As contradições em que o próprio FMI se envolveu em menos de um ano revela uma incompetência técnica tão grande que há já muito tempo que deixámos de receber lições desses meninos aqui no Contas.
E para mal dos nossos pecados, as teorias que há 9 meses eram as "certas", hoje já são as "erradas". Pelo meio tivemos Portugal como cobaia de ensaio. É RIDÍCULO!
Na capa do jornal I, e bem referido no Blog "A Espuma dos Dias", há Tensão no ar.
Mas a notícia acrescenta que o FMI, paladino da austeridade há 1 ano, acusa agora o BCE de ajudar a Alemanha em detrimento dos países periféricos, preferindo a austeridade ao crescimento.
Quem diria que uma instituição com esta presença mundial se contradiga em menos de 1 ano e ainda acuse (falsamente) o BCE de ser apologista da austeridade.
O BCE tem sido antes um "MÃOS LARGAS" de bolsos vazios!
Que grande, grande disparate!
Que péssimo serviço prestado aos países resgatados. Portugal deveria suspender desde já os pagamentos pela consultoria financeira prestada.
E que péssimo serviço para a formação de uma opinião pública informada e que assegure a credibilidade das instituições tecnocráticas que verdadeiramente nos governam nos dias de hoje.
Tiago Mestre
18 de abril de 2012
A velocidade do dinheiro !
Temos dado muita atenção aqui no Contas acerca da política de impressão generalizada de dinheiro que os Bancos Centrais têm efetuado nos últimos anos e das suas consequências.
A mais evidente e mais perigosa é mesmo a inflação. Contudo, os valores desta na UE e nos EUA, de acordo com os institutos oficiais, não são uma calamidade, ou seja, pouco acima dos 3%. Mas até podemos aceitar que esta não seja de 3% na realidade, mas de 7% ou até de 10% em alguns produtos.
Não obstante, os estragos que a inflação gera na economia parecem ainda não ser evidentes, e segundo um artigo de Chris Martenson, há um fenómeno que está a "prender" essa mesma inflação:
A Velocidade do Dinheiro
Os 2 gráficos abaixo representam a realidade do dólar americano na sua quantidade e na sua velocidade:
A velocidade é um valor calculado, ou seja, é a divisão da quantidade de dinheiro pelo PIB dos EUA.
Com estes 2 gráficos ficamos a perceber que a impressão de dólares massiva que tem ocorrido nos últimos anos, muito acima do crescimento da economia, só não se transforma já em inflação porque a banca privada e outros setores da economia têm o dinheiro quase parado.
E com esta constatação verifica-se que o problema da inflação não é hoje motivo de preocupação "aparente", mas por detrás da aparência o dinheiro está literalmente a ser empilhado, tal como uma barragem que está a encher o seu nível de água.
Empilhado porquê?
Porque quem conseguiu reter o dinheiro não sente segurança suficiente em voltar a investi-lo. O que se passou com o mercado sub-prime e a queda das cotações das bolsas deixou muitos investidores nervosos. Para acalmar o nervosismo, os bancos centrais começaram a imprimir para voltar a estimular a atividade, mas só uma parte desse dinheiro entrou no circuito, ou seja, ganhou velocidade. O resto está parado à espera de melhores dias.
E o que pode provocar um aumento de velocidade, e consequentemente inflação?
1. Especulamos que caso haja novamente confiança e o crescimento económico seja uma realidade, a barragem comece a abrir as portas.
2. Uma continuada descredibilização do dólar aos olhos do resto do mundo, colocando o investidor no dilema se vende os seus dólares ou não.
3. Queda do valor das ações e de outros ativos financeiros denominados em dólares, transmitindo aos investidores que o retorno desses ativos já não é atrativo.
4. Muitos outros motivos haverá para que qualquer pessoa se queira ver livre das notas e das moedas que perdem valor ano após ano.
Conclusão:
Para já, por paradoxal que pareça, são os bancos privados e outras instituições privadas que estão a barrar todo este fluxo monetário proveniente dos bancos centrais, quando deveriam ser estes a zelar e a preservar o valor da moeda do seu País/União.
No dia em que os banqueiros decidirem vender os seus dólares e os seus euros, os bancos centrais e a classe política terão logo que subir as taxas de juro para absorver esse excesso de liquidez monetária, contudo nunca será a tempo. Subir as taxas de juro é uma questão política (para mal dos nossos pecados), e subi-las hoje significaria "rebentar" com o castelo de cartas em que as instituições financeiras se meteram. Sem crédito barato e ilimitado as máquinas financeiras começam logo a colapsar.
Tudo com o patrocínio dos nossos bancos centrais e das suas "mãos largas".
Vejam-se as operações constantes do BCE com os programas SMP e LTRO 1 e 2.
O FED com o QE1, QE2 e a operação Twist. O Banco do Japão, o Banco de Inglaterra, etc, etc. Tudo a imprimir dinheiro.
Nunca nos cansaremos de referir aqui no Contas os atos "malditos" que estes banqueiros centrais/políticos andam a fazer por toda a parte.
Tiago Mestre
A mais evidente e mais perigosa é mesmo a inflação. Contudo, os valores desta na UE e nos EUA, de acordo com os institutos oficiais, não são uma calamidade, ou seja, pouco acima dos 3%. Mas até podemos aceitar que esta não seja de 3% na realidade, mas de 7% ou até de 10% em alguns produtos.
Não obstante, os estragos que a inflação gera na economia parecem ainda não ser evidentes, e segundo um artigo de Chris Martenson, há um fenómeno que está a "prender" essa mesma inflação:
A Velocidade do Dinheiro
Os 2 gráficos abaixo representam a realidade do dólar americano na sua quantidade e na sua velocidade:
A velocidade é um valor calculado, ou seja, é a divisão da quantidade de dinheiro pelo PIB dos EUA.
Com estes 2 gráficos ficamos a perceber que a impressão de dólares massiva que tem ocorrido nos últimos anos, muito acima do crescimento da economia, só não se transforma já em inflação porque a banca privada e outros setores da economia têm o dinheiro quase parado.
E com esta constatação verifica-se que o problema da inflação não é hoje motivo de preocupação "aparente", mas por detrás da aparência o dinheiro está literalmente a ser empilhado, tal como uma barragem que está a encher o seu nível de água.
Empilhado porquê?
Porque quem conseguiu reter o dinheiro não sente segurança suficiente em voltar a investi-lo. O que se passou com o mercado sub-prime e a queda das cotações das bolsas deixou muitos investidores nervosos. Para acalmar o nervosismo, os bancos centrais começaram a imprimir para voltar a estimular a atividade, mas só uma parte desse dinheiro entrou no circuito, ou seja, ganhou velocidade. O resto está parado à espera de melhores dias.
E o que pode provocar um aumento de velocidade, e consequentemente inflação?
1. Especulamos que caso haja novamente confiança e o crescimento económico seja uma realidade, a barragem comece a abrir as portas.
2. Uma continuada descredibilização do dólar aos olhos do resto do mundo, colocando o investidor no dilema se vende os seus dólares ou não.
3. Queda do valor das ações e de outros ativos financeiros denominados em dólares, transmitindo aos investidores que o retorno desses ativos já não é atrativo.
4. Muitos outros motivos haverá para que qualquer pessoa se queira ver livre das notas e das moedas que perdem valor ano após ano.
Conclusão:
Para já, por paradoxal que pareça, são os bancos privados e outras instituições privadas que estão a barrar todo este fluxo monetário proveniente dos bancos centrais, quando deveriam ser estes a zelar e a preservar o valor da moeda do seu País/União.
No dia em que os banqueiros decidirem vender os seus dólares e os seus euros, os bancos centrais e a classe política terão logo que subir as taxas de juro para absorver esse excesso de liquidez monetária, contudo nunca será a tempo. Subir as taxas de juro é uma questão política (para mal dos nossos pecados), e subi-las hoje significaria "rebentar" com o castelo de cartas em que as instituições financeiras se meteram. Sem crédito barato e ilimitado as máquinas financeiras começam logo a colapsar.
Tudo com o patrocínio dos nossos bancos centrais e das suas "mãos largas".
Vejam-se as operações constantes do BCE com os programas SMP e LTRO 1 e 2.
O FED com o QE1, QE2 e a operação Twist. O Banco do Japão, o Banco de Inglaterra, etc, etc. Tudo a imprimir dinheiro.
Nunca nos cansaremos de referir aqui no Contas os atos "malditos" que estes banqueiros centrais/políticos andam a fazer por toda a parte.
Tiago Mestre
16 de abril de 2012
Para aqueles que queriam a intervenção do BCE...
... tomem lá a "chapada" de luva branca dos mercados.
Agora que os mercados se habituaram à presença do BCE, tanto através do programa de aquisições de obrigações soberanas (SMP), como nos empréstimos "à doida" LTRO, tudo o mundo aguarda pela taxa de juro das obrigações espanholas a partir do qual o BCE intervirá no mercado.
E qual é a melhor maneira de o saber? É vender, e depressa, porque assim mais cedo se descobrirá a taxa limite do BCE.
É este mecanismo pernicioso e de total manipulação que faz com que os mercados adoptem a estratégia do "price discovery", em que vasculham os critérios sob os quais os bancos nacionais atuam, e antecipando-se, tentam fazer fortunas..
E quem mais ganha? Quem mais depressa começar a vender.
Não digam que a culpa é dos mercados. Estes apenas se adequam ao contexto.
Antes criminalizem e punam quem manipula o contexto.
E já agora, qual é a taxa que julgam limite para o BCE?
6,5% ?
7% ?
7,5% ?
Tiago Mestre
Agora que os mercados se habituaram à presença do BCE, tanto através do programa de aquisições de obrigações soberanas (SMP), como nos empréstimos "à doida" LTRO, tudo o mundo aguarda pela taxa de juro das obrigações espanholas a partir do qual o BCE intervirá no mercado.
E qual é a melhor maneira de o saber? É vender, e depressa, porque assim mais cedo se descobrirá a taxa limite do BCE.
É este mecanismo pernicioso e de total manipulação que faz com que os mercados adoptem a estratégia do "price discovery", em que vasculham os critérios sob os quais os bancos nacionais atuam, e antecipando-se, tentam fazer fortunas..
E quem mais ganha? Quem mais depressa começar a vender.
Não digam que a culpa é dos mercados. Estes apenas se adequam ao contexto.
Antes criminalizem e punam quem manipula o contexto.
E já agora, qual é a taxa que julgam limite para o BCE?
6,5% ?
7% ?
7,5% ?
Tiago Mestre
Vários líderes a dizerem a mesma coisa. Humm! (Parte 2)
Ainda há 15 dias nos estranhava a forma alinhada com que vários líderes mundiais reafirmavam que a crise financeira europeia tinha passado:
Sarkozy: "Hoje o problema está resolvido"; Christine Lagarde: "A Primavera económica está no ar"; Mario Draghi: "Conseguimos resolver a crise financeira"
Ouvimos estes comentários um pouco por toda a parte, mas nestas ocasiões convêm sempre desconfiar, e porquê?
1. Porque este alinhamento verbal num curto espaço de dias parece-nos combinado e previamente estudado. É para dar a tal "confiança" aos mercados.
2. E porque os comentários não são acompanhados de explicações técnicas. Basearam-se apenas em (aparentes) resultados:
- Queda dos juros das dívidas soberanas;
- Maior confiança entre banqueiros;
- Ações das principais bolsas europeias a subir durante 3-4 meses seguidos .
Faltava fazer a pergunta a estes líderes:
- E porque é que acham que isto aconteceu? Se não foi milagre, o que é que motivou esta prosperidade trimestral?
- E se quisermos ser sérios, teremos que analisar o impacto do programa LTRO do BCE neste "suspiro" económico europeu que durou 3 meses.
Ou seja, os critérios fundamentais que permitirão uma recuperação sustentável das nossas economias não estão de todo resolvidos ou sequer a caminhar para lá.
Liquidar dívida com mais dívida e tentar perpetuar esta espiral até ao infinito, que foi o que o LTRO tentou fazer, parece-nos mais querer forçar o modelo business as usual.
