Na nossa opinião, há ruído a mais a propósito das PPP's.
É importante cortar custos, tanto nestes contratos como em quaisquer outros. Seria preferível que se cortasse primeiro nestes e só depois em salários e pensões. Não foi essa a decisão do governo e lamentamos tal opção.
Mas as PPP's custam ao Estado por ano menos de 1,5 mil milhões de euros. Os cortes anunciados são aproximadamente 10% do custo global.
190 milhões por ano é... quase nada. Comparado com uma despesa global de 85 mil milhões de euros em que quase metade deste valor é para pensões e subsídios, falarmos no mérito da redução de custos em 190 milhões de euros nas PPP's parece-nos uma amplificação exagerada. Só os juros da dívida, 9 mil milhões de euros, representam 50 vezes mais o corte anunciado e 5 vezes mais o custo total das PPP's.
Sem fazer contas, a opinião pública embarcou nesta necessidade de encontrar um bode expiatório onde enterrar as culpas. Todos sabemos que há PPP's que servem para tachos, ninguém dúvida disso, e devem ser saneadas tão breve quanto possível.
Em conclusão, ficamos com a ideia de que se está a procura da cena do crime, mas no sítio errado.
Tiago Mestre
18 de maio de 2012
Lá se foi o equilibrismo dos 10 cêntimos do BCP
E a barreira dos 10 cêntimos caiu...
As ações do BCP fecharam hoje a valer 0,099 euros, ou 9,9 cêntimos.
Tiago Mestre
As ações do BCP fecharam hoje a valer 0,099 euros, ou 9,9 cêntimos.
Tiago Mestre
17 de maio de 2012
Esta é uma das muitas dificuldades quando se renegoceiam PPP's
Caros leitores e leitoras, renegociar PPP's significa, em muitos casos, alterar acordos já firmados e toda uma cadeia de operações e serviços que já se encontra em marcha e a servir ativamente as populações.
Na saúde, ninguém discute que os hospitais em regime PPP são importantes para a população.
No tratamento de águas residuais e abastecimento à população, ninguém discute que as empresas do grupo Águas de Portugal, em regime de PPP, são importantes para servir as populações e preservar o meio ambiente.
Nas concessões rodoviárias, à exceção de 3 ou 4 auto-estradas que nunca deveriam ter visto a luz do dia, as restantes vias de comunicação que estão sob contratos PPP's são importantes para a população, nomeadamente estradas nacionais que foram beneficiadas.
Na energia, renegociar as rendas pagas aos produtores e fornecedores de energia pode significar uma redução do investimento nas infra-estruturas existentes e a construir.
Renegociar PPP's é pedir a empresas que estão "armadas até aos dentes" de advogados para aceitar uma espécie de perdão da dívida à la grega...
Ou seja, o governo tem que ser sincero, humilde, leal e sério, muito sério. Porque quando se mexe com contratos de milhões de euros, e muitos deles são essenciais na prestação de serviços BÁSICOS à população, como o fornecimento de energia eléctrica, a litigância é caminho por onde não se deve ir, e se se for por aí, que seja de cara destapada e com sentido patriótico.
Pelos vistos, o novo secretário de Estado da Energia já teve 3 reuniões com o administrador da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, e percebe-se pela notícia que dentro de portas falou-se uma coisa, mas a lei, posteriormente publicada, diz outra.
Basta este tipo de atuação para estragar todo o processo negocial, tanto no presente, como no futuro. Faltar à palavra é jogar bluff. Só se cai uma vez. Como retaliação, a ENDESA considerou desde já hibernar a Central Termo-Eléctrica do Pego, perto de Abrantes. E perguntamos nós: Mas é necessária esta central?
Aparentemente é, porque com a seca que houve este Inverno, a central trabalhou mais de 50% do tempo.
O que está aqui em causa é a anulação dos contratos de Potência Garantida aprovados em Agosto de 2010. Estes contratos visam o financiamento de centrais eléctricas para que estas estejam sempre em stand-by, ou seja, quando a REN lhes pede produção de energia eléctrica, eles têm que entregar essa energia à rede em x minutos. Só desta forma se garante que não há falhas no abastecimento. A energia eléctrica não se pode acumular, e portanto o que se consome num determinado instante está a ser produzido nesse mesmo instante pelas centrais espalhadas pelos país.
Estes contratos de potência já existiam no passado, mas algures no tempo, que não podemos precisar, foram revogados porque as centrais existentes na altura produziam energia eléctrica com bastante regularidade, ou seja, estavam pouco tempo em stand-by, e os produtores lá deixaram cair esse contrato e passaram a receber o dinheiro, não para estarem à espera, mas para produzirem a energia e entregá-la à rede.
