27 de junho de 2011

FACTOS/OPINIÃO: PREÇO DO COMBUSTÍVEL SERÁ CADA VEZ MAIS INSTÁVEL … MAIS CARO, ENTENDA-SE!

Pretendemos neste post informar os leitores da história recente da produção e consumo de petróleo no mundo, com implicações directas no preço do combustível em Portugal.

Com a recuperação das economias ocidentais em 2010, depois das recessões generalizadas que se verificaram em 2009, a procura por petróleo aumentou significativamente. Com este aumento na procura invocou-se a necessidade dos países produtores de petróleo em acompanharem este crescimento, evitando rupturas no abastecimento. Os preços começaram a subir de forma generalizada em meados de 2009 tendo atingido os 100 dólares por barril já em 2011, quando em Março de 2009 tinham atingido um mínimo de 39 dólares por barril. 

Apesar deste aumento do preço, considerava-se plausível que os países produtores acompanhariam o ritmo de crescimento da procura. Pois soube-se recentemente que no relatório anual da empresa BP, emitido em 2011 referente ao ano de 2010, o consumo diário mundial foi em média de 87 milhões de barris, mas a produção foi de apenas 82 milhões. Isto significa um défice de 5 milhões de barris por dia no abastecimento mundial de petróleo. 

E como foi possível não haver falhas no abastecimento? 

Soubemos recentemente que, de forma velada, os países consumidores foram utilizando as reservas que possuem, ao abrigo dos acordos com a Agência Internacional de Energia (AIE), como forma de compensar esta diferença. Que tenhamos conhecimento, esta informação não foi oficializada, contudo é fácil de perceber que o petróleo teve que vir de algum lado.A escalada dos preços continuou em 2011, tendo atingido um máximo de 128 dólares por barril em Abril, após o encerramento do abastecimento de petróleo pela Líbia. Se em 2010 já havia um défice de 5 milhões de barris por dia, com o corte da produção da Líbia essa diferença agravou-se em mais 1,5 milhões, pelo menos. 

Era esperado em Abril de 2011 que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) se comprometesse a cobrir o défice provocado pela falha da Líbia, já que esse país faz parte da OPEP. Contudo, tal não aconteceu, e as esperanças mundiais residiram na reunião da OPEP que se realizou a 8 de Junho 2011. Mais uma vez decidiram não aumentar a sua quota de produção, não repondo sequer a falha de produção da Líbia. 

De referir que a OPEP produz aproximadamente 40% de todo o petróleo extraído no planeta.A diferença entre produção e consumo continuou a agravar-se nesta Primavera e prevê-se que nos meses do Verão o consumo mundial aumente, como é habitual. 

Se nada for feito, correm-se sérios riscos de rupturas no abastecimento mundial, provocando impactos económicos e sociais de dimensões inimagináveis. Como forma de evitar este cenário, a AIE emitiu a 23 de Junho, em resposta à decisão da OPEP, um comunicado em que refere a necessidade dos países membros recorrerem às suas reservas de petróleo para fazer face às necessidades que existirão neste Verão de 2011. Serão colocados no mercado 60 milhões de barris de petróleo por um período de 30 dias. Após esta decisão, o preço nos mercados desceu vertiginosamente, com quedas de 8% logo após o comunicado. Do lado da OPEP ouviram-se respostas, tendo o Irão declarado inaceitável este tipo de interferência da AIE nos mercados mundiais.

Com este conjunto de decisões, não só da OPEP, como da AIE, concluímos o seguinte:

1. O preço de petróleo manter-se-á elevado, fruto do aumento da procura e da incapacidade de acompanhamento do lado da produção. Só baixará o preço se as economias ocidentais reduzirem o seu crescimento, fenómeno que já está inclusivamente a acontecer, e por essa via consumirem menos petróleo.

2. A decisão da AIE é meramente conjuntural, já que daqui a 30 dias o problema volta-se a colocar novamente;

3. As reservas estratégicas de petróleo dos países importadores de petróleo estão a cair desde 2010, e agora é já uma informação oficial, promovendo maiores receios e tensões nos mercados;

4. Os países produtores, tanto da OPEP como do resto do Mundo, não estão a conseguir aumentar a sua quota de produção no valor desejado, ficando a ideia de que, ou estão a atingir o pico da sua produção, ou pretendem que o preço se mantenha alto para cativarem maiores receitas. Inclinamo-nos mais para a primeira opção;

5. A confirmar-se a continuação de défice entre a produção e o consumo, num prazo não muito distante teremos problemas no abastecimento de petróleo aos países mais dependentes, sendo Portugal um país totalmente exposto às flutuações que ocorrem nos mercados mundiais.