Os 3 aparentes resultados que explicámos acima estão, um a um, a deteriorar-se dia após dia.
Já temos economistas neo-clássicos, como Stiglitz e outros, (só falta Krugman!) a perceber que afinal a "festa" de dinheiro impresso não pode durar para sempre e que promove a total manipulação dos mercados. Mas também (ainda) não concordam com a austeridade. Então em que ficamos?
Nunca é tarde de mais para reconhecer os erros, desde que haja humildade intelectual.
Tiago mestre
Sarkozy: "Hoje o problema está resolvido"; Christine Lagarde: "A Primavera económica está no ar"; Mario Draghi: "Conseguimos resolver a crise financeira"
Ouvimos estes comentários um pouco por toda a parte, mas nestas ocasiões convêm sempre desconfiar, e porquê?
1. Porque este alinhamento verbal num curto espaço de dias parece-nos combinado e previamente estudado. É para dar a tal "confiança" aos mercados.
2. E porque os comentários não são acompanhados de explicações técnicas. Basearam-se apenas em (aparentes) resultados:
- Queda dos juros das dívidas soberanas;
- Maior confiança entre banqueiros;
- Ações das principais bolsas europeias a subir durante 3-4 meses seguidos .
Faltava fazer a pergunta a estes líderes:
- E porque é que acham que isto aconteceu? Se não foi milagre, o que é que motivou esta prosperidade trimestral?
- E se quisermos ser sérios, teremos que analisar o impacto do programa LTRO do BCE neste "suspiro" económico europeu que durou 3 meses.
Ou seja, os critérios fundamentais que permitirão uma recuperação sustentável das nossas economias não estão de todo resolvidos ou sequer a caminhar para lá.
Liquidar dívida com mais dívida e tentar perpetuar esta espiral até ao infinito, que foi o que o LTRO tentou fazer, parece-nos mais querer forçar o modelo business as usual.
Os 3 aparentes resultados que explicámos acima estão, um a um, a deteriorar-se dia após dia.
Já temos economistas neo-clássicos, como Stiglitz e outros, (só falta Krugman!) a perceber que afinal a "festa" de dinheiro impresso não pode durar para sempre e que promove a total manipulação dos mercados. Mas também (ainda) não concordam com a austeridade. Então em que ficamos?
Nunca é tarde de mais para reconhecer os erros, desde que haja humildade intelectual.
Tiago mestre
15 de abril de 2012
Sarkozy quer abrir debate sobre papel do BCE no crescimento económico
Se houver debate, será vazio e inconsequente.
Não só o mandato do BCE não permite apoiar crescimento, como se insistisse em fazê-lo, seria totalmente ineficaz.
Pelo caminho estraga a moeda, promove desequilíbrios entre financeiros entre países, puxa pela inflação, destrói poder de compra, reduz consumo interno, afugenta investidores e... chega!
Estas atoardas dos líderes europeus são só para chantagear e enganar o eleitorado.
Quem é entendido na matéria sabe perfeitamente que o BCE não pode nem deve entrar neste domínio.
Quem promove crescimento são as empresas e o capital humano que as compõe.
Tiago Mestre
Não só o mandato do BCE não permite apoiar crescimento, como se insistisse em fazê-lo, seria totalmente ineficaz.
Pelo caminho estraga a moeda, promove desequilíbrios entre financeiros entre países, puxa pela inflação, destrói poder de compra, reduz consumo interno, afugenta investidores e... chega!
Estas atoardas dos líderes europeus são só para chantagear e enganar o eleitorado.
Quem é entendido na matéria sabe perfeitamente que o BCE não pode nem deve entrar neste domínio.
Quem promove crescimento são as empresas e o capital humano que as compõe.
Tiago Mestre
14 de abril de 2012
Post tardio sobre a "Festa" do Parque Escolar
Caros leitores e leitoras, sendo nós ouvintes frequentes das Comissões Parlamentares, não deixámos de ouvir a famosa audição com a Ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, ocorrida no passado dia 10 de Abril.
Essa audição já está disponível aqui.
E só vendo e ouvindo a audição é que podemos, eventualmente, formar algum tipo de opinião sobre o que dela se relevou no espaço mediático.
A "Festa para a arquitectura portuguesa" que tanto se badalou, inserida no contexto da audição, foi meramente uma expressão que derivou do confronto de ideias e até de alguma disputa pessoal que se verificava entre alguns deputados e a ex-ministra acerca dos méritos e defeitos do projecto Parque Escolar.
Ficámos a conhecer que a atitude da ex-ministra, vincada pela forte personalidade que transpira, revelou uma certa propensão para um clima acintoso, ou seja, não se coibiu de responder de forma provocativa a certas afirmações dos deputados.
O clima foi aquecendo e a 2ª metade da audição ( foram 3 horas de audição! ) é que se caracterizou como uma verdadeira "Festa", mas de mediocridade intelectual:
1. O ruído era permanente quando a ex-ministra tinha a palavra. Os deputados falavam normalmente entre eles como se mais ninguém estivesse a falar. As próprias reacções faciais e até corporais dos deputados em função das explicações da ex-ministra revelavam um desrespeito difícil de aceitar;
2. Identificámos um deputado que já teclava sms no telemóvel antes da sessão terminar;
3. O responsável pela audição teve que interromper a audição 3 vezes devido às conversas paralelas.
Enfim, só nos lembramos da expressão REGABOFE para caracterizar o que lá se passou.
Sobre os méritos e defeitos do programa, o melhor mesmo é ouvir as explicações dos intervenientes no projeto. Não duvidamos da honestidade intelectual e da seriedade da ex-ministra, pelo que damos como verdadeiras as explicações que ali foram dadas.
Tiago Mestre
Essa audição já está disponível aqui.
E só vendo e ouvindo a audição é que podemos, eventualmente, formar algum tipo de opinião sobre o que dela se relevou no espaço mediático.
A "Festa para a arquitectura portuguesa" que tanto se badalou, inserida no contexto da audição, foi meramente uma expressão que derivou do confronto de ideias e até de alguma disputa pessoal que se verificava entre alguns deputados e a ex-ministra acerca dos méritos e defeitos do projecto Parque Escolar.
Ficámos a conhecer que a atitude da ex-ministra, vincada pela forte personalidade que transpira, revelou uma certa propensão para um clima acintoso, ou seja, não se coibiu de responder de forma provocativa a certas afirmações dos deputados.
O clima foi aquecendo e a 2ª metade da audição ( foram 3 horas de audição! ) é que se caracterizou como uma verdadeira "Festa", mas de mediocridade intelectual:
1. O ruído era permanente quando a ex-ministra tinha a palavra. Os deputados falavam normalmente entre eles como se mais ninguém estivesse a falar. As próprias reacções faciais e até corporais dos deputados em função das explicações da ex-ministra revelavam um desrespeito difícil de aceitar;
2. Identificámos um deputado que já teclava sms no telemóvel antes da sessão terminar;
3. O responsável pela audição teve que interromper a audição 3 vezes devido às conversas paralelas.
Enfim, só nos lembramos da expressão REGABOFE para caracterizar o que lá se passou.
Sobre os méritos e defeitos do programa, o melhor mesmo é ouvir as explicações dos intervenientes no projeto. Não duvidamos da honestidade intelectual e da seriedade da ex-ministra, pelo que damos como verdadeiras as explicações que ali foram dadas.
Tiago Mestre
ESPANHA E PORTUGAL - IRMÃOS IBÉRICOS (PARTE 3)
Já se sabe onde foi parar o dinheiro do programa LTRO 1 e 2 do BCE.
Bancos espanhóis: 415 mil milhões de euros nos 2 LTRO's de Dez e Fev.
Bancos italianos: 354 mil milhões de euros. notícia aqui
Bancos portugueses: 56,3 mil milhões de euros só no LTRO de Fevereiro de 2012. notícia aqui
Quando afirmámos aqui que o dinheiro tinha ido parar sobretudo aos bancos dos países periféricos não estávamos longe da verdade. Antes pelo contrário.
E é por isso que o Bundesbank está furioso, como explicámos aqui.
A festa do Ltro acabou. De volta à realidade, pura e dura.
Este triunvirato de países representa hoje A grande ameaça ao sistema, já de si podre, que se denomina União Monetária Europeia.
Aguardamos que caia de maduro para que Portugal possa novamente reerguer-se, apesar de já ter entrado naquela fase de rastejar com a cara no asfalto!
Tiago Mestre
Bancos espanhóis: 415 mil milhões de euros nos 2 LTRO's de Dez e Fev.
Bancos italianos: 354 mil milhões de euros. notícia aqui
Bancos portugueses: 56,3 mil milhões de euros só no LTRO de Fevereiro de 2012. notícia aqui
Quando afirmámos aqui que o dinheiro tinha ido parar sobretudo aos bancos dos países periféricos não estávamos longe da verdade. Antes pelo contrário.
E é por isso que o Bundesbank está furioso, como explicámos aqui.
A festa do Ltro acabou. De volta à realidade, pura e dura.
Este triunvirato de países representa hoje A grande ameaça ao sistema, já de si podre, que se denomina União Monetária Europeia.
Aguardamos que caia de maduro para que Portugal possa novamente reerguer-se, apesar de já ter entrado naquela fase de rastejar com a cara no asfalto!
Tiago Mestre
FACTOS: PORTUGAL E A PRÓXIMA DÉCADA (2011-2010)
Exceptuando o editorial, este foi o nosso primeiro post publicado no Contas a 26 de Dezembro de 2010. É sempre pertinente avaliar o grau de validade e veracidade das nossas ideias, e neste caso, parece (para mal dos nossos pecados) que a ideia não está longe da realidade..
Pretendemos neste post informar e colocar à vossa consideração o que tem sido o crescimento da economia portuguesa desde o início do século XX, e de que forma poderemos prever qual será o comportamento na década que aí vem. É composto por 2 gráficos que indicam a evolução do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do PIB per capita.
Pretendemos neste post informar e colocar à vossa consideração o que tem sido o crescimento da economia portuguesa desde o início do século XX, e de que forma poderemos prever qual será o comportamento na década que aí vem. É composto por 2 gráficos que indicam a evolução do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do PIB per capita.
Dados estatísticos e Projecção
Remetemos abaixo para o primeiro gráfico que indica a evolução do PIB ao longo dos últimos 90 anos. Os valores indicados representam o crescimento médio em percentagem, ano após ano. Por exemplo, na década de 60, o PIB cresceu em média 6,08% num determinado ano face ao ano anterior, ao longo de toda a década. Quer dizer que nuns anos terá crescido mais do que 6%, noutros menos, mas em média cresceu 6,08% ao ano.
O valor apurado para a década de 2011-2020 (última barra do gráfico) é calculado em função de critérios estatísticos explicados abaixo, constituindo apenas uma projecção:
Gráfico:
Gráfico:
Baseado em dados da University of Groningen 

Verifica-se que o crescimento do PIB foi inexistente nos primeiros 20 anos do século XX. A partir daí houve uma aceleração do crescimento do PIB tendo atingido o pico no final dos anos 60. Desde aí que o crescimento tem vindo a cair consistentemente, década após década.
Para se prever o crescimento para a década 2011-2020 (a última barra no gráfico), usámos a média da percentagem da desaceleração das últimas quatro décadas, representando uma diminuição média de 1,29% do PIB por década. Utilizando este critério, avançamos com a projecção de que a economia terá um crescimento negativo ao ano de 0,77% nos próximos 10 anos.
Para se prever o crescimento para a década 2011-2020 (a última barra no gráfico), usámos a média da percentagem da desaceleração das últimas quatro décadas, representando uma diminuição média de 1,29% do PIB por década. Utilizando este critério, avançamos com a projecção de que a economia terá um crescimento negativo ao ano de 0,77% nos próximos 10 anos.
Apresentamos de seguida o segundo gráfico que indica o crescimento médio do PIB, mas per capita desde a década de 60. Neste gráfico também apresentamos uma projecção para a próxima década:
Baseado em dados da Pordata
A metodologia aplicada para efectuar projecção de 2011-2020 foi semelhante à do gráfico anterior.
