8 de setembro de 2012

Esquizofrenia europeia

1. Draghi apronta o grande plano de aquisição de obrigações, exigindo contra-partidas.

2. Os investidores, crentes de que Itália e Espanha não têm alternativa, apressam-se a adquirir dívida soberana, esperando pelo carry trade, ou seja, que venha o BCE adquirir uns dias mais tarde.

3. As yields baixam fortemente nas maturidades de dívida até 3 anos.

4. Monti e Rajoy percebem que a intenção de Draghi é suficiente para animar os mercados.

5. E depois dá nisto:


6. No entretanto os investidores perceberam que mais uma vez foram enganados. Caíram que nem uns patinhos. Que lindo.

Tiago Mestre

De França, com amor

Subir os impostos acima de 50% começa a ser a derradeira justificação para isto:



Quando o povo e a esquerda clamam por mais impostos para os mais ricos, deve ter em atenção que o dinheiro dos ricos circula em estradas diferentes do dinheiro dos pobres. Sabemos do que estamos a falar.

Mais impostos para os ricos significa quebra de receita fiscal, colapso da execução orçamental, não cumprimento do défice, etc, etc.

O pessoal simplesmente foge. Não os condenem e não coloquem as mãos no fogo por vós mesmos caso estivessem na mesma situação.

Tiago Mestre

Socialização do défice

Caros leitores e leitoras, com a decisão do TC a proibir a austeridade para o setor público em 2013, Passos Coelho logo arranjou um expediente para compensar: aumentam-se os impostos.

Este aumento de impostos, como será espectável, não será acompanhado pelo respetivo aumento de receitas.

As receitas do Estado aproximam-se dos 43% do PIB. É ESCUSADO CONTINUAR A BATER NO CEGUINHO. A MALTA FOGE POR ONDE PODE.

Ainda por cima o aumento é na Segurança Social, de 11 para 18%, rúbrica que já toda a gente sabe que não irá garantir reformas absolutamente nenhumas a quem desconta. O aumento da fuga à segurança social atingirá novos patamares nunca antes vistos.

A descida da TSU de 23,75% para 18% é um começo na redução dos impostos, mas quando vem acompanhado pelo aumento da SS aos trabalhadores por conta de outrém, parece-nos que o impacto da redução por um lado será esterilizado pelo aumento do outro. A soma é zero, ou menos..

Este é só mais um de muitos casos de redestribuição de asneiras por gente que nada teve a ver com o problema. Mas o TC pensou de outra maneira e deliberou. Já não nos espanta..

Tiago Mestre

6 de setembro de 2012

3, 2, 1 Get the hell out

Caros leitores, aguardamos pelas seguintes decisões/consequências:

1. Demissão de Jens Weidmann da presidência do Bundesbank;

2. Introdução do Marco Alemão nas transações correntes na Alemanha rural;

3. Reforço do eleitorado nos Partidos anti-Europa do Norte;

4. Relaxamento nos défices e no endividamento dos países do Sul

(a banda tem mais uns minutos para tocar)

e por aí fora...

Tiago Mestre

3, 2, 1 Start your printers...

Não se esqueçam de pedir formalmente um resgate primeiro.
Draghi só ajuda se pedires ajuda. Quem não chora não mama.

Tiago Mestre

5 de setembro de 2012

Peter Schiff brilha na convenção democrata



Tiago Mestre

Há muitos escalões no IRS

Paulo Núncio, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, sugeriu hoje que existem demasiados escalões de IRS...
Concordamos com esta conclusão.

Contudo parece-nos que ficou algo por dizer:

Em que escalão cairão as pessoas que viram o seu escalão desaparecer?

No imediatamente acima? Ou no imediatamente abaixo?

Tiago Mestre

A troika já sugeriu qq coisa ao governo, nós é que ainda não sabemos

Caros leitores e leitoras, pelo modo como as notícias têm saído cá para fora, e pelo não afastamento do aumento de impostos proferido hoje pelo Primeiro Ministro, parece que ninguém quer pegar na vaca fria.

E pelos vistos, a vaca fria é um qualquer aumento de impostos que se anunciará na próxima segunda-feira.

Compreendemos a necessidade do governo em tentar captar JÁ mais receitas.

Será uma taxa especial aos subsídios de Natal no privado?

Com um buraco de 1 a 2 mil milhões de euros, só um corte desses compensa o desfalque.

