A propósito de um comentário nosso publicado no blog Portugal Contemporâneo, decidimos transcrever o comentário abaixo:
Uma moeda, qualquer moeda, deve significar uma forma de energia. Energia é a capacidade de realizar trabalho.
Se eu produzo cereais e apliquei energia no seu cultivo, o interessado em comprar deve-me pagar em função dos excedentes que possui (fruto da energia que ele despendeu), da importância que tem para ele a minha cultura e do valor energético que eu acho que a cultura possui.
1ª conclusão:
Os mercados já existiam antes sequer de haver moeda.
E se o comprador não tinha excedente naquela altura, mas só daqui a 1 mês, poderia ficar a dever caso o vendedor aceitasse.
2ª conclusão:
Já havia crédito antes de haver moeda.
A moeda apareceu como mecanismo fácil, portátil e fiável de transferência e preservação de energia face às dificuldades de transporte, preservação e troca de bens excedentários.
Mas este esquema só funcionaria se fosse credível aos olhos de toda a gente. Para tal deveria possuir um valor intrínseco que, contabilizado em função do seu peso e da matéria prima de que era constituída pudesse representar uma dada quantidade de energia: valor.
O ouro, pelo facto de ser difícil de obter, fácil de trabalhar e de manter a sua cor dourada sem sofrer nem com a oxidação nem com variações de temperatura, foi talvez o primeiro metal de que os seres humanos se lembraram para representar energia e valor.
Tem sido assim durante milhares de anos. Penso que data de 3 ou 4 mil anos AC as primeiras formas de crédito e de moeda na Suméria.
Mas a 13 de Agosto de 1971 passámos do mundo real para o mundo virtual: Nixon suspende (temporariamente, disse ele. Faz-me lembrar a história agora dos subsídios em Portugal) a convertibilidade do dólar em ouro (35 dólares por cada onça), decisão que tinha sido tomada em 1945-46 nos acordos de Bretton Woods. Nesta reunião, os EUA, na mó de cima por terem ganho a guerra e salvo a Europa do jugo nazi, sugeriram ao mundo ocidental que era preferível guardarem dólares em vez de ouro. Os EUA seriam fiéis depositários do ouro e pagariam juros às nações que preferissem dólares, já que sobre o ouro não se pagariam juros nenhuns. A proposta parecia irrecusável, e assim foi.
Mas com a década de 50 e de 60, a tentação dos políticos americanos em financiar guerras, ir à Lua, e outras extravagâncias que tais fê-los gerar deficits nos seus orçamentos, e às escondidas do mundo começaram a imprimir dólares sem acautelarem os rácios de ouro que se exigia.
Charles de Gaulle em França topou a aldrabice e antes que o dólar perdesse valor aos olhos de todo o mundo, enviou os dólares de volta para os EUA para receber o ouro com o tal rácio de 35 dólares a onça. A propósito, Salazar era um desconfiado por natureza, e com os americanos era ainda mais. A ver-se pelos excedentes orçamentais e pela quantidade de ouro que o Estado Novo acumulou ao longo de décadas, Salazar não caiu na esparrela, e quer se goste dele ou não, o homem teve razão nesta matéria.
Moral da história:
Os políticos manipularão sempre, mas sempre as moedas. Foi assim no império Romano, com a moeda Denariu e com muitas outras, como foi na América, na República Alemã de Weimar, no Zimbabué, na Argentina, em Portugal nos finais da década de 70 e 80 e mais recentemente com o banco central europeu.
A tentação de "fazer" dinheiro é muito grande para os políticos parolos que são tudo menos estadistas, e que em vez de usarem a inteligência para reforçar o código moral, lá concebem estratagemas para aldrabar o sistema, quer seja com ouro, prata, papel, ou mais recentemente, com os computadores.
Fiat vs padrão ouro?
Prefiro padrão ouro apenas pela razão de que é mais difícil aos políticos aldrabar o sistema, apesar de que o iriam fazer com toda a certeza.
Para terminar:
Se voltássemos ao padrão ouro, agora que estamos inundados de papel moeda virtual, veríamos o preço do ouro disparar para valores que não sei calcular e o valor das moedas fiat cairia tb para valores sem explicação.
Relembro que só o mercado de derivados, de acordo com o BIS, já ronda os 800 a 900 triliões de dólares e o PIB mundial não ultrapassa os 80 triliões de dólares!!
Teríamos que dividir toda esta gigantesca massa monetária pela quantidade de ouro que existe e que existirá nos bancos centrais. Por cada onça teriam que "caber" muitos dólares e muitos euros.
Tb é verdade que muitos destes mercados derivados colapsariam e o valor dessas apostas evaporar-se-ia de um segundo para o outro.
Se é possível regressar ao padrão ouro? É.
Se é provável?
Acredito que sim, não tanto pela ação afirmativa, mas mais pela inação, ou seja, os políticos continuarão a imprimir dinheiro até que este se torne pouco mais do que papel pintado, o sistema cai de maduro, e aí, pessoa a pessoa, aldeia a aldeia, cidade a cidade, país a país, cada comunidade saberá inventar um meio de transferência e preservação de energia adequado à sua realidade.
Quais serão esses meios? Não sei.
Serão muitos e diversificados?
Sim, nuns sítios do planeta teremos a prata como padrão, noutros o ouro, noutros o cobre, noutros terra fértil, noutros os cereais, noutros o "good and old" sistema fiat, etc, etc.
Tiago Mestre
6 de abril de 2012
5 de abril de 2012
4ª pedra no sapato - suspensão de reformas antecipadas ficou escondida uma semana!
A 29 de Março o conselho de ministros aprovou a suspensão das reformas antecipadas. A conferência de imprensa que se sucedeu, em momento algum referiu esta decisão. Esperou-se uma semana em total sigilo, e agora Cavaco Silva aprova o diploma para ser publicado num feriado.
Todo este sigilo sugeriu a vontade do governo em não permitir uma corrida a reformas antecipadas. Percebemos a atitude do governo mas não a podemos aceitar:
Mais abjeção moral.
Por culpa própria, o governo cava a sua sepultura, dia após dia.
Para nosso agrado, os portugueses ainda se sentem revoltados com a falta de moralidade nos comportamentos dos políticos. A Nação está salva!
Tiago Mestre
Todo este sigilo sugeriu a vontade do governo em não permitir uma corrida a reformas antecipadas. Percebemos a atitude do governo mas não a podemos aceitar:
Mais abjeção moral.
Por culpa própria, o governo cava a sua sepultura, dia após dia.
Para nosso agrado, os portugueses ainda se sentem revoltados com a falta de moralidade nos comportamentos dos políticos. A Nação está salva!
Tiago Mestre
Lei do enriquecimento ilícito - Inconstitucional - a 3ª pedra no sapato no espaço de uma semana
Oops, no espaço de uma semana este é já o terceiro post aqui no Contas que aborda a inconstitucionalidade de algumas medidas que o governo quer implementar.
Apesar da pertinência da questão, nunca suspeitámos que em poucos dias, 3 medidas do governo fossem questionadas quanto à sua constitucionalidade.
Mas tal frequência apenas reforça a nossa convicção acerca do modo atabalhoado/perverso com que o governo quer implementar reformas no sistema sem acautelar a constituição.
Numa situação "normal", com a notícia de ontem acerca da inconstitucionalidade da lei do enriquecimento ilícito, a ministra da justiça já deveria estar hoje a arrumar a secretária.
Nós aqui no Contas fomos acompanhando mais ou menos o processo pelos meios de comunicação e vários foram os especialistas na matéria a alertar para a sua inconstitucionalidade, o PS a dizer a toda a gente, enquanto era governo e já depois na oposição, que a inversão do ónus da prova seria inaceitável à luz dos direitos consagrados na Constituição,
Até Marinho e Pinto, bastonário da ordem dos advogados, não sendo juiz e muito menos do Tribunal Constitucional, evidenciava já em 2009, ainda com o PS no governo, nas Comissões de Justiça do Parlamento que tais propostas de lei violavam sem apelo nem agravo a Constituição portuguesa. Chegou mesmo a apelidar de aberração jurídica esta proposta. Oops..
A ministra não se pode queixar de não ter ouvido versões diferentes, logo deve assumir por inteiro a responsabilidade desta decisão do TC.
Aqui no Contas, independentemente da nossa opinião sobre a matéria que está a ser legislada, continuamos na nossa "teimosia":
SE O GOVERNO QUER APLICAR REFORMAS QUE CONSIDERA ESSENCIAIS MAS QUE CHOCAM COM A CONSTITUIÇÃO, DEVERIA TRATAR PRIMEIRO DE A MUDAR, E SÓ DEPOIS SE LEGISLARIA.
COMPETE À ASSEMBLEIA MUDAR A CONSTITUIÇÃO, E SE ESTA CHUMBAR AS ALTERAÇÕES PROPOSTAS, ENTÃO SÓ HAVERIA UM CAMINHO A SEGUIR PARA O GOVERNO: DEMITIR-SE
Como não propuseram nesta legislatura a alteração da Constituição, ficou-se por saber se esta seria aprovada ou chumbada, e se com isso o governo manter-se-ia em funções ou não. Preferiram antes arranjar semântica jurídica para tentar contornar a Constituição e manterem-se no poder.
Só para recordar as 3 pedras no sapato:
1. Supressão de subsídios aos funcionários públicos a tender de temporária para definitiva
2. Lei laboral já aprovada no parlamento. Segue para o Presidente da República e... Tribunal Constitucional
3. Enriquecimento Ilícito já chumbado pelo Tribunal Constitucional
A ferida já sangra.
Muita vergonha a pairar nas próximas reuniões do conselho de ministros.
Quando esquecemos os princípios, a ética e o modo correto de fazer as coisas, normalmente as consequências das nossas ações voltam à origem para nos assombrar. E assim atormentamos as nossas vidas e as dos outros.
Tiago Mestre
Apesar da pertinência da questão, nunca suspeitámos que em poucos dias, 3 medidas do governo fossem questionadas quanto à sua constitucionalidade.
Mas tal frequência apenas reforça a nossa convicção acerca do modo atabalhoado/perverso com que o governo quer implementar reformas no sistema sem acautelar a constituição.
Numa situação "normal", com a notícia de ontem acerca da inconstitucionalidade da lei do enriquecimento ilícito, a ministra da justiça já deveria estar hoje a arrumar a secretária.
