15 de junho de 2012

Novo dia de folga na frente de batalha


"I love the smell of napalm in the morning", dizia Robert Duval em Apocalypse Now.

"It smells like... victory!"











Talvez tenha sido essa a sensação de muito investidor hoje de manhã, quando, no meio do teatro de guerra e de tanto banho de sangue, ouviu os motores a jacto dos bombardeiros da Força Aérea financeira mundial a sobrevoar o terreno do inimigo, prontos a atacar tudo o que mexe.

Infelizmente aqui o inimigo não é real. O inimigo chama-se desconfiança e tem como combustível o MEDO.

Mas da mesma maneira que os mercados deram tréguas há uma semana e meia, facto que nos motivou a escrever este post, hoje parece que o sentimento de tréguas também prevaleceu. Bolsas europeias com ganhos superiores a 1%, à exceção do IBEX. Os mercados de dívida é que não se deixaram deslumbrar com o cheiro a napalm. Continuam cautelosos e não vão em rumores oficiais.

Uma ação coordenada mundialmente para intervir com injeção ilimitada de liquidez pelos maiores bancos centrais do planeta é algo (ainda) a ter em conta pelos desgraçados dos investidores que rezam todo o santo dia para não perder mais dinheiro.
Suspeitamos que estas declarações sejam só fumaça para minimizar nervosismos na segunda feira e preparar terreno para o G20.

Mas a folga até é merecida.

Só sobre o G20:
Já escrevemos aqui sobre as pressões a que a Sra. Merkel deve estar sujeita neste momento. O Filipe também referiu isso mesmo num comentário do post anterior.

Se na Grécia ganhar o Syriza com maioria de esquerda, romperem o memorandum com a UE no dia seguinte e no G20 a Merkel aguentar-se à pressão do Obama, então a mulher merece um beijo, porque não é fácil ter o mundo inteiro a olhar-lhe ferozmente. Chiça, é preciso reconhecê-lo!

Tiago Mestre

UE: O desespero em forma de gente

A história da UE faz-se destas ironias e totais tergiversações da nossa mui fraca classe política:

Segundo a edição online do Jornal de Negócios e citando o Financial Times, esse bastião das press releases e rumores a quem a classe política pede que sejam postos a circular na imprensa internacional sem qualquer escrutínio às mentiras e à má fé que lá estão vertidas, vem agora "informar" o planeta que a UE está disposta a negociar os termos do resgate à Grécia caso... ganhe o Partido Nova Democracia de Samaras (o que mente melhor à UE)

Desta conversa podemos tirar duas ou três ilaçõezitas sem relevância quase nenhuma:

1. Chantagem direta ao povo grego

2. Ingerência nas instituições soberanas gregas

3. Total contradição com o que a UE dizia até... há 2 ou 3 dias

Às vezes até parece que quem está errado no meio disto tudo somos nós aqui no Contas, tal são as doses cavalares de bullshit que esta gente nos atira à cara todos os dias passando-se por verdadeiros líderes democratas.

A todos os gregos e simpatizantes que nos lêem:

Votem no Syriza e esmifrem tanto quanto vos for possível à UE. Perante as dificuldades, eles cedem sempre, sempre. Ainda há muito Fundo financeiro virtual e muita riqueza privada aonde os políticos europeus podem ir buscar dinheiro para salvar o dia, e eles não hesitarão em lá ir se for preciso. E se não forem vocês a receber, serão outros:  a fila de espera está a crescer.

Na segunda feira a única informação que contará para o planeta é esta:
Quantos mais votos a esquerda ganhar, mais os gregos irão beneficiar!

E já agora aqui entre nós:
Seja Syriza ou seja Nova Democracia, ninguém irá cumprir memorandum nenhum.
A única diferença é esta: se o incumprimento será "legal" ou não pela UE. E sendo assim, preferimos a legalidade exigida pelo Syriza à ilegalidade cobarde da Nova Democracia.

Tiago Mestre

Não foi Draghi, mas sim o Banco de Inglaterra

Lemos hoje no Telegraph, que afinal será Mr. Osborne a extender MAIS uma linha de crédito aos banqueiros ingleses de 140 mil milhões de libras, ajudando-os a ajudarem as famílias e as empresas de Sua Magestade.

Deixamos os parágrafos que mais nos soam a desespero. À falta de coragem, as lideranças continuam  a insistir naquela máxima:
"Produzirmos estímulos iguais, que diferem apenas na escala, na esperança que se obtenham resultados diferentes."

A palavra inflação não é proferida uma única vez, revelando a farsa e a manipulação que é impingida à população inglesa com a desculpa de que as famílias e as empresas precisam dos bancos cheios e gordos para sobreviverem com mais e mais créditos que só lhes retiram cada vez mais poder de compra.

Objetivo de Mr. King: baixar os custos de financiamento a quem pediu empréstimos para comprar casa e já agora para as empresas.

"Sir Mervyn King, the Bank of England Governor, said that the “industrialised world have thrown everything bar the kitchen sink” at the global economic meltdown but that even “bolder action” was now required."