Conclusão:
A nossa economia e a nossa sociedade estão profundamente dependentes do abastecimento regular de petróleo, bem como de preços de petróleo estáveis e que não excedam determinados valores. Estas novas dinâmicas mundiais trarão uma instabilidade nos mercados que, na nossa opinião, afectarão o consumidor individual, ou seja, cada um de nós. 
Tornar a nossa sociedade mais independente do petróleo será um trunfo a nosso favor, mas para que essa transformação ocorra, caberá a cada um de nós iniciar esse processo, com ou sem o beneplácito do Estado português.

Tiago Mestre

20 de maio de 2011

Opinião/Tendências: Uma revolução cultural para Portugal

Dando seguimento ao último post que lançámos neste blog, considero fundamental que a população portuguesa ganhe consciência colectiva das dificuldades com que se irá confrontar no futuro, e preparar-se o melhor possível para uma transição que, em função do grau de adaptação da população, será mais ou menos dolorosa.

Enumero abaixo as grandes transições que poderão vir a ocorrer num futuro próximo , sendo que algumas já estarão em marcha:
  • Alteração nos hábitos de trabalho, tendo em conta a necessidade de transferir populações para regiões menos habitadas e mais férteis, onde terão que trabalhar de acordo com as vicissitudes locais; 
  • Alteração nos hábitos alimentares, já que a variedade de produtos será restringida, prevalecendo os de produção local; 
  • Restrições no acesso a bens e utilidades, na medida em que Portugal perdeu grande parte da sua força produtiva nas últimas décadas, sujeitando-se aos critérios precários da economia global e ao encarecimento do transporte de bens;
  • Restrições na mobilidade a nível internacional, devido à subida do preço e escassez dos combustíveis nos mercados mundiais;
  • Restrições no acesso a dinheiro e a capital, já que os portugueses terão que primeiro liquidar as dívidas contraídas no passado, não só nos sectores privado e familiar, como também no sector público. Veremos se haverá credores e capital no futuro para emprestar, mesmo que os portugueses se tornem um povo bastante responsável na gestão dos seus dinheiros;
  • Restrições no acesso a energia eléctrica, pelo custo em manter a infra-estrutura existente, e o que virá a custar no futuro. Não seremos auto-suficientes em termos energéticos, mesmo com recurso massivo às energias renováveis, e portanto ficaremos dependentes de recursos fósseis e dos seus países de origem;
  • Fortalecimento das comunidades locais: mais auto-suficientes e menos dependentes do exterior, com recurso a mais trocas directas de bens em detrimento da moeda como meio de pagamento;
  • Alteração na tipologia de profissões: haverá mais trabalho no pequeno comércio, na agricultura e na pequena indústria de apoio à agricultura. Serão extintas muitas profissões que surgiram nos últimos 50 anos baseadas em serviços que não produzem directa ou indirectamente trabalho útil;
  • Restrições na prestação de cuidados de saúde por falta de capital financeiro, obrigando a hábitos alimentares e de vida mais regrados;
  • Aumento da insegurança nos meios urbanos, por motivo de escassez de dinheiro e de meios de subsistência pela população em geral.
Considero que estas serão as grandes tendências que irão ocorrer no futuro e que a todos nos afectarão, a uns mais do que outros. 
Quanto mais cedo as pessoas se mentalizarem e se prepararem para estas novas realidades, mais fácil será a transição, e com maiores probabilidades de abrangência a uma parte significativa da população.

Tiago Mestre

13 de maio de 2011

SOLUÇÕES: A transição da aldeia global para as aldeias glocais


Pelas evidências expostas nos textos que temos vindo a publicar nos últimos 4 meses, é importante ter a capacidade e a liberdade de consciência para fazermos a pergunta a nós próprios:
E agora? Que soluções teremos? Como será o nosso futuro nos próximos 20 anos?

Já não restam muitas dúvidas que este modelo de exploração intensiva mundial dos recursos energéticos, materiais e financeiros está em declínio, e com o que isso implica, a globalização também está ameaçada, ou seja, a troca de bens, serviços e pessoas pelo planeta será fortemente restringida.

A globalização acabou por transformar os países ao longo destas últimas 5 décadas, uns mais do que outros, ou em produtores de bens à escala mundial (com balança comercial positiva – exportam mais do que importam), ou em consumidores (balança comercial negativa).

No plano financeiro a mesma situação, uns países tornaram-se credores, e outros endividaram-se, pedindo emprestado a esses mesmos credores.

Portugal, sob esta perspectiva, ficou na posição mais frágil e dependente: importa muito mais do que exporta e para obter essas mesmas importações (algumas delas são alimentos e bens de primeira necessidade), endivida-se no exterior por incapacidade de gerar capital internamente. Esta espiral de endividamento e dependência externa será, mais cedo ou mais tarde, forçosamente rompida.

É no meio destas movimentações à escala mundial que deveremos questionar: Como será a vida dos portugueses e de Portugal?

Segundo a nossa perspectiva, seremos forçosamente obrigados a obter meios de subsistência locais ou regionais, que até agora têm sido assegurados pela globalização da economia, nomeadamente a alimentação, o vestuário, materiais de construção, energia eléctrica, térmica e a movimentação de bens e pessoas.