Em análise, verificamos que o PIB per capita apresenta um valor médio mais baixo do que o valor do PIB ao longo das últimas 5 décadas. Mais importante, a redução do PIB per capita entre a década de 90 e 2000 é mais acentuada do que a redução do valor do PIB no mesmo período, ou seja:
O PIB per capita decresceu de 2,76% na década de 90 para 0,16% na década de 2000, representando uma variação negativa de 2,6%.
Já o PIB decresceu de 2,79% para 0,6%, resultando numa variação negativa de 2,1%.
Desta forma, a projecção que damos para a década 2011-2020 para o PIB per capita é mais baixa (-1,22%) do que a projecção para o PIB (-0,77%).
Equipa editorial "caseira"Já o PIB decresceu de 2,79% para 0,6%, resultando numa variação negativa de 2,1%.
Desta forma, a projecção que damos para a década 2011-2020 para o PIB per capita é mais baixa (-1,22%) do que a projecção para o PIB (-0,77%).
Estaremos mesmo condenados a assistir a uma década "inteirinha" de recessão média de 1,22% per capita? Nem sabemos bem o que isso significa.
Tiago Mestre
13 de abril de 2012
Banqueiros governam o mundo - verdade ou mentira?
Muito se tem falado sobre o poder da alta finança na condução dos negócios públicos.
É já hoje sabedoria comum que os governos dos países ocidentais e respetivas democracias tornaram-se reféns dos diktats financeiros. E. para mal dos nosso pecados, não estamos muito longe da verdade.
Em retroespetiva:
1. A moeda deixou de ser um mecanismo de transferência e PRESERVAÇÃO de riqueza para se tornar num instrumento ao serviço das necessidades e vicissitudes da atividade política. Do padrão ouro-dólar que vigorou até 1971, transitámos para um padrão fiat em que a reserva de riqueza de uma moedaé a confiança que a população deposita nela.
2. Com esta benesse monetária a classe política foi lentamente percebendo que a impressão de dinheiro dava um jeitão a despesas crescentes nos orçamentos públicos. A consequência seria inflação, i.e. usurpação de riqueza à população, ou se quisermos, um imposto encapotado. Contudo esta usurpação era silenciosa, difícil de compreender e de analisar.
3. Com a sofisticação das máquinas políticas, as campanhas eleitorais e a luta pelo poder tornaram os políticos meros serventes dos desejos mais íntimos da população. Toda a estrutura do modelo social europeu que hoje conhecemos é fruto de muitas cedências políticas, como a incorporação de subsídios, reformas que não refletem os descontos que se fizeram, acesso ilimitado à saúde. A intenção era boa, a população agradecia, exigia ainda mais, e a classe política para se manter no poder lá ia fazendo milagres para conceder tanta extravagância.
4. Com todas estas "Farinhas Amparo" a população começou a perceber que trabalhar no duro e arriscar para vencer eram atitudes que em nada se revelavam compensatórias. O objetivo era, ou trabalhar no setor público ou trabalhar com o mínimo de esforço e máximo de rendimento. Outros já almejavam não trabalhar de todo e viver dos subsídios.
5. Com tanta decisão anti-económica e anti-capitalista, a economia tinha que afrouxar. As taxas de crescimento na década de 60 no caso português caíram para metade 20 anos depois. Assistia-se a uma maior presença do estado na vida portuguesa e a uma menor participação do setor privado.
6. Com as promessas eleitorais, os políticos tudo faziam para agradar, mas a certa altura, algures na década de 90, passámos aquele ponto em que a receita fiscal do futuro não era suficiente para satisfazer tanta benesse no presente. Para mal dos nossos pecados, foi nessa mesma altura que os juros caíram brutalmente para países como Portugal. A passagem à liga do Euro era interpretada por investidores estrangeiros como um carimbo de credibilidade e apoio dos mais fortes (Alemanha) para com os mais fracos. O prémio de risco baixou tanto que Portugal se tornou, sem o ser, um aluno de excelência aos olhos do exterior.
7. Estava montada talvez a maior armadilha a que Portugal já assistiu na sua história. Fraco crescimento económico, capacidade ilimitada de endividamento, menos produção, mais consumo, e esperança de que tudo correria pelo melhor com o Euro.
É aqui que entra a Banca mundial
8. Com tanto investidor a querer emprestar, dissemos sim a tudo e não nos restringimos em nada. Com a promessa de que tudo pagaríamos no futuro, o que não faltava era crédito.
9. A armadilha não foi só para Portugal, foi praticamente para todo o mundo ocidental.
10. Na década de 2000, e face às evidências de fraco crescimento económico no Ocidente, a classe política clamou por políticas que estimulassem o crescimento. E quais eram os instrumentos que estavam ao seu dispor? A manipulação das taxas de juro e a impressão de moeda como mecanismo de concessão de empréstimos a quem quer realizar despesa ou investimento. Os estados queriam fazer despesa para agradar, e como as receitas fiscais ficavam pelo caminho, compensava-se com a emissão de obrigações.
Como o dinheiro impresso ainda sobrava, bastava alterar legislação para se estimularem certos setores da economia para ajudar ao crescimento, e assim se criaram as grandes bolhas económicas que hoje todos conhecemos.
George W. Bush, com a ajuda de Alan Greenspan, puseram em marcha a grande bolha imobiliária dos EUA: taxas de juro a 1%; bancos com capitais próprios minúsculos face aos ativos; obrigação da Fannie e Freddie em garantirem todas as hipotecas, salvar instituições bancárias em falência, etc, etc.
11. Com tanto investidor a obter fundos a taxas de juro a 1% ou menos durante 3 ou 4 anos pelos maiores bancos centrais do planeta, a liquidez monetária não conheceu limites. Pedia-se o que se queria e investia-se onde se achava que era melhor.
12. Os governos ocidentais que estavam "proibidos" de pedir aos respetivos bancos centrais a aquisição das suas obrigações resolveram muito bem este dilema ao exigir aos Bancos centrais que emprestassem a qualquer banco o valor que este queria, e assim se garantia que todas as obrigações tinham procura suficiente para manter o juro baixo.
13. Num certo dia, que todos nós desconhecemos, passámos o tipping point: os governos e muitas instituições privadas já não conseguiam assegurar no curto-médio prazo a cobertura de despesas através das receitas: o continuado endividamento era uma necessidade ao ponto de servirem para pagar salários e despesas correntes.
14. Conclusão:
Os políticos quiseram
Os bancos sonharam
A dívida nasceu
Foram os políticos que transferiram o poder para a banca porque foi esta que lhes garantiu as condições para (se) servirem nos mandatos em que foram eleitos pelo povo.
Hoje, a relação entre os Estados e a banca é tão forte e conexa que ambos precisam um do outro para sobreviverem.
Ouvíamos ontem alguém dizer, e muito bem, que eram como gémeos siameses que partilhavam o mesmo coração.
Muito mais haveria a dizer. Ficamo-nos por aqui.
Tiago Mestre
É já hoje sabedoria comum que os governos dos países ocidentais e respetivas democracias tornaram-se reféns dos diktats financeiros. E. para mal dos nosso pecados, não estamos muito longe da verdade.
Em retroespetiva:
1. A moeda deixou de ser um mecanismo de transferência e PRESERVAÇÃO de riqueza para se tornar num instrumento ao serviço das necessidades e vicissitudes da atividade política. Do padrão ouro-dólar que vigorou até 1971, transitámos para um padrão fiat em que a reserva de riqueza de uma moedaé a confiança que a população deposita nela.
2. Com esta benesse monetária a classe política foi lentamente percebendo que a impressão de dinheiro dava um jeitão a despesas crescentes nos orçamentos públicos. A consequência seria inflação, i.e. usurpação de riqueza à população, ou se quisermos, um imposto encapotado. Contudo esta usurpação era silenciosa, difícil de compreender e de analisar.
3. Com a sofisticação das máquinas políticas, as campanhas eleitorais e a luta pelo poder tornaram os políticos meros serventes dos desejos mais íntimos da população. Toda a estrutura do modelo social europeu que hoje conhecemos é fruto de muitas cedências políticas, como a incorporação de subsídios, reformas que não refletem os descontos que se fizeram, acesso ilimitado à saúde. A intenção era boa, a população agradecia, exigia ainda mais, e a classe política para se manter no poder lá ia fazendo milagres para conceder tanta extravagância.
4. Com todas estas "Farinhas Amparo" a população começou a perceber que trabalhar no duro e arriscar para vencer eram atitudes que em nada se revelavam compensatórias. O objetivo era, ou trabalhar no setor público ou trabalhar com o mínimo de esforço e máximo de rendimento. Outros já almejavam não trabalhar de todo e viver dos subsídios.
5. Com tanta decisão anti-económica e anti-capitalista, a economia tinha que afrouxar. As taxas de crescimento na década de 60 no caso português caíram para metade 20 anos depois. Assistia-se a uma maior presença do estado na vida portuguesa e a uma menor participação do setor privado.
6. Com as promessas eleitorais, os políticos tudo faziam para agradar, mas a certa altura, algures na década de 90, passámos aquele ponto em que a receita fiscal do futuro não era suficiente para satisfazer tanta benesse no presente. Para mal dos nossos pecados, foi nessa mesma altura que os juros caíram brutalmente para países como Portugal. A passagem à liga do Euro era interpretada por investidores estrangeiros como um carimbo de credibilidade e apoio dos mais fortes (Alemanha) para com os mais fracos. O prémio de risco baixou tanto que Portugal se tornou, sem o ser, um aluno de excelência aos olhos do exterior.
7. Estava montada talvez a maior armadilha a que Portugal já assistiu na sua história. Fraco crescimento económico, capacidade ilimitada de endividamento, menos produção, mais consumo, e esperança de que tudo correria pelo melhor com o Euro.
É aqui que entra a Banca mundial
8. Com tanto investidor a querer emprestar, dissemos sim a tudo e não nos restringimos em nada. Com a promessa de que tudo pagaríamos no futuro, o que não faltava era crédito.
9. A armadilha não foi só para Portugal, foi praticamente para todo o mundo ocidental.
10. Na década de 2000, e face às evidências de fraco crescimento económico no Ocidente, a classe política clamou por políticas que estimulassem o crescimento. E quais eram os instrumentos que estavam ao seu dispor? A manipulação das taxas de juro e a impressão de moeda como mecanismo de concessão de empréstimos a quem quer realizar despesa ou investimento. Os estados queriam fazer despesa para agradar, e como as receitas fiscais ficavam pelo caminho, compensava-se com a emissão de obrigações.
Como o dinheiro impresso ainda sobrava, bastava alterar legislação para se estimularem certos setores da economia para ajudar ao crescimento, e assim se criaram as grandes bolhas económicas que hoje todos conhecemos.
George W. Bush, com a ajuda de Alan Greenspan, puseram em marcha a grande bolha imobiliária dos EUA: taxas de juro a 1%; bancos com capitais próprios minúsculos face aos ativos; obrigação da Fannie e Freddie em garantirem todas as hipotecas, salvar instituições bancárias em falência, etc, etc.
11. Com tanto investidor a obter fundos a taxas de juro a 1% ou menos durante 3 ou 4 anos pelos maiores bancos centrais do planeta, a liquidez monetária não conheceu limites. Pedia-se o que se queria e investia-se onde se achava que era melhor.
12. Os governos ocidentais que estavam "proibidos" de pedir aos respetivos bancos centrais a aquisição das suas obrigações resolveram muito bem este dilema ao exigir aos Bancos centrais que emprestassem a qualquer banco o valor que este queria, e assim se garantia que todas as obrigações tinham procura suficiente para manter o juro baixo.
13. Num certo dia, que todos nós desconhecemos, passámos o tipping point: os governos e muitas instituições privadas já não conseguiam assegurar no curto-médio prazo a cobertura de despesas através das receitas: o continuado endividamento era uma necessidade ao ponto de servirem para pagar salários e despesas correntes.