“We are not powerless in the face of the euro-zone debt storm,” Mr Osborne said. “We can deploy new firepower to defend our economy from the crisis on our doorstep. Funding for lending to the family aspiring to own their home and the business that wants to expand…The Government - with the help of the Bank of England – will not stand on the sidelines and do nothing as the storm gathers.”
(Tradução: Não podemos ficar parados, temos que nos mexer para "resolver" isto)


He added: “We are rolling up our sleeves and doing everything possible to protect British families and firms.”(Tradução: demagogia pura)


The bank funding scheme will allow high-street banks to temporarily “swap” their assets, such as their mortgage books, with the Bank of England in return for money they can loan to customers. It is estimated this could support up to £80bn in new loans.
(Tradução: transferência de risco privado para o setor público)


It is the latest attempt – following the cut in interest rates to record lows and the £325bn quantitative easing scheme – to kick-start the British economy following the start of the financial crisis four years ago.(Tradução: como a quantidade de dinheiro injetada afinal não serviu os intentos iniciais, nada como injetar ainda mais dinheiro)


Sir Mervyn said that the “euro area crisis” has created a “large black cloud of uncertainty hanging over our economy”.
(Tradução: os outros é que são os culpados. Os défices do governo inglês, a falta de crescimento do país e a desvalorização da sua moeda também devem ser culpa de terceiros)


He added that the “ugly picture” had created “formidable challenges” and that despite trillions of pounds being pumped globally into the economy over the past two years “we are back to where we were”.
(Tradução: Afinal a injeção massiva de dinheiro no planeta não serviu de nada. Temos que... continuar a injetar mais... )


Tiago Mestre

Alemanha, a nossa locomotiva (Parte 2)


A sorte de Portugal é que é logo a primeira carruagem.

Tiago Mestre

Draghi surpreende, e só merece o nosso apreço

Estávamos convencidos de que, ainda no final desta semana, Draghi entraria em força no mercado secundário de obrigações. Tal não sucedeu, pelo que a nossa especulação não se revelou minimamente verosímil.

Damos os parabéns a Draghi pela coragem e pela capacidade de resistir a pressões. Superou as nossas espectativas e merece o nosso apreço SEMPRE que revele comportamentos desta nobreza.

O melhor que se conseguiu obter no radar mediático sobre esta necessidade de imprimir foi uma "vontade" dos líderes do G20 em coordenar uma ação conjunta dos respetivos bancos centrais, caso as eleições da Grécia no Domingo produzam resultados inesperados.

Parece-nos mais uma vez palavras ocas para reduzir o nervosismo do pessoal.

Não fazemos a menor ideia se irá muita gente votar no Syriza ou não. Tudo depende do bluff que os restantes partidos fizeram para com os gregos durante estas 2 semanas sobre uma eventual saída do Euro caso o Syriza ganhasse. Não acompanhámos a campanha, pelo que aguardamos os resultados.

Tiago Mestre

14 de junho de 2012

Será Portugal a sair do €? Ou a Alemanha? Ou nenhum? (Parte 3)

Comentário / Resposta nº3: Tiago Mestre


Também estou de acordo com o que o Filipe disse.
Políticos gostam de: Gastar, gastar, gastar; adiar, adiar, adiar.

Se saíssemos do euro ou se a Alemanha saísse do euro, a moeda de referência para Portugal ficaria entregue à bicharada. As reformas dificilmente seriam executadas (concordo com o Filipe), porque entre reformar, que exige legislação aprovada no parlamento, e imprimir, que exige um telefonema ao governador do Banco Central, todos sabemos qual é a opção mais fácil.

O que busco nesta análise é isto: 

Só devemos ter aquilo que merecemos, nem um milímetro a mais nem um milímetro a menos.
Se destruirmos a credibilidade do Euro, teremos que sofrer as consequências:
Ou o € fica lixo e/ou retornaremos ao escudo.

E se retornarmos ao escudo e continuarmos a adiar as reformas e a imprimir, voltaremos a ter aquilo que merecemos.
O que é mesmo muito importante para mim é que as consequências dos erros sejam expostas tão depressa quanto possível e produzam efeitos rápidos na sociedade. Se for preciso batermos com a cabeça na parede que se chama realidade, então que batamos todo o santo o dia, porque só assim se evita o acumular de asneiras e minimizamos a ocorrência de grandes bolhas. É a tal teoria do cisne negro do Nassim Taleb. É preferível volatilidade e correções diárias para que a bolha não inche e depois de crescer muito não rebente à bruta e de uma só vez.

Mas também é verdade que se batermos todos os dias na parede dificilmente passaremos da cepa torta, mas mais uma vez digo, se é isso que mereceremos, então é o que teremos.

A Espanha, com a peseta, tinha taxas de juro de 12% nas obrigações a 10 anos poucos anos antes da adesão ao euro !! E vivia. E Como? Moderava-se mais a pedir emprestado, porque sabia o que custava pagar juros de 12%. E mesmo assim não foi suficiente porque ainda gerava défices elevados, algo que só o Aznar veio corrigir. Connosco era a mesma coisa. O juro de 12% representava o risco que o país representava aos olhos dos credores, e o preço a que estavam dispostos a emprestar o dinheiro.