Todos estes avanços tecnológicos que permitiram a era da globalização nas últimas cinco décadas proporcionaram uma evolução notável nos países desenvolvidos no século passado e nos países em vias de desenvolvimento mais recentemente. Contudo, é um modelo de desenvolvimento que requer muita energia e barata.

O paradigma da energia barata e abundante já vai sendo coisa do passado, contudo os países requerem cada vez maiores quantidades de energia para que possam crescer economicamente. O que será verdade é que o crescimento económico só já estará reservado a alguns países e num período de tempo finito, sobretudo aqueles que possuem independência energética e alimentar. A maioria das economias mundiais verão o crescimento estagnar ou até mesmo regredir, sem meios para poder voltar a crescer a taxas de 2% ou mais. 

O petróleo, matéria prima que permitiu pôr a globalização em marcha no início do século XX, foi descoberto em grandes quantidades, pela última vez, na década de 60. Desde essa altura que estamos a consumir das reservas existentes, exigindo todos os anos mais milhões de barris aos países produtores, com excepção do ano de 2009 em que houve uma recessão generalizada nos países ocidentais. Não se encontraram novas reservas nas últimas 4 décadas, à excepção do Mar de Brent (que já entrou em declínio de produção há muitos anos) e mais recentemente no Brasil, que garantam a substituição das existentes quando estas se esgotarem e que confiram capacidade para o crescimento do consumo no futuro.

O mundo terá que sobreviver com menos petróleo, menos energia, e menos capital financeiro. Isso significará uma redução na complexidade das sociedades avançadas, obrigando-as a redefinirem o seu modelo de desenvolvimento. A produção e o consumo de bens e serviços terão um carácter muito mais local, já que o factor distância irá encarecer o bem.

No próximo post iremos transmitir as nossas ideias acerca das soluções que poderão estar ao nosso alcance para que consigamos ultrapassar o desafio que se nos impõe num futuro próximo.


Equipa editorial "caseira"

7 de maio de 2011

OPINIÃO: Mais 3 anos de adiamento com a nossa verdade

Ficámos a saber recentemente que foi concedido pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional a Portugal, um empréstimo no valor de 78 mil milhões de euros por um período de 3 anos.
Durante estes três próximos anos, Portugal, com especial incidência no sector público, poderá continuar a viver acima dos seus meios, acumulando dívida e gerando mais despesa do que receita, a saber:

Até 2014, os défices do sector público em função do PIB serão sempre superiores a 3%, e o crescimento do Produto Interno Bruto do país bem abaixo dos 3%, para não dizer abaixo de 0%.

Qual é a natural consequência desta conjugação de circunstâncias?

Mais acumulação de dívida e mais necessidade de recorrer aos mercados para obter financiamento a partir de 2014.
Também o aumento das receitas públicas inscrito neste acordo fará com que a captação de receitas pelo Estado cresça em função do PIB e em valor real, sendo que actualmente já se situa acima dos 41% e em 71,6 mil milhões euros ao ano respectivamente. Não será de espantar verificar num futuro próximo que o Estado captará em receitas valores aproximados de 50% do PIB, ou seja, consumirá em impostos metade de toda a riqueza que Portugal produz.

Veremos se os portugueses aceitarão este gigante que pende sobre os seus ombros, já que o estímulo da fuga aos impostos é hoje mais alto do que nunca na população, e não será difícil de prever que só não fugirá aos impostos quem não puder, criando uma sociedade mais desigual, com uns a jogar o jogo com umas regras, e outros a jogar o mesmo jogo, mas com outras.

Sabemos hoje também que a dívida pública inscrita nas contas públicas de 2010 aprovadas pelo Eurostat ultrapassa os 160 mil milhões de euros, Fonte: Eurostat, e é nossa projecção aqui nas contas caseiras que em 3 ou 4 anos, dependendo da evolução do PIB, evoluirá rapidamente para valores próximos dos 200 mil milhões de euros, bem acima de 100% do PIB.

Quanto aos países da União Europeia que emprestarão dinheiro, deverão fazer bem as contas (que é o mínimo que se lhes exige), e perceberão que terão que se endividar ainda mais do que já estão para emprestar dinheiro a Portugal, sem terem a certeza se serão ressarcidos do capital que emprestaram e dos juros que acordaram.

Mas se não o fizerem e recusarem-se a emprestar, corre-se o risco das instituições europeias se desintegrarem, e a moeda Euro, baluarte da União Económica Europeia, iniciar a sua  caminhada até à extinção, ou por impressão massiva de euros pelo Banco Central Europeu para pagar as dívidas soberanas, gerando inflação e desvalorização da moeda, ou por falência das instituições bancárias europeias que viram o crédito concedido a Portugal e a outros países nos últimos anos não ser liquidado.

