O gajo é parvo.

Durante 15anos o país a ser levado para o abismo e onde estava este a insurgir se?
Onde estava este aquando dos casos do Sócrates e companhia?

Estes são maus, mas piores eram os que estavam anteriormente.

Convêm não esquecer que em 15anos tiveram la 12 o PS.

Apesar de ser contra todos os partidos da Assembleia, não gosto de ser tomado como parvo, que é o que este faz.

Esta parvalhão recebe uma reforma de 4000 €, que é que o gajo fez para receber tal benesse?

Vivendi disse...

Nem mais Filipe! julgam que as rosas caem do céu e quem andou a sustentar essa comandita toda é que anda agora a amargar. Ricos socialistas!!

Tiago Mestre disse...

Meus caros, o problema não é tanto o mensageiro, que certamente tem os seus pontos fortes e fracos.

A chatice mesmo é que a sua mensagem pega com o sentimento dos portugueses.
E isso não muda da noite para o dia.

Ganhar a confiança dos portugueses demora meses, perdê-la pode ser uma questão de semanas, e chateia-me que por causa de "merdas", a pouca austeridade que ainda havia caia por terra.
E depois?
Vamos chorar novamente para Bruxelas?

Duarte Brito disse...

Tiago, concordo que estás a ir ao sumo e não há embalagem, mas por norma a embalagem vende sempre mais do que o conteúdo!
Acho que a forma oportunista com que as declarações foram feitas e esquecer o passado recente dos últimos 15 anos é uma forma muito subtil de tentar limpar a imagem de alguém que também esteve na origem desta trapalhada.

E por muito que possamos não gostar de política ou de políticos, estas declarações foram meramente... políticas.
Como tal, numa altura em que essa credibilidade está em causa (austeridade, caso Miguel Relvas 1, caso Miguel Relvas 2, etc...) vir dizer que os anteriores não eram assim tão maus, é querer atirar areia para os olhos das pessoas e infelizmente há muita gente com memória curta e que gosta de ter areia nos olhos.

Como solução para tentar recuperar alguma da imagem perdida, o Governo,a meu ver, só tem uma solução que é deixar cair Relvas. O facto deste ainda não ter caído só demonstra duas coisas:
- a dependência de Passos Coelho nesse ministro, e já nem me refiro ao poder político deste, mas sim a possíveis esqueletos guardados no armário;
- o facto de Miguel Relvas ainda não se ter demitido só demonstra a falta de causa pública com que realiza o seu trabalho de ministro. Algo que deveria ser essencial para quem trabalha como ministro num Governo;

Para terminar e relembrando uma frase que anda muito em voga no facebook do Prof. António Salazar:
"Há que regular a máquina do Estado com tal precisão, que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos."
Mas quem executasse isto, provavelmente teria de governar sozinho...