O que aconteceu é que nessa época ainda havia poucas centrais eólicas, e ninguém se preocupou muito com o assunto. À medida que as eólicas foram crescendo, mais e mais produção de energia vinha desta fonte. Os produtores das centrais convencionais que vendiam a energia à rede começaram a vender muito menos e perceberem o logro em que se meteram ao terem aceitado a revogação dos contratos de potência.
Em 2010 as eólicas estavam já fortemente instaladas em Portugal, e em bons dias de vento, estas conseguiam produzir mais de 50% de todas as necessidades eléctricas do país. A REN dava assim primazia a estas em detrimento das centrais que obrigam à importação de combustíveis fósseis, como a do Pego, que consome carvão. Mas chega o Verão de 2010 e o território foi assolado por uma vaga de calor e nenhum vento. Por esta vicissitude, os produtores de energia elétrica das centrais convencionais, como a do Pego, foram solicitados pela REN para entrarem em produção, e em força.
Estes disseram ao governo para ir dar uma curva: já andavam a perder dinheiro à algum tempo por venderem tão pouca energia, e reclamavam novamente os contratos de potência como forma de sustentarem a atividade. O governo lá acedeu e em Agosto de 2010 publicou a portaria que devolveu novamente os contratos de potência.
São estes contratos que estão agora a ser revogados novamente por este executivo por se considerarem excessivos, pensamos nós. Não temos os elementos para saber se são excessivos ou não, mas se o são, então há margem para os baixar, reduzindo assim a rentabilidade do negócio e não afetando de sobremaneira o produtor e os consumidores. Caso não sejam excessivos e se queira baixá-los à mesma, ou até anulá-los, então cuidado, porque se pode aniquilar a sustentabilidade da prestação desse serviço, e como todos bem sabemos, empresa que não dá lucro não deve existir.
A hibernação da Central do Pego significa, aparentemente, isso mesmo. Deixa de estar disponível para entregar energia à rede. Se um dia a população precisar desta fonte de energia e não puder contar com ela, caso não haja alternativas terão que haver cortes de energia. É simples de perceber.
Se vier um Verão bastante quente e seco, precedido de uma Primavera também ela mais quente do que o normal, isso significará pouco ou nenhum vento, pouca ou nenhuma produção hidro-elétrica porque as barragens já estão com níveis muito baixos, e pedir-se-á às centrais convencionais que assegurem todo o abastecimento. Ora, se a energia total produzida por estas for inferior ao consumo exigido pelas populações por motivos de "hibernação": Houston, we have a problem.
O governo poderá sempre assumir que é provável haver cortes de energia no Verão devido a não haver dinheiro para pagar estes contratos, e que as pessoas se preparem para esse tipo de cenário. Pronto, problema resolvido...
No Japão, parece que o Verão 2012 terá uma história parecida com esta
Tiago Mestre
Na saúde, ninguém discute que os hospitais em regime PPP são importantes para a população.
No tratamento de águas residuais e abastecimento à população, ninguém discute que as empresas do grupo Águas de Portugal, em regime de PPP, são importantes para servir as populações e preservar o meio ambiente.
Nas concessões rodoviárias, à exceção de 3 ou 4 auto-estradas que nunca deveriam ter visto a luz do dia, as restantes vias de comunicação que estão sob contratos PPP's são importantes para a população, nomeadamente estradas nacionais que foram beneficiadas.
Na energia, renegociar as rendas pagas aos produtores e fornecedores de energia pode significar uma redução do investimento nas infra-estruturas existentes e a construir.
Renegociar PPP's é pedir a empresas que estão "armadas até aos dentes" de advogados para aceitar uma espécie de perdão da dívida à la grega...
Ou seja, o governo tem que ser sincero, humilde, leal e sério, muito sério. Porque quando se mexe com contratos de milhões de euros, e muitos deles são essenciais na prestação de serviços BÁSICOS à população, como o fornecimento de energia eléctrica, a litigância é caminho por onde não se deve ir, e se se for por aí, que seja de cara destapada e com sentido patriótico.
Pelos vistos, o novo secretário de Estado da Energia já teve 3 reuniões com o administrador da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, e percebe-se pela notícia que dentro de portas falou-se uma coisa, mas a lei, posteriormente publicada, diz outra.
Basta este tipo de atuação para estragar todo o processo negocial, tanto no presente, como no futuro. Faltar à palavra é jogar bluff. Só se cai uma vez. Como retaliação, a ENDESA considerou desde já hibernar a Central Termo-Eléctrica do Pego, perto de Abrantes. E perguntamos nós: Mas é necessária esta central?