Os governantes dos países da União Europeia deixaram-se enfiar numa camisa de forças.
Preso por ter cão, preso por não ter.


Tiago Mestre

Última nota: oxalá esta seja uma oportunidade para verdadeiramente reformar o Estado, as suas instituições e os défices crónicos de tesouraria e de gestão a que se sujeitam ano após ano.

21 de abril de 2011

OPINIÃO: Dívidas a mais, clarificação a menos

Soubemos recentemente que o governo português decidiu pedir ajuda às instituições europeias, no sentido de concederem um empréstimo para acudir às necessidades imediatas de tesouraria e a futuras despesas.


Como contrapartida, as instituições que emprestarão o dinheiro exigirão que o governo português altere um conjunto significativo de políticas e opções financeiras, e clarifique as contas públicas portuguesas.


Sobre este ponto, e como referimos no post anterior acerca das contas da CP, as contas públicas têm sido objecto de várias engenharias financeiras durante esta última década, escamoteando o valor global do défice e da dívida pública.


Consideramos quase um desígnio nacional que não se deixe passar esta oportunidade para voltar a incluir-se no perímetro das contas públicas todas as empresas e instituições que dependem do Estado, bem como os défices tarifários energéticos, as parcerias público-privadas, as empresas municipais, todas as empresas detidas pela holding do Estado Parpublica, a Rádio e Televisão de Portugal, a CP, a STCP, as Estradas de Portugal, a empresa do Estado de Fundos Imobiliários: ESTAMO, todas as sociedades anónimas criadas pelo Estado, e a percentagem de cada empresa em que o Estado detêm acções: por exemplo a REN, a GALP e a EDP.


É que toda esta engenharia financeira que foi criada nas últimas décadas permite que os custos dos serviços que essas mesmas empresas prestam actualmente sejam pagos no futuro, recorrendo a endividamento, aliviando a tarefa de quem gere no presente, na medida em que não precisa de obter os capitais financeiros próprios para liquidar as despesas.


É desta forma que estamos a exigir aos nossos filhos e netos que paguem a prestação de serviços que estamos nós a usufruir, sabendo que esta espiral de dívidas acabará por entrar em ruptura mais cedo ou mais tarde, inibindo-os de usufruírem desses mesmos serviços. Pensamos que nenhum Pai gosta de deixar dívidas aos filhos, mas é exactamente isso que o Estado Português está a fazer aos portugueses.


Se as instituições europeias e o FMI efectuarem um diagnóstico rigoroso sem deixarem custos na sombra, seremos realmente obrigados a uma terapêutica muito dolorosa que, arriscamos a dizer, se não morrermos da doença, poderemos bem morrer da cura. Mas infelizmente foi neste estado de coisas que entregámos a tarefa a estas instituições, e quanto mais se adiar a clarificação das contas, mais grave será o diagnóstico no futuro.


Fonte: Pordata




Este caminho tem sido seguido por Portugal, mas não só. Foi a União Europeia que estimulou no ano de 2009 o reforço desta trajectória de espiral de endividamento, que já vinha de trás, a todos os países europeus como mecanismo para saírem mais cedo das recessões em que estavam mergulhados, seguindo de perto as políticas de estímulo dos Estados Unidos da América:

Qualquer instituição, país ou empresa que se endivida mais do que cresce economicamente, a prazo entrará numa espiral insustentável de endividamento e de posterior colapso:



Fonte: Pordata

Fonte: Pordata



Conclusão: Défices públicos de 3% ou mais acompanhados de crescimento económico de 3% ou menos são a receita a prazo para a insolvência de uma nação.



Tiago Mestre

3 de abril de 2011

FACTOS: Um grande, grande comboio de dívidas

Pretendemos neste post informar-vos da condição financeira da empresa portuguesa estatal CP (Caminhos de Ferro Portugueses) na segunda parte da década que passou, entre 2004 e 2009.


Consideramos pertinente a apresentação desta informação, na medida em que se ficou a saber recentemente que o organismo europeu Eurostat exigiu ao Ministério das Finanças Português a inclusão das contas de 3 empresas públicas: REFER, Metro de Lisboa e Metro do Porto, não só em 2010, como em anos anteriores. Só em 2010, a correcção do défice do Estado passou de 6,8% do PIB para 8,6% do PIB com inclusão destas empresas, bem como os prejuízos do BPN e as garantias dadas ao BPP.


Apesar de não termos tido conhecimento das razões que levaram o Eurostat a excluir os resultados da CP nas contas públicas, consideramos que o passivo e os prejuízos desta empresa devem ser contabilizados nas contas públicas, na medida em que a empresa presta um serviço totalmente público, está sujeita à condição de fixação de tarifas pelo governo e recebe anualmente indemnizações compensatórias, atribuídas também pelo governo.