Com soberba nossa, queríamos fazer novamente aqui um apelo ao governo de que a solução de continuar a subir impostos, em teoria, até pode garantir um pouquinho mais de coleta, mas a depressão que tal fenómeno gera na população, a par da redução real do seu poder de compra, acabará por retraí-la ainda mais no consumo, desabando o edifício da coleta fiscal e produzindo um resultado contra-producente.

Ou seja, o governo, com medo e incapacidade de tomar decisões incisivas e altamente dolorosas, acaba por perpetuar este estado desgraçado de coisas, refreando o desejo tanto daqueles que perderam poder real de compra, como aqueles que não sabem se um dia precisarão de cortar ou não, mas pelo sim pelo não, corta-se já.

Consumir é um desejo natural do ser humano. Não precisa de ser estimulado para que desponte naturalmente na nossa mente. Mas a par do desejo de consumir há o desejo de perdurar a nossa existência no futuro, e essa, mais do domínio da consciência, pede à mente que tenha calma, que atenue o ímpeto e que salvaguarde o dia de amanhã.

Vivemos num permanente conflito de interesses entre estas 2 forças que se guerreiam entre elas.

E consoante as condições específicas da pessoa e da circunstância em si, pode-se dar o caso de ser o desejo de consumir a ganhar a batalha, como noutra circunstância inversa dar-se o oposto.
Somos assim mesmo, balançamos ao sabor das circunstâncias e da confiança (ou falta dela) que essas mesmas circunstâncias nos projetam.

Não haja dúvida de que as facilidades ao crédito que inundaram o país no final da década de 90, patrocinados pela CEE, desequilibraram brutalmente esta relação de forças entre desejo e refreio durante uma década inteirinha.

Já ninguém dúvida que o desmame terá que ser feito algures no tempo. O problema é que ninguém quer fazê-lo já porque dói muito. Mais vale adiar para que sejam outros a lerpar, claro!

Quando o aumento de impostos e a redução de despesa se mantêm nos radares durante tantos ANOS, é natural que todos se sintam visados, tantos aqueles que perdem o seu poder de compra, como aqueles que, na dúvida, optam por refrear o ímpeto.
Nestas condições de funcionamento de uma sociedade, em que a resolução dos problemas é adiada com receio das consequências, obrigamos a mesma a cair muito mais e durante muito mais tempo.

Esta perpetuação da austeridadezinha será madrasta para nós, e a própria troika veio caucionar este modelo, ao dar 3 anos a Portugal com a obrigação de lhes devolver 78 mil milhões de um empréstimo concedido há 1 ano algures num futuro ainda mais longínquo.

A troika não conhece bem a nossa cultura, o que é natural, e certamente irá deixar-se influenciar pela carpideira nacional de "Não mais austeridade, por favor".

O povo irá novamente cortar no consumo porque ainda há muita tralha que se compra e que é completamente desnecessária ao quotidiano, e o governo, quando der por ela, já será tarde de mais, porque mais lojas fecharam, as receitas já caíram mais do que se previa e a despesa não acompanhou porque os subsídios de desemprego subiram.

Novo problema para resolver!

Não é fácil, mas parece que se está a fazer tudo para que se torne ainda mais difícil no futuro.

Tiago Mestre

4 de setembro de 2012

Troika põe toda a gente a fazer birra

PS diz que PSD é responsável pela gestão do orçamento e que tanta austeridade mata

Troika diz que o memorando é responsabilidade dos partidos.

CDS-PP diz à troika que impostos não devem ser aumentados


Parece uma creche...

Agora é a nossa vez de fazer birra:


Passos Coelho diz que foi o PS quem chamou a troika há ano e meio

PS diz que chamou a troika porque PSD chumbou o PEC

Troika diz que só veio porque foi chamada. Por ela nem cá tinha metido os pés

PS não gosta da troika porque ela é má e come bébés ao pequeno almoço

PSD não gosta do PS porque o PS é feio e come troikas ao pequeno almoço

PS fica amuado e corta relações com a troika.

PSD pede a troika em casamento

PS pede o CDS em casamento

PSD e CDS divorciam-se por se amarem muito, mas não agora.

Tiago Mestre

Que tontice da CNBC


Que notícia mais tonta!

Um estratega da Goldman Sachs lança um alerta aos seus clientes para se protegerem de um selloff que aí vem. Motivo?
Resultados pobres que as 2 reuniões do BCE e FED trarão na próxima semana.