14. Conclusão:
Os políticos quiseram
Os bancos sonharam
A dívida nasceu
Foram os políticos que transferiram o poder para a banca porque foi esta que lhes garantiu as condições para (se) servirem nos mandatos em que foram eleitos pelo povo.
Hoje, a relação entre os Estados e a banca é tão forte e conexa que ambos precisam um do outro para sobreviverem.
Ouvíamos ontem alguém dizer, e muito bem, que eram como gémeos siameses que partilhavam o mesmo coração.
Muito mais haveria a dizer. Ficamo-nos por aqui.
Tiago Mestre
12 de abril de 2012
Proteccionismo - primeiro ensaio
Pretendemos com este post iniciar um conjunto de reflexões que, alimentadas pelos leitores através do espaço para comentário, contribuam para o desabrochar de novas ideias sobre um velho tema: O PROTECCIONISMO
Sobre proteccionismo entendemos como sendo a necessidade de um país impor barreiras alfandegárias à importação de bens vindos do exterior, quer sob a forma de taxação ou outra.
A velha questão do proteccionismo tem vindo a ganhar importância porque, em países europeus tendencialmente mais importadores do que exportadores, essa dicotomia acentuou-se ainda mais após a adesão aos tratados europeus e ao euro.
Tais desequilíbrios nas balanças comerciais, em vez de serem tratados em sede própria, foram sistematicamente adiados através do "falso" apoio que credores externos nos concediam ao emprestarem vastas quantias de dinheiro cobrando juros muito abaixo do prémio de risco de Portugal.
Com dinheiro emprestado, Portugal tornou-se num país tendencialmente mais consumidor e menos produtor. Não é de estranhar esta consequência económica. Quando nos emprestam dinheiro com juros muito abaixo do risco que representamos, até nós nos convencemos que também somos ricos e que algures no futuro tudo se irá liquidar.
Todos estes desequilíbrios comerciais cresceram em forma e feitio, contudo a apatia das lideranças europeias era evidente, demonstrando total desconhecimento e incompetência em lidar com problemas desta dimensão.
A festa durou até muito tarde: 2011. Tivessem os credores desconfiado mais cedo da nossa irresponsabilidade orçamental e não teríamos:
1. Contraído tanta dívida em tão pouco tempo
2. Desencorajado tantos produtores a deixarem de contribuir
3. Deixado tantos cidadãos tornarem-se meros consumidores com dinheiro emprestado
O mal está feito, não há volta atrás, mas olhando para o futuro, as receitas que a elite política nos quer mostrar como as adequadas são: CONTINUAR EXACTAMENTE TUDO NA MESMA, ou seja,
recuperar o fôlego deste "azar" que nos bateu à porta e tentar já em Setembro de 2013 voltar a pedir emprestado aos credores as quantias gigantescas que é preciso para que a festa do crescimentoreal virtual do PIB continue.
O melhor que poderia acontecer a Portugal seria que a confiança dos credores realmente não regressasse tão cedo. Tal choque de crédito exigiria à sociedade profundas mudanças, e com isso iniciávamos um novo paradigma na história secular do nosso país.
Mas para que tal processo ocorresse, 3 assuntos (entre muitos outros) teriam que estar "em cima da mesa":
1. A reestruturação da dívida (leia-se bancarrota), como forma de recomeçar e deixar de libertar tanto dinheiro para pagamento de juros.
2. A criação de moeda própria (saída do euro)
3. A criação de barreiras alfandegárias que promovessem a correcção da balança comercial e imprimissem novo fôlego aos produtores nacionais ( renunciar aos tratados da UE e à própria UE)
É sobre o terceiro fenómeno que gostaríamos de ouvir as opiniões dos nossos leitores.
O assunto é complexo pelo que a sua análise exige mentes com espírito aberto e desassombrado.
Esta semana houve uma votação em França (notícia aqui) em que se questionaram assuntos tão importantes como o regresso do proteccionismo e outros fenómenos económicos que arrepiam as mais elementares regras dos Tratados Europeus.
70% dos entrevistados acreditam que se devem erguer barreiras alfandegárias contra produtos importados de países emergentes;
66% acredita que caso outros países europeus não sigam este caminho, a França deverá fazê-lo sozinha;
Apenas 22% acredita que o mercado aberto é bom para a França.
E estamos a falar da França, um país que esteve na origem e na constante renovação do modelo social europeu.
Fica aberta a discussão!
Tiago Mestre
Sobre proteccionismo entendemos como sendo a necessidade de um país impor barreiras alfandegárias à importação de bens vindos do exterior, quer sob a forma de taxação ou outra.
A velha questão do proteccionismo tem vindo a ganhar importância porque, em países europeus tendencialmente mais importadores do que exportadores, essa dicotomia acentuou-se ainda mais após a adesão aos tratados europeus e ao euro.
Tais desequilíbrios nas balanças comerciais, em vez de serem tratados em sede própria, foram sistematicamente adiados através do "falso" apoio que credores externos nos concediam ao emprestarem vastas quantias de dinheiro cobrando juros muito abaixo do prémio de risco de Portugal.
Com dinheiro emprestado, Portugal tornou-se num país tendencialmente mais consumidor e menos produtor. Não é de estranhar esta consequência económica. Quando nos emprestam dinheiro com juros muito abaixo do risco que representamos, até nós nos convencemos que também somos ricos e que algures no futuro tudo se irá liquidar.
Todos estes desequilíbrios comerciais cresceram em forma e feitio, contudo a apatia das lideranças europeias era evidente, demonstrando total desconhecimento e incompetência em lidar com problemas desta dimensão.
A festa durou até muito tarde: 2011. Tivessem os credores desconfiado mais cedo da nossa irresponsabilidade orçamental e não teríamos:
1. Contraído tanta dívida em tão pouco tempo
2. Desencorajado tantos produtores a deixarem de contribuir
3. Deixado tantos cidadãos tornarem-se meros consumidores com dinheiro emprestado
O mal está feito, não há volta atrás, mas olhando para o futuro, as receitas que a elite política nos quer mostrar como as adequadas são: CONTINUAR EXACTAMENTE TUDO NA MESMA, ou seja,
recuperar o fôlego deste "azar" que nos bateu à porta e tentar já em Setembro de 2013 voltar a pedir emprestado aos credores as quantias gigantescas que é preciso para que a festa do crescimento
O melhor que poderia acontecer a Portugal seria que a confiança dos credores realmente não regressasse tão cedo. Tal choque de crédito exigiria à sociedade profundas mudanças, e com isso iniciávamos um novo paradigma na história secular do nosso país.
Mas para que tal processo ocorresse, 3 assuntos (entre muitos outros) teriam que estar "em cima da mesa":
1. A reestruturação da dívida (leia-se bancarrota), como forma de recomeçar e deixar de libertar tanto dinheiro para pagamento de juros.
2. A criação de moeda própria (saída do euro)
3. A criação de barreiras alfandegárias que promovessem a correcção da balança comercial e imprimissem novo fôlego aos produtores nacionais ( renunciar aos tratados da UE e à própria UE)
É sobre o terceiro fenómeno que gostaríamos de ouvir as opiniões dos nossos leitores.
O assunto é complexo pelo que a sua análise exige mentes com espírito aberto e desassombrado.
Esta semana houve uma votação em França (notícia aqui) em que se questionaram assuntos tão importantes como o regresso do proteccionismo e outros fenómenos económicos que arrepiam as mais elementares regras dos Tratados Europeus.
70% dos entrevistados acreditam que se devem erguer barreiras alfandegárias contra produtos importados de países emergentes;
66% acredita que caso outros países europeus não sigam este caminho, a França deverá fazê-lo sozinha;
Apenas 22% acredita que o mercado aberto é bom para a França.
E estamos a falar da França, um país que esteve na origem e na constante renovação do modelo social europeu.
Fica aberta a discussão!
Tiago Mestre
11 de abril de 2012
... sobre a incorporação da regra europeia dourada
Já entrou nos radares mediáticos a discussão da incorporação da regra dourada europeia na lei portuguesa.
Desconhecemos o seu teor, não porque não nos interessa, mas porque a vontade subjacente à sua ratificação parlamentar advêm de pressupostos tão irrealistas e imorais que o tornam um nado morto:
- Cumprir o que se exige nesta adenda dourada ao Tratado de Lisboa é uma quimera tecnocrática para países como Portugal encaixados na UME, que se deixaram levar pela bebedeira financeira europeia e que se vêem num caos sem sentido: austeridade para tentar compor as contas e uma recessão às cavalitas da austeridade.
- Reforça o Tratado de Maastricht, mas como este foi violado, e violado, e novamente violado, ano após ano, sem consequências para os prevaricadores, uma segunda exigência no cumprimento das regras de endividamento e de déficit é uma redundância e perde valor. Se não se cumpre o que se assinou no primeiro papel, duvidamos que se cumpra o que se assinou no segundo.
- O Tratado de Lisboa é, grosseiramente, uma farsa. Procede de um Tratado Europeu que foi chumbado na Holanda e em França por referendo. Quão sábio já era o povo europeu em 2004 e 2005 quando se negava a transferir poder para Bruxelas. Foi ratificado nas assembleias de cada país à socapa do povo, com medo dos resultados, à exceção da Irlanda, que por motivos constitucionais foi a referendo. Chumbou à primeira e lá passou à segunda.
Depois de ser ratificado foi violado sem apelo nem agravo; e consequências para o prevaricador? Nenhumas. A face mais visível desta vilanagem foram as compras de dívida soberana pelo BCE, quando o artigo 123º proíbe explicitamente este tipo de operações.
- Tanto quanto sabemos, país que não assina vê-se excluído do acesso ao fundo de resgate ESM. Comentários para quê?
- A nossa cultura portuguesa, pela sapiência acumulada durante séculos, sabe relativizar e descartar as leis que se distanciam do bom senso comum.Não é uma assinatura num papel que tornará as nossa contas públicas um exemplo de disciplina financeira.
A saúde financeira do estado só advirá se os "bond vigilantes" estiverem sempre atentos às asneiras dos políticos portugueses. E como? Exigindo juros altos. E porquê? Porque o juro é o mecanismo que interpreta a percepção de risco, o prémio por emprestar a quem não garante boa gestão da coisa pública. E o que ganhamos com isso? Endividamo-nos menos porque sabemos quão caro é pedir dinheiro emprestado.
Este é que é o melhor Tratado que poderíamos incluir na nossa legislação.
- Conceber tratados que já se sabe que não serão referendados é um favor que os políticos fazem a eles próprios. Escreve-se o que interessa, omite-se o que interessa, fazem-se chantagens veladas, enfim, uma bebedeira pseudo-ideológica que se distancia cada vez mais da vontade dos cidadãos. Veremos!
Este assunto continuará a ter alguma atenção aqui no Contas pela discussão mediática que se está a gerar à volta disto, mas objetivamente é só mais um papel que será assinado hoje e violado amanhã. A Europa já nos habituou a este modus operandi. Muita parra, pouca uva e quase sempre estragada.
Tiago Mestre
Desconhecemos o seu teor, não porque não nos interessa, mas porque a vontade subjacente à sua ratificação parlamentar advêm de pressupostos tão irrealistas e imorais que o tornam um nado morto:
- Cumprir o que se exige nesta adenda dourada ao Tratado de Lisboa é uma quimera tecnocrática para países como Portugal encaixados na UME, que se deixaram levar pela bebedeira financeira europeia e que se vêem num caos sem sentido: austeridade para tentar compor as contas e uma recessão às cavalitas da austeridade.
- Reforça o Tratado de Maastricht, mas como este foi violado, e violado, e novamente violado, ano após ano, sem consequências para os prevaricadores, uma segunda exigência no cumprimento das regras de endividamento e de déficit é uma redundância e perde valor. Se não se cumpre o que se assinou no primeiro papel, duvidamos que se cumpra o que se assinou no segundo.