Aparentemente é, porque com a seca que houve este Inverno, a central trabalhou mais de 50% do tempo.
O que está aqui em causa é a anulação dos contratos de Potência Garantida aprovados em Agosto de 2010. Estes contratos visam o financiamento de centrais eléctricas para que estas estejam sempre em stand-by, ou seja, quando a REN lhes pede produção de energia eléctrica, eles têm que entregar essa energia à rede em x minutos. Só desta forma se garante que não há falhas no abastecimento. A energia eléctrica não se pode acumular, e portanto o que se consome num determinado instante está a ser produzido nesse mesmo instante pelas centrais espalhadas pelos país.
Estes contratos de potência já existiam no passado, mas algures no tempo, que não podemos precisar, foram revogados porque as centrais existentes na altura produziam energia eléctrica com bastante regularidade, ou seja, estavam pouco tempo em stand-by, e os produtores lá deixaram cair esse contrato e passaram a receber o dinheiro, não para estarem à espera, mas para produzirem a energia e entregá-la à rede.
O que aconteceu é que nessa época ainda havia poucas centrais eólicas, e ninguém se preocupou muito com o assunto. À medida que as eólicas foram crescendo, mais e mais produção de energia vinha desta fonte. Os produtores das centrais convencionais que vendiam a energia à rede começaram a vender muito menos e perceberem o logro em que se meteram ao terem aceitado a revogação dos contratos de potência.
Em 2010 as eólicas estavam já fortemente instaladas em Portugal, e em bons dias de vento, estas conseguiam produzir mais de 50% de todas as necessidades eléctricas do país. A REN dava assim primazia a estas em detrimento das centrais que obrigam à importação de combustíveis fósseis, como a do Pego, que consome carvão. Mas chega o Verão de 2010 e o território foi assolado por uma vaga de calor e nenhum vento. Por esta vicissitude, os produtores de energia elétrica das centrais convencionais, como a do Pego, foram solicitados pela REN para entrarem em produção, e em força.
Estes disseram ao governo para ir dar uma curva: já andavam a perder dinheiro à algum tempo por venderem tão pouca energia, e reclamavam novamente os contratos de potência como forma de sustentarem a atividade. O governo lá acedeu e em Agosto de 2010 publicou a portaria que devolveu novamente os contratos de potência.
São estes contratos que estão agora a ser revogados novamente por este executivo por se considerarem excessivos, pensamos nós. Não temos os elementos para saber se são excessivos ou não, mas se o são, então há margem para os baixar, reduzindo assim a rentabilidade do negócio e não afetando de sobremaneira o produtor e os consumidores. Caso não sejam excessivos e se queira baixá-los à mesma, ou até anulá-los, então cuidado, porque se pode aniquilar a sustentabilidade da prestação desse serviço, e como todos bem sabemos, empresa que não dá lucro não deve existir.
A hibernação da Central do Pego significa, aparentemente, isso mesmo. Deixa de estar disponível para entregar energia à rede. Se um dia a população precisar desta fonte de energia e não puder contar com ela, caso não haja alternativas terão que haver cortes de energia. É simples de perceber.
Se vier um Verão bastante quente e seco, precedido de uma Primavera também ela mais quente do que o normal, isso significará pouco ou nenhum vento, pouca ou nenhuma produção hidro-elétrica porque as barragens já estão com níveis muito baixos, e pedir-se-á às centrais convencionais que assegurem todo o abastecimento. Ora, se a energia total produzida por estas for inferior ao consumo exigido pelas populações por motivos de "hibernação": Houston, we have a problem.
O governo poderá sempre assumir que é provável haver cortes de energia no Verão devido a não haver dinheiro para pagar estes contratos, e que as pessoas se preparem para esse tipo de cenário. Pronto, problema resolvido...
No Japão, parece que o Verão 2012 terá uma história parecida com esta
Tiago Mestre
16 de maio de 2012
BCE tornou-se agora um defensor do rigor e da disciplina financeira!
Nem dá para acreditar nesta notícia.
BCE decide suspender financiamento a alguns bancos gregos que não cumpriram com os rácios de capitalização exigidos.
Mais vale tarde do que nunca, mas este é o mesmo BCE que violou o Tratado de Lisboa com o programa LTRO, não exige o mark-to-market e emprestou sem regra a 1% até há menos de 2 meses.
Agora que os bancos gregos estão de rastos devido à fuga de capitais,e há muito que ficaram dependentes de financiamento desta instituição, é que o BCE se tornou um rigoroso disciplinador... Vá-se lá perceber esta gente, mas repetimos, nunca é tarde demais para abandonar o moral hazard e adoptar princípios de rigor e disciplina!