Ser estratega agora é adivinhar o que se diz nas reuniões dos bancos centrais: FED Watchers
Nem discutimos se o rapaz ou rapariga está a adivinhar acertadamente ou não? Não sabemos o que lá se irá passar, portanto vamos deixar andar.

Mas uma coisa sabemos:

Quer haja resultados ou não destas reuniões, Draghi e Bernanke deixarão a porta aberta para que se faça alguma coisa. Só assim as coisas se vão mantendo levitadas e os investidores continuam a apoiar-se em esperanças vãs.
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Ou então o estratega acredita que sabe algo mais que influenciará profundamente o resultado, não de uma, mas logo das duas reuniões. Assim é que é.

E a CNBC, coitada, desesperada por cuspir qualquer coisa cá para fora nesta época do ano, nem filtra..

Estaremos cá para ver se o tiro acerta no alvo ou não..

Tiago Mestre

Está tudo bem (Parte 2)


Será que já nos podemos voltar a endividar "à grande e à francesa" daqui a 1 ano ou 2?
Já tenho saudades dos bons velhos tempos...

A comunidade de investidores BCE watchers não perdeu tempo.

Com soberba minha, até parece que andou a ler os nossos posts...

Tiago Mestre

Está tudo bem...

Draghi trouxe ontem ao parlamento europeu a solução que os investidores tanto aguardavam desde início de Agosto:

"BCE VAI AJUDAR OS PAÍSES EM DIFICULDADE, COMPRANDO DÍVIDA DE CURTO PRAZO"

Critérios:
Curto prazo significa até 3 anos de maturidade
Só haverá ajuda aos países que já tenham pedido resgate ao EFSF (Portugal, Irlanda, Grécia, Chipre...  Espanha, Itália!!)

Aparentemente, e desconhecendo nós os argumentos, Draghi sugeriu ao parlamento europeu que esta aquisição de obrigações soberanas não violará as normas europeias!

Mas ficou também implícito que só haverá aquisições se tal se justificar, ou seja, os critérios para comprar ou não comprar são segredo.

Conclusão:
Este é mais um sinal que Draghi dá aos investidores de que "we will do whatever it takes", mas que para já não iremos fazer nada, até nos apetecer fazer qualquer coisa, se apetecer.

E estes, desesperados em realizar um qualquer negócio que traga o mínimo de lucro para compensar a miséria que tem sido este ano, correm atrás da yield - BCE Watchers - levitando os mercados, agradando a Draghi e convencendo-o de que esta nova tática de marketing do BCE é boa e deve ser reforçada.

Espanha e Itália, para receberem esta ajuda, terão que pedir um resgate formal. Espanha ainda não o fez (tanto quanto se sabe) e Itália ainda vive alheada da realidade.

Não sei até que ponto os investidores dão como garantidos os pedidos de resgate destes 2 países num futuro próximo. Provavelmente já está toda a gente a preparar-se para isso desde Agosto, daí a euforia que se viveu nos mares calmos da falta de liquidez dos mercados nas últimas semanas.

Já várias vezes escrevemos aqui no contas dos problemas que o BCE tem em mãos caso tenha que reportar perdas no seu portfolio de obrigações "tóxicas". Com estas decisões de Draghi, tais receios adensam-se, e pouco a pouco o BCE vai perdendo toda a sua credibilidade, juntamente com o FED, o SNB, o BoJ.

A somar a isto, o sistema de transferências monetárias montado na UE exige aos Bancos Centrais de cada país do Euro que assumam as perdas caso o BCE as registe. O Bundesbank, com 27% de quota neste sistema, é o principal visado.
Talvez tenha sido por causa deste grand plan de Draghi que Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, sentiu que estava a perder as forças na luta contra a corrente.

Seria o terceiro responsável a sair do Bundesbank em 3 anos, nada mau!

Tiago Mestre

3 de setembro de 2012

Meu querido mês de Agosto

Caros leitores e leitoras, o mês de Agosto de 2012 ficará para a história como o mês que os investidores mais antecipavam como sendo uma verdadeira catástrofe, mas, por obra e graça de Mario Draghi, revelou-se exatamente o oposto.

Escrevemos a 26 de Julho que o BCE já tinha encontrado a solução burocrática para que em Agosto os políticos fossem de férias descansados, e com o telemóvel desligado.

Mas nunca, nunca imaginaríamos que Agosto fosse não só  tãosereno, como também altamente lucrativo para quem decidiu arriscar neste mar de falta de liquidez.
O risco era gigantesco, com enormes pressões em Itália, Espanha, EUA, China, etc, etc.