- O Tratado de Lisboa é, grosseiramente, uma farsa. Procede de um Tratado Europeu que foi chumbado na Holanda e em França por referendo. Quão sábio já era o povo europeu em 2004 e 2005 quando se negava a transferir poder para Bruxelas. Foi ratificado nas assembleias de cada país à socapa do povo, com medo dos resultados, à exceção da Irlanda, que por motivos constitucionais foi a referendo. Chumbou à primeira e lá passou à segunda.
Depois de ser ratificado foi violado sem apelo nem agravo; e consequências para o prevaricador? Nenhumas. A face mais visível desta vilanagem foram as compras de dívida soberana pelo BCE, quando o artigo 123º proíbe explicitamente este tipo de operações.
- Tanto quanto sabemos, país que não assina vê-se excluído do acesso ao fundo de resgate ESM. Comentários para quê?
- A nossa cultura portuguesa, pela sapiência acumulada durante séculos, sabe relativizar e descartar as leis que se distanciam do bom senso comum.Não é uma assinatura num papel que tornará as nossa contas públicas um exemplo de disciplina financeira.
A saúde financeira do estado só advirá se os "bond vigilantes" estiverem sempre atentos às asneiras dos políticos portugueses. E como? Exigindo juros altos. E porquê? Porque o juro é o mecanismo que interpreta a percepção de risco, o prémio por emprestar a quem não garante boa gestão da coisa pública. E o que ganhamos com isso? Endividamo-nos menos porque sabemos quão caro é pedir dinheiro emprestado.
Este é que é o melhor Tratado que poderíamos incluir na nossa legislação.
- Conceber tratados que já se sabe que não serão referendados é um favor que os políticos fazem a eles próprios. Escreve-se o que interessa, omite-se o que interessa, fazem-se chantagens veladas, enfim, uma bebedeira pseudo-ideológica que se distancia cada vez mais da vontade dos cidadãos. Veremos!
Este assunto continuará a ter alguma atenção aqui no Contas pela discussão mediática que se está a gerar à volta disto, mas objetivamente é só mais um papel que será assinado hoje e violado amanhã. A Europa já nos habituou a este modus operandi. Muita parra, pouca uva e quase sempre estragada.
Tiago Mestre
DECO corta a direito na análise à nova taxa sobre as grandes superfícies
Ouvimos nós esta manhã na Antena1 a notícia de que estava na calha a promulgação de uma nova taxa a incidir sobre as grandes superfícies.
A DECO foi convidada e comentar a notícia e não perdeu tempo:
"As grandes superfícies irão transportar este acréscimo de custo, ou para o preço final, ou para os fornecedores. Baixar margens do negócio é que não acreditamos!"
Concordamos com a DECO na substância, mas divergimos na conclusão. Subentende-se que a DECO veria com bons olhos a acomodação desta taxa apenas na redução das margens do negócio. Nós isso não aceitamos.
As margens de rentabilidade de uma empresa é para nós território sagrado. Sem (boa) rentabilidade, as empresas definham, deixam de ser atrativas a novos investidores, pagam menos impostos, etc, etc. Até acreditamos que algumas superfícies possam acomodar este aumento caso se revele de valor residual, mas por princípio, esses custos devem ser passados para o preço final.
Moral da história: o imposto a criar pelo governo será uma maneira encapotada de retirar poder de compra à população e/ou esmagar ainda mais os fornecedores. Não percam tempo a ouvir as justificações da senhora ministra Assunção Cristas, porque não vale mesmo a pena, com todo o respeito.
Com todos estes aumentos de impostos no comércio e afins ficamos na dúvida se a inflação elevada em Portugal não se deve em parte também a estas decisões avulsas que parece não terem fim.
Tiago Mestre
A DECO foi convidada e comentar a notícia e não perdeu tempo:
"As grandes superfícies irão transportar este acréscimo de custo, ou para o preço final, ou para os fornecedores. Baixar margens do negócio é que não acreditamos!"
Concordamos com a DECO na substância, mas divergimos na conclusão. Subentende-se que a DECO veria com bons olhos a acomodação desta taxa apenas na redução das margens do negócio. Nós isso não aceitamos.
As margens de rentabilidade de uma empresa é para nós território sagrado. Sem (boa) rentabilidade, as empresas definham, deixam de ser atrativas a novos investidores, pagam menos impostos, etc, etc. Até acreditamos que algumas superfícies possam acomodar este aumento caso se revele de valor residual, mas por princípio, esses custos devem ser passados para o preço final.
Moral da história: o imposto a criar pelo governo será uma maneira encapotada de retirar poder de compra à população e/ou esmagar ainda mais os fornecedores. Não percam tempo a ouvir as justificações da senhora ministra Assunção Cristas, porque não vale mesmo a pena, com todo o respeito.
Com todos estes aumentos de impostos no comércio e afins ficamos na dúvida se a inflação elevada em Portugal não se deve em parte também a estas decisões avulsas que parece não terem fim.
Tiago Mestre
OCDE só acrescenta ruído.
Tendo bem cedo dado uma vista de olhos pelos jornais, saltou-nos à vista a capa do I.
"OCDE: Troika deu estocada final à economia portuguesa"
Mais banalidades informativas que só provam que todos estes mega-organismos mundiais pouco mais sabem do que publicar estatísticas sobre o passado. Pelos vistos a OCDE publica um índice de crescimento de cada país, em que o valor 100 significa a fronteira entre crescer ou diminuir, e Portugal passou de 103 para 97 num ano.
Ainda ontem nos indignávamos com as conclusões do FMI, em que basicamente se contradiz TOTALMENTE com o que afirmou há 1 ano quando iniciou funções em Portugal.
No início era a austeridade - cortes na despesa e aumento da receita - que traria de volta o crescimento ao país.
E então vêm agora dizer que afinal a receita "não presta" porque aniquila a economia?
Ao governo português não poderão culpar, porque segundo o relatório da 3ª avaliação da troika, Passos Coelho cumpriu com o que se lhe exigia.
Como não foi possível terem percebido esta correlação EVIDENTE entre consumo público e PIB ??
Ou foi por incompetência
Ou foi a esperança num milagre no futuro
Ou foi apenas para salvar o momento
Qualquer uma destas conclusões dá um nervoso miudinho, sobretudo quando aqui no Contas tínhamos já a clara consciência de que a redução do setor público teria que dar em quebra do PIB.
É uma valente chatice esta correlação, preferíamos que não existisse, mas a matemática de 6 º ano do ensino básico diz-nos que não é possível contrariá-la.
Na altura a OCDE não se pronunciou (presumimos nós), mas passado 1 ano e depois de muitas evidências, já se junta ao coro daqueles que afirmam que afinal a austeridade mata a economia.
É CLARO QUE MATA A ECONOMIA, MAS INFELIZMENTE TEM QUE SER ASSIM PARA LIVRAR O PAÍS DO JUGO ESTATAL.
É preciso fazer um desenho?
Tiago Mestre
"OCDE: Troika deu estocada final à economia portuguesa"
Mais banalidades informativas que só provam que todos estes mega-organismos mundiais pouco mais sabem do que publicar estatísticas sobre o passado. Pelos vistos a OCDE publica um índice de crescimento de cada país, em que o valor 100 significa a fronteira entre crescer ou diminuir, e Portugal passou de 103 para 97 num ano.
Ainda ontem nos indignávamos com as conclusões do FMI, em que basicamente se contradiz TOTALMENTE com o que afirmou há 1 ano quando iniciou funções em Portugal.
No início era a austeridade - cortes na despesa e aumento da receita - que traria de volta o crescimento ao país.
E então vêm agora dizer que afinal a receita "não presta" porque aniquila a economia?
Ao governo português não poderão culpar, porque segundo o relatório da 3ª avaliação da troika, Passos Coelho cumpriu com o que se lhe exigia.
Como não foi possível terem percebido esta correlação EVIDENTE entre consumo público e PIB ??
Ou foi por incompetência
Ou foi a esperança num milagre no futuro
Ou foi apenas para salvar o momento
Qualquer uma destas conclusões dá um nervoso miudinho, sobretudo quando aqui no Contas tínhamos já a clara consciência de que a redução do setor público teria que dar em quebra do PIB.
É uma valente chatice esta correlação, preferíamos que não existisse, mas a matemática de 6 º ano do ensino básico diz-nos que não é possível contrariá-la.
Na altura a OCDE não se pronunciou (presumimos nós), mas passado 1 ano e depois de muitas evidências, já se junta ao coro daqueles que afirmam que afinal a austeridade mata a economia.
É CLARO QUE MATA A ECONOMIA, MAS INFELIZMENTE TEM QUE SER ASSIM PARA LIVRAR O PAÍS DO JUGO ESTATAL.
É preciso fazer um desenho?
Tiago Mestre
10 de abril de 2012
ESPANHA E PORTUGAL - IRMÃOS IBÉRICOS (PARTE 2)
Até nós aqui no Contas, céticos às aldrabices políticas, acreditávamos que o programa LTRO, com todas as consequências indiretas negativas que acarreta, estivesse para durar mais algum tempo. Se contarmos desde o 2º leilão, realizado no final de Fevereiro, apenas 1 mês e pouco passou.
Os sinais que se começam a evidenciar nos juros das dívidas soberanas de Espanha e de Itália indiciam que os quase 900 mil milhões de euros emprestados pelo BCE se esfumaram num ápice. A 10 anos a dívida espanhola já roça os 6%.
Sem anúncios espetaculares e vistosos vindos do BCE ou da Alemanha que tudo está resolvido, a Primavera entra com temperaturas já de Verão.
Ficamos a aguardar pelas seguintes efemérides, recorrendo aos exemplos do ano passado:
- Regresso do BCE às compras de dívida no mercado soberano;
- Conselhos europeus e cimeiras europeias a cada 15 dias, de preferência ao fim de semana;
- Rumores e devaneios informativos sobre potenciais reforços dos fundos de resgate e demais milagres financeiros;
- Recuos da Alemanha e avanços do BCE.
Se a crise se agravar verdadeiramente, ou seja, se o fundo de resgate ESM se tornar insuficiente e o BCE for travado pelo Bundesbank para as necessidades de financiamento da Espanha, da Itália, da Bélgica, e quiçá da França, não acreditamos que a Alemanha tolere mais garantias à Europa e as portas de saída do euro para alguns países começam a ser mostradas.
Publicámos um post a 30 de Janeiro 2012 em que se contabilizam as garantias que a Alemanha já passou ao resto da Europa:
Tudo somado, os encargos e as garantias roçam os 900 mil milhões de euros, ou seja, 35% do PIB alemão.
Qual será o rácio que os obrigará a dizer BASTA? Não sabemos, mas já estivemos mais longe desse cenário.
Tiago Mestre
Os sinais que se começam a evidenciar nos juros das dívidas soberanas de Espanha e de Itália indiciam que os quase 900 mil milhões de euros emprestados pelo BCE se esfumaram num ápice. A 10 anos a dívida espanhola já roça os 6%.
Sem anúncios espetaculares e vistosos vindos do BCE ou da Alemanha que tudo está resolvido, a Primavera entra com temperaturas já de Verão.
Ficamos a aguardar pelas seguintes efemérides, recorrendo aos exemplos do ano passado:
- Regresso do BCE às compras de dívida no mercado soberano;
- Conselhos europeus e cimeiras europeias a cada 15 dias, de preferência ao fim de semana;
- Rumores e devaneios informativos sobre potenciais reforços dos fundos de resgate e demais milagres financeiros;
- Recuos da Alemanha e avanços do BCE.
Se a crise se agravar verdadeiramente, ou seja, se o fundo de resgate ESM se tornar insuficiente e o BCE for travado pelo Bundesbank para as necessidades de financiamento da Espanha, da Itália, da Bélgica, e quiçá da França, não acreditamos que a Alemanha tolere mais garantias à Europa e as portas de saída do euro para alguns países começam a ser mostradas.
Publicámos um post a 30 de Janeiro 2012 em que se contabilizam as garantias que a Alemanha já passou ao resto da Europa:
Tudo somado, os encargos e as garantias roçam os 900 mil milhões de euros, ou seja, 35% do PIB alemão.