Nós aqui no Contas fomos acompanhando mais ou menos o processo pelos meios de comunicação e vários foram os especialistas na matéria a alertar para a sua inconstitucionalidade, o PS a dizer a toda a gente, enquanto era governo e já depois na oposição, que a inversão do ónus da prova seria inaceitável à luz dos direitos consagrados na Constituição,
Até Marinho e Pinto, bastonário da ordem dos advogados, não sendo juiz e muito menos do Tribunal Constitucional, evidenciava já em 2009, ainda com o PS no governo, nas Comissões de Justiça do Parlamento que tais propostas de lei violavam sem apelo nem agravo a Constituição portuguesa. Chegou mesmo a apelidar de aberração jurídica esta proposta. Oops..
A ministra não se pode queixar de não ter ouvido versões diferentes, logo deve assumir por inteiro a responsabilidade desta decisão do TC.
Aqui no Contas, independentemente da nossa opinião sobre a matéria que está a ser legislada, continuamos na nossa "teimosia":
SE O GOVERNO QUER APLICAR REFORMAS QUE CONSIDERA ESSENCIAIS MAS QUE CHOCAM COM A CONSTITUIÇÃO, DEVERIA TRATAR PRIMEIRO DE A MUDAR, E SÓ DEPOIS SE LEGISLARIA.
COMPETE À ASSEMBLEIA MUDAR A CONSTITUIÇÃO, E SE ESTA CHUMBAR AS ALTERAÇÕES PROPOSTAS, ENTÃO SÓ HAVERIA UM CAMINHO A SEGUIR PARA O GOVERNO: DEMITIR-SE
Como não propuseram nesta legislatura a alteração da Constituição, ficou-se por saber se esta seria aprovada ou chumbada, e se com isso o governo manter-se-ia em funções ou não. Preferiram antes arranjar semântica jurídica para tentar contornar a Constituição e manterem-se no poder.
Só para recordar as 3 pedras no sapato:
1. Supressão de subsídios aos funcionários públicos a tender de temporária para definitiva
2. Lei laboral já aprovada no parlamento. Segue para o Presidente da República e... Tribunal Constitucional
3. Enriquecimento Ilícito já chumbado pelo Tribunal Constitucional
A ferida já sangra.
Muita vergonha a pairar nas próximas reuniões do conselho de ministros.
Quando esquecemos os princípios, a ética e o modo correto de fazer as coisas, normalmente as consequências das nossas ações voltam à origem para nos assombrar. E assim atormentamos as nossas vidas e as dos outros.
Tiago Mestre
4 de abril de 2012
ESPANHA E PORTUGAL - IRMÃOS IBÉRICOS
Caros leitores e leitoras, se hoje Portugal recorreu aos mercados de dívida e lá conseguiu obter umas massas, o mesmo não se pode dizer da Espanha.
Portugal endividou-se com bilhetes do Tesouro, papel que apresenta muito menos risco por possuir maturidades curtas e por se considerarem como estando fora de possíveis reestruturações/incumprimentos.
Os bilhetes de Tesouro da Grécia, por exemplo, não foram incluídos na reestruturação. As obrigações essas sim, é que foram reestruturadas.
Além disso, as maturidades em que Portugal se endividou (6 e 18 meses) estão cobertas pela maturidade a 3 anos do mega-empréstimo LTRO de quase 900 mil milhões de euros que o BCE concedeu aos bancos privados, sobretudo os de países periféricos.
Imaginem lá quem anda a comprar obrigações portuguesas? Os bancos privados portugueses.
E com que dinheiro? do LTRO, obviamente.
O negócio é espetacular para os bancos: endividam-se a 1% junto do BCE e emprestam ao estado português a 4,5 ou 6%, dependendo da maturidade.
Mas à Espanha calhou outra sorte. O leilão de dívida que hoje realizou englobava Obrigações do Tesouro e não Bilhetes do Tesouro. Além disso, as maturidades eram superiores a 3 anos, ou seja, superiores à do LTRO. Ooops, nestas condições os investidores espanhóis já pensam 2 vezes.
Resultado:
Dos 3,6 mil milhões de euros colocados a leilão, apenas 2,6 mil milhões foram vendidos. As taxas de juro subiram quase 1 ponto percentual (de 3,4 para 4,3%) nas obrigações com maturidade a 4 anos, face ao leilão anterior com a mesma maturidade.
O que se fica a perceber disto tudo?
Que o dinheiro injetado pelo BCE nos últimos meses foi uma manipulação grosseira, como já várias vezes referimos aqui no Contas, e que como em qualquer manipulação, surte um efeito positivo durante algum tempo, como uma droga, mas mais cedo ou mais tarde chega o dia da verdade.
Aparentemente em Espanha, o dinheiro "quente" do LTRO que serviu de mecanismo de liquidez no sistema durante estas semanas está a esgotar-se, e a ser verdade tal suposição, voltamos à vaca fria com que nenhum líder político quer lidar e que urge a todo o custo adiar:
A falência do sistema bancário e do Estado como instituição soberana devedora.
Se a Espanha se tornar este Verão no epicentro dos problemas da dívida soberana, talvez essa seja a melhor oportunidade para Portugal se juntar e delinearem uma saída ordeira da UE, com moeda eventualmente ibérica (a discutir), igualdade de tratamento na saída dos acordos da UE, dissolução dos encargos financeiros para com o BCE e criação de um bloco ibérico que permitisse a afirmação de políticas conjuntas na área da agricultura, pescas, reestruturação da dívida, etc, etc.
Acima de tudo, livrar-nos-íamos do jugo político europeu e da sua ignorância para com a nossa cultura secular. Podemos ser diferentes dos espanhóis, mas em escala essa diferença não se compara com o povo germânico, celta, ou escandinavo.
Num ápice teríamos a Grécia e a Itália a fazer-nos companhia. Seria o fim da UE tal e qual como a conhecemos e dessa forma estancávamos esta hemorragia que se chama:
1. Drenagem de riqueza do país A (sul da Europa) para o país B (norte da Europa) por causa dos juros que temos que pagar;
2. Aquisição de ativos "tóxicos" pelo país credor B ao país devedor A, nomeadamente obrigações soberanas e empréstimos a bancos. Fenómeno que já deixa os governadores do Bundesbank com os cabelos em pé!
Este mecanismo de suposta "solidariedade" europeia é uma das maiores aberrações políticas/planeamento centralizado/keynesianismo que jamais alguém concebeu nesta vida e na outra. São 500 milhões de pessoas a serem comandadas por políticas gizadas nos gabinetes de meia dúzia de burocratas que se reúnem a cada 15 dias. Como podem eles conhecer todos os aspectos de todas as culturas e de todas as sociedades que compõem os 27 países da UE? Como não podem, é-lhes impossível ajuízar e legislar corretamente, e daí todas estas asneiras, como o tratado de Lisboa, as políticas agrícolas comuns, os subsídios para tudo e para nada, o endividamento sem regra, etc, etc.
É surreal que a população aceite este estado de coisas e é surreal que os líderes europeus não tenham a humildade de reconhecer que tal empreendimento é tão só incumensurável para a sua inteligência como para a sua capacidade de ação. Não é nenhum atestado de incompetência, mas antes reconhecer a nossa incapacidade de lidar com problemas que estão muito para além das nossas capacidades.
Arriscamos a especular que nem Jesus Cristo, mesmo com a ajuda de seu Pai, teria capacidade para conceber soluções de forma permanente para problemas tão complexos que só a sociedade consegue resolver nos biliões de decisões que toma diariamente.
Tiago Mestre
Portugal endividou-se com bilhetes do Tesouro, papel que apresenta muito menos risco por possuir maturidades curtas e por se considerarem como estando fora de possíveis reestruturações/incumprimentos.
Os bilhetes de Tesouro da Grécia, por exemplo, não foram incluídos na reestruturação. As obrigações essas sim, é que foram reestruturadas.
Além disso, as maturidades em que Portugal se endividou (6 e 18 meses) estão cobertas pela maturidade a 3 anos do mega-empréstimo LTRO de quase 900 mil milhões de euros que o BCE concedeu aos bancos privados, sobretudo os de países periféricos.
Imaginem lá quem anda a comprar obrigações portuguesas? Os bancos privados portugueses.
E com que dinheiro? do LTRO, obviamente.
O negócio é espetacular para os bancos: endividam-se a 1% junto do BCE e emprestam ao estado português a 4,5 ou 6%, dependendo da maturidade.
Mas à Espanha calhou outra sorte. O leilão de dívida que hoje realizou englobava Obrigações do Tesouro e não Bilhetes do Tesouro. Além disso, as maturidades eram superiores a 3 anos, ou seja, superiores à do LTRO. Ooops, nestas condições os investidores espanhóis já pensam 2 vezes.
Resultado:
Dos 3,6 mil milhões de euros colocados a leilão, apenas 2,6 mil milhões foram vendidos. As taxas de juro subiram quase 1 ponto percentual (de 3,4 para 4,3%) nas obrigações com maturidade a 4 anos, face ao leilão anterior com a mesma maturidade.
O que se fica a perceber disto tudo?
Que o dinheiro injetado pelo BCE nos últimos meses foi uma manipulação grosseira, como já várias vezes referimos aqui no Contas, e que como em qualquer manipulação, surte um efeito positivo durante algum tempo, como uma droga, mas mais cedo ou mais tarde chega o dia da verdade.
Aparentemente em Espanha, o dinheiro "quente" do LTRO que serviu de mecanismo de liquidez no sistema durante estas semanas está a esgotar-se, e a ser verdade tal suposição, voltamos à vaca fria com que nenhum líder político quer lidar e que urge a todo o custo adiar:
A falência do sistema bancário e do Estado como instituição soberana devedora.
Se a Espanha se tornar este Verão no epicentro dos problemas da dívida soberana, talvez essa seja a melhor oportunidade para Portugal se juntar e delinearem uma saída ordeira da UE, com moeda eventualmente ibérica (a discutir), igualdade de tratamento na saída dos acordos da UE, dissolução dos encargos financeiros para com o BCE e criação de um bloco ibérico que permitisse a afirmação de políticas conjuntas na área da agricultura, pescas, reestruturação da dívida, etc, etc.
Acima de tudo, livrar-nos-íamos do jugo político europeu e da sua ignorância para com a nossa cultura secular. Podemos ser diferentes dos espanhóis, mas em escala essa diferença não se compara com o povo germânico, celta, ou escandinavo.