Remetemos abaixo uma tabela, em que demonstramos os prejuízos anuais da empresa, a evolução dos capitais próprios e do passivo:

                                                                                                                            Fonte: CP

Constata-se todos os anos que a CP tem prejuízos a rondar os 200 milhões de euros, um passivo e capitais próprios que também se agravam anualmente em 200 milhões de euros. Pelas contas acima apresentadas, a CP está há muito em falência técnica, apresentando um valor de capitais próprios negativos de 2,2 mil milhões de euros, o que exigiria a sua insolvência imediata, com consequente encerramento da mesma, caso não houvesse investidores dispostos a aceitar a aquisição da empresa. 


Este constante aumento do endividamento é consequência dos prejuízos da sua exploração e da falta de investimento que o accionista Estado tem demonstrado, ao não cobrir prejuízos. O passivo total é de 3,8 mil milhões de euros, sendo um valor incomportável para uma empresa que factura 200 milhões de euros ao ano e tem despesas de 400 milhões euros também ao ano. Pelas razões expostas, consideramos que esta empresa também deveria ter sido incluída nas contas do Estado Português.

Citando Marcello Caetano,  "No sector dos transportes cai sobre o Estado a responsabilidade inteira dos caminhos de ferro, embora subsista a CP (Caminho de Ferro Portugueses) com a aparência de sociedade anónima. A verdade é que há muito que o Estado cobre integralmente os deficits de exploração ferroviária e proporciona os capitais necessários para investir na renovação da via e do material circulante. (...) Para manter o caminho de ferro o Estado despende em subsídios anuais à roda de um milhão de contos: e cada vez que havia um aumento de salários, era o Estado que tinha de suportar o maior peso dele, dado ser inconveniente agravar demasiadamente as tarifas. (Marcello Caetano, Depoimento, 1974, página 111) 

Fica aqui explicado que a CP é uma empresa que dá prejuízo desde sempre, por prestar um serviço totalmente público, mas a diferença reside na forma como o Estado encara as suas obrigações na liquidação das dívidas da mesma. Ou assume as dívidas e liquida-as, ou então descarta responsabilidades, exigindo à CP que obtenha os empréstimos para financiar os constantes défices de exploração. Esta tem sido a solução desde há 3 décadas, sendo perceptível que este caminho do endividamento terá inevitavelmente um fim à vista.

De referir que à data da citação anterior, o universo CP incluía a actual REFER, já que era uma só empresa. Mais recentemente, o Estado criou a CP Carga SA, subdividindo ainda mais a CP, dando condições para que mais uma empresa estatal se possa endividar para financiar os seus constantes prejuízos sem sobrecarregar a já falida CP.
Se juntarmos CP e REFER, o Passivo das duas empresas em 2009 totaliza aproximadamente 10 mil milhões de euros.

Também outras empresas públicas ficaram de fora nas novas contas do Estado português, por exemplo a Carris e os STCP (Serviços de Transporte Colectivo do Porto). Também estas empresas prestam um serviço totalmente público, apresentam prejuízos ano após ano, capitais próprios negativos e aumento constante do seu endividamento.

A equipa editorial "caseira"

29 de março de 2011

OPINIÃO/PROPOSTA: A CAMINHO DO SUPERAVIT, OU POR OUTRAS PALAVRAS, DÉFICE ZERO

Pretendo neste post informar acerca da evolução das contas do Estado português em 2009, e a partir daí perceber o caminho que deverá ser percorrido para se chegar a um equilíbrio no orçamento público português: a ausência de défice.

Segundo o Eurostat, em 2009 a receita do Estado português totalizou 38,8% do Produto Interno Bruto: 65,2 mil milhões de euros. A despesa do estado totalizou 48,8% do Produto Interno Bruto: 81 mil milhões de euros. Esta diferença representa um défice nas contas públicas em 2009 de 15,8 mil milhões de euros (81 – 65,2), ou seja, uma derrapagem de 19,5%.


É já de senso comum que a receita que actualmente o Estado exige à economia se aproxima rapidamente dos 50% do PIB. De facto, esta percentagem tem vindo a aumentar, ano após ano, tendo-se já confirmado que este valor aumentou em 2010 e que nos primeiros meses de 2011 superou 2010 em igual período. 


Na minha perspectiva esta receita equivale a impostos excessivos que não poderão continuar, sob pena de o país mergulhar permanentemente em recessão e a evasão fiscal se massificar.


Face a estes factos, projectei um cenário de estudo neste post em que a receita do Estado não deveria exceder 35% do PIB. Este valor indica, para nós, uma presença moderada do Estado na economia, não interferindo sobremaneira com o desenvolvimento da mesma enquanto sistema capitalista.


Para que o Estado Português consiga reduzir o seu grau de endividamento externo e interno, a solução que deve ser seguida é a do equilíbrio entre receita e despesa, ou seja, a despesa nunca deverá ultrapassar o valor da receita, devendo ser até substancialmente inferior, sobretudo em anos de acalmia política e económica para que haja reservas para anos mais complicados e conturbados. 