Qual será o rácio que os obrigará a dizer BASTA? Não sabemos, mas já estivemos mais longe desse cenário.
Tiago Mestre
Queríamos compreender o FMI, mas não está fácil !
Tivemos a oportunidade de ler no jornal i de ontem um artigo sobre as considerações do FMI decorrentes da 3ª avaliação da troika ao programa de assistência português.
Resumidamente, o FMI pede ao governo português que adopte medidas que estimulem a economia portuguesa. E mais, sem essas ações, Portugal arrisca-se a não conseguir corrigir a queda do PIB destes últimos anos.
O abaixamento da taxa social única (TSU) seria uma das medidas a considerar como essenciais ao tão desejado estímulo.
Nem sabemos bem por onde começar:
1. O FMI, constituído por "carradas" de economistas, continua a sugerir que o Estado é um ator essencial no estímulo às economias privadas. Não é, mas até pode ajudar no processo de recuperação da economia quando um país cai em recessão, mas não passa disso, uma espécie de catalisador que acelera a recuperação. Cabe sempre à economia privada puxar pelo país porque é quem produz alguma coisa.
Pressupor que tem que ser o Estado a salvar a economia é abusar das teorias keynesianas e um insulto para o próprio Keynes, que deve andar a rebolar na campa com tanto abuso e distorção das suas teorias.
2. A redução da TSU terá sempre que ser acompanhada de uma de duas medidas: ou se reduz despesa ou se aumentam outros impostos que não a TSU. Até nesta constatação José Sócrates foi basilar há 1 ano: "tem que se ver se é possível acomodar essa redução de receita, e só depois se decidir". O FMI se quer a redução da TSU de 23,75% para outro valor qualquer tem que indicar como se compensa a diferença. Só desejar não chega.
3. O FMI quis acreditar em 2011 que a austeridade e o crescimento económico poderiam andar de mãos dadas em Portugal. Desconhecemos as variáveis económicas utilizadas nessa conceptualização, mas tanto quanto sabemos e sabíamos na altura, o PIB de Portugal é constituído por 5 variáveis:
PIB = consumo público + consumo privado + investimento privado + exportações - importações
O consumo público (Estado) significa hoje metade do PIB. Se mexemos no consumo público, mexemos no PIB, não há volta a dar.
A austeridade que foi implementada actuaria inevitavelmente no consumo público e no privado. Por arrasto o investimento também se retraiu por falta de confiança dos investidores em Portugal. Salvaram-se as exportações e reduziram-se as importações, e foram apenas estas 2 rúbricas que ajudaram o PIB.
Como poderia o FMI esperar que o PIB pouco se ressentisse quando exigiu ao Estado que reduzisse o défice de 10% do PIB para 2 ou 3% do PIB em 3 anos?
É que uma redução destas significa um corte na despesa pública (partindo do pressuposto de que o ajustamento será 1/3 de impostos e 2/3 na despesa) sempre superior a 8, 10 mil milhões de euros. Este é um valor que, grosseiramente, se deve descontar ao PIB português, que só por isto baixa de 170 para 160 mil milhões.
E com o PIB a baixar, o rácio do Défice público = (receitas - despesas)/ PIB também se agrava, na medida em que o PIB se apresenta no denominador.
Grosseiramente, o PIB de Portugal é constituído por 75% de serviços, 23% de indústria e 2% de agricultura. Ou seja, quase todos nós trabalhamos, directa ou indirectamente, para o Estado. É ele o grande cliente de Portugal, e se espirra, a economia apanha uma constipação, senão mesmo uma pneumonia.
Como foi possível escaparem ao FMI evidências destas? Fica a nossa incredulidade!
Para quem só recentemente nos acompanha, escrevemos exaustivamente sobre esta matéria em Julho e Outubro 2011 com os posts 1, 2 e 3 intitulados: "A Matemática costuma ganhar, às vezes tarde demais!"
Tiago Mestre
Resumidamente, o FMI pede ao governo português que adopte medidas que estimulem a economia portuguesa. E mais, sem essas ações, Portugal arrisca-se a não conseguir corrigir a queda do PIB destes últimos anos.
O abaixamento da taxa social única (TSU) seria uma das medidas a considerar como essenciais ao tão desejado estímulo.
Nem sabemos bem por onde começar:
1. O FMI, constituído por "carradas" de economistas, continua a sugerir que o Estado é um ator essencial no estímulo às economias privadas. Não é, mas até pode ajudar no processo de recuperação da economia quando um país cai em recessão, mas não passa disso, uma espécie de catalisador que acelera a recuperação. Cabe sempre à economia privada puxar pelo país porque é quem produz alguma coisa.
Pressupor que tem que ser o Estado a salvar a economia é abusar das teorias keynesianas e um insulto para o próprio Keynes, que deve andar a rebolar na campa com tanto abuso e distorção das suas teorias.
2. A redução da TSU terá sempre que ser acompanhada de uma de duas medidas: ou se reduz despesa ou se aumentam outros impostos que não a TSU. Até nesta constatação José Sócrates foi basilar há 1 ano: "tem que se ver se é possível acomodar essa redução de receita, e só depois se decidir". O FMI se quer a redução da TSU de 23,75% para outro valor qualquer tem que indicar como se compensa a diferença. Só desejar não chega.
3. O FMI quis acreditar em 2011 que a austeridade e o crescimento económico poderiam andar de mãos dadas em Portugal. Desconhecemos as variáveis económicas utilizadas nessa conceptualização, mas tanto quanto sabemos e sabíamos na altura, o PIB de Portugal é constituído por 5 variáveis:
PIB = consumo público + consumo privado + investimento privado + exportações - importações
O consumo público (Estado) significa hoje metade do PIB. Se mexemos no consumo público, mexemos no PIB, não há volta a dar.
A austeridade que foi implementada actuaria inevitavelmente no consumo público e no privado. Por arrasto o investimento também se retraiu por falta de confiança dos investidores em Portugal. Salvaram-se as exportações e reduziram-se as importações, e foram apenas estas 2 rúbricas que ajudaram o PIB.
Como poderia o FMI esperar que o PIB pouco se ressentisse quando exigiu ao Estado que reduzisse o défice de 10% do PIB para 2 ou 3% do PIB em 3 anos?
É que uma redução destas significa um corte na despesa pública (partindo do pressuposto de que o ajustamento será 1/3 de impostos e 2/3 na despesa) sempre superior a 8, 10 mil milhões de euros. Este é um valor que, grosseiramente, se deve descontar ao PIB português, que só por isto baixa de 170 para 160 mil milhões.
E com o PIB a baixar, o rácio do Défice público = (receitas - despesas)/ PIB também se agrava, na medida em que o PIB se apresenta no denominador.
Grosseiramente, o PIB de Portugal é constituído por 75% de serviços, 23% de indústria e 2% de agricultura. Ou seja, quase todos nós trabalhamos, directa ou indirectamente, para o Estado. É ele o grande cliente de Portugal, e se espirra, a economia apanha uma constipação, senão mesmo uma pneumonia.
Como foi possível escaparem ao FMI evidências destas? Fica a nossa incredulidade!
Para quem só recentemente nos acompanha, escrevemos exaustivamente sobre esta matéria em Julho e Outubro 2011 com os posts 1, 2 e 3 intitulados: "A Matemática costuma ganhar, às vezes tarde demais!"
Tiago Mestre
9 de abril de 2012
Com uma economia a encolher, toca de imprimir para compensar a diferença !
Há gráficos que valem por mil palavras:
Toda esta impressão generalizada não deve agradar a nenhum banqueiro central, acreditamos nós, mas então porque é que a linha sobe de forma exponencial? Basicamente porque os governadores dos bancos centrais renunciaram aos seus princípios morais e económicos, tornando-se "fantoches" dos desejos e exigências das lideranças políticas, sem capacidade de dizer: NÃO!
Os bancos centrais tornaram-se o substituto do (ausente) crescimento económico no financiamento das crescentes despesas do Estado.
Já todos sabemos que imprimir significa inflacionar preços, mas esse é um "mal menor" quando a classe política se depara com uma incapacidade crónica de recolher dinheiro para pagar as suas despesas.
Esta é a consequência natural de um esquema de Estado em que despesas fixas tendencialmente crescentes são financiadas com receitas que dependem do desempenho da economia. Com declínio económico, o sistema colapsa, mesmo que o governo tente à pressa reduzir despesa. A velocidade dessa redução será quase sempre inferior à destruição de riqueza.
Tiago Mestre
Cortesia de uma publicação da Tedbits
Toda esta impressão generalizada não deve agradar a nenhum banqueiro central, acreditamos nós, mas então porque é que a linha sobe de forma exponencial? Basicamente porque os governadores dos bancos centrais renunciaram aos seus princípios morais e económicos, tornando-se "fantoches" dos desejos e exigências das lideranças políticas, sem capacidade de dizer: NÃO!
Os bancos centrais tornaram-se o substituto do (ausente) crescimento económico no financiamento das crescentes despesas do Estado.
Já todos sabemos que imprimir significa inflacionar preços, mas esse é um "mal menor" quando a classe política se depara com uma incapacidade crónica de recolher dinheiro para pagar as suas despesas.
Esta é a consequência natural de um esquema de Estado em que despesas fixas tendencialmente crescentes são financiadas com receitas que dependem do desempenho da economia. Com declínio económico, o sistema colapsa, mesmo que o governo tente à pressa reduzir despesa. A velocidade dessa redução será quase sempre inferior à destruição de riqueza.
Tiago Mestre
Justificação para a suspensão "silenciosa" das reformas antecipadas - reminiscências da 4ª pedra no sapato
Ouvimos nós há uns meses na Antena1, num programa radiofónico com o jornalista Fernando Dacosta, uma sábia frase proferida por um ex-diretor do Diário de Notícias da década de 50 ou 60, não podemos precisar:
"Não digas mal demais de nenhum político porque um dia poderás ter que dizer bem, da mesma forma que nunca digas bem demais de um político porque um dia poderá ser necessário dizer mal."
É neste limbo e com recato nas palavras e nos adjetivos que tentaremos comentar as afirmações de hoje de Passos Coelho acerca da medida de suspensão de reformas ter sido elaborada no maior dos silêncios durante uma semana:
1. Referia hoje Passos Coelho de que a pertinência da medida se insere num quadro temporal em que muita gente está a pedir a reforma, mesmo com a respetiva penalização por ser antecipada, e tal avalanche de pedidos prejudica as contas da segurança social para o ano fiscal de 2012.
2. O modo silencioso com que tudo foi preparado justifica-se também pela necessidade de não se assistir a uma corrida antecipada aos pedidos de reforma, prejudicando ainda mais o carácter da medida.
Sobre a primeira afirmação, o governo reconhece indiretamente que o que previu para 2012 em termos de custos com a segurança social foi um cenário demasiado otimista em função do que a realidade está a demonstrar neste primeiro trimestre. Errou-se na previsão, tudo bem, mas como qual o modo de correcção? Suspendendo unilateralmente um direito que estava consagrado na legislação.
Desta forma o governo passa a mensagem que em qualquer momento pode alterar qualquer legislação que esteja a prejudicar a sua condução orçamental, independentemente da justeza da medida.
A segunda afirmação revela que o governo prevê a reação das populações e adapta-se a essa circunstância. Não tendo já força e credibilidade para cativar as populações através da verdade e da moralidade, nada como efetuar medidas sem dar a oportunidade às populações para decidirem o que é melhor para elas em função do que espera do governo.
O povo tem o direito natural, consagrado em qualquer república e reforçado em qualquer democracia de conhecer previamente e de se pronunciar acerca das decisões emanadas dos que foram eleitos, adaptando-se de seguida face ao que o governo quer impor.
Percebe-se que a necessidade desta suspensão é para que a segurança social não colapse já nos próximos meses, e com esse cenário em cima da mesa, todos os meios servem para justificar qualquer fim. É o desespero a falar.
Puxando a fita atrás:
A segurança social (Caixa de Previdência e outras) era na sua origem meramente um mecanismo de transferência temporária de riqueza do trabalhador para o Estado, sendo este ressarcido posteriormente com o dita reforma.