Num ápice teríamos a Grécia e a Itália a fazer-nos companhia. Seria o fim da UE tal e qual como a conhecemos e dessa forma estancávamos esta hemorragia que se chama:
1. Drenagem de riqueza do país A (sul da Europa) para o país B (norte da Europa) por causa dos juros que temos que pagar;
2. Aquisição de ativos "tóxicos" pelo país credor B ao país devedor A, nomeadamente obrigações soberanas e empréstimos a bancos. Fenómeno que já deixa os governadores do Bundesbank com os cabelos em pé!
Este mecanismo de suposta "solidariedade" europeia é uma das maiores aberrações políticas/planeamento centralizado/keynesianismo que jamais alguém concebeu nesta vida e na outra. São 500 milhões de pessoas a serem comandadas por políticas gizadas nos gabinetes de meia dúzia de burocratas que se reúnem a cada 15 dias. Como podem eles conhecer todos os aspectos de todas as culturas e de todas as sociedades que compõem os 27 países da UE? Como não podem, é-lhes impossível ajuízar e legislar corretamente, e daí todas estas asneiras, como o tratado de Lisboa, as políticas agrícolas comuns, os subsídios para tudo e para nada, o endividamento sem regra, etc, etc.
É surreal que a população aceite este estado de coisas e é surreal que os líderes europeus não tenham a humildade de reconhecer que tal empreendimento é tão só incumensurável para a sua inteligência como para a sua capacidade de ação. Não é nenhum atestado de incompetência, mas antes reconhecer a nossa incapacidade de lidar com problemas que estão muito para além das nossas capacidades.
Arriscamos a especular que nem Jesus Cristo, mesmo com a ajuda de seu Pai, teria capacidade para conceber soluções de forma permanente para problemas tão complexos que só a sociedade consegue resolver nos biliões de decisões que toma diariamente.
Tiago Mestre
Subsídios de férias e de Natal consagrados na Constituição - mais uma pedra no sapato para o governo..
A 28 de Março publicámos um post referindo a questão da alteração da lei laboral, e como esta tentava contornar a constituição portuguesa.
Uma semana volvida e novamente a Constituição portuguesa coloca outra pedra no sapato do governo:
A suspensão de subsídios de Férias e de Natal não pode ser permanente, apenas temporária, mas face às exigências orçamentais que a troika impõe, alguém da Comissão Europeia já equacionou que o que é transitório pode muito bem vir a tornar-se permanente. O governo desmente, claro, mas serve apenas para comprar tempo. Ficamos a aguardar apenas que arranje um alçapão jurídico que contorne, mais uma vez, a Constituição portuguesa. Tem sido este o costume e não há sinais de mudança nesta matéria.
Nós compreendemos a vontade do governo em querer mudar qualquer coisa no domínio legislativo para que o país se torne, eventualmente, mais produtivo e menos gastador, ou algo assim parecido, mas a Constituição, para o bem e para o mal ainda manda qualquer coisa.
Se foi a Constituição que se tornou anacrónica ou impraticável, então que se mude a Constituição. Mas se o PSD/CDS não conseguir fazê-lo, por bloqueio do PS ou qualquer outro, somos da opinião que só há um caminho a seguir: a demissão do governo.
A política ao serviço do Estado serve para produzir leis, desfazer leis e respeitar a lei. Criar malabarismos e alçapões jurídicos revela pouca integridade da liderança e passa a ideia para os cidadãos de que os fins justificam os meios. Todos estes ingredientes somados promovem maior afastamento das populações para com o poder, menor respeito pelas leis e maior revolta para com a classe política.
Tiago Mestre
Uma semana volvida e novamente a Constituição portuguesa coloca outra pedra no sapato do governo:
A suspensão de subsídios de Férias e de Natal não pode ser permanente, apenas temporária, mas face às exigências orçamentais que a troika impõe, alguém da Comissão Europeia já equacionou que o que é transitório pode muito bem vir a tornar-se permanente. O governo desmente, claro, mas serve apenas para comprar tempo. Ficamos a aguardar apenas que arranje um alçapão jurídico que contorne, mais uma vez, a Constituição portuguesa. Tem sido este o costume e não há sinais de mudança nesta matéria.
Nós compreendemos a vontade do governo em querer mudar qualquer coisa no domínio legislativo para que o país se torne, eventualmente, mais produtivo e menos gastador, ou algo assim parecido, mas a Constituição, para o bem e para o mal ainda manda qualquer coisa.
Se foi a Constituição que se tornou anacrónica ou impraticável, então que se mude a Constituição. Mas se o PSD/CDS não conseguir fazê-lo, por bloqueio do PS ou qualquer outro, somos da opinião que só há um caminho a seguir: a demissão do governo.
A política ao serviço do Estado serve para produzir leis, desfazer leis e respeitar a lei. Criar malabarismos e alçapões jurídicos revela pouca integridade da liderança e passa a ideia para os cidadãos de que os fins justificam os meios. Todos estes ingredientes somados promovem maior afastamento das populações para com o poder, menor respeito pelas leis e maior revolta para com a classe política.
Tiago Mestre
3 de abril de 2012
Sober Look - mais um blog que nos ajuda a perceber o que se passa!
Caros leitores e leitoras, ficámos a conhecer mais um blog que nos informa e que nos ajuda a perceber o que se passa no mundo financeiro, monetário e económico:
http://soberlook.com
Tiago Mestre
http://soberlook.com
Tiago Mestre
2 de abril de 2012
Charles Biderman - economista e investidor que merece o nosso apreço
Alguém que temos acompanhado há alguns meses e que, presumimos nós, sabe do que fala.
Um economista e investidor que nos esclarece e ilumina sobre o que se passa no mundo financeiro e económico, sobretudo do outro lado do Atlântico. Publica videoblogs de 4-5 minutos várias vezes por semana.
http://trimtabs.com/blog/
Tiago Mestre
Um economista e investidor que nos esclarece e ilumina sobre o que se passa no mundo financeiro e económico, sobretudo do outro lado do Atlântico. Publica videoblogs de 4-5 minutos várias vezes por semana.
http://trimtabs.com/blog/
Tiago Mestre
Vários líderes a dizerem a mesma coisa. Humm!
Caros leitores e leitoras, é preciso acompanhar com alguma regularidade as várias intervenções de vários líderes europeus, sempre em tempos diferentes, mas dizendo mais ou menos o mesmo, para se inferir que algo nos bastidores se cozinhou, e em grande.
Várias personalidades têm referido que há sinais positivos de que o pior da crise financeira já passou, e que a perceção dos investidores sobre o risco da dívida soberana tem diminuído consideravelmente, como se prova pela queda das taxas de juro exigidas no mercado secundário.
Toda esta conjugação de afirmações semelhantes só nos pode levar a pensar que o mago financeiro Mario Draghi, diretor do BCE, arriscou tudo, mas mesmo tudo, com as operações LTRO de empréstimo a 1% durante 3 anos. Qualquer banco que apresente colateral, mesmo que sejam obrigações classificadas como C, fica elegível para o tão desejado empréstimo.
Todos os líderes acreditam que estas operações estão a ter resultado, e realmente estão, mas injetar 1 trilião de euros num espaço de 3 meses na economia europeia sem crescimento à vista terá as suas consequências nefastas, só que como não é visível para já, deixa andar.
O que realmente acaba por destruir uma moeda é o somatório de muitas impressões, muitas decisões expansivas e muita criatividade financeira, durante muito tempo.
Injetar 1 trilião de euros num sistema financeiro recessivo e com muita dívida às costas é realmente um belo balão de oxigénio para que os bancos liquidem entre si os empréstimos que contraíram no passado e os que terão que contrair no futuro. Liquidam entre si mas ficam a dever cada vez mais ao BCE.
Não haja dúvida de que sendo o BCE um banco público, o risco que outrora havia entre bancos está sendo transferido em massa para o "nosso" banco.
E se realmente era esta a "tal solução", porque razão Jean-Claude Trichet não a aplicou quando a Europa implorava pela artilharia do BCE?
Trichet fez muitos abusos, nomeadamente com a compra de dívida soberana nos mercados soberanos, mas não estava preparado para aceitar de forma massiva tanto risco privado para as mãos dum banco público. Draghi, seu digno sucessor, não pensou duas vezes. A sua missão era livrar a Europa desta espiral de encontro com a sua realidade. E conseguiu! Para já.
Tiago Mestre
Várias personalidades têm referido que há sinais positivos de que o pior da crise financeira já passou, e que a perceção dos investidores sobre o risco da dívida soberana tem diminuído consideravelmente, como se prova pela queda das taxas de juro exigidas no mercado secundário.
Toda esta conjugação de afirmações semelhantes só nos pode levar a pensar que o mago financeiro Mario Draghi, diretor do BCE, arriscou tudo, mas mesmo tudo, com as operações LTRO de empréstimo a 1% durante 3 anos. Qualquer banco que apresente colateral, mesmo que sejam obrigações classificadas como C, fica elegível para o tão desejado empréstimo.
Todos os líderes acreditam que estas operações estão a ter resultado, e realmente estão, mas injetar 1 trilião de euros num espaço de 3 meses na economia europeia sem crescimento à vista terá as suas consequências nefastas, só que como não é visível para já, deixa andar.
O que realmente acaba por destruir uma moeda é o somatório de muitas impressões, muitas decisões expansivas e muita criatividade financeira, durante muito tempo.
Injetar 1 trilião de euros num sistema financeiro recessivo e com muita dívida às costas é realmente um belo balão de oxigénio para que os bancos liquidem entre si os empréstimos que contraíram no passado e os que terão que contrair no futuro. Liquidam entre si mas ficam a dever cada vez mais ao BCE.
Não haja dúvida de que sendo o BCE um banco público, o risco que outrora havia entre bancos está sendo transferido em massa para o "nosso" banco.
E se realmente era esta a "tal solução", porque razão Jean-Claude Trichet não a aplicou quando a Europa implorava pela artilharia do BCE?
Trichet fez muitos abusos, nomeadamente com a compra de dívida soberana nos mercados soberanos, mas não estava preparado para aceitar de forma massiva tanto risco privado para as mãos dum banco público. Draghi, seu digno sucessor, não pensou duas vezes. A sua missão era livrar a Europa desta espiral de encontro com a sua realidade. E conseguiu! Para já.
Tiago Mestre
29 de março de 2012
Estado "compra" aos bancos a dívida das autarquias. Humm!