O que nos parece é que o paciente já está muito frágil e demasiado dependente. Sobreviverá?
Tiago Mestre
BCE decide suspender financiamento a alguns bancos gregos que não cumpriram com os rácios de capitalização exigidos.
Mais vale tarde do que nunca, mas este é o mesmo BCE que violou o Tratado de Lisboa com o programa LTRO, não exige o mark-to-market e emprestou sem regra a 1% até há menos de 2 meses.
Agora que os bancos gregos estão de rastos devido à fuga de capitais,e há muito que ficaram dependentes de financiamento desta instituição, é que o BCE se tornou um rigoroso disciplinador... Vá-se lá perceber esta gente, mas repetimos, nunca é tarde demais para abandonar o moral hazard e adoptar princípios de rigor e disciplina!
O que nos parece é que o paciente já está muito frágil e demasiado dependente. Sobreviverá?
Tiago Mestre
Pagamento do IVA para o 1º trimestre terminou ontem
Terminou ontem o prazo para a entrega do IVA referente às empresas que entregam o IVA trimestralmente, ou seja, as empresas com menor faturação anual.
Nestas incluem-se muitos dos estabelecimentos de restauração e bebidas, a quem o IVA subiu de 13 para 23%, uma subida de quase 100% neste imposto específico.
Veremos se o setor ainda possui resiliência suficiente para arranjar o dinheiro, ou se, esgotadas as reservas, o governo verá em primeira mão o que significa o termo "fadiga fiscal".
Tiago Mestre
Nestas incluem-se muitos dos estabelecimentos de restauração e bebidas, a quem o IVA subiu de 13 para 23%, uma subida de quase 100% neste imposto específico.
Veremos se o setor ainda possui resiliência suficiente para arranjar o dinheiro, ou se, esgotadas as reservas, o governo verá em primeira mão o que significa o termo "fadiga fiscal".
Tiago Mestre
Grécia vs Credores teimosos
Nunca mais se falou das consequências do acordo entre a Grécia e os credores a propósito do perdão da dívida. Já lá vão quase 2 meses.
Especulava-se sobre o que aconteceria àquelas instituições que "apostaram" em não entrar no acordo e que possuíam obrigações denominadas em uk law. Como se sabe, as obrigações sujeitas a esta lei não foram objeto de alteração pelo parlamento grego. Apenas as obrigações denominadas na lei grega o foram para que o incumprimento unilateral não fosse declarado. Mas mesmo assim, 69% dos credores que detinham obrigações uk law submeteram-se ao acordo, como referimos a 9 de Março.
Havia alguma espetativa de quem seria o vencedor deste braço de ferro: A Grécia ou os credores?
Pois terça-feira fica para a história como a dia do pagamento de 435 milhões de euros de obrigações denominadas em UK law... e a Grécia lá se calou e PAGOU.
Quem venceu? Os CREDORES que esperaram.
Ao que parece, 95% desde valor refere-se a obrigações detidas por um fundo especialista em obrigações quase-delinquentes: Dart Management, sediado nas Ilhas Caimão. E é aqui que a "coisa" aquece!
Este fundo granjeou reputação neste tipo de operações tipo braço de ferro. As suas armas são a força da litigância, ou seja, colocam países soberanos em tribunal caso estes não cumpram as suas obrigações e levam o assunto até às últimas consequências.
Certamente que compraram todas as obrigações uk law que puderam, "armaram-se até aos dentes" e esperaram pelo veredicto. Como compraram as obrigações quando estas já estavam em fase de pré-delinquência, o seu valor era já muito baixo e juro não era nem de 5 nem de 10%. Dependendo das maturidades, devem ter recebido juros a rondar os 100%, ou seja, compraram 100 milhões de euros de obrigações e receberam 100 milhões de euros em juros, por exemplo. Nada mau...
A Grécia perdeu, os gregos perderam, mas quem mais perdeu foram os credores que acreditaram na lenga-lenga do tal acordo e o assinaram.
Com a troca de obrigações velhas por novas, as perdas para os credores ascenderam a 72% no dia da assinatura. Mas se adicionarmos as perdas das "velhas" com as perdas a que as "novas" já se submeteram no mercado secundário desde esse dia até hoje, as perdas totais já vão em... 90%
Ou seja, as novas obrigações gregas que ainda nem têm 3 meses já perderam 50% do se valor. Aauuch!
Não são boas notícias para os bancos portugueses que assinaram o acordo...
Às vezes, ficar quieto é a melhor estratégia.
Esta história poderá muito bem servir de lição para os próximos credores que forem submetidos a um "pedido" de perdão de dívida por um qualquer país europeu. Não acreditem no bluff europeu, por favor, e já agora, vendam as obrigações denominadas em lei nacional e comprem obrigações denominadas em uk law.