Com o advento do €, a perceção do risco soberano sofreu a maior das ilusões: nivelou-se tudo por baixo, ou seja, preço do dinheiro entre 2 e 4%. Foi o maior erro na formação de preços da história recente da economia europeia: os credores enganaram-se COMPLETAMENTE porque:

- A Alemanha É a locomotiva e estava lá metida;
- Manipulação das taxas de juro pelo FED e BCE, que as baixaram artificialmente para 1%: mais uma vez por decisão política.
- Não perceberam que qualquer moeda exige integração a todos os níveis. A integração política e fiscal, e talvez bancária, ficaram pelo caminho.
- Acreditava-se que a Europa seria a locomotiva do crescimento do planeta. Inovação era sinónimo de crescimento com as tretas da agenda de Lisboa.

Os políticos foram esfregando as mãos, promoveram subsídios, auto-estradas, desvios de dinheiro, saúde de borla, défices astronómicos e, sempre caladinhos que nem uns ratos.
Cumprir o tratado de Maastricht e o pacto de estabilidade?? Com crédito de 3% a 10 anos? Só se fossem burros.

O resultado foi a criação de uma bolha de crédito soberano que está agora a rebentar. Mas ela rebenta agora e não mais tarde porque em 2009 pediu-se aos Estados para resgatar bancos e "estimular" ainda mais as economias para evitar a grande recessão, puxando os défices ainda mais para cima. o encontro com a nossa verdade foi antecipado uns anos.

Como se financiaram durante 6 - 7 anos a 3% de juro, endividaram-se de acordo com estas novas facilidades (à bruta). Bastou a subida para 6 ou 7% nos juros para DUPLICAREM os custos de financiamento. E como não acumularam nem riqueza nem reserva no orçamento para acomodar este acréscimo, tivemos e temos todos que ser resgatados.

A história revela-se das formas mais girar possíveis, e se confrontarmos com o que a opinião pública nos impinge, então aí é ainda mais caricato.

Será Portugal a sair do Euro? Ou a Alemanha? Ou nenhum? (Parte 2)

Comentário / resposta nº2 do Filipe:




A Alemanha é a peça chave no Euro, dado que além de emprestar a sua vitalidade económica, empresta a credibilidade do seu Banco Central, o Bundesbank.

O € é criado devido ao medo da França na unificação da Alemanha, e também devido ao desprezo que esta tinha pelo Bundesbank, considerado o melhor banco central do mundo, dado que apesar de ter uma politica inflacionista, esta era muito menos inflacionista do que os outros Bancos centrais nomeadamente o francês que era conhecido por monetizar o deficit estatal.

Por isso é que na criação do BCE a estabilidade de preços é o seu papel principal, enquanto a FED por exemplo tem na sua missão o crescimento económico e alguma estabilidade de preços.

O problema do Euro não é o facto de como dizem não existir um mega estado europeu, com um orçamento comum etc....
O problema foram os politicos, durante 10 anos como Paulo Rosa no seu blog explica de forma fenomenal que de facto existiam Eurobonds implicitas.
Agora se todos tivessem cumprido o Pacto de estabilidade e crescimento, nada do que se passou hoje teria se passado, bem pelo menos não nesta magnitude.

Convêm relembrar que o Pacto começou por ser apenas de estabilidade (imposição da Alemanha) e depois por pressão dos politicos franceses foi acrescentado o crescimento.

O problema aqui são os politicos, senão vejamos, todos os economistas ai da praça dizem que o Euro não tem as instituições necessárias, faltam o orçamento comum, etc... mas a realidade é que durante mais de 10anos funcionou, porque é que deixou de funcionar?

A crise de 2008, e a resposta há crise, o Keynesianismo foi este que ameaçou e continua a ameaçar o Euro, o atirar dinheiro aos problemas, o sonho de qualquer politico, GASTAR GASTAR GASTAR.

Tiago se pensas que se sairmos do Euro, as reformas necessárias vão ser feitas, sinceramente penso que estas enganado, com o acabar do crédito que experimentamos hoje, com uma imposição externa, as reformas não são feitas, caso os Gregos revelassem algum esforço para fazer alguma coisa do que lhes é exigido, e as avaliações a Portugal seriam negativas.
14 de Junho de 2012 11:30
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Blogger Filipe Silva disse...
Mesmo não fazendo quase nada, aparentamos que estamos a fazer alguma coisa, as reformas todas anunciadas não saíram do papel, o único que foi feito, foi aumentar impostos, e aumentar a casa aos impostos, multas e por aí adiante.

O Euro é a única coisa que nos disciplina, nos torna mais alemães. Neste caso é muito positivo.

Se a corrente dominadora economica em Portugal, continua a dominar e saimos do Euro será a desgraça total, a mim não me preocupa a saída, mas sim como e com quem a comandar. O planeamento central está aí e está em força, controla os mass media e por conseguinte controla a população, dando lhe informação errada.