Mais abjeção moral:
Estado decide "adquirir" créditos que os bancos concederam às autarquias. E com este passe de mágica se transferem 2 mil milhões de euros de risco bancário para o setor público. E o que tem o português contribuinte a ver com a dívida das câmaras? Nada, mas graças à (falta) de moral da classe política, a fatura fica mais uma vez do lado do "tuga".
Se os bancos emprestaram sem regra, então deveriam sofrer as consequências desses maus investimentos. É assim na vida das empresas e na nossa vida.
Mas a classe política gosta de desafiar a realidade, deve dar "pica", ou seja:
Quem cometeu asneiras e não se portou bem... é salvo... à custa de quem? Do cidadão contribuinte que desconta todos os meses e que nada tem a ver com o assunto.
Na hora da verdade, os políticos cedem sempre, sempre. É mais forte do que eles. Ninguém quer presenciar o cataclismo que a verdade dos factos exige, e portanto adia-se o que não se consegue suportar.
Moral Hazard à portuguesa
Tiago Mestre
Estado decide "adquirir" créditos que os bancos concederam às autarquias. E com este passe de mágica se transferem 2 mil milhões de euros de risco bancário para o setor público. E o que tem o português contribuinte a ver com a dívida das câmaras? Nada, mas graças à (falta) de moral da classe política, a fatura fica mais uma vez do lado do "tuga".
Se os bancos emprestaram sem regra, então deveriam sofrer as consequências desses maus investimentos. É assim na vida das empresas e na nossa vida.
Mas a classe política gosta de desafiar a realidade, deve dar "pica", ou seja:
Quem cometeu asneiras e não se portou bem... é salvo... à custa de quem? Do cidadão contribuinte que desconta todos os meses e que nada tem a ver com o assunto.
Na hora da verdade, os políticos cedem sempre, sempre. É mais forte do que eles. Ninguém quer presenciar o cataclismo que a verdade dos factos exige, e portanto adia-se o que não se consegue suportar.
Moral Hazard à portuguesa
Tiago Mestre
28 de março de 2012
Alteração ao código laboral e sua inconstitucionalidade
Ouvíamos esta manhã no noticiário da Antena1 um especialista em matéria laboral acerca da proposta do PSD/CDS. E o que referia o tal especialista?
- a proposta viola a constituição portuguesa;
- o modo como foi feita revela uma forma de fazer leis que tenta contornar a constituição, sem a contradizer de forma evidente;
- tal requinte jurídico só poderia vir de gabinetes de advogados afetos ao governo, com ampla experiência na execução deste tipo de "propostas" de lei.
Gostámos do que ouvimos, contudo o sr. especialista-de-quem-não-nos-recordamos-o-nome já vem atrasado, e talvez por ingenuidade é que ainda revela uma opinião destas.
A Constituição refere que não é permitido despedimentos sem justa causa. Esta proteção jurídica tenta favorecer empregado e desfavorecer empregador, como tentativa de repor algum desequilíbrio natural na relação contratual entre estas 2 entidades.
Compreendemos a (boa) intenção da lei, mas quem anda nesta vida das empresas sabe que em tempos de prosperidade esta regra é supérflua porque o empregador que tem trabalho a mais necessita sempre de empregar, desde que as exigências do trabalhador não coloquem muito em causa a rentabilidade dos negócios.
Em tempos de declínio a regra ou atrapalha ou não é cumprida, porque se o empregador perde trabalho, ou força alterações unilaterais de contratos, ou despede por mútuo acordo ou não despede por falta de dinheiro, deixando arrastar a empresa até à falência e aí não pagar a ninguém: nem a empregados, nem a fornecedores, nem ao estado. Esta última opção é talvez a preferida da maioria dos empresários.
São estas as táticas vigentes.
A regra constitucional de impedir o despedimento torna-se assim uma banalidade jurídica, apesar da boa intenção que esconde por detrás.
Quando a vontade jurídica está muito distante das vicissitudes da realidade, é a força das leis que fica SEMPRE a perder, com a respetiva descredibilização do próprio sistema.
Se o governo quer alterar a lei laboral para flexibilizar despedimentos e contratações, mas está blindado pela constituição, o que deveria fazer era propor a alteração da constituição ao parlamento. E se tal desígnio fosse chumbado, a demissão do cargo seria a única opção digna.
Mas como tal rigor de princípios é hoje uma quimera moral bem distante, Passos Coelho e Álvaro atalham caminho e tentam atropelar, mas sem ferir, a constituição portuguesa, arranjando estas alterações ao código do trabalho que jogam na fronteira dos limites da constituição.
Esta é a política do desenrasca, do compromisso e da abjecção moral.
Siga pra bingo. O que é preciso é fazer coisas, agradar à troika e receber o dinheirinho que tanta falta nos faz!
Tiago Mestre
- a proposta viola a constituição portuguesa;
- o modo como foi feita revela uma forma de fazer leis que tenta contornar a constituição, sem a contradizer de forma evidente;
- tal requinte jurídico só poderia vir de gabinetes de advogados afetos ao governo, com ampla experiência na execução deste tipo de "propostas" de lei.
Gostámos do que ouvimos, contudo o sr. especialista-de-quem-não-nos-recordamos-o-nome já vem atrasado, e talvez por ingenuidade é que ainda revela uma opinião destas.
A Constituição refere que não é permitido despedimentos sem justa causa. Esta proteção jurídica tenta favorecer empregado e desfavorecer empregador, como tentativa de repor algum desequilíbrio natural na relação contratual entre estas 2 entidades.
Compreendemos a (boa) intenção da lei, mas quem anda nesta vida das empresas sabe que em tempos de prosperidade esta regra é supérflua porque o empregador que tem trabalho a mais necessita sempre de empregar, desde que as exigências do trabalhador não coloquem muito em causa a rentabilidade dos negócios.
Em tempos de declínio a regra ou atrapalha ou não é cumprida, porque se o empregador perde trabalho, ou força alterações unilaterais de contratos, ou despede por mútuo acordo ou não despede por falta de dinheiro, deixando arrastar a empresa até à falência e aí não pagar a ninguém: nem a empregados, nem a fornecedores, nem ao estado. Esta última opção é talvez a preferida da maioria dos empresários.
São estas as táticas vigentes.
A regra constitucional de impedir o despedimento torna-se assim uma banalidade jurídica, apesar da boa intenção que esconde por detrás.
Quando a vontade jurídica está muito distante das vicissitudes da realidade, é a força das leis que fica SEMPRE a perder, com a respetiva descredibilização do próprio sistema.
Se o governo quer alterar a lei laboral para flexibilizar despedimentos e contratações, mas está blindado pela constituição, o que deveria fazer era propor a alteração da constituição ao parlamento. E se tal desígnio fosse chumbado, a demissão do cargo seria a única opção digna.
Mas como tal rigor de princípios é hoje uma quimera moral bem distante, Passos Coelho e Álvaro atalham caminho e tentam atropelar, mas sem ferir, a constituição portuguesa, arranjando estas alterações ao código do trabalho que jogam na fronteira dos limites da constituição.
Esta é a política do desenrasca, do compromisso e da abjecção moral.
Siga pra bingo. O que é preciso é fazer coisas, agradar à troika e receber o dinheirinho que tanta falta nos faz!
Tiago Mestre
27 de março de 2012
O Porto é uma nação!
Caros leitores e leitoras, a cidade do Porto, respetiva autarquia e presidente eleito têm sido um exemplo para Portugal em como se pode reduzir despesa e dívida pública em simultâneo com a reorganização da cidade.
A cidade do Porto transformou-se, e se hoje foi consagrada como o melhor destino turístico na Europa em 2012, tal deve-se a um trabalho nos bastidores, sem alarido e de forma empenhada durante anos.
Quem conhece o Porto desde há vários anos é impossível não reparar na afluência de novos turistas, no movimento das galerias Paris ao fim de semana e no vibrar de novos projetos em cada esquina.
O Porto e a região norte estão hoje num patamar de maior sustentabilidade, tanto social, como até alimentar, do que o resto do país. As hortas e os pequenos quintais proliferam, revelando que a ligação com o passado rural não está esquecido. Em tempos adversos e em que o dinheiro escasseia, a sociedade manter-se-á tanto mais unida quanto mais as relações se fortalecerem e o espírito de entreajuda floresça.
A vida excessivamente urbana, como no caso de Lisboa, esquece que sem dinheiro pouco ou nada se pode fazer. Este é talvez o maior drama que os novos pobres urbanos enfrentam, e sem dúvida que a força da comunidade revelar-se-á muito mais débil.
Parabéns ao Porto e àqueles que silenciosamente têm tornado a cidade mais sustentável e com menos dívida.
Tiago Mestre
A cidade do Porto transformou-se, e se hoje foi consagrada como o melhor destino turístico na Europa em 2012, tal deve-se a um trabalho nos bastidores, sem alarido e de forma empenhada durante anos.
Quem conhece o Porto desde há vários anos é impossível não reparar na afluência de novos turistas, no movimento das galerias Paris ao fim de semana e no vibrar de novos projetos em cada esquina.
O Porto e a região norte estão hoje num patamar de maior sustentabilidade, tanto social, como até alimentar, do que o resto do país. As hortas e os pequenos quintais proliferam, revelando que a ligação com o passado rural não está esquecido. Em tempos adversos e em que o dinheiro escasseia, a sociedade manter-se-á tanto mais unida quanto mais as relações se fortalecerem e o espírito de entreajuda floresça.
A vida excessivamente urbana, como no caso de Lisboa, esquece que sem dinheiro pouco ou nada se pode fazer. Este é talvez o maior drama que os novos pobres urbanos enfrentam, e sem dúvida que a força da comunidade revelar-se-á muito mais débil.
Parabéns ao Porto e àqueles que silenciosamente têm tornado a cidade mais sustentável e com menos dívida.
Tiago Mestre
23 de março de 2012
Os gregos saberão como recuperar a dívida que os alemães contraíram por terem invadido a Grécia na 2ª Guerra Mundial
Grécia: civilização milenar, muita história, muita cultura, e muita sabedoria.
A 5 de Fevereiro publicámos um post que refletia acerca das capacidades dos gregos em jogar poker económico com a União Europeia. O sucesso tem sido retumbante, e não fosse uma economia tão estragada pelas políticas europeias e pelo dinheiro barato europeu, ainda acreditávamos que a Grécia seria o grande vencedor do concurso.