Notícia aqui
No caso português, lemos em tempos que as obrigações portuguesas estão quase todas denominadas em uk law !!
Tiago Mestre
Especulava-se sobre o que aconteceria àquelas instituições que "apostaram" em não entrar no acordo e que possuíam obrigações denominadas em uk law. Como se sabe, as obrigações sujeitas a esta lei não foram objeto de alteração pelo parlamento grego. Apenas as obrigações denominadas na lei grega o foram para que o incumprimento unilateral não fosse declarado. Mas mesmo assim, 69% dos credores que detinham obrigações uk law submeteram-se ao acordo, como referimos a 9 de Março.
Havia alguma espetativa de quem seria o vencedor deste braço de ferro: A Grécia ou os credores?
Pois terça-feira fica para a história como a dia do pagamento de 435 milhões de euros de obrigações denominadas em UK law... e a Grécia lá se calou e PAGOU.
Quem venceu? Os CREDORES que esperaram.
Ao que parece, 95% desde valor refere-se a obrigações detidas por um fundo especialista em obrigações quase-delinquentes: Dart Management, sediado nas Ilhas Caimão. E é aqui que a "coisa" aquece!
Este fundo granjeou reputação neste tipo de operações tipo braço de ferro. As suas armas são a força da litigância, ou seja, colocam países soberanos em tribunal caso estes não cumpram as suas obrigações e levam o assunto até às últimas consequências.
Certamente que compraram todas as obrigações uk law que puderam, "armaram-se até aos dentes" e esperaram pelo veredicto. Como compraram as obrigações quando estas já estavam em fase de pré-delinquência, o seu valor era já muito baixo e juro não era nem de 5 nem de 10%. Dependendo das maturidades, devem ter recebido juros a rondar os 100%, ou seja, compraram 100 milhões de euros de obrigações e receberam 100 milhões de euros em juros, por exemplo. Nada mau...
A Grécia perdeu, os gregos perderam, mas quem mais perdeu foram os credores que acreditaram na lenga-lenga do tal acordo e o assinaram.
Com a troca de obrigações velhas por novas, as perdas para os credores ascenderam a 72% no dia da assinatura. Mas se adicionarmos as perdas das "velhas" com as perdas a que as "novas" já se submeteram no mercado secundário desde esse dia até hoje, as perdas totais já vão em... 90%
Ou seja, as novas obrigações gregas que ainda nem têm 3 meses já perderam 50% do se valor. Aauuch!
Não são boas notícias para os bancos portugueses que assinaram o acordo...
Às vezes, ficar quieto é a melhor estratégia.
Esta história poderá muito bem servir de lição para os próximos credores que forem submetidos a um "pedido" de perdão de dívida por um qualquer país europeu. Não acreditem no bluff europeu, por favor, e já agora, vendam as obrigações denominadas em lei nacional e comprem obrigações denominadas em uk law.
Notícia aqui
No caso português, lemos em tempos que as obrigações portuguesas estão quase todas denominadas em uk law !!
Tiago Mestre
O que tem a JP Morgan a ver com as dívidas soberanas europeias?
Num artigo espetacular de Chriss Street, lemos uma história linda de se contar:
Soube-se no final da semana passada que a JP Morgan anunciou um prejuízo de 2 mil milhões de dólares num conjunto de ativos em que tinha apostado. Nada se sabia acerca desses ativos e qual a razão para tão avultadas perdas. Jamie Dimon, CEO do banco, informou a comunidade que os prejuízos estavam relacionados com ações menos profissionais de alguns dos colaboradores, e que tais procedimentos seriam alterados, etc, etc. Pelos vistos é tudo conversa.
Aparentemente a JP Morgan percebeu que com o LTRO do BCE seria espectável que as obrigações soberanas aumentassem o seu valor e baixassem o juro. E porquê? Porque o BCE exigiu aos bancos LTRO que adquirissem obrigações como forma de colateralizar o empréstimo.
Jamie Dimon percebeu a jogada antes dos outros e investiu fortemente em produtos financeiros derivados das obrigações. Se as obrigações subissem de valor, Dimon ganhava, se baixassem, perdia. Até Fevereiro a aposta corria lindamente. Os mesmos que agora foram despedidos já imaginavam o bónus no final do ano.
Pois, mas entretanto chega a 2ª semana de Março, e a trajetória das obrigações voltava novamente à perda de valor e aumento dos juros.
A aposta saiu ao contrário, e reportar 2 mil milhões de perdas significa que apostaram em grande. E com que dinheiro? Diretamente da Reserva Federal com juros a 0,25%, patrocinado pelo povo americano.