O que assistimos hoje na UE é um reflexo do que assistimos em Portugal, politicos oportunistas e muito fracos.
O Durão Barroso é presidente da comissão, com isto nem seria mais preciso falar, um individuo que falha no seu próprio país, em vez de ser posto de lado é promovido, o Constâncio que falha miseravelmente é vice presidente do BCE, um individuo que ficou conhecido por afirmar que nunca mais iria acabar o crédito, e que a Balança de Pagamentos deixava de ser importante na união monetária é um dos que está la para salvaguardar o Euro.

O Euro forte não é mau para as nossas exportações, 70% são realizadas intra zona euro, Ao termos um euro forte, dado que não temos materias primas, nem fontes energéticas fosseis conseguimos comprar los mais baratos, levando a que o custo do produto seja mais baixo, esta teoria das desvalorizações só ajuda porque ficamos mais pobres e compramos menos importações, não é liquido que exportamos mais porque temos os produtos mais baratos.

Estes ajustamentos idealizados por um grupo de planejadores que apenas se preocupa com variaveis economicas keynesianas, o mexe neste imposto, e reduz despesa aqui, baixa salario ali leva a uma destruição da economia, não permitindo que os actores da economia resolvam cada um o seu problema levando a que a economia como um todo resolva o seu problemas.

PS- os USA tem um orçamento comum e todas as condiçoes que os economistas da praça dizem o euro não ter, e não é por isso que estes não tem destruído o dólar,
PS- o padrão ouro foi acabado por vontade dos politicos, não lhes permitia gastar como lhes apetece-se e o que se passa hoje, o que o SEguro e companhia quer é gastar há descrição,é preciso salvar os amigos, o povo que se foda

Será Portugal a sair do €? Ou a Alemanha? Ou nenhum? (Parte 1)

Por sugestão do Vivendi, faremos 3 posts com 2 comentários nossos e outro do Filipe (desculpem-me os restantes comentadores) acerca da bonita discussão que temos estado a fazer acerca da saída de Portugal do euro ou então a saída da Alemanha do euro.

Comentário nº1 do Tiago Mestre:

O € só continuará com alguma credibilidade enquanto a Alemanha mostrar vitalidade económica e se chegar à frente nos bailout's.
Um dia este ciclo irá terminar, com isso virá a desconfiança e lá se vai o euro como padrão-ouro.

Todas as medidas inflacionistas que o BCE tomou (SMP, LTRO e Target2) representam euros que entraram nos mercados. Alguns deles estão parqueados no BCE, como sabemos, evitando maiores males. Mas a inflação só não ataca porque:

- continuamos a assistir a um mega desalavancamento no setor privado (Há menos créditos a realizarem-se diariamente, reduzindo a expansão monetária)

- a confiança que ainda há no euro mantêm muitos ativos denominados nesta moeda.

O € está assente num castelo de cartas que se fragiliza dia após dia. Não tenho nada contra o €, mas tanto a sua origem, como a sua construção e gestão revelam o logro que é esta moeda.
Oxalá que assim não o fosse, e aí sim, à moda do Salazar, tínhamos uma moeda rica e exigente para com o seu povo, obrigando este a ser melhor dia após dia. Esse era o € que eu gostava de ver.
O BCE está falido e não hesita em imprimir dinheiro, metade dos países do € estão falidos e pedem dinheiro emprestado entre eles, andamos diariamente a pedir emprestado ao resto do planeta. Grécia faz bluff, ameaça e a UE ajoelha-se. Quer dizer, é tudo ao contrário.

Está-se todos os dias a trabalhar para que a confiança no € desapareça. E quando todo este dinheiro escondido (parqueado) e todos estes ativos denominados em euros vierem à superfície, aí teremos muito dinheiro a competir pelos mesmos bens. Lá se foi o padrão ouro e o euro torna-se numa moeda fiat igual a qualquer outra. O único ativo que o euro ainda possui é a confiança das populações. Não tem ouro a suportá-lo, nem petróleo, nada.

A única diferença aqui entre o € e um eventual novo escudo é a escala. O € é gigante e engloba muitos países, alguns deles com pib per capita do melhor que há no mundo. O capital de confiança que se depositou nesta moeda é 1000 vezes superior ao depositado num novo escudo que será governado por políticos portugueses ignorantes e populistas. Descredibilizar o € demora 1000 vezes mais do que o escudo, mas os políticos estão ativamente a promover isso.

Acredito que um novo escudo português ou um € sem a Alemanha sofrerá desvalorizações enormes. Na tentativa de pagar empréstimos e despesas, recorrerão à impressão para despachar o assunto. Também não quero isso, quem me dera a mim que tal não sucedesse, mas acredito que o € está condenado a prazo, e não por minha culpa. Teremos que que arranjar outra coisa qualquer que o substitua, quer concordemos ou não.