Estar bullish a 31 de Julho só era possível com muitos Red Bulls no estômago, mas enfim, quem arriscou, petiscou.

Como também já tantas vezes referimos aqui no Contas, temos que dar os parabéns a Draghi por conseguir montar a sua estratégia (mesmo que discordemos totalmente dela), torná-la realidade, e com tal aldrabice, ter mantido os mercados levitados durante um mês inteirinho com promessas vãs de que qualquer coisa o BCE iria fazer.

Mas Draghi não foi original. Como já também aqui referimos no Contas, teve um mago feiticeiro que o ajudou: Ben Bernanke.

Expressões como "we will do whatever it takes" já são um must listen do rol de tretas cuspidas do outro lado do Atlântico.

Até Merkel, que não queria ser incomodada em Agosto, afinou pelo mesmo diapasão, e juntamente com Hollande, atirou aos media uma expressão semelhante.

Como lemos ontem algures, passámos a ter investidores que se tornaram Fed Watchers  em vez de Risc takers. A expressão não será exatamente esta, mas sintetiza muito bem o tipo de investidores que começámos a ter com toda esta manipulação monetária a que os bancos centrais nos submeteram.



Fica a pergunta:

E como será Setembro?

Posso-me enganar, mas parece que o cenário está montado para que as esperanças vãs continuem no ar, e com isso os investidores corram atrás da carruagem de Draghi.

É nossa crença que o Tribunal Constitucional alemão dará parecer favorável ao ESM reforçado, não porque  tal instrumento seja constitucional, mas porque as consequências para os próprios juízes de o rejeitarem serão enormes.
E Draghi, com poder para imprimir notas, continuará a prometer dinheiro caso os países assumam a necessidade de resgate.
Se, se, se, se, e mais se, mas suficiente para fazer os investidores apanharem a boleia.

Só um epifenómeno, como a falência de um grande banco, como o Morgan Stanley, por exemplo!!, ou qualquer outro fogo a que o FED ou o BCE não cheguem a tempo, é que poderá anular este transe que se vive. E isso é para nós impossível de prever.

Acreditamos que o sedativo Draghi/Bernanke continue a fazer efeito por mais algum tempo.

Tiago Mestre

Bankia novamente nos radares

O Medo de assumir as consequências das nossa ações leva-nos sempre a subir mais um patamar na escadaria dos disparates.

Todos sabemos quão difícil é assumir os erros, informar os pares, aceitar a responsabilidade pelas consequências e procurar soluções que minimizem a asneira.

Quase todos nós nas múltiplas pequenas decisões que tomamos diariamente sentimos esta atração pela fuga, por deixar andar, por acreditar que o tempo resolverá sem a nossa participação. E às vezes até resolve, é por isso que continuamos a acreditar nesta "solução".

Com os políticos não é diferente, aliás, é exatamente igual, senão pior.

O Bankia é hoje uma instituição falida, tanto financeiramente como "crediticiamente", ou seja, ninguém confia na instituição por esta possuir demasiados ativos "merdosos" no seu portefolio, a par de pouco ou nenhum capital próprio nos seus cofres.

Este é o já eterno problema dos bancos atuais:
1. Ganham dinheiro a emprestar dinheiro.
2. Custa dinheiro aos acionistas capitalizarem o banco e reforçar os seus capitais próprios.


Se o banqueiro for "goloso", quer lucro já e enriquecer já, emprestando tanto quanto lhe for possível sem se preocupar em arranjar dinheiro para ir reforçando os capitais próprios à razão com que vai emprestando cada vez mais dinheiro aos seus clientes.

Se o banqueiro for prudente, empresta menos, ganha menos, e a pouca riqueza que consegue acumular investe-a no reforço dos capitais próprios do banco, para que quando houver um dia de azar, possua a energia suficiente para levar com o impacto.


O truque está em manter o equilíbrio entre este conflito de interesses.

O Bankia, como muitos outros bancos europeus e mundiais, optou pela lógica de enriquecer tão depressa quanto possível. É um caminho legítimo, não é ilegal, e portanto respeitamos.

Mas da mesma forma que respeitamos o caminho tomado pelo Bankia e outros, respeitamos também aqueles que não o fizeram, porque consideraram que essa não era a melhor estratégia.

E como respeitamos ambos da mesma maneira, não consideramos admissível que num momento de dificuldade, uns sejam beneficiados à custa dos outros, ou seja, retirar aos prudentes para dar aos imprudentes.