As perdas foram aliás de 4 ou 5 mil milhões de dólares, mas através da venda de outros ativos derivados, lá reduziram para 2 mil milhões de dólares.
Este é um exemplo claro de como a manipulação central (BCE), com o seu LTRO, induziu os investidores a entrar na estrada tortuosa do price discovery, patrocinados por uma outra manipulação ainda maior, a taxa de juro irrealista de 0,25% que o FED exige a empréstimos ilimitados aos bancos de lá!
Esta manipulação de Ben Bernanke é uma espécie de LTRO made in USA, com caráter permanente
As justificações de Jamie Dimon, à luz destas revelações, consideramo-las como bullshit.
Tiago Mestre
Soube-se no final da semana passada que a JP Morgan anunciou um prejuízo de 2 mil milhões de dólares num conjunto de ativos em que tinha apostado. Nada se sabia acerca desses ativos e qual a razão para tão avultadas perdas. Jamie Dimon, CEO do banco, informou a comunidade que os prejuízos estavam relacionados com ações menos profissionais de alguns dos colaboradores, e que tais procedimentos seriam alterados, etc, etc. Pelos vistos é tudo conversa.
Aparentemente a JP Morgan percebeu que com o LTRO do BCE seria espectável que as obrigações soberanas aumentassem o seu valor e baixassem o juro. E porquê? Porque o BCE exigiu aos bancos LTRO que adquirissem obrigações como forma de colateralizar o empréstimo.
Jamie Dimon percebeu a jogada antes dos outros e investiu fortemente em produtos financeiros derivados das obrigações. Se as obrigações subissem de valor, Dimon ganhava, se baixassem, perdia. Até Fevereiro a aposta corria lindamente. Os mesmos que agora foram despedidos já imaginavam o bónus no final do ano.
Pois, mas entretanto chega a 2ª semana de Março, e a trajetória das obrigações voltava novamente à perda de valor e aumento dos juros.
A aposta saiu ao contrário, e reportar 2 mil milhões de perdas significa que apostaram em grande. E com que dinheiro? Diretamente da Reserva Federal com juros a 0,25%, patrocinado pelo povo americano.
As perdas foram aliás de 4 ou 5 mil milhões de dólares, mas através da venda de outros ativos derivados, lá reduziram para 2 mil milhões de dólares.
Este é um exemplo claro de como a manipulação central (BCE), com o seu LTRO, induziu os investidores a entrar na estrada tortuosa do price discovery, patrocinados por uma outra manipulação ainda maior, a taxa de juro irrealista de 0,25% que o FED exige a empréstimos ilimitados aos bancos de lá!
Esta manipulação de Ben Bernanke é uma espécie de LTRO made in USA, com caráter permanente
As justificações de Jamie Dimon, à luz destas revelações, consideramo-las como bullshit.
Tiago Mestre
BCP faz equilibrismo na barreira dos 10 cêntimos!
As ações do BCP chegaram ontem aos 10 cêntimos, ou 0,10 euros.
Hoje, contra a tendência das restantes cotadas, navega em águas positivas, valorizando 1% para... 0,101 cêntimos!
Acreditamos que haja muita gente no mercado com ordem de compra quando o valor chegar aos 10 cêntimos, daí a tendência positiva, em contra-ciclo com os restantes bancos.
Mas aguardamos o dia em que essas ordens sejam inferiores às ordens de venda e a barreira dos 10 cêntimos seja quebrada... Oops.
Já há muito investidor a perceber que mais más notícias virão do lado do setor bancário este ano. Ninguém quer ficar sentado a ver a sua riqueza esfumar-se.
O fracasso do LTRO, o aumento dos juros soberanos, as quebras na rentabilidade e no volume dos empréstimos da habitação, a delinquência no crédito já concedido, a conjuntura global e razões outras que desconhecemos obrigarão os bancos a reportar prejuízos novamente em 2012.
É o que nos cheira!!
Tiago Mestre
Hoje, contra a tendência das restantes cotadas, navega em águas positivas, valorizando 1% para... 0,101 cêntimos!
Acreditamos que haja muita gente no mercado com ordem de compra quando o valor chegar aos 10 cêntimos, daí a tendência positiva, em contra-ciclo com os restantes bancos.
Mas aguardamos o dia em que essas ordens sejam inferiores às ordens de venda e a barreira dos 10 cêntimos seja quebrada... Oops.
Já há muito investidor a perceber que mais más notícias virão do lado do setor bancário este ano. Ninguém quer ficar sentado a ver a sua riqueza esfumar-se.