13 de junho de 2012

É preciso um jovem norte-americano constatar o que ainda não se discute na UE: a saída da Alemanha do Euro

Descobrimos um jovem norte americano, funcionário de Charles Biderman, Presidente do TrimTabs, que tanto prezamos aqui no Contas, sugerir a ideia de que em todo este enredo que é a UE e a moeda única, o melhor mesmo é ser a Alemanha a sair do Euro.
Como concordamos com ele, e por ter partilhado mais algumas ideias interessantes, achamos que vale a pena ver o vídeo de 6 minutos:


Tiago Mestre

Super Mario Bros - está na hora de trabalhar em equipa

Caros leitores e leitoras, pedirmos dinheiro ao mercado de crédito com maturidade a 1 ano, e o melhor que se consegue arranjar é um juro de 4%, o melhor é fazer contas à vida.

O período de graça concedido a Mario Monti nestes 6 meses como ilustre primeiro ministro tecnocrata parece que se está a esgotar. Não fosse o LTRO, e o período ter-se-ia encurtado para metade. Berlusconi deve estar a rir-se disto tudo.

Acreditamos que Mario Monti já tenha telefonado a Mario Draghi. A gravidade da situação já não se resolve com emails.



Está na hora de trabalhar em equipa, pelo que aguardamos a intervenção de Draghi na manipulação das taxas de juro das obrigações soberanas


E Monti dividir-se em declarações públicas dizendo que tudo está bem, que não precisa de resgate, a austeridade e as reformas são canja de galinha e conseguirá financiar o resgate a Espanha a 3% quando se financia a 7% no mercado de dívida.

Parafraseando Jim Rogers:
"It's the wrong thing to do, but that's all they know how to do it"



Tiago Mestre

UE disposta a renegociar austeridade com a Grécia

A fazer fé na notícia da edição online do Económico, citando o FT Deutschland:

"UE disposta a renegociar austeridade para evitar saída da Grécia"

Significa que o bluff político do Syriza, e já agora de todos os outros partidos importantes (PASOK e Nova Democracia) continua a produzir resultados e a levar a UE a ajoelhar-se perante a total desgraça do que seria a saída da Grécia do EURO.

O Syriza sabe aquilo que nós também sabemos:

Os líderes políticos europeus estão ativamente envolvidos em fazer tudo, mas mesmo tudo, para salvar o EURO e as suas estruturas burocráticas, nem que para isso continuem a aniquilar os países que ainda têm alguma força (não muita) na tentativa de manter a paz podre e demonstrar ao mundo que tudo está bem e que a solidariedade interna resolver os problemas internos.

Quem sabe isto e não tem pudor em fazer política da mais baixa significa que tem a faca e o queijo na mão.

Os gregos foram e estão a ser implacáveis em explorar essas fragilidades, mas não os condenamos. Se a Europa não diz BASTA, a loucura continua.

O BCE, segundo Farage, possui 440 mil milhões de euros de dívida soberana grega, portuguesa, irlandesa, espanhola e italiana.
Se a Grécia sai do Euro, adeus BCE. Os prejuízos que terá que reportar obrigará a exigir aos países membros mais dinheiro para recapitalizar o seu depauperado capital próprio. E perguntamos nós:

A quem vai o BCE pedir dinheiro para se recapitalizar?

A Portugal, à Espanha, a Itália ??

Demos em 2011 uma grande importância em explicar a fragilidade em que o BCE se estava a envolver com esta história de comprar obrigações soberanas sem possuir capital próprio para garantir eventuais perdas caso o preço destas baixasse ou entrassem em default.
Estivemos a somar os posts que publicámos sobre este assunto entre Outubro e Dezembro de 2011 e foram mais de 10.
A nossa preocupação era já enorme acerca destas políticas suicidas que se estavam a cometer em nome de uma Europa solidária.

delay and pray

(Atualização deste post)
Estivémos à procura do post onde traduzimos uma história que revelava a dificuldade do BCE em se recapitalizar e de como a compra de obrigações tóxicas depauperava o seu capital próprio.
"BCE - Banco de mãos largas, mas com bolsos vazios"



Tiago Mestre

Nigel Farage fez hoje história no parlamento europeu

Em 2 minutos e 50 segundos Farage sintetiza o pesadelo da UE: a insustentabilidade desta ridícula  planificação centralizada.
Memorável...


Tiago Mestre

Dinheiro a sério

A propósito dos comentário do Sérgio no post Alemanha, a nossa locomotiva, em que refere a entrevista de Hugo Salinas e Max Keiser na Grécia, e do comentário do Anónimo no post Portugal não ficará imune sobre comprar ouro enquanto está barato, temos algo para partilhar convosco:

Em Janeiro de 2011 (há ano e meio) comprámos 28 moedas de prata 1 onça da Filarmónica Austríaca. Na altura estavam a 25€ a onça e hoje rondam as 26,5€. Foi preciso pagar o IVA de 7% (uma chatice), mas a prata (ainda) é considerada um bem de consumo.

Comprámos no site www.coininvestdirect.com. O processo correu sem problemas:



São moedas com uma dimensão acima do normal e o peso de 31gramas é bastante superior ao da moeda de 2€. Não comprámos ouro porque cada moeda de 31 gramas ultrapassa os 1000 euros, e mesmo as mais pequenas e leves custam sempre acima dos 100 - 200 euros. Ficámo-nos pela prata.

Fica a partilha.