Por outro lado, a eficácia dessa mesma ajuda pode já não ser suficiente, ou seja, por mais que se atire dinheiro bom em cima de dinheiro mau, quanto muito adia-se a morte do paciente e com certeza retira-se saúde àquele que estava íntegro e são.

Portanto, cada instituição deve seguir o seu caminho, e assumir as consequências das suas próprias decisões.
Se opta por arriscar muito, pode ganhar muito ou perder muito
Se opta por arriscar pouco, pode ganhar pouco ou perder pouco
Se opta por não arriscar nada, não ganha nem perde.

A força que subjaz a todo este sistema é a liberdade de movimentos que nos é oferecida, o bem mais precioso que nos assiste. A dificuldade está em saber lidar com ela nos momentos de dificuldade e iminente colapso.

Os prejuízos do Bankia no primeiro semestre de 2012 revelam o que já se sabia em Abril quando se pediu o resgate a este banco: as operações dão prejuízo todo o santo dia.

Rajoy pede ajuda à Europa para manter o banco a flutuar.
Em teoria já o conseguiu, veremos como correrá na prática, porque cada vez mais, quem tem energia para fornecer não está muito disposto a abdicar dela,a não ser por um preço muito alto.

Tiago Mestre

2 de setembro de 2012

Ooops... mais uma nacionalização de um banco na UE

Caros leitores e leitoras, sem grande alarido nos meios de comunicação social (aparentemente), tivemos neste fim de semana mais uma notícia que revela que continuar a atirar dinheiro bom em cima de dinheiro mau apenas adia o inevitável.

O Banco francês CIFD (Credit Immobilier de France Development), após desesperada tentativa de arranjar comprador, foi "brutalmente" nacionalizado por François Hollande, o tal candidato do PS que informou o eleitorado há uns meses que não iria usar dinheiro público para salvar bancos.

Chega o momento da verdade ao recentemente eleito Presidente Hollande e...Aauch!

Hollande: 0
Keynesianismo: 1

Para uma extensa exposição sobre esta matéria e o mistério que envolve todo este processo, consultem o artigo no site Zerohedge, claro!

Tiago Mestre

Juntando os nós com Dr. Willie

Demora a ler mas vale a pena, achamos nós.

Jim Willie apresenta na sua newsletter as várias ideias que o perturbam neste momento sobre a economia mundial...

A forma como junta as peças e o humor vertido fazem desta newsletter um must read.

É longo, mas vale a pena.

http://www.silverdoctors.com/jim-willie-morgan-stanley-faces-imminent-failure-ruin-may-see-1st-private-stock-account-thefts/

Tiago Mestre

1 de setembro de 2012

Projeto Euro em Modo Espera

Numa noticia do Expresso online, o jornalista Jorge Nascimento Rodrigues refere o seguinte:


Percebemos a "preocupaçao" do jornalista, na medida em que todo o processo de entregar dinheiro aos paises perifericos pode ficar em modo de espera..

Sinceramente, nao acreditamos que o Tribunal o faça. E porque?

PORQUE NAO TEM A CORAGEM PARA TAL.

Com o que Merkel prometeu aos seus pares na cimeira de Julho, uma decisao destas colocaria a sua face em causa. Os juizes poderiam desde ja começar a procurar novos empregos.

Tambem Papandreou sugeriu na Grecia um referendo em Outubro de 2011, e foi logo de seguida substituido pelo tecnocrata Papademos.

Em momentos destes, custa muito aos politicos devolver ao povo a soberania das decisoes.

O povo nao sabe nem possui maturidade suficiente para decidir questoes desta complexidade, e caso fossem ao plebiscito e recusassem o plano proposto de continuar a injetar dinheiro em paises falidos, todo o projeto se esboroaria.

Aguardamos pelo dia 12 de Setembro

Tiago Mestre

Governo poupa 140 milhoes ate 2020 nas eolicas.

Num comunicado do Ministerio da Economia, parece haver indicios de que os produtores de energia eolica concordarao em reduzir a sua fatura na producao de energia eletrica.

Ainda nao ha acordo, mas a coisa parece estar apalavrada.

140 milhoes ate 2020 significa 17,5 milhoes ao ano. é pouco, mas é melhor do que nada.

O projeto portugues de colocar torres eolicas em tudo quanto é monte e serra trouxe consequencias nefastas que perdurarao durante decadas.