O fracasso do LTRO, o aumento dos juros soberanos, as quebras na rentabilidade e no volume dos empréstimos da habitação, a delinquência no crédito já concedido, a conjuntura global e razões outras que desconhecemos obrigarão os bancos a reportar prejuízos novamente em 2012.
É o que nos cheira!!
Tiago Mestre
A inflação é já uma realidade para quem faz contas..
Philippe Gijsels, especialista a fazer contas no BNP Paribas, referiu na CNBC, esse canal tão politicamente correcto, que caso a história se repita, o índice Dow Jones, atualmente a rondar os 12.700 pontos, poderá num prazo de 25 anos chegar aos 100.000 pontos, desde que a história se repita!
E caso a profecia se cumpra, a inflação rondará os 12% ao ano. E porquê?
Porque os bancos centrais estão a imprimir, e porquê?
Porque há muita dívida que tem que ser inflacionada e a realidade mostra que em períodos de dificuldade, os políticos imprimem, que é exatamente o que estão a fazer agora!
Boa, Philippe!
Tiago Mestre
É por causa destes gráficos que Portugal se entalou
Caros leitores e leitoras, Portugal foi um caso de estudo na última década acerca do que não se deve fazer em matérias como rigor orçamental e disciplina financeira.
Muita gente acusa os mercados, e já agora, a falta de estímulo por parte do governo para com a economia, como as principais causas do atual estado de coisas em Portugal. A esquerda diz que o governo é insensível ao desemprego e ao colapso da economia, a direita diz que a austeridade é necessária por várias razões, enfim, um rol de argumentos que no mínimo, deixa confusos os portugueses.
Para ajudar na desmistificação, recorremos novamente ao blog Zerohedge, que é talvez a plataforma de internet mais interessante do planeta sobre economia, política e finanças públicas, para nos ajudar a compreender como está a situação fiscal de Portugal e respetiva comparação com outros países:
Este gráfico informa-nos acerca da dívida pública de cada país em função do seu PIB:
Neste gráfico vemos quanto "comem" os juros da dívida à receita global do Estado
E neste temos o "bolo" total da dívida pública em função da receita total do Estado num ano
De todos eles salta à vista a posição insustentável do Japão.
A austeridade só ainda não chegou lá porque 95% da dívida pública é detida por entidades domésticas: 45% cidadãos japoneses e 55% entidades financeiras, se não nos falha a memória. Ainda vivem imunes à desconfiança externa, mas embarcaram na manipulação das manipulações, porque a confiança interna nestas obrigações aconteceu muito por "culpa" do superavit externo, ou seja, por serem muito exportadores e pouco importadores, estava sempre a entrar mais dinheiro do que a sair, e era preciso fazer alguma coisa com ele. Enfiaram-no nas obrigações "seguríssimas" do Estado, mas desde 2010 que o superavit se transformou em deficit, e o dinheiro começará a escassear para as obrigações, já que é preciso "arranjá-lo" para o entregar ao exterior. O Bando do Japão tem compensado a diferença com a impressão de dinheiro, pelo que este país é um forte candidato à hiper-inflação do século XXI.
E Portugal?
Nós entrámos no pelotão dos mais ricos em todos estes indicadores que acima referimos, mas com uma diferença: nós somos pobres. O nosso PIB per capita está muito abaixo deste pelotão da frente, o crescimento do PIB é ZERO e a nossa dimensão política é curta. Ou seja, enquanto que os outros estão "atolados de dívida até ao pescoço" mas ainda possuem algum músculo para irem sobrevivendo, já nós não é assim. Não geramos a tal riqueza que é tão necessária para aguentar tão pesado fardo.
Estamos no TOP 8 dos países com mais dívida e mais encargos com ela. Pior que nós e da nossa dimensão só mesmo a Grécia. E mais uma vez perguntamos: E porque é que isto aconteceu?
Porque os políticos acreditaram que com o EURO era sempre a abrir e o céu era o limite. Aliás, ainda continuam a acreditar, a julgar por este novo ímpeto de crescimento vs austeridade que tomou as consciências de alguns líderes europeus.
Só os investidores é que saíram da "carruagem", primeiro em 2010 com a Grécia e a Irlanda, depois em 2011 com Portugal, Itália e mais recentemente, em 2012, a Espanha.
E não terão os investidores razão olhando para os gráficos? Nós achamos que sim.
Os EUA e o Reino Unido só não entraram ainda no furacão porque imprimem que nem desalmados, criando uma capa que camufla os seus problemas. Estão a corroer a confiança da moeda na esperança de sobreviver mais um dia, e Obama ainda tem a "lata" de vir dizer que os EUA tomaram as decisões certas a tempo e que a Europa não... Santa paciência!