Tiago Mestre

12 de junho de 2012

Super Mario resolve

Parece-nos que está na hora de entrar Super Mario em ação.

Talvez por o LTRO ter acabado em final de Fevereiro, Super Mario tem andado a adiar a aquisição de obrigações no mercado secundário (SMP), também ele preocupado em não querer ministrar overdose de morfina no já debilitado paciente que se chama mercado europeu de dívida.

É que ter injetado quase 900 mil milhões de euros há 3-5 meses no setor bancário (espanhol e outros) é obra. Mas pelos vistos o dinheiro já tinha todo destino, já que uma semana após o último LTRO (27 Fevereiro), o medo e as vendas instalavam-se nos mercados. A coisa foi descambando até se conseguirem os tais 100 mil milhões de euros do passado fim de semana.

Mas são amendoins (e de sabor amargo) se compararmos com os valores do LTRO:


LTRO de Super Mario Draghi:
- Crédito Ilimitado, juro de 1 % com maturidade 3 anos


Bailout à Espanha:
- Crédito Limitado, juro de 8,5% (soube-se hoje), maturidades ainda a definir;
- Intervenção e controlo estatal à semelhança de Portugal com a aldrabice das CoCo Bonds;
- Subordinação das obrigações atuais detidas por privados a estas novas, ficando os privados na fila de espera com os institucionais a passarem à frente;
- Eventuais aumentos de capital sob a forma de criação de ações, trazendo ainda mais ações para as bolsas, diluindo e degradando o valor das atuais, que já de si perdem valor todos os dias por os investidores estarem a antecipar este tipo de cenários.
- Itália garantirá 22% destes 100 mil milhões. O juro concedido à Espanha pela Europa rondará os 3%, mas Itália financia-se a 6% !!

O bailout sabe a azedo, não acham?
Acreditamos que os investidores profissionais partilham desta opinião, e hoje foi mais um dia de despejo e vendas nos mercados de dívida sul europeus.

Por toda esta tragédia que está a acontecer, a somar à tragédia grega do próximo Domingo, acreditamos que já chegaram uns mails ao Outlook do Super Mario a implorar para que faça qualquer coisa. Pedir não custa, certo?

As yields das obrigações soberanas espanholas a 10 anos tocaram os 6,8% no mercado secundário, ultrapassando o recorde anterior atingido em Novembro de 2011 desde que há Euro.

Aguardamos pela intervenção silenciosa (mas no fundo bem ruidosa) de Draghi no mercado secundário, a ver se compra mais uns dias aos seus amigos políticos que o elegeram nomearam para aquele cargo.

Não lemos em lado nenhum qualquer tipo de rumores sobre esta conjetura. Estamos simplesmente a atirar o barro à parede em função apenas da leitura que fazemos da realidade.
Imaginar não custa, certo?

Tiago Mestre

PS:  Pessoalmente sempre gostei mais das consolas da SEGA e do Sonic. O Super Mario e a Nintendo nunca me cativaram.

Alemanha, a nossa locomotiva.

Tem sido discussão frequente aqui no blog o que pode levar um certo país a ter que sair do Euro, causas, consequências, motivos ,etc.
E também temos expressado a nossa relutância em acreditar como tal cenário é possível no futuro imediato, na medida em que os políticos continuam a adiar, a adiar, e ainda possuem algumas armas no seu arsenal para disparar, adiando ainda mais o que será inevitável.

Mas pensamos que há uma coisa em que todos concordamos:
A Alemanha tem caucionado todo o dinheiro que tem sido autorizado para formar o EFSF e o ESM, caucionou também o primeiro resgate à Grécia que foi com dinheiro dos próprios Estados, e permitiu também muita impressão de dinheiro pelo BCE com consequências negativas diretas no balanço do Bundesbank, como já falámos aqui no Blog.

Todos os outros países da UE só aprovaram estas políticas porque a Alemanha as aprovou, e o resto é conversa.
Mas fica-nos a pergunta no ar: E porque é que a Alemanha aprovou tudo isto?

A resposta mais natural será dizer que fê-lo porque é também do seu próprio interesse. Se não ajudasse, seria a própria Alemanha a ficar prejudicada.
E por irónico que seja, é bem verdade que a economia da Alemanha tem sido bafejada de sorte, sobretudo no seu setor mais vital: a indústria exportadora. Esta tem tido uma performance digna de registo, sobretudo por mérito próprio, mas porque também evitou que as compras dos países europeus à Alemanha não quebrassem tanto como teriam quebrado caso não houvesse ajudas financeiras.


Fonte: Eurostat

- Por aqui se vê que do grupo dos "ricos", só a Alemanha recuperou na totalidade aquilo que perdeu em 2009.
- A França do Monsieur Hollande mais vale estar caladinha, porque não tem energia interna para fazer frente às necessidades dos GIPS nem de si própria.
- Espanha e Itália nem oferece comentários, muito cá para baixo.
- Portugal é o país destes 7 que partia em 2002 com a posição mais favorável, mas em 9 anos teve uma aterragem bem difícil. Não se enganem com esta história da recuperação das exportações. A recuperação de que se fala só permite que não se caia ainda mais. Nem de perto nem de longe nos estamos a aproximar do que foi o índice em 2007, já para não falar de 2002.
- A Irlanda é que está em melhor condição para sair fora do euro sem grandes danos. A sua condição industrial aliada a uma moeda própria, políticas de um certo protecionismo e ligeira correção salarial para baixo tornariam esta ilha num paraíso para novos investidores industriais e o desemprego baixaria logo para valores socialmente aceitáveis.