Basicamente, a civilização helénica especializou-se ao longo de milhares de anos em fazer bluff!
A Alemanha, nação bélica, lógica, racional e organizadora, não compreende este modo de jogar. Para os alemães, a "mão" mais forte é aquela que deve ganhar, ponto final.
Para os gregos, a "mão" só é forte se for acompanhada de uma grande dose de bluff, a tal ponto que um péssimo conjunto de cartas se pode tornar rapidamente numa "mão" espetacular.
No dia em que os gregos jogarem sem bluff, bye bye civilização helénica.
No dia em que os alemães jogarem com bluff, bye bye Wagner.
Como é do conhecimento geral, supostamente a Grécia reclama uma dívida à Alemanha pelos estragos da invasão na 2ª Guerra Mundial. 70 anos volvidos, a dívida será realmente liquidada, mas não da forma que os alemães previam.
A 5 de Fevereiro publicámos um post que refletia acerca das capacidades dos gregos em jogar poker económico com a União Europeia. O sucesso tem sido retumbante, e não fosse uma economia tão estragada pelas políticas europeias e pelo dinheiro barato europeu, ainda acreditávamos que a Grécia seria o grande vencedor do concurso.
Basicamente, a civilização helénica especializou-se ao longo de milhares de anos em fazer bluff!
A Alemanha, nação bélica, lógica, racional e organizadora, não compreende este modo de jogar. Para os alemães, a "mão" mais forte é aquela que deve ganhar, ponto final.
Para os gregos, a "mão" só é forte se for acompanhada de uma grande dose de bluff, a tal ponto que um péssimo conjunto de cartas se pode tornar rapidamente numa "mão" espetacular.
No dia em que os gregos jogarem sem bluff, bye bye civilização helénica.
No dia em que os alemães jogarem com bluff, bye bye Wagner.
Como é do conhecimento geral, supostamente a Grécia reclama uma dívida à Alemanha pelos estragos da invasão na 2ª Guerra Mundial. 70 anos volvidos, a dívida será realmente liquidada, mas não da forma que os alemães previam.
Tiago Mestre
(Aparentemente) o problema europeu está resolvido!
Caros leitores e leitoras, em múltiplas declarações, líderes europeus têm referido que o pior da crise europeia já passou, apesar de ainda gravitarem alguns riscos pendentes.
Este tipo de sentenças, como ouvimos da boca de Draghi ou de Barroso, reflectem o modo desesperado dos líderes europeus em se quererem ver livres desta embrulhada e chutar o problema lá mais para a frente, de preferência para um futuro tão distante que nenhum deles ainda cá esteja a gravitar.
Não há almoços grátis, mas quando Draghi decidiu soltar os cordões à bolsa imprimindo 1 trilião de euros num espaço de 3 meses, é óbvio que algo de transitoriamente positivo teria que ocorrer:
~ Mais dinheiro a perseguir os mesmos bens, subindo o valor destes. Tais operações reforçam o valor dos ativos dos bancos tornando-os menos arriscados.
Num parágrafo, foi isto que Draghi tentou fazer e, em abono da verdade, até conseguiu. Resta saber por quanto tempo. Esta operação financeira do BCE assemelha-se muito à injeção de drogas num paciente profundamente dependente e que desesperava há já alguns dias. O paciente ainda vive agora momentos de delírio e suposto bem estar, mas a realidade, mais cedo ou mais tarde, voltará a instalar-se, e com ela vem a ressaca e o desespero por mais. É esta a parte da história em que o empregado do restaurante vem cobrar o suposto almoço grátis.
Draghi talvez tenha subestimado que a injeção desta droga em doses massivas também afeta o preço de certos bens que nenhum de nós gosta, como o petróleo, por exemplo. Neste aspeto não é só Draghi o ator principal. Ben Bernanke, governador da Reserva Federal Norte-Americana, há muito que se iniciou nestes rituais manipulatórios. Ainda Draghi procurava emprego e já Bernanke influenciava ativamente os mercados de capitais com as suas ridículas taxas de juro de 0,25% e a aquisição de ativos tóxicos que "certos" bancos possuíam nos seus balanços mas que desesperadamente se queriam ver livres.
Draghi quer-nos fazer acreditar que agora as coisas irão correr melhor, e caso os mercados comecem a descarrilar, ele lá estará, qual cão raivoso, a influenciar, a manipular e a boicotar, se for preciso, o normal funcionamento do mercado, que apenas se deveria basear na percepção de risco de quem quer comprar e de quem quer vender.
Não é por acaso que desde há 4 dias consecutivos que as bolsas europeias registam perdas correspondentes aos ganhos das últimas semanas. Basicamente, o dinheiro fresco também se esgota. Quem comprou ativos que podem subitamente subir de valor (como ações) deve estar preparado para a sua súbita queda. O mesmo se aplica para a grande maioria dos bens que são hoje transaccionados nos mercados electrónicos/virtuais, nomeadamente as obrigações da dívida soberana.
Já estamos a ver o empregado do restaurante a deslocar-se para a nossa mesa com o talão de venda na mão.
Cortesia do site Zerohedge, abaixo publicamos a evolução do preço das "novas"obrigações gregas que os investidores trocaram pelas "velhas" a meio de Março deste ano:
Ui, faz lembrar as obrigações gregas "velhas" em Janeiro-Fevereiro de 2010. Oxalá estejamos enganados.
Tiago Mestre
Este tipo de sentenças, como ouvimos da boca de Draghi ou de Barroso, reflectem o modo desesperado dos líderes europeus em se quererem ver livres desta embrulhada e chutar o problema lá mais para a frente, de preferência para um futuro tão distante que nenhum deles ainda cá esteja a gravitar.
Não há almoços grátis, mas quando Draghi decidiu soltar os cordões à bolsa imprimindo 1 trilião de euros num espaço de 3 meses, é óbvio que algo de transitoriamente positivo teria que ocorrer:
~ Mais dinheiro a perseguir os mesmos bens, subindo o valor destes. Tais operações reforçam o valor dos ativos dos bancos tornando-os menos arriscados.
Num parágrafo, foi isto que Draghi tentou fazer e, em abono da verdade, até conseguiu. Resta saber por quanto tempo. Esta operação financeira do BCE assemelha-se muito à injeção de drogas num paciente profundamente dependente e que desesperava há já alguns dias. O paciente ainda vive agora momentos de delírio e suposto bem estar, mas a realidade, mais cedo ou mais tarde, voltará a instalar-se, e com ela vem a ressaca e o desespero por mais. É esta a parte da história em que o empregado do restaurante vem cobrar o suposto almoço grátis.
Draghi talvez tenha subestimado que a injeção desta droga em doses massivas também afeta o preço de certos bens que nenhum de nós gosta, como o petróleo, por exemplo. Neste aspeto não é só Draghi o ator principal. Ben Bernanke, governador da Reserva Federal Norte-Americana, há muito que se iniciou nestes rituais manipulatórios. Ainda Draghi procurava emprego e já Bernanke influenciava ativamente os mercados de capitais com as suas ridículas taxas de juro de 0,25% e a aquisição de ativos tóxicos que "certos" bancos possuíam nos seus balanços mas que desesperadamente se queriam ver livres.
Draghi quer-nos fazer acreditar que agora as coisas irão correr melhor, e caso os mercados comecem a descarrilar, ele lá estará, qual cão raivoso, a influenciar, a manipular e a boicotar, se for preciso, o normal funcionamento do mercado, que apenas se deveria basear na percepção de risco de quem quer comprar e de quem quer vender.
Não é por acaso que desde há 4 dias consecutivos que as bolsas europeias registam perdas correspondentes aos ganhos das últimas semanas. Basicamente, o dinheiro fresco também se esgota. Quem comprou ativos que podem subitamente subir de valor (como ações) deve estar preparado para a sua súbita queda. O mesmo se aplica para a grande maioria dos bens que são hoje transaccionados nos mercados electrónicos/virtuais, nomeadamente as obrigações da dívida soberana.
Já estamos a ver o empregado do restaurante a deslocar-se para a nossa mesa com o talão de venda na mão.
Cortesia do site Zerohedge, abaixo publicamos a evolução do preço das "novas"obrigações gregas que os investidores trocaram pelas "velhas" a meio de Março deste ano:
Ui, faz lembrar as obrigações gregas "velhas" em Janeiro-Fevereiro de 2010. Oxalá estejamos enganados.
Tiago Mestre
22 de março de 2012
Mais uma despesa não cabimentada
Caros leitores e leitoras, afinal teremos algures num dos próximos meses mais uma despesa extraordinária: 264 milhões de euros. Refere-se à indemnização que todos teremos que pagar ao consórcio que trabalhou durante 3 ou 4 anos na elaboração do projeto do TGV.
Tal como o governo não se "apercebeu" que em Fevereiro teríamos:
1. Uma despesa extraordinária de 260 milhões em juros.
Talvez estivessem à espera que os credores lhes perdoassem esta dívida!
2. E mais de 300 milhões em transferência para a RTP.
O governo nesta matéria também se/nos baralhou, porque eles já sabiam desde 2011 que a RTP era para privatizar. E se era para privatizar, ficou então decidido que a dívida teria que ser liquidada para tornar a empresa apetitosa. Recordamo-nos do ministro Relvas ter sido peremptório nesta opção política há já vários meses. Imaginem quem irá assumir a dívida? O Estado, que é o único acionista, ou seja, nós!
O governo sabia que esta despesa entraria mais tarde ou mais cedo nas contas do Estado, logo não a podia considerar como extraordinária ou não cabimentada. Quando se decide aumento de despesa deve-se ver primeiro se há espaço para o aumento de receita. Tal não foi acautelado e vemos agora o governo, pela mão do primeiro ministro, a desculpar-se desta execução orçamental de Fevereiro por motivos de despesa extraordinária.
Há anos que ouvimos os vários governantes referir que há derrapagem na despesa por motivos extraordinários, e que estes não se irão repetir no futuro.
Foram os submarinos, foi o aumento do desemprego, juros a mais que se pagaram, incorporação de prejuízos de empresas públicas nas finanças do Estado, "descoberta" de dívidas no Arquipélago da Madeira, etc, etc, etc.