Quanto mais cedo se perceber a real dimensao do problema e suas implicacoes, tanto no aumento do defice tarifario, como no aumento do custo da energia eletrica ao consumidor final, mais bem preparados estaremos para nao voltar a repetir os excessos cometidos no passado.

A potencia instalada de eolicas em Portugal ultrapassou em muito os valores considerados razoaveis, na medida em que quando nao ha vento, é necessario ter toda uma infraestrutura de backup que garanta TODA a producao de energia eletrica que Portugal necessita.

Pagamos para subsidiar os produtores eolicos, ja que estes vendem o seu kWh produzido a um valor mais elevado do que os restantes produtores convencionais (centrais termicas e barragens), e pagamos para manter todas estas centrais em (backup), à espera que falte o vento para arrancarem logo de seguida.

Pagamos 2 vezes para um mesmo serviço (que é consumir energia eletrica). Poupa-se alguma coisa na importacao de carvao e gas natural, mas tanto quanto sabemos, é residual.

O défice tarifario aumenta 600 a 800 milhoes de euros todos os anos. Fecharemos 2012 com uma divida acumulada de 3 a 4 mil milhoes de euros. Nao sabemos precisar bem o valor.

O governo diz também que parte desta poupança de 140 milhoes sera para abater no défice. Como podemos perceber, sera completamente residual, mas enfim, fica a intençao.

O que se fez no governo de Socrates, com a influencia do ministro Manuel Pinho, foi a busca de uma solucao energetica que resolvesse os problemas de importacao de combustiveis fosseis para producao de energia eletrica. Nao se fizeram testes com a maturidade que se exigia e nao se percebeu verdadeiramente os impactos economicos para os consumidores quando nao ha vento durante 1, 2 ou 3 dias em Portugal.

Por causa desta evidencia climatérica que ocorre de vez em quando em Portugal, criou-se toda a espécie de incentivos e subsidios para que este engulho climaterico fosse contornado. A brincadeira saiu MUITO cara.

Politicamente, o plano foi de tal forma ambicioso que quando a bomba rebentou pela primeira vez em 2006, com a demissao do entao presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos, por este sugerir que o aumento da eletricidade ja naquele ano deveria ser de 15% para que o défice tarifario nao existisse, nao houve a coragem de assumir a enormidade do disparate.

Assobiou-se para o lado com a criaçao do défice tarifario, que nao é mais do que pedir dinheiro emprestado para pagar aos produtores de energia eolica.

Com a conivencia de Socrates, Manuel Pinho foi:
O pai da solucao eolica
O pai da sua grandeza e de todos os males associados
O pai da demissao de Jorge Vasconcelos
O pai da criacao do defice tarifario e respetivo endividamento

Hoje, Manuel Pinho é avo dos 3-4 mil milhoes de divida que os varios défices anuais acumularam ao longo dos anos.
Hoje, deveria ser Manuel Pinho a renegociar os contratos e assumir os erros que cometeu. Mas nao, anda a ensinar o seu modelo insustentavel de eolicas em distintas universidades do mundo ocidental.

Ha vidas dificeis

Tiago Mestre

Napoles, a suja

Caros leitores e leitoras, numa visita recente à cidade de Napoles, ficamos literalmente abismados com o que se passa naquela cidade.

Parece que trabalhar em Napoles de forma seria e honesta é coisa rara.

As ruas estao cheias de pessoas que, ou vendem objetos de forma ilegal (iPad's é a ultima moda), ou entao "arrastam-se" de um lado para o outro.

Com o calor e a humidade a fazerem das suas, toda a gente anda na rua. As mulheres exibem os filhos, e os adolescentes, tanto eles como elas, passeiam-se de scooter por ruas minusculas como se circulassem numa auto-estrada.

O lixo e a sujidade acumulados em toda a cidade tornam-na um antro de bicharada. Em alguns locais mais problematicos, as autoridades recorrem a veneno, espalhando-o pela rua para evitar males maiores!!

Torna-se evidente que esta cidade ou vive do expediente ou vive do subsidio.

Mario Monti tera um problema para resolver quando começar a cortar nos subsidios e no aumento de impostos, sobretudo no Sul de Italia. O pessoal simplesmente nao ira aceitar tais cortes.

Direta ou indiretamente, os napolitanos parecem estar todos dependentes do apoio estatal, na medida em que negocios legitimos sao poucos, e quem quer ser honesto prefere sair da cidade, como nos contou um rapaz numa loja de venda de roupa.

Passar um dia em Napoles é como viver um filme onde fazemos parte do elenco como figurantes:






Tiago Mestre