Com estes dados chegamos a outra conclusão:
A Alemanha tem caucionado tudo isto porque julga que PODE, ou seja, a revitalização da sua indústria inspira confiança e dá garantias que pode arriscar um pouquinho mais neste sonho pesadelo da integração europeia.

E aqui é que reside a nossa pergunta final:

E como reagirá o eleitorado alemão caso o gráfico volte a cair, o PIB desça e a economia entre em recessão?

É que a procura interna NUNCA compensará esta queda. O povo alemão é austero por natureza e não embarcará na história do hiper-consumo para compensar a falta de exportações. Se não o fez no passado, não é agora que o fará com certeza.

Talvez esta possa ser a pedra de toque que fará mudar as políticas dos alemães e assim poderem dar um pontapé no rabo aos restantes colegas da União. Dizemos talvez porque não sabemos, apenas suspeitamos.
Do lado dos GIPS, não acreditamos que seja eleito nenhum líder partidário (até porque nem os há) que esteja a favor de uma saída ordenada do euro e da UE. Ninguém quer perder a fatia do bolo.

E por esta via sim, concordo que a saída de um qualquer país do Euro seja um assunto verdadeiramente a ter em conta e a ser proposto numa qualquer cimeira europeia. Até lá, fico-me mais pelo delay and pray.

Tiago Mestre

Portugal não ficará imune ao que se passou ontem

Quando Portugal terminar o programa de assistência, mais de 50% da dívida soberana estará nas mãos de organismos oficiais: FMI, BCE, EFSF/ESM.

A fazer fé na reação que os investidores privados tiveram ontem com o anúncio do resgate à banca espanhola, no dia que se falar em reestruturação da dívida em Portugal, acreditamos que os privados fugirão a sete pés. E porquê?

Como escrevemos ontem, a classe política decidiu unilateralmente que as obrigações soberanas detidas por estes organismos oficiais não sofrerão haircut em caso de default soberano, ficando os prejuízos todos do lado dos privados.
Esta imoralidade jurídica foi aplicada no default da Grécia em Março de 2012 e ontem surgiram notícias que o mesmo se aplicará com as obrigações que o EFSF/ESM comprará a Espanha.
Itália foi o alvo imediato, acompanhando a par e passo as quedas dos indicadores financeiros espanhóis.

Mas Portugal não ficará imune a esta condição. Ninguém quer ficar na fila de espera para entrar no bar da última moda quando tanta gente passa à frente com o consentimento do porteiro.

A única coisa que poderá aliviar a tensão aos investidores de obrigações portuguesas é que a maior parte delas estão denominadas em english law, o que lhes confere mais direitos numa eventual litigância internacional em caso de incumprimento por parte da República.
Mas acreditamos que poucos quererão ir para a litigância, à excepção de alguns fundos especializados nessa matéria, como já explicamos aqui. O investidor comum mortal rapidamente perceberá que estará a remar contra a maré e com custos muito elevados, sendo que o melhor é saltar fora o mais depressa possível.

Ficaremos assim ainda mais dependentes do dinheiro das autoridades europeias e das suas condições de planeamento centralizado.

Para aqueles que, como nós, acreditam que uma das condições para Portugal se expurgar deste jugo será a reestruturação/default da sua dívida pública, essa opção fica cada vez mais distante, e se um dia chegar a acontecer, será um total caos, porque bastará um passarinho (rumor) informar os investidores de que a reestruturação vem aí, que nenhum, mas mesmo nenhum, quererá ficar na fila de espera. Como já escrevemos aqui, por cada dia que passa em que adiamos o inevitável, julgando que estamos a resolver os problemas, não percebemos que na tentativa de resolver uns estamos a criar outros ainda maiores, tornando o dia D cada vez mais doloroso.

Será um caos desordenado e imprevisível.
Por falta de coragem política, que é o que mais caracteriza a nossa elite, mais amarrados ficaremos a este jugo europeu.

Esta é uma das muitas consequências indiretas que não foi claramente pensada pelos líderes europeus no fim de semana. Não os responsabilizamos por não se terem lembrado, porque não são génios, mas responsabilizamo-los por julgarem que conseguem governar, planificar e prever tudo, como se a complexidade de uma economia com 500 milhões de pessoas estivesse ao alcance do seu intelecto.
É uma autêntica quimera que só pode resvalar em pesadelo.

Tiago Mestre

11 de junho de 2012

Spanish Bailout numa imagem



zerohedge não perdoa...

Tiago Mestre

Pior do que uma má notícia, só mesmo duas


Só faltava mais esta. Dispensa tradução...