Sugerimos ao governo que se prepare para as potenciais despesas extraordinárias que ainda faltam cabimentar, e que explique aos portugueses o que lhes espera:
1. Liquidação de parte da dívida dos municípios;
2. Liquidação de parte da dívida de empresas públicas que ainda não estão no perímetro do Estado, como a Estradas de Portugal ou a CP;
3. Liquidação de dívidas de empresas públicas que estão à espera de serem privatizadas, como os Estaleiros de Viana, o Arsenal do Alfeite ou a TAP;
4. Pagamento de indemnizações por despedimento de trabalhadores de empresas públicas;
5. Pagamento de indemnizações por despedimento aos funcionários do BPN;
6. Pagamento de renda aos concessionários das ex-SCUT, por afinal ser ilegal cobrarem portagens electrónicas nestas vias de comunicação;
7. Pagamento de indemnizações por despedimento de funcionários da administração central ou dos serviços autónomos, quando ocorrerem extinções de institutos politécnicos, universidades, etc;
8. Pagamento de indemnizações aos concessionários das energias renováveis e cogeração, por verem os seus contratos violados unilateralmente;
9. Pagamento de indemnizações aos concessionáriso das PPP's, por verem os seus contratos violados unnilateralmente;
A lista continua..
A gestão de informação do governo precisa de ser mais bem oleada, na medida em que a verdade já começa a chegar tarde e a más horas com relativa frequência.
Tiago Mestre
Tal como o governo não se "apercebeu" que em Fevereiro teríamos:
1. Uma despesa extraordinária de 260 milhões em juros.
Talvez estivessem à espera que os credores lhes perdoassem esta dívida!
2. E mais de 300 milhões em transferência para a RTP.
O governo nesta matéria também se/nos baralhou, porque eles já sabiam desde 2011 que a RTP era para privatizar. E se era para privatizar, ficou então decidido que a dívida teria que ser liquidada para tornar a empresa apetitosa. Recordamo-nos do ministro Relvas ter sido peremptório nesta opção política há já vários meses. Imaginem quem irá assumir a dívida? O Estado, que é o único acionista, ou seja, nós!
O governo sabia que esta despesa entraria mais tarde ou mais cedo nas contas do Estado, logo não a podia considerar como extraordinária ou não cabimentada. Quando se decide aumento de despesa deve-se ver primeiro se há espaço para o aumento de receita. Tal não foi acautelado e vemos agora o governo, pela mão do primeiro ministro, a desculpar-se desta execução orçamental de Fevereiro por motivos de despesa extraordinária.
Há anos que ouvimos os vários governantes referir que há derrapagem na despesa por motivos extraordinários, e que estes não se irão repetir no futuro.
Foram os submarinos, foi o aumento do desemprego, juros a mais que se pagaram, incorporação de prejuízos de empresas públicas nas finanças do Estado, "descoberta" de dívidas no Arquipélago da Madeira, etc, etc, etc.
Sugerimos ao governo que se prepare para as potenciais despesas extraordinárias que ainda faltam cabimentar, e que explique aos portugueses o que lhes espera:
1. Liquidação de parte da dívida dos municípios;
2. Liquidação de parte da dívida de empresas públicas que ainda não estão no perímetro do Estado, como a Estradas de Portugal ou a CP;
3. Liquidação de dívidas de empresas públicas que estão à espera de serem privatizadas, como os Estaleiros de Viana, o Arsenal do Alfeite ou a TAP;
4. Pagamento de indemnizações por despedimento de trabalhadores de empresas públicas;
5. Pagamento de indemnizações por despedimento aos funcionários do BPN;
6. Pagamento de renda aos concessionários das ex-SCUT, por afinal ser ilegal cobrarem portagens electrónicas nestas vias de comunicação;
7. Pagamento de indemnizações por despedimento de funcionários da administração central ou dos serviços autónomos, quando ocorrerem extinções de institutos politécnicos, universidades, etc;
8. Pagamento de indemnizações aos concessionários das energias renováveis e cogeração, por verem os seus contratos violados unilateralmente;
9. Pagamento de indemnizações aos concessionáriso das PPP's, por verem os seus contratos violados unnilateralmente;
A lista continua..
A gestão de informação do governo precisa de ser mais bem oleada, na medida em que a verdade já começa a chegar tarde e a más horas com relativa frequência.
Tiago Mestre
21 de março de 2012
Preço do petróleo a subir e muitas eleições à porta. O que se seguirá?
Caros leitores e leitoras, seguir-se-á manipulação, que é aquilo que os políticos tanto gostam de fazer quando precisam de "agradar" a potenciais eleitores.
Aguardamos que algo seja anunciado, ou por Barack Obama, ou pela IEA (International Energy Agency) ou por qualquer outra entidade que tem o poder de "abrir" mão das reservas estratégicas de petróleo que muitos países, como Portugal, possuem.
Políticos desesperados clamarão sempre por medidas desesperadas. Onde estão os estadistas?
Tiago Mestre
Aguardamos que algo seja anunciado, ou por Barack Obama, ou pela IEA (International Energy Agency) ou por qualquer outra entidade que tem o poder de "abrir" mão das reservas estratégicas de petróleo que muitos países, como Portugal, possuem.
Políticos desesperados clamarão sempre por medidas desesperadas. Onde estão os estadistas?
Tiago Mestre
É POR ISTO QUE OS ECONOMISTAS JÁ NÃO SERVEM PARA EXPLICAR A REALIDADE ECONÓMICA E SOCIAL DE PORTUGAL
Hoje, o estado português endividou-se no mercado em mais 1992 milhões de euros com maturidade a 1 ano.
A taxa de juro desceu de 4,9% na última emissão para 3,6% na emissão de hoje com a mesma maturidade.
A opinião de Filipe Silva, do Banco Carregosa, é peremptória:
“São definitivamente boas notícias para Portugal: as taxas desceram de forma muito significativa o que revela que a percepção do risco sobre Portugal está a reduzir-se e bem”
Os economistas deveriam perceber que quem não aprende com os erros do passado está condenado a repeti-los no futuro. A afirmação não é nossa, mas a sabedoria subjacente à mesma merece o nosso maior apreço.
PORTUGAL ENTROU NESTA ESPIRAL DE ENDIVIDAMENTO PORQUE OS INVESTIDORES ACREDITARAM QUE A NOSSA DÍVIDA ERA SUSTENTÁVEL E PAGÁVEL.
EM 2011 DEIXARAM DE ACREDITAR, MAS COM O PATROCÍNIO DO BCE, DA UE E DA TROIKA, VOLTARAM A ACREDITAR EM 2012!
É isto que políticos e economistas querem ouvir e reafirmar até à náusea! Surreal.
Mas:
A dívida pública "declarada" é já superior à riqueza que Portugal produz num ano inteiro.
O Estado ocupa mais de 50% de toda a economia nacional, quando em 1975 não excedia os 15%.
Que mais é preciso para convencer economistas e políticos que a dívida é insustentável e que pedir dinheiro emprestado é como um veneno que estamos a importar?
Bastará aos investidores "soltar a rédea" para que os políticos e a população em geral tornem logo a endividarem-se sem regra. E é exatamente isto que não pode acontecer. A história portuguesa tem revelado que estas políticas são insustentáveis e que as políticas opostas é que promovem saúde financeira e economia mais próspera.
Tiago Mestre
A taxa de juro desceu de 4,9% na última emissão para 3,6% na emissão de hoje com a mesma maturidade.
A opinião de Filipe Silva, do Banco Carregosa, é peremptória:
“São definitivamente boas notícias para Portugal: as taxas desceram de forma muito significativa o que revela que a percepção do risco sobre Portugal está a reduzir-se e bem”
Os economistas deveriam perceber que quem não aprende com os erros do passado está condenado a repeti-los no futuro. A afirmação não é nossa, mas a sabedoria subjacente à mesma merece o nosso maior apreço.
PORTUGAL ENTROU NESTA ESPIRAL DE ENDIVIDAMENTO PORQUE OS INVESTIDORES ACREDITARAM QUE A NOSSA DÍVIDA ERA SUSTENTÁVEL E PAGÁVEL.
EM 2011 DEIXARAM DE ACREDITAR, MAS COM O PATROCÍNIO DO BCE, DA UE E DA TROIKA, VOLTARAM A ACREDITAR EM 2012!
É isto que políticos e economistas querem ouvir e reafirmar até à náusea! Surreal.
Mas:
A dívida pública "declarada" é já superior à riqueza que Portugal produz num ano inteiro.
O Estado ocupa mais de 50% de toda a economia nacional, quando em 1975 não excedia os 15%.
Que mais é preciso para convencer economistas e políticos que a dívida é insustentável e que pedir dinheiro emprestado é como um veneno que estamos a importar?
Bastará aos investidores "soltar a rédea" para que os políticos e a população em geral tornem logo a endividarem-se sem regra. E é exatamente isto que não pode acontecer. A história portuguesa tem revelado que estas políticas são insustentáveis e que as políticas opostas é que promovem saúde financeira e economia mais próspera.
Tiago Mestre
Com o boletim de síntese orçamental de Fevereiro de 2012 fica-se a perceber muita coisa!
Caros leitores e leitoras, vivemos momentos cruciais nas finanças portuguesas, sobretudo para quem acredita que somos mais parecidos com a Irlanda do que com a Grécia.
Não somos parecidos nem com uns nem com outros, mas aos olhos dos investidores internacionais estamos bem mais próximos da civilização helénica do que da cultura celta. É assim que nos vêem, e pouco adianta papaguear marketing político no circo europeu de que "não somos a Grécia"..
É o nosso passado cultural que nos pode ajudar a identificar aquilo que verdadeiramente somos. O resto são opiniões de gente mais ou menos ignorante.
Mas falando em números, Fevereiro de 2012 fica para a história desta legislatura como um mês em que o fardo da dívida se revelou o maior inimigo do governo e dos portugueses.
O Estado teve que pagar em Fevereiro de 2012 a módica quantia de 427 milhões de euros em juros e encargos com a dívida. No mesmo mês do ano passado esse valor não ultrapassou os 150 milhões de euros.
Para 2012 o governo estima que os juros a pagar sobre a dívida pública ascenderão a 9 mil milhões de euros, portanto os 427 milhões de euros de Fevereiro, e os 134 milhões de Janeiro são apenas um pequeno aperitivo para o que aí vem: a maior drenagem de riqueza para o exterior a que Portugal já assistiu na sua história.
A somar a esta variável da equação temos a receita e despesa públicas:
Fonte: DGO
Receita: 6259 milhões em Fev2012 contra 6541 milhões em Fev2011. Menos receita este ano, apesar de que ainda faltam as "novas" receitas provenientes do aumento do IVA em alguns produtos, e que só deverão entrar a sério a partir de Abril. Mas acreditamos que isso não fará uma diferença substancial.