Hoje a segurança social tornou-se é um instrumento político de confisco de riqueza à população ativa, sob uma promessa infundada de que um dia mais tarde se irá receber uma reforma. Como todo o político gosta de deitar a mão ao dinheiro alheio, sobretudo aquele que está parado, incorporaram-se ao longo destas décadas despesas como os subsídios de desemprego, RSI's e outros instrumentos políticos de caça ao voto, todos eles a "mamar" deste fundo.
As considerações e adjetivações sobre o acima exposto ficam à consideração de cada leitor.
Aqui no Contas, ficamo-nos pela: Abjeção moral.
Tiago Mestre
"Não digas mal demais de nenhum político porque um dia poderás ter que dizer bem, da mesma forma que nunca digas bem demais de um político porque um dia poderá ser necessário dizer mal."
É neste limbo e com recato nas palavras e nos adjetivos que tentaremos comentar as afirmações de hoje de Passos Coelho acerca da medida de suspensão de reformas ter sido elaborada no maior dos silêncios durante uma semana:
1. Referia hoje Passos Coelho de que a pertinência da medida se insere num quadro temporal em que muita gente está a pedir a reforma, mesmo com a respetiva penalização por ser antecipada, e tal avalanche de pedidos prejudica as contas da segurança social para o ano fiscal de 2012.
2. O modo silencioso com que tudo foi preparado justifica-se também pela necessidade de não se assistir a uma corrida antecipada aos pedidos de reforma, prejudicando ainda mais o carácter da medida.
Sobre a primeira afirmação, o governo reconhece indiretamente que o que previu para 2012 em termos de custos com a segurança social foi um cenário demasiado otimista em função do que a realidade está a demonstrar neste primeiro trimestre. Errou-se na previsão, tudo bem, mas como qual o modo de correcção? Suspendendo unilateralmente um direito que estava consagrado na legislação.
Desta forma o governo passa a mensagem que em qualquer momento pode alterar qualquer legislação que esteja a prejudicar a sua condução orçamental, independentemente da justeza da medida.
A segunda afirmação revela que o governo prevê a reação das populações e adapta-se a essa circunstância. Não tendo já força e credibilidade para cativar as populações através da verdade e da moralidade, nada como efetuar medidas sem dar a oportunidade às populações para decidirem o que é melhor para elas em função do que espera do governo.
O povo tem o direito natural, consagrado em qualquer república e reforçado em qualquer democracia de conhecer previamente e de se pronunciar acerca das decisões emanadas dos que foram eleitos, adaptando-se de seguida face ao que o governo quer impor.
Percebe-se que a necessidade desta suspensão é para que a segurança social não colapse já nos próximos meses, e com esse cenário em cima da mesa, todos os meios servem para justificar qualquer fim. É o desespero a falar.
Puxando a fita atrás:
A segurança social (Caixa de Previdência e outras) era na sua origem meramente um mecanismo de transferência temporária de riqueza do trabalhador para o Estado, sendo este ressarcido posteriormente com o dita reforma.
Hoje a segurança social tornou-se é um instrumento político de confisco de riqueza à população ativa, sob uma promessa infundada de que um dia mais tarde se irá receber uma reforma. Como todo o político gosta de deitar a mão ao dinheiro alheio, sobretudo aquele que está parado, incorporaram-se ao longo destas décadas despesas como os subsídios de desemprego, RSI's e outros instrumentos políticos de caça ao voto, todos eles a "mamar" deste fundo.
As considerações e adjetivações sobre o acima exposto ficam à consideração de cada leitor.
Aqui no Contas, ficamo-nos pela: Abjeção moral.
Tiago Mestre
8 de abril de 2012
O que a Autoridade da Concorrência tem para nos dizer sobre o aumento de preços dos combustíveis
Sempre que o aumento do preço dos combustíveis atinge o ponto de notícia mediática, cerram-se as fileiras políticas e surgem os argumentos, quer do lado de quem está no poder, quer do lado de quem está na oposição.
Ainda há 2 semanas ouvimos num canal noticioso público uma jovem (talvez demasiado jovem) deputada do PSD que, com o seu belíssimo sotaque do Norte, apregoava que esta questão do preço deveria ser "equacionada" com o reforço de poderes da Autoridade para a Concorrência.
Estávamos nós a ouvir a sua explicação e quando a argumentação se inclinou para este reforço de poderes da Autoridade da Concorrência, até nos apeteceu dizer: "Cuidado com o que vais dizer porque essas afirmações podem sempre revelar-se insinuações de que há cartelização de preços."
Sugerir este tipo de ideias é perigoso, e mais perigoso se torna quando é sintetizado em 2 ou 3 minutos, alimentado sobretudo pela ignorância e falta de humildade em reconhecer a complexidade da situação.
Antes de escrevermos este post ouvimos com atenção a última audição do Presidente da Autoridade da Concorrência na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas no dia 4 de Abril, e saltam algumas conclusões:
- A autoridade da Concorrência possui poderes disciplinares para atuar em caso de violação das regras da concorrência e fixação de preços. Não precisa de mais poderes;
- Desde 2005 que nunca atuou por nunca ter encontrado indícios que sugerissem a abertura de um processo dessa natureza;
- Das investigações realizadas chega-se à conclusão que a fixação de preços dos combustíveis líquidos não é sujeita a cartelização nem a fixação manipulatória de preços, antes correlacionada de forma cabal com a formação de preço emanada da praça de Roterdão, onde se forma o preço dos combustíveis à saída da refinaria e do custo adicional pelo transporte até ao nosso país.
Estas afirmações não foram refutadas por ninguém da comissão, muito menos pelos responsáveis do PSD. Houve sim questões pertinentes do lado do PCP sobre a formação desse mesmo preço em Roterdão, e eventualmente a forma opaca com que tal preço é formado e por quem o forma.
Fora isso e mais algumas nuances, como a diferença de preço entre as bombas low cost e as de algumas Auto-Estradas, o que manda mesmo na variação dos preços do gasóleo e da gasolina é o barril de Brent transacionado em Londres.
Esta conclusão da Autoridade da Concorrência a nós aqui no Contas não nos surpreende, na medida em que tem sido esse o foco nos nossos posts sobre o preço dos combustíveis. Não excluímos a hipótese de que mais e melhor poderia ser feito pela Autoridade da Concorrência, e com isso talvez até se conseguisse baixar um pouco mais os preços, mas não é isso que verdadeiramente explica este fenómeno.
O fenómeno de aumento generalizado dos preços de combustível explica-se pelos seguintes motivos:
1. Aumento muito pouco significativo da produção de petróleo pelos principais produtores mundiais desde 2005;
2. Redução de consumo no mundo ocidental não neutraliza o aumento dos países emergentes;
3. Volatilidade política em países produtores (Síria, Líbia, Sudão, Yemen, Bahrein, Iraque, Irão) adensa o risco da falta de fornecimento sem haver capacidade produtiva excedentária que compense estas falhas.
4. Injeção massiva de moeda pelos bancos centrais nos mercados europeus e norte-americanos sem uma correlação com o aumento das respetivas economias.
Este último fator é mais difícil de detetar porque apenas se revela de forma indireta, na medida em que os bancos centrais ao emprestarem dinheiro aos banqueiros privados, estes investem-no de forma discricionária nos ativos que consideram trazer maior rentabilidade para o seu banco. Uns apostam em investir na economia e nas empresas, outros compram ações, e outros compram contratos futuros de petróleo. Basicamente perde-se o rasto ao dinheiro.
Sobre as declarações da deputada do PSD, sugerimos ao canal público que reflita sobre estas atoardas informativas que comentadores vão fazendo diariamente sem o menor escrutínio pelo(a) jornalista que modera estes painéis.
Que haja políticos que queiram viver na ignorância e rigidez ideológica, pouco poderemos fazer para alterar, mas é sempre de evitar transpirar estas ideias para os cidadãos que, na sua ignorância, formam uma opinião pública mais desinformada do que esclarecida.
Tiago Mestre
Ainda há 2 semanas ouvimos num canal noticioso público uma jovem (talvez demasiado jovem) deputada do PSD que, com o seu belíssimo sotaque do Norte, apregoava que esta questão do preço deveria ser "equacionada" com o reforço de poderes da Autoridade para a Concorrência.
Estávamos nós a ouvir a sua explicação e quando a argumentação se inclinou para este reforço de poderes da Autoridade da Concorrência, até nos apeteceu dizer: "Cuidado com o que vais dizer porque essas afirmações podem sempre revelar-se insinuações de que há cartelização de preços."
Sugerir este tipo de ideias é perigoso, e mais perigoso se torna quando é sintetizado em 2 ou 3 minutos, alimentado sobretudo pela ignorância e falta de humildade em reconhecer a complexidade da situação.
Antes de escrevermos este post ouvimos com atenção a última audição do Presidente da Autoridade da Concorrência na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas no dia 4 de Abril, e saltam algumas conclusões:
- A autoridade da Concorrência possui poderes disciplinares para atuar em caso de violação das regras da concorrência e fixação de preços. Não precisa de mais poderes;
- Desde 2005 que nunca atuou por nunca ter encontrado indícios que sugerissem a abertura de um processo dessa natureza;
- Das investigações realizadas chega-se à conclusão que a fixação de preços dos combustíveis líquidos não é sujeita a cartelização nem a fixação manipulatória de preços, antes correlacionada de forma cabal com a formação de preço emanada da praça de Roterdão, onde se forma o preço dos combustíveis à saída da refinaria e do custo adicional pelo transporte até ao nosso país.
Estas afirmações não foram refutadas por ninguém da comissão, muito menos pelos responsáveis do PSD. Houve sim questões pertinentes do lado do PCP sobre a formação desse mesmo preço em Roterdão, e eventualmente a forma opaca com que tal preço é formado e por quem o forma.
Fora isso e mais algumas nuances, como a diferença de preço entre as bombas low cost e as de algumas Auto-Estradas, o que manda mesmo na variação dos preços do gasóleo e da gasolina é o barril de Brent transacionado em Londres.
Esta conclusão da Autoridade da Concorrência a nós aqui no Contas não nos surpreende, na medida em que tem sido esse o foco nos nossos posts sobre o preço dos combustíveis. Não excluímos a hipótese de que mais e melhor poderia ser feito pela Autoridade da Concorrência, e com isso talvez até se conseguisse baixar um pouco mais os preços, mas não é isso que verdadeiramente explica este fenómeno.
O fenómeno de aumento generalizado dos preços de combustível explica-se pelos seguintes motivos:
1. Aumento muito pouco significativo da produção de petróleo pelos principais produtores mundiais desde 2005;
2. Redução de consumo no mundo ocidental não neutraliza o aumento dos países emergentes;
3. Volatilidade política em países produtores (Síria, Líbia, Sudão, Yemen, Bahrein, Iraque, Irão) adensa o risco da falta de fornecimento sem haver capacidade produtiva excedentária que compense estas falhas.
4. Injeção massiva de moeda pelos bancos centrais nos mercados europeus e norte-americanos sem uma correlação com o aumento das respetivas economias.
Este último fator é mais difícil de detetar porque apenas se revela de forma indireta, na medida em que os bancos centrais ao emprestarem dinheiro aos banqueiros privados, estes investem-no de forma discricionária nos ativos que consideram trazer maior rentabilidade para o seu banco. Uns apostam em investir na economia e nas empresas, outros compram ações, e outros compram contratos futuros de petróleo. Basicamente perde-se o rasto ao dinheiro.
Sobre as declarações da deputada do PSD, sugerimos ao canal público que reflita sobre estas atoardas informativas que comentadores vão fazendo diariamente sem o menor escrutínio pelo(a) jornalista que modera estes painéis.
Que haja políticos que queiram viver na ignorância e rigidez ideológica, pouco poderemos fazer para alterar, mas é sempre de evitar transpirar estas ideias para os cidadãos que, na sua ignorância, formam uma opinião pública mais desinformada do que esclarecida.
Tiago Mestre
Eis o suposto mecanismo de solidariedade interbancário europeu!