Europe Brings Out The "Capital Controls" Bazooka


Here we go:
  • EU SOURCES HAVE DISCUSSED IMPOSING CAPITAL CONTROLS AS WORST CASE SCENARIO IF GREECE LEAVES EUROZONE - RTRS
  • IMPOSING BORDER CHECKS, LIMITING ATM WITHDRAWALS ALSO PART OF WORST-CASE SCENARIO PLANNING - EU SOURCES - RTRS
  • SUSPENSION OF SCHENGEN ALSO DISCUSSED
In other words, that money you thought you had... You don't really have it. We can only hope this message was not meant to restore confidence and prevent future bank runs. Because if Europe wanted a continental bank run, it may have just gotten one.
This is getting scary very fast.

Cortesia Zerohedge e Reuters

Pobreza banqueira

É com esta gente que a banca portuguesa é gerida, poluindo a opinião pública por arrasto:

Faria de Oliveira: Pedido de ajuda financeira "é positivo" porque "elimina a incerteza"

notícia aqui

Estamos a aguardar pela explicação dos motivos do resgate ser "positivo" e em que evidências se baseia para afirmar que "elimina a incerteza".

Ahh, afinal não explicou. 
Apenas confundiu realidade com vontade.

E para aqueles que desejam uma opinião pública forte em Portugal:  tenham muita paciência!

Tiago Mestre

"Buy the rumor, sell the news"

O que se passou hoje nas bolsas, nos mercados de obrigações e nos CDS é digno de registo:

Com o raiar do dia, o IBEX começou a valorizar mais de 5%, e a Europa foi atrás. Só o Bankia valorizava sozinho 18% !!!
Os investidores europeus chegaram aos seus escritórios, sentaram-se nas suas secretárias... e começaram por:
Ler as notícias,
Fazer perguntas e tentar respondê-las,
Ligar o Excel e fazer umas contas.

E eis a conclusão:
O resgate a Espanha irá impor condições muito desvantajosas a quem já possui obrigações do Estado espanhol, e porquê?
Porque esta recapitalização via emissão de obrigações EFSF ou ESM terá uma hierarquia sénior em caso de reestruturação das dívidas do Estado espanhol, ou seja, as obrigações EFSF/ESM emitidas não sofrerão haircut em caso de default. Já as obrigações espanholas detidas pelo resto do público, as SPGB's, não poderemos dizer a mesma coisa.

Sabem o que isto nos faz lembrar? A Grécia e o seu default de Março. Pois, os investidores ainda não se esqueceram.
É que na altura, quem ficou a perder foram as instituições privadas que detinham obrigações gregas e concordaram com o haircut de mais de 70%. Curiosamente as que não assinaram o acordo e mantiveram as obrigações "velhas" forem bem mais inteligentes, porque perceberam que o risco em não assinarem compensava as ameaças que a Grécia fez de que não iria pagar. O Estado grego continua a pagar a estas instituições como se nada tivesse acontecido, conforme explicámos aqui. Alguém da Grécia explicou mais tarde que não pagar a estas instituições "teimosas" seria muito mau, tendo em conta a turbulência que o país tem vivido nestes meses. Bingo!

Mas a imoralidade ainda é maior com as obrigações gregas detidas pelo BCE, FMI e EFSF, porque estas mantiveram-se intactas, sem problemas, apenas porque os líderes políticos assim o decidiram.

Estão a ver a imoralidade de tudo isto?
Lá porque eu sou uma instituição "pública", como o BCE ou o EFSF, fico de fora do haircut por decisão política, e todos os outros parolos privados que estão na fila têm que levar com os prejuízos.

Ninguém quer ficar na fila dos parolos, pelo que o melhor é sair dela tão rápido quanto possível. et voilá! cortesia ZeroHedge:




O hype matutino rapidamente se esfomou. Por volta da uma da tarde ninguém quis ir almoçar sem dar ordem de venda das obrigações espanholas que detinha. Por arrasto, as obrigações italianas tiveram o mesmo destino.

Ao fim do dia o IBEX (des)valorizava - 0,6%  Aaucchhh!
O Bankia 1,85%

A bolsa italiana FTSE MIB desceu 2,79% com muitos bancos a ficarem com as transações suspensas por quedas astronómicas ao longo do dia.

CDS a 5 anos de Itália e Espanha acima dos 550bps, pior do que quando o dia raiou.

Tempos houve em que os bailouts compravam meses, senão semestres inteiros. Há uns tempos só já compravam um mês se tanto, e ultimamente se comprarem semanas já não é mau. Este de que estamos a falar parece que comprou horas aos líderes políticos.

Eis mais um aforismo da gíria financeira que se adequa na perfeição ao que hoje se passou:
"Buy the rumor, sell the news."

É por tudo isto que achamos que é preciso dizer basta e acabar com esta farsa de ir fazendo de conta que os problemas se estão a resolver.
Eurobonds, Firewalls, Resgates, EFSF/ESM, FROB, União Política, Orçamento Único, Troika, são tudo sinónimos de um só tipo de intelecto: MEDIOCRIDADE.

Tiago Mestre