Despesa: 7057 milhões em Fev2012 contra 6816 milhões em Fev2011. Mais despesa este ano, O aumento dos juros (+263 milhões) quase que neutralizou toda a redução de despesa que o governo tem conseguido efetuar (-327 milhões). As transferências para a RTP (superiores a 300 milhões), consideradas como despesa, foram o prego que faltava no caixão do mês.
Isto é verdadeiramente um problema, e dos grandes, porque a governo transmitiu à população portuguesa que este esforço valeria a pena, e que após a tempestade lá teremos o direito à bonança!
Fevereiro foi uma espécie de anti-clímax para o governo, em que tudo o que sugeriu durante meses à população portuguesa que iria acontecer se revelou exatamente no seu contrário.
Quando se fala demais e não se tem a certeza do que se está a dizer, pode-se virar o feitiço contra o feiticeiro. É por estes motivos que a população se farta dos seus políticos e os governos caem sucessivamente. Gerem mal a verdade julgando que gerem muito bem a informação.
Começámos a 14 Julho de 2011 por explicar a farsa que era a história (na altura) de que a austeridade tinha pouca influência no PIB. Mês após mês o logro foi-se desmistificando e hoje, em Março de 2012, temos a correlação entre austeridade e recessão em todo o seu esplendor.
O próprio BCE veio ontem referir que Portugal poderá sofrer uma recessão de 5% em 2012!! Oops
Sugerimos aos novos seguidores do Contas que leiam os nossos posts intitulados "A matemática costuma ganhar, às vezes tarde demais", publicados em Outubro de 2011.
Tiago Mestre
Não somos parecidos nem com uns nem com outros, mas aos olhos dos investidores internacionais estamos bem mais próximos da civilização helénica do que da cultura celta. É assim que nos vêem, e pouco adianta papaguear marketing político no circo europeu de que "não somos a Grécia"..
É o nosso passado cultural que nos pode ajudar a identificar aquilo que verdadeiramente somos. O resto são opiniões de gente mais ou menos ignorante.
Mas falando em números, Fevereiro de 2012 fica para a história desta legislatura como um mês em que o fardo da dívida se revelou o maior inimigo do governo e dos portugueses.
O Estado teve que pagar em Fevereiro de 2012 a módica quantia de 427 milhões de euros em juros e encargos com a dívida. No mesmo mês do ano passado esse valor não ultrapassou os 150 milhões de euros.
Para 2012 o governo estima que os juros a pagar sobre a dívida pública ascenderão a 9 mil milhões de euros, portanto os 427 milhões de euros de Fevereiro, e os 134 milhões de Janeiro são apenas um pequeno aperitivo para o que aí vem: a maior drenagem de riqueza para o exterior a que Portugal já assistiu na sua história.
A somar a esta variável da equação temos a receita e despesa públicas:
Fonte: DGO
Receita: 6259 milhões em Fev2012 contra 6541 milhões em Fev2011. Menos receita este ano, apesar de que ainda faltam as "novas" receitas provenientes do aumento do IVA em alguns produtos, e que só deverão entrar a sério a partir de Abril. Mas acreditamos que isso não fará uma diferença substancial.
Despesa: 7057 milhões em Fev2012 contra 6816 milhões em Fev2011. Mais despesa este ano, O aumento dos juros (+263 milhões) quase que neutralizou toda a redução de despesa que o governo tem conseguido efetuar (-327 milhões). As transferências para a RTP (superiores a 300 milhões), consideradas como despesa, foram o prego que faltava no caixão do mês.
Isto é verdadeiramente um problema, e dos grandes, porque a governo transmitiu à população portuguesa que este esforço valeria a pena, e que após a tempestade lá teremos o direito à bonança!
Fevereiro foi uma espécie de anti-clímax para o governo, em que tudo o que sugeriu durante meses à população portuguesa que iria acontecer se revelou exatamente no seu contrário.
Quando se fala demais e não se tem a certeza do que se está a dizer, pode-se virar o feitiço contra o feiticeiro. É por estes motivos que a população se farta dos seus políticos e os governos caem sucessivamente. Gerem mal a verdade julgando que gerem muito bem a informação.
Começámos a 14 Julho de 2011 por explicar a farsa que era a história (na altura) de que a austeridade tinha pouca influência no PIB. Mês após mês o logro foi-se desmistificando e hoje, em Março de 2012, temos a correlação entre austeridade e recessão em todo o seu esplendor.
O próprio BCE veio ontem referir que Portugal poderá sofrer uma recessão de 5% em 2012!! Oops
Sugerimos aos novos seguidores do Contas que leiam os nossos posts intitulados "A matemática costuma ganhar, às vezes tarde demais", publicados em Outubro de 2011.
Tiago Mestre
20 de março de 2012
Srs. Agricultores, podem ficar quietos porque o dinheiro já vem a caminho!
Caros leitores e leitoras, quando há seca em Portugal a Europa despacha dinheiro como forma de "resolver" o problema. Infelizmente não resolve, só agrava.
Certamente haverá agricultores a quem este dinheiro fará muita falta, mas para muitos outros é mais uma oportunidade para estar quieto e esperar pelo pior, porque quanto pior melhor. Explicamos:
Quem apresentar mais prejuízo, mais animais a passar fome e sede, mais pastos secos e mais terrenos moribundos, mais elegível ficará para receber os tais fundos. Não sabemos se será assim porque desconhecemos os critérios, mas certamente que quando se promete dinheiro a troco de nada, os agricultores adaptam-se e quanto pior, melhor.
300 milhões de euros é muito dinheiro, a tentação é grande e se para alguns o dinheiro é essencial para reinvestir na terra, para outros será para investir em tudo menos na terra.
Para o ano já sabem: se houver seca, não vale a pena poupar na água, não vale a pena tomar decisões de racionalização e de gestão eficiente dos recursos físicos. O melhor é gastar depressa e de forma bem vistosa. O dinheiro estará lá à espera.
Quando se promete dinheiro a alguém a troco de nada, mesmo ao mais recto e honesto dos homens, este pensará sempre duas vezes, sempre!
Tiago Mestre
Certamente haverá agricultores a quem este dinheiro fará muita falta, mas para muitos outros é mais uma oportunidade para estar quieto e esperar pelo pior, porque quanto pior melhor. Explicamos:
Quem apresentar mais prejuízo, mais animais a passar fome e sede, mais pastos secos e mais terrenos moribundos, mais elegível ficará para receber os tais fundos. Não sabemos se será assim porque desconhecemos os critérios, mas certamente que quando se promete dinheiro a troco de nada, os agricultores adaptam-se e quanto pior, melhor.
300 milhões de euros é muito dinheiro, a tentação é grande e se para alguns o dinheiro é essencial para reinvestir na terra, para outros será para investir em tudo menos na terra.
Para o ano já sabem: se houver seca, não vale a pena poupar na água, não vale a pena tomar decisões de racionalização e de gestão eficiente dos recursos físicos. O melhor é gastar depressa e de forma bem vistosa. O dinheiro estará lá à espera.
Quando se promete dinheiro a alguém a troco de nada, mesmo ao mais recto e honesto dos homens, este pensará sempre duas vezes, sempre!
Tiago Mestre
15 de março de 2012
Seca Meteorológica - como podemos tentar evitar o pior !
A seca em Portugal começou por meados de Dezembro 2011. Passaram 3 meses e a precipitação ocorrida há 1 semana em nada permitiu a reposição do que entretanto se perdeu.
Até ao dia 8 de Abril não haverá precipitação no horizonte que desagrave a condição de seca meteorológica, segundo Adérito Serrão, presidente do Instituto de Meteorologia.
Maio, Junho, Julho e Agosto são meses tradicionalmente menos chuvosos. E mesmo que chova mais do que é normal nessa época do ano, tal precipitação poderá não ser suficiente para compensar a quebra de precipitação já ocorrida neste Inverno.
O governo, através da ministra da lavoura, como a apelidou Pacheco Pereira, vem 3 meses depois do início da seca referir um conjunto de medidas administrativas no sentido de aliviar a pressão sobre os produtores de pasto, de cereais e de gado. Tivemos oportunidade de ouvir as medidas anunciadas e realmente pouco mais passam do que medidas administrativas e de carácter totalmente temporário.
Os agricultores pouco beneficiarão com isto porque as culturas já estão ou condicionadas, ou parcialmente perdidas ou totalmente perdidas. As ajudas do Estado seriam bem vindas se tivessem lugar antes da ocorrência da seca, ou na pior das situações, a tempo de se decidir se valeria a pena manter as culturas ou dá-las como perdidas em função das perspectivas meteorológicas de médio e longo prazo.
Os cereais de Inverno foram semeados sem a intenção de serem regados, mas devido à seca muitos deles tiveram que o ser, e se não o foram, ou se perderam ou pouco cresceram.
Os que foram regados com recurso a poços, barrancos ou pequenas barragens acabaram por consumir água que estava destinada para se usar na Primavera e Verão, sobretudo para regar cereais de Verão ou quaisquer outras culturas. Sendo a água um bem finito e nem sempre tão renovável como gostaríamos, se se consome agora dificilmente sobra para uma futura utilização no curto prazo.
Muitos agricultores terão que decidir se regam agora para salvar as suas culturas de Inverno ou se as dão como perdidas e guardam a preciosa água para as culturas de Verão.
Este tipo de decisões devem ser tomadas em função da melhor informação disponível que existe sobre a meteorologia e índices de precipitação para os próximos 3 meses, e na nossa opinião,é neste contexto que o ministério da lavoura e restantes entidades públicas podem prestar um auxílio da maior relevância à população.
Sugerimos aqui várias perguntas que muitos agricultores gostariam de ver respondidas, ou pelo menos abordadas, mesmo com informação de carácter probabilístico:
1. Para o próximo trimestre (Abril, Maio e Junho), que probabilidades há da ocorrência de precipitação igual à média dos anos anteriores, ou seja, a de um ano "normal"?
2. E caso até haja uma probabilidade de precipitação superior à média, poderá essa quantidade adicional corrigir parte do défice de precipitação já registado em Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Março?