Basicamente, o Estado não só deverá equilibrar o seu orçamento como também deverá poupar. Por outro lado, não se espera crescimento aceitável da economia para os próximos tempos, pelo que não nos deveremos apoiar nesta variável para justificar mais despesas do que receitas. Aliás, foi sobretudo o crescimento económico previsível do país ao longo destas últimas décadas que deu sempre a oportunidade ao Estado para gastar mais do que recebia em impostos. 


Nesta última década o crescimento não apareceu, e o Estado teve que recorrer ao endividamento para continuar a gastar mais do que recebia. O resultado destas políticas teve como consequência o afastamento dos investidores que habitualmente emprestavam dinheiro a taxas de juro bastante baixas.


Concluímos assim que a despesa deverá ser inferior à receita, e portanto apontamos um cenário em que esta não excede os 33% do PIB, ou seja, 55 mil milhões de euros, de acordo com o PIB de 2009.


Este é o verdadeiro esforço de contenção orçamental que deveria ser executado pelo governo português. Para que este cenário se concretize, o governo deverá reduzir os seus gastos actuais de 81 mil milhões de euros para 55 mil milhões de euros, ou seja, uma redução na despesa de 26 mil milhões de euros. Este é o valor que verdadeiramente importa reter.


Uma redução na despesa do Estado nesta ordem de valores (26 mil milhões de euros) implica uma profunda reestruturação de todo o sistema público, obrigando sem sombra de dúvida a encerrar muitos serviços, despedir muito pessoal, suprimir apoios na segurança social, reduzir compras na saúde, educação, etc.
Para mim, o cenário a seguir é este: o Estado deve receber mais do que gasta e não exceder o seu peso mais do que 35% do PIB. Nas últimas décadas, o desvio deste cenário foi de tal forma grande que agora para voltar atrás implicará ajustes gigantescos. Estarão os portugueses preparados para tal cenário?





Tiago Mestre

27 de março de 2011

FACTOS: A NOVA VELHA ECONOMIA

Pretendemos neste post colocar à vossa consideração uma perspectiva daquilo que são duas das muitas variáveis da economia global, que actualmente promovem e condicionam o estilo de vida que os países ocidentais adoptam na sua generalidade.

A primeira variável prende-se com o declínio económico e financeiro que Portugal tem vindo a assistir de forma consistente, tanto no sector privado como no público. O rendimento médio por indivíduo (PIB per capita), evidenciado no 1º post deste blog,  tem crescido cada vez menos, prevendo-se uma redução ao longo da próxima década. Isto traduz-se em salários médios baixos, aumento do desemprego, em particular na população mais jovem. Paralelamente, o recurso ao crédito está já em fase de stresse, prevendo-se cada vez menos quantidade de crédito disponível. Os créditos contraídos que estão indexados a uma taxa de juro variável verão também as prestações subirem, já que se atingiram juros historicamente baixos nos últimos anos, próximo de 0%. A taxa Euribor tem subido nos vários prazos a que está indexada. A poupança como reserva de riqueza da população também se foi extinguindo durante estas duas últimas décadas. Por último, mas não menos importante, a carga tributária do Estado português sobre os cidadãos tem aumentado consistentemente, tendo atingido em 2009 40% de toda a riqueza produzida (PIB português).
A grande conclusão a que chegamos sobre a análise desta variável é que os rendimentos disponíveis pela população para manter ou quem sabe aumentar a sua qualidade de vida estão claramente em declínio desde há vários anos.

A segunda variável relaciona-se com o aumento generalizado dos preços denominados em euros e dólares de bens de primeira necessidade. Nos últimos seis meses, o preço do barril de petróleo no mercado Brent, que serve de referência para as importações portuguesas, subiu de 65 dólares para 115 dólares:
Fonte: LiveCharts


Os preços dos cereais e alimentos também subiram em flecha no último semestre, igualando os picos que se registaram no ano de 2008:
Fonte: FAO 
A tendência desta subida generalizada de preços indicia que os preços não irão descer sustentadamente nos próximos tempos, pelo que as condições de vida agravar-se-ão ainda mais. Toda esta subida generalizada de preços significa que a inflação chegará ao consumidor final mais cedo ou mais tarde.


A equipa editorial "caseira"

FACTOS: RELAÇÃO ENTRE PIB PORTUGUÊS E CRESCIMENTO DO SECTOR UNIVERSITÁRIO

Pretendemos neste post informar e colocar à vossa consideração a potencial relação que existe entre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) português e o desenvolvimento que o sector universitário tem tido nos últimos 28 anos.
Tem sido norma no discurso político e na sociedade em geral, desde há décadas, da importância que o desenvolvimento das universidades têm no progresso do país, tanto no aumento do número de alunos que frequentam cursos superiores, como na atenção dada à investigação e desenvolvimento (I&D), no sector público e no sector privado.
O discurso político tem-se consubstanciado em factos e em investimentos concretos, como prova a abertura de novas universidades e politécnicos públicos, universidades privadas e institutos de investigação nas últimas décadas. Desde a década de 70 que surgiram os primeiros politécnicos e novas universidades, como a de Aveiro, Nova de Lisboa, Algarve, Minho, Trás-os-Montes, Beira Alta, etc. Já na década de 80 e 90, surgiram as universidades privadas.
Todo este investimento traduziu-se, desde a década de 70, num aumento pronunciado de matrículas nos cursos superiores e, consequentemente, em novas áreas de investigação e desenvolvimento.