Caros leitores e leitoras, da pouca informação que sai dos canais noticiosos acerca dos empréstimos que o BCE concedeu nestes últimos meses aos bancos europeus, dificilmente se percebe alguma coisa. Ter escrito este artigo serve sobretudo para tentar esclarecer quem se interessa pelo assunto e quem ainda não juntou todas as peças do puzzle:
Em Dezembro de 2011 e em Fevereiro de 2012 o BCE promoveu um leilão de crédito para qualquer instituição bancária europeia que se quis candidatar. Para tal, esta deveria possuir activos considerados como colateral, ou garantias, para obter esses mesmos empréstimos. O mecanismo foi denominado LTRO (Long Term Refinancing Operations)
As garantias exigidas pelo BCE vão desde activos classificados como AAA até às obrigações gregas CC, o que é o mesmo que dizer que qualquer ativo tóxico serve.
Com estes 2 leilões o BCE injetou quase 900 mil milhões de euros no sistema bancário. Como comparação, o PIB de Portugal são 170 mil milhões!
Tanto dinheiro fresco à disposição dos banqueiros teve que se revelar em alguma coisa. Basicamente serviu para comprar mais dívida soberana, consequência que Mario Draghi e Vitor Constâncio tanto desejavam, mas também serviu para adquirir contratos futuros de petróleo, ouro, commodities, etc.
Já estas aquisições são algo que Draghi/Constâncio não gostam porque provocam a desvalorização do euro e o aumento dos preços dos bens (inflação).
Paralelamente, os banqueiros deixaram de desconfiar tanto entre si devido a esta injeção massiva de dinheiro no sistema bancário, aliviando o nervosismo que pairava no ar. Mas tal injeção monetária é uma tentativa manipulatória do BCE em querer "conduzir" o sistema bancário da forma que considera a melhor para a UE.
O esquema montado para estes leilões foi definido da seguinte forma:1. Os bancos privados pediram os empréstimos aos bancos centrais nacionais;
2. Estes por sua vez pediram ao BCE;
3. O BCE concedeu o montante aos bancos centrais nacionais que por sua vez emprestaram aos bancos privados;
Desta forma, os bancos centrais nacionais agiram como intermediários do negócio, ficando estes a dever ao BCE. Este mecanismo não é novo, contudo foi usado no passado recente para montantes muito mais pequenos, maturidades mais curtas, juros mais elevados e exigências na concessão mais apertadas. O programa de empréstimos via bancos centrais nacionais denomina-se TARGET2.
Mas como em todas as manipulações, surgem sempre as chamadas consequências inesperadas ou não previstas:
Como é sabido, foram os bancos privados dos países mais periféricos que mais dinheiro pediram, certamente devido à condição financeira do seu país e à descrença dos investidores estrangeiros. Tal fenómeno criou um desequilíbrio de crédito ainda maior dentro da UE, na medida em que foram os bancos dos países mais pobres que mais dinheiro pediram, ao contrário dos bancos dos países mais ricos, que pouco participaram no esquema LTRO.
A título de exemplo, o Deutsche Bank, talvez o maior banco privado alemão e dos maiores do mundo, não participou neste programa LTRO.
A título de exemplo, o Deutsche Bank, talvez o maior banco privado alemão e dos maiores do mundo, não participou neste programa LTRO.
Sendo o BCE uma espécie de congregação de todos os bancos centrais dos países do euro, este financia-se e é comparticipado por todos estes bancos, sendo que a importância relativa de cada um varia enormemente. O Bundesbank é o banco nacional com maior participação no BCE, aproximadamente 25%, seguindo-se do Banco da França e assim sucessivamente.
Numa frase: o Bundesbank financiou os outros bancos centrais por intermédio do BCE.
Com esta explicação fica mais ou menos claro que quem mais tem a perder com estes empréstimos são os bancos com maior exposição ao BCE e que menos dinheiro pediram para os bancos privados do seu país. O Bundesbank é sem dúvida o mais prejudicado.
Todo este esquema financeiro só se mantêm de pé porque não se equaciona a saída de nenhum país da zona euro. Mas caso haja rebeldia soberana, o BCE não possui mecanismos legais para ir atrás do dinheiro que os bancos nacionais lhe ficarão a dever, e imaginem quem mais ficará a perder? O Bundesbank, claro!
Com a cortesia do site SoberLook, evidenciamos abaixo o balanço das contas do Bundesbank:
Se o Bundesbank passou a ter 576 mil milhões de crédito por reclamar para com entidades dentro da UE (bancos centrais dos países mais pobres) em Fevereiro de 2012, já os seus compromissos como devedor não ultrapassam os 16,7 mil milhões. Assim se percebe a posição do Bundesbank relativamente aos restantes bancos centrais: altamente credor e pouco ou nada devedor.
E o que pode fazer o Bundesbank para evitar tais responsabilidades financeiras? Pouco ou nada, porque quem manda é o BCE, e se este decide trilhar este caminho, o banco rico terá que o seguir.
É por isso que de vez em quando lá vem um governador do Bundesbank refilar com esta política "folgada" do BCE.
Se a Grécia ou Portugal saírem do euro, as suas quotas no BCE terão que ser redistribuídas pelos restantes membros e as perdas decorrentes da sua saída terão que ser também distribuídas. Um fenómeno destes criará uma enorme pressão sobre o Bundesbank, sobre a opinião pública alemã e sobre todo o sistema político europeu.
Desta forma a Europa continua a empilhar dívida e a exigir cada vez mais compromissos entre países membros. A farsa só continua porque os países AAA continuam a passar "livranças" aos países mais fracos e estes pouco se importam.
Quando os políticos dos países ricos perceberem que estas medidas deixarão de ser temporárias para se tornarem definitivas e que poderão haver perdas reais, aí o cenário mudará.
Até esse dia chegar, os ricos que ainda julgam que têm muito a perder lá vão emprestando e acreditando que os pobres talvez se reorientem, e os pobres que não acreditam nessa reorientação (tipicamente os políticos gregos) exturquem tanto quanto lhes é possível aos ricos sem promessa alguma de pagar de volta. A isto chama-se transferência de riqueza e acumulação de tensão entre países e pessoas.
Mas foi o Bundesbank que "perdeu a paciência" na semana que passou.
Mas foi o Bundesbank que "perdeu a paciência" na semana que passou.
Exigiu ao BCE que futuros encargos financeiros assumidos em nome do Bundesbank tenham por detrás ativos com maior notação financeira, ou seja, que dêem mais garantias ao Bundesbank que em caso de o dinheiro não ser devolvido pelos países pobres, pelo menos se minimizem essas perdas com o confisco de ativos mais valiosos.
Eis o estado de coisas neste momento:
O BCE quer forçar os bancos nacionais dos países ricos a assumir responsabilidades com os pobres sem nada de jeito em troca.
O BCE quer forçar os bancos nacionais dos países ricos a assumir responsabilidades com os pobres sem nada de jeito em troca.
Os ricos revoltam-se, os pobres calam-se porque lhes interessa!
No dia seguinte ao anúncio do Bundesbank, foi a vez do banco nacional austríaco referir que também alinhará na mesma direção.
Veremos no que isto dá!
Tiago Mestre
Subsídios, lapsos - reminiscências da 3ª pedra no sapato
A velocidade com que certos acontecimentos se revelam deixam-nos de queixo caído.
Há apenas 4 dias referimos aqui que as declarações de um comissário europeu acerca da suspensão dos subsídios para funcionários públicos serviria de balão de ensaio para se perceber o que o governo estava a preparar. Julgávamos nós que estas afirmações eram uma forma de comprar tempo até o governo se lembrar de um alçapão jurídico que o "legitimasse" a não repor os tão prometidos subsídios.
Basicamente, ficou a ideia de que o comissário usou aquela velha tática de "apalpar terreno" para perceber a reação que viria do lado de lá.
Desta forma o governo sondava quase "de borla" a opinião pública portuguesa, podendo alterar a tempo o discurso.
Demasiada teoria da conspiração? Talvez, porque o que se passou de seguida é quase surreal e parecido mais com uma reacção química nuclear numa central japonesa do que com um ensaio controlado em laboratório.
Vitor Gaspar reconhece logo no dia seguinte que andou a "enganar" a malta durante meses com o seu ar solene e "amocional" acerca da vigência da troika em Portugal e respetiva reposição dos subsídios.
E logo a seguir Pedro Passo Coelho anuncia o tão esperado alçapão jurídico: os subsídios serão repostos gradualmente.
Ao referir este advérbio de modo sem a respetiva explicação (qual é a graduação), fica a sensação de que os subsídios NÃO serão repostos.
Este tipo de afirmações assemelham-se mais a um estado de desespero e sobrevivência política do que em querer "salvar" a nação e resgatá-la das trevas em que se encontra.
Pelos vistos o alçapão jurídico já estava idealizado e não era preciso comprar mais tempo nenhum (aqui no Contas ainda nos surpreendemos pela nossa ingenuidade). Só faltava apresentá-lo à população, e de que forma? Da mais cobarde:
Usa-se um comissário de Bruxelas ou Estrasburgo para servir de testa de ferro e depois lançam-se umas atoardas, ora no parlamento por um ministro, ora numa entrevista radiofónica por outro, e siga pra bingo.
O plano de comunicação é mau porque tem requintes de perversidade conjugado com um modo desorganizado de fazer as coisas.
Qualquer cidadão compreende isso e não deixa de sentir algum nojo por este modus operandi.
Assim será difícil a Passos Coelho e a Vitor Gaspar preservarem a credibilidade que granjearam por oposição ao executivo de José Sócrates.
O estado de graça está a esgotar-se. Agora é a doer.
Tiago Mestre
Há apenas 4 dias referimos aqui que as declarações de um comissário europeu acerca da suspensão dos subsídios para funcionários públicos serviria de balão de ensaio para se perceber o que o governo estava a preparar. Julgávamos nós que estas afirmações eram uma forma de comprar tempo até o governo se lembrar de um alçapão jurídico que o "legitimasse" a não repor os tão prometidos subsídios.
Basicamente, ficou a ideia de que o comissário usou aquela velha tática de "apalpar terreno" para perceber a reação que viria do lado de lá.
Desta forma o governo sondava quase "de borla" a opinião pública portuguesa, podendo alterar a tempo o discurso.
Demasiada teoria da conspiração? Talvez, porque o que se passou de seguida é quase surreal e parecido mais com uma reacção química nuclear numa central japonesa do que com um ensaio controlado em laboratório.
Vitor Gaspar reconhece logo no dia seguinte que andou a "enganar" a malta durante meses com o seu ar solene e "amocional" acerca da vigência da troika em Portugal e respetiva reposição dos subsídios.
E logo a seguir Pedro Passo Coelho anuncia o tão esperado alçapão jurídico: os subsídios serão repostos gradualmente.
Ao referir este advérbio de modo sem a respetiva explicação (qual é a graduação), fica a sensação de que os subsídios NÃO serão repostos.
Este tipo de afirmações assemelham-se mais a um estado de desespero e sobrevivência política do que em querer "salvar" a nação e resgatá-la das trevas em que se encontra.
Pelos vistos o alçapão jurídico já estava idealizado e não era preciso comprar mais tempo nenhum (aqui no Contas ainda nos surpreendemos pela nossa ingenuidade). Só faltava apresentá-lo à população, e de que forma? Da mais cobarde:
Usa-se um comissário de Bruxelas ou Estrasburgo para servir de testa de ferro e depois lançam-se umas atoardas, ora no parlamento por um ministro, ora numa entrevista radiofónica por outro, e siga pra bingo.
O plano de comunicação é mau porque tem requintes de perversidade conjugado com um modo desorganizado de fazer as coisas.
Qualquer cidadão compreende isso e não deixa de sentir algum nojo por este modus operandi.
Assim será difícil a Passos Coelho e a Vitor Gaspar preservarem a credibilidade que granjearam por oposição ao executivo de José Sócrates.
O estado de graça está a esgotar-se. Agora é a doer.
Tiago Mestre
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