3. E caso a probabilidade seja inferior à média, qual o agravamento que se espera na condição de seca meteorológica?
4. As mesma perguntas acima referidas, mas para as temperaturas do ar.
O Instituto de Meteorologia já publicou que até 8 de Abril não haverá precipitação em quantidade que sirva para o que quer que seja, e a pouca que possa ocorrer, quanto muito reduzirá apenas o agravamento da seca meteorológica. Se em Abril águas mil, então 25% do mês já não ajudará ao cumprimento do ditado popular.
E o que disse a Ministra da lavoura sobre isto, coadjuvada ou não pelos institutos públicos que estudam estas matérias? Nada de especial..
Suspeitamos, na nossa ignorância, que Abril, Maio, Junho, Julho e Agosto serão meses que não conseguirão compensar a falta de água de Inverno, e se não agravarem a seca existente já não seria nada mau.
Podendo ser este um cenário pessimista, é sobre ele que, na nossa opinião, se deve trabalhar para o próximo semestre, elucidando os agricultores para o pior cenário possível e impelindo-os desde já a iniciarem o seu "trabalho de casa" no sentido de minimizar estragos. Se até ao final do Verão a probabilidade de seca se mantiver, então é preciso analisar o que já hoje se perdeu, o que se pode salvar e o que não se deve fazer para evitar prejuízos.
Uma sugestão que damos aqui no Contas aos agricultores que nos acompanham:
NÃO FAÇAM REGAS DURANTE O DIA!
Constatámos há 3 dias na zona de Alcochete e Santarém muitos sistemas de rega Pivot a regar às 2 duas da tarde com temperaturas superiores a 20ºC . A evaporação que ocorre nesta condições é um desperdício a que os agricultores não se podem dar ao luxo. Mesma que a água seja proveniente de um furo, este baseia-se nos lençóis freáticos subterrâneos, e se houver muitos furos em simultâneo a retirar água do mesmo lençol, dificuldades podem ocorrer no abastecimento, sobretudo para quem tem furos menos profundos e bombas mais à superfície.
É preciso ajudar os agricultores a tomarem decisões baseadas na informação que apenas alguns institutos públicos e outras entidades especializadas conseguem obter. Isso sim, é serviço público!
Quem ouviu hoje os deputados e a ministra na Assembleia da República a falar sobre a seca, apenas se fala em fundos, em subsídios, no PRODER, no QREN, na taxa de execução, em milhões para aqui e milhões para acolá. Palha.
Tiago Mestre
Até ao dia 8 de Abril não haverá precipitação no horizonte que desagrave a condição de seca meteorológica, segundo Adérito Serrão, presidente do Instituto de Meteorologia.
Maio, Junho, Julho e Agosto são meses tradicionalmente menos chuvosos. E mesmo que chova mais do que é normal nessa época do ano, tal precipitação poderá não ser suficiente para compensar a quebra de precipitação já ocorrida neste Inverno.
O governo, através da ministra da lavoura, como a apelidou Pacheco Pereira, vem 3 meses depois do início da seca referir um conjunto de medidas administrativas no sentido de aliviar a pressão sobre os produtores de pasto, de cereais e de gado. Tivemos oportunidade de ouvir as medidas anunciadas e realmente pouco mais passam do que medidas administrativas e de carácter totalmente temporário.
Os agricultores pouco beneficiarão com isto porque as culturas já estão ou condicionadas, ou parcialmente perdidas ou totalmente perdidas. As ajudas do Estado seriam bem vindas se tivessem lugar antes da ocorrência da seca, ou na pior das situações, a tempo de se decidir se valeria a pena manter as culturas ou dá-las como perdidas em função das perspectivas meteorológicas de médio e longo prazo.
Os cereais de Inverno foram semeados sem a intenção de serem regados, mas devido à seca muitos deles tiveram que o ser, e se não o foram, ou se perderam ou pouco cresceram.
Os que foram regados com recurso a poços, barrancos ou pequenas barragens acabaram por consumir água que estava destinada para se usar na Primavera e Verão, sobretudo para regar cereais de Verão ou quaisquer outras culturas. Sendo a água um bem finito e nem sempre tão renovável como gostaríamos, se se consome agora dificilmente sobra para uma futura utilização no curto prazo.
Muitos agricultores terão que decidir se regam agora para salvar as suas culturas de Inverno ou se as dão como perdidas e guardam a preciosa água para as culturas de Verão.
Este tipo de decisões devem ser tomadas em função da melhor informação disponível que existe sobre a meteorologia e índices de precipitação para os próximos 3 meses, e na nossa opinião,é neste contexto que o ministério da lavoura e restantes entidades públicas podem prestar um auxílio da maior relevância à população.
Sugerimos aqui várias perguntas que muitos agricultores gostariam de ver respondidas, ou pelo menos abordadas, mesmo com informação de carácter probabilístico:
1. Para o próximo trimestre (Abril, Maio e Junho), que probabilidades há da ocorrência de precipitação igual à média dos anos anteriores, ou seja, a de um ano "normal"?
2. E caso até haja uma probabilidade de precipitação superior à média, poderá essa quantidade adicional corrigir parte do défice de precipitação já registado em Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Março?
3. E caso a probabilidade seja inferior à média, qual o agravamento que se espera na condição de seca meteorológica?
4. As mesma perguntas acima referidas, mas para as temperaturas do ar.
O Instituto de Meteorologia já publicou que até 8 de Abril não haverá precipitação em quantidade que sirva para o que quer que seja, e a pouca que possa ocorrer, quanto muito reduzirá apenas o agravamento da seca meteorológica. Se em Abril águas mil, então 25% do mês já não ajudará ao cumprimento do ditado popular.
E o que disse a Ministra da lavoura sobre isto, coadjuvada ou não pelos institutos públicos que estudam estas matérias? Nada de especial..
Suspeitamos, na nossa ignorância, que Abril, Maio, Junho, Julho e Agosto serão meses que não conseguirão compensar a falta de água de Inverno, e se não agravarem a seca existente já não seria nada mau.
Podendo ser este um cenário pessimista, é sobre ele que, na nossa opinião, se deve trabalhar para o próximo semestre, elucidando os agricultores para o pior cenário possível e impelindo-os desde já a iniciarem o seu "trabalho de casa" no sentido de minimizar estragos. Se até ao final do Verão a probabilidade de seca se mantiver, então é preciso analisar o que já hoje se perdeu, o que se pode salvar e o que não se deve fazer para evitar prejuízos.
Uma sugestão que damos aqui no Contas aos agricultores que nos acompanham:
NÃO FAÇAM REGAS DURANTE O DIA!
Constatámos há 3 dias na zona de Alcochete e Santarém muitos sistemas de rega Pivot a regar às 2 duas da tarde com temperaturas superiores a 20ºC . A evaporação que ocorre nesta condições é um desperdício a que os agricultores não se podem dar ao luxo. Mesma que a água seja proveniente de um furo, este baseia-se nos lençóis freáticos subterrâneos, e se houver muitos furos em simultâneo a retirar água do mesmo lençol, dificuldades podem ocorrer no abastecimento, sobretudo para quem tem furos menos profundos e bombas mais à superfície.
É preciso ajudar os agricultores a tomarem decisões baseadas na informação que apenas alguns institutos públicos e outras entidades especializadas conseguem obter. Isso sim, é serviço público!
Quem ouviu hoje os deputados e a ministra na Assembleia da República a falar sobre a seca, apenas se fala em fundos, em subsídios, no PRODER, no QREN, na taxa de execução, em milhões para aqui e milhões para acolá. Palha.
Tiago Mestre
Eurostat confirma a nossa convicção de deflação nos salários em Portugal !
Caros leitores e leitoras, temos dado ênfase nas últimas semanas à ocorrência de um curioso duplo fenómeno:
Inflação bem acima dos 3% no preço dos bens e;
Deflação no preço do trabalho (salários)
Parece paradoxal que num país onde há menos dinheiro no bolso de cada cidadão, os preços dos bens não param de subir!
As razões para tal fenómeno já foram exploradas aqui, e para reforçar as nossas ideias temos o serviço de estatística europeia (Eurostat) a confirmar matematicamente este duplo cenário:
A 29 de Fevereiro publicou uma inflação para Portugal de Janeiro de 2012 face a Janeiro de 2011 de 3,4%;
A 15 de Março publicou os custos laborais. Em 2011, Portugal viu as contribuições salariais reduzirem 1,7%.
Cada português e cada portuguesa viram em 2011 uma redução estimada do poder de compra de 3,4% + 1,7% = 5,1%
Sobre os custos salariais terem descido, pouco há a fazer, na medida em que é uma consequência direta da economia que temos: mais pessoas a competir por menos emprego tem que resvalar em redução de salários e/ou aumento de desemprego - não há volta a dar!
Mas a inflação é outra história, na medida em que esta foi fortemente influenciada pelo aumento de impostos, uma decisão unilateral do governo para se desenrascar com a troika; e pela impressão de dinheiro à pressa e sem critério pelo BCE, que o entregou de bandeja aos banqueiros, tendo ido parar algum dele aos mercados reais e aos mercados de derivados onde seespecula transacciona petróleo e outros bens essenciais à população.
O tuga que se aguente!
Tiago Mestre
Inflação bem acima dos 3% no preço dos bens e;
Deflação no preço do trabalho (salários)
Parece paradoxal que num país onde há menos dinheiro no bolso de cada cidadão, os preços dos bens não param de subir!
As razões para tal fenómeno já foram exploradas aqui, e para reforçar as nossas ideias temos o serviço de estatística europeia (Eurostat) a confirmar matematicamente este duplo cenário:
A 29 de Fevereiro publicou uma inflação para Portugal de Janeiro de 2012 face a Janeiro de 2011 de 3,4%;
A 15 de Março publicou os custos laborais. Em 2011, Portugal viu as contribuições salariais reduzirem 1,7%.
Cada português e cada portuguesa viram em 2011 uma redução estimada do poder de compra de 3,4% + 1,7% = 5,1%
Sobre os custos salariais terem descido, pouco há a fazer, na medida em que é uma consequência direta da economia que temos: mais pessoas a competir por menos emprego tem que resvalar em redução de salários e/ou aumento de desemprego - não há volta a dar!
Mas a inflação é outra história, na medida em que esta foi fortemente influenciada pelo aumento de impostos, uma decisão unilateral do governo para se desenrascar com a troika; e pela impressão de dinheiro à pressa e sem critério pelo BCE, que o entregou de bandeja aos banqueiros, tendo ido parar algum dele aos mercados reais e aos mercados de derivados onde se
O tuga que se aguente!
Tiago Mestre
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