Dados estatísticos
Remetemos abaixo para quatro gráficos que demonstram o número de inscritos nas faculdades pela 1ª vez no ensino superior, investimento bruto em I%D, investimento em I&B em percentagem do PIB e, finalmente, a evolução do valor médio anual do PIB por década:



                                                                   Gráfico 1 baseado em Dados de: Pordata


                                                                  Gráfico 2 baseado em Dados de: Pordata

                                                     Gráfico 3 baseado em Dados de: Pordata

                                           Gráfico 4 baseado em Dados de: University of Groningen


Análise


Verifica-se que, de forma consistente, o Estado tem investido na promoção do Ensino Superior e, consequentemente, no I&D público. O número de alunos inscritos subiu 50% de 1996 até 2010. O I&D privado segue a tendência do público, tendo descolado em valores desde 2005.
Pelo contrário, o crescimento médio do PIB tem diminuído a um ritmo elevado, década após década. De um crescimento médio anual de 6% na década de 60, passámos para um crescimento médio de 0,4% a 0,8% na década de 2001 a 2010.
Se a aposta no sector universitário e na I&D promove o progresso e o crescimento do PIB português, conforme a classe política nos faz ver e nos tem vindo a informar desde há décadas, então o que falta para que essa aposta se traduza em crescimento real da economia e no crescimento do PIB português?

A equipa editorial "caseira"                

31 de dezembro de 2010

FACTOS: O PORTUGAL ECONÓMICO DE 1990 E O DE HOJE. PERSPECTIVAS PARA O PORTUGAL DE AMANHÃ

Pretendemos neste post informar e colocar à vossa consideração a análise da tendência que os vários sectores produtivos têm tido desde 1990 até aos dias de hoje. Pelas tendências que verificarão, haverá sectores de actividade que tenderão a florescer no futuro e outros que correm o risco de se extinguirem, se é que não se extinguiram já.

Dados estatísticos

Remetemos abaixo dois gráficos que demonstram a percentagem de população no activo por sector de actividade económica:

Baseado em dados de: Pordata


Baseado em dados de: Pordata

Da comparação efectuada, verificamos que em 1990 o sector primário e secundário ocupavam aproximadamente 43% da população activa, sendo os restantes 57% dedicados essencialmente à prestação de serviços e construção civil.
Em 2007, os sectores primário e secundário ocupam apenas 21% da população activa, representando uma redução de 23% num período de 17 anos. Do lado dos serviços, é assinalável o crescimento do sector “Actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas”, que cresceu 14 pontos percentuais.

Sectores mais relevantes e de maior oscilação:
- Redução do sector indústrias transformadoras: de 41% para 21%;
- Aumento do sector construção civil: de 8% para 13%;
- Aumento do sector das actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados a empresas: de 3% para 17%.   

Em termos globais, verificamos que a tendência da distribuição da população activa em Portugal tem-se deslocado dos sectores produtivos de bens para os sectores de prestação generalizada de serviços.
À taxa com que a indústria transformadora tem vindo a reduzir-se e, se esta se mantiver no futuro, podemos afirmar que estaremos a assistir à eliminação do sector industrial em Portugal, dentro de uma década e meia aproximadamente. Sendo a indústria um sector importante na balança económica das exportações, na balança de pagamentos e na diminuição de importações de bens manufacturados, este sector representa um papel muito importante no valor do Produto Interno Bruto que Portugal gera todos os anos.
Esta redução ao longo de 17 anos significa que todos os anos, todos os meses, houve encerramentos de indústrias, sem que o surgimento de novas assimilasse a população em igual número. No entanto, não devemos descurar também que a modernização da indústria terá tido como consequência uma redução de postos de trabalho, influenciando também este indicador.

Equipa editorial "caseira"

26 de dezembro de 2010

FACTOS: PORTUGAL E A PRÓXIMA DÉCADA (2011-2020)


Pretendemos neste post informar e colocar à vossa consideração o que tem sido o crescimento da economia portuguesa desde o início do século XX, e de que forma poderemos prever qual será o comportamento na década que aí vem. É composto por 2 gráficos que indicam a evolução do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do PIB per capita.

Dados estatísticos e Projecção
Remetemos abaixo para o primeiro gráfico que indica a evolução do PIB ao longo dos últimos 90 anos. Os valores indicados representam o crescimento médio em percentagem, ano após ano. Por exemplo, na década de 60, o PIB cresceu em média 6,08% num determinado ano face ao ano anterior, ao longo de toda a década. Quer dizer que nuns anos terá crescido mais do que 6%, noutros menos, mas em média cresceu 6,08% ao ano.
O valor apurado para a década de 2011-2020 (última barra do gráfico) é calculado em função de critérios estatísticos explicados abaixo, constituindo apenas uma projecção:

Gráfico:
Baseado em dados da University of Groningen 

Verifica-se que o crescimento do PIB foi inexistente nos primeiros 20 anos do século XX. A partir daí houve uma aceleração do crescimento do PIB até final dos anos 60, ocorrendo uma desaceleração a partir daí, que culmina num crescimento médio de 0,6% ao ano na presente década.


Para se prever o crescimento para a década 2011-2020 (a última barra no gráfico), usámos a média da percentagem da desaceleração das últimas quatro décadas, o que representa uma diminuição média de 1,29% do PIB por década, desde 1970. Utilizando este critério, avançamos com a projecção de que a economia terá um crescimento negativo ao ano de 0,39% nos próximos 10 anos.
Apresentamos de seguida o segundo gráfico que indica o crescimento médio do PIB, mas per capita desde a década de 60. Neste gráfico também apresentamos uma projecção para a próxima década:
                                                                                                                                                 Baseado em dados da Pordata

A metodologia aplicada para efectuar projecção de 2011-2020 foi semelhante à do gráfico anterior.
Em análise, verificamos que o PIB per capita apresenta um valor médio sensivelmente mais baixo do que o valor do PIB ao longo das últimas 5 décadas. Mais importante, a redução do PIB per capita entre a década de 90 e 2000 é mais acentuada do que a redução do valor do PIB no mesmo período, ou seja:
O PIB per capita decresceu de 2,76% na década de 90 para 0,16% na década de 2000, representando uma variação negativa de 2,6%.
Já o PIB decresceu de 2,79% para 0,6%, resultando numa variação negativa de 2,19%.



Desta forma, a projecção que damos para a década 2011-2020 para o PIB per capita é mais baixa (-1,22%) do que a projecção para o PIB (-0,77%).


Em síntese esta projecção indica-nos que a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos em Portugal durante a próxima década diminuirão ano após ano.

Equipa editorial "caseira"

21 de dezembro de 2010

EDITORIAL

“Crescer a grandeza que se não pode sustentar é enfraquecer.” 
Padre António Vieira (1608-1697), Sermões


O aforismo de Vieira resume, de forma simples e sábia, o que este blogue procurará mostrar aos que, como nós, partilham a tormenta de ver à nossa volta crescer a grandeza sustentada unicamente na ignorância do caminho a seguir. Acreditamos que cada indivíduo é o agente na regeneração do país, sobretudo pela capacidade de intervenção no plano das suas finanças pessoais. Deste modo, introduz pela sua atitude e acrescenta pela gestão das suas contas caseiras uma mudança necessária a Portugal.

Para que cada um possa ser um gestor avisado do seu quinhão e um cidadão elucidado acerca do país, o “Contas Caseiras” agrega informação financeira e económica disponível na Internet e facilita a sua leitura, apresentando gráficos, dados estatísticos e esclarecimentos essencialmente numéricos. Serão, assim, propostas e sugestões de reflexão acessíveis a quem procura soluções úteis para o seu dia-a-dia, mas ambiciona também melhorar a sua literacia financeira. Todas as fontes consultadas estão abertas a qualquer utilizador da Internet que queira, como nós, debruçar-se sobre esta informação


“Foram muito menos os danos em que caíram os homens por lhes faltar a notícia do passado que aqueles que cegamente se precipitaram pela ignorância do futuro.”
Padre António Vieira (1608-1697), História do Futuro

Este segundo pensamento de Padre António Vieira suscita a reflexão que queremos abrir no “Contas Caseiras”. Não sendo um blogue ideológico ou opinativo, apelamos aos que estiverem connosco que tragam novos factos que ajudem a evitar a precipitação sobre o futuro, ainda que sobre ele sejamos sempre ignorantes.
Contradizendo Vieira, as notícias do passado serão bem-vindas e todos os contributos dados por cidadãos interessados serão fundamentais para enriquecer a clarificação e a compreensão que todos procuramos avidamente. A participação com a apresentação de números e factos que nos levem a reflectir é o objectivo estruturante do blogue, não havendo, contudo, espaço para juízos de valor ou subjectividades.


Por isto, junte-se ao “Contas Caseiras” e assuma que é necessário tomar decisões financeiras com autonomia e consciência, com base em informações factuais. Comecemos, então, por agir sobre a realidade que controlamos e de que somos, aí sim, soberanos, a nossa tesouraria pessoal, as nossas contas caseiras.

Equipa editorial "caseira"