Acham que sem o EURO teria sido dada a liberdade aos políticos portugueses para embarcarem neste sonho da dívida? Nós não achamos, e com isso não teríamos adiado o inevitável e agravado a nossa posição fiscal. Portugal ter-se-ia reestruturado há muito mais tempo. A austeridade não seria uma opção, mas sim a única opção. O EURO é uma espécie de PAI ausente, mas que gosta de evidenciar aos seus amigos que o seu filho PORTUGAL é um espetáculo, nunca cheira mal!
Tiago Mestre
Muita gente acusa os mercados, e já agora, a falta de estímulo por parte do governo para com a economia, como as principais causas do atual estado de coisas em Portugal. A esquerda diz que o governo é insensível ao desemprego e ao colapso da economia, a direita diz que a austeridade é necessária por várias razões, enfim, um rol de argumentos que no mínimo, deixa confusos os portugueses.
Para ajudar na desmistificação, recorremos novamente ao blog Zerohedge, que é talvez a plataforma de internet mais interessante do planeta sobre economia, política e finanças públicas, para nos ajudar a compreender como está a situação fiscal de Portugal e respetiva comparação com outros países:
Este gráfico informa-nos acerca da dívida pública de cada país em função do seu PIB:
Neste gráfico vemos quanto "comem" os juros da dívida à receita global do Estado
E neste temos o "bolo" total da dívida pública em função da receita total do Estado num ano
De todos eles salta à vista a posição insustentável do Japão.
A austeridade só ainda não chegou lá porque 95% da dívida pública é detida por entidades domésticas: 45% cidadãos japoneses e 55% entidades financeiras, se não nos falha a memória. Ainda vivem imunes à desconfiança externa, mas embarcaram na manipulação das manipulações, porque a confiança interna nestas obrigações aconteceu muito por "culpa" do superavit externo, ou seja, por serem muito exportadores e pouco importadores, estava sempre a entrar mais dinheiro do que a sair, e era preciso fazer alguma coisa com ele. Enfiaram-no nas obrigações "seguríssimas" do Estado, mas desde 2010 que o superavit se transformou em deficit, e o dinheiro começará a escassear para as obrigações, já que é preciso "arranjá-lo" para o entregar ao exterior. O Bando do Japão tem compensado a diferença com a impressão de dinheiro, pelo que este país é um forte candidato à hiper-inflação do século XXI.
E Portugal?
Nós entrámos no pelotão dos mais ricos em todos estes indicadores que acima referimos, mas com uma diferença: nós somos pobres. O nosso PIB per capita está muito abaixo deste pelotão da frente, o crescimento do PIB é ZERO e a nossa dimensão política é curta. Ou seja, enquanto que os outros estão "atolados de dívida até ao pescoço" mas ainda possuem algum músculo para irem sobrevivendo, já nós não é assim. Não geramos a tal riqueza que é tão necessária para aguentar tão pesado fardo.
Estamos no TOP 8 dos países com mais dívida e mais encargos com ela. Pior que nós e da nossa dimensão só mesmo a Grécia. E mais uma vez perguntamos: E porque é que isto aconteceu?
Porque os políticos acreditaram que com o EURO era sempre a abrir e o céu era o limite. Aliás, ainda continuam a acreditar, a julgar por este novo ímpeto de crescimento vs austeridade que tomou as consciências de alguns líderes europeus.
Só os investidores é que saíram da "carruagem", primeiro em 2010 com a Grécia e a Irlanda, depois em 2011 com Portugal, Itália e mais recentemente, em 2012, a Espanha.
E não terão os investidores razão olhando para os gráficos? Nós achamos que sim.
Os EUA e o Reino Unido só não entraram ainda no furacão porque imprimem que nem desalmados, criando uma capa que camufla os seus problemas. Estão a corroer a confiança da moeda na esperança de sobreviver mais um dia, e Obama ainda tem a "lata" de vir dizer que os EUA tomaram as decisões certas a tempo e que a Europa não... Santa paciência!
Acham que sem o EURO teria sido dada a liberdade aos políticos portugueses para embarcarem neste sonho da dívida? Nós não achamos, e com isso não teríamos adiado o inevitável e agravado a nossa posição fiscal. Portugal ter-se-ia reestruturado há muito mais tempo. A austeridade não seria uma opção, mas sim a única opção. O EURO é uma espécie de PAI ausente, mas que gosta de evidenciar aos seus amigos que o seu filho PORTUGAL é um espetáculo, nunca cheira mal!
Tiago Mestre
15 de maio de 2012
Crise financeira: de quem é a culpa? Dos políticos? Ou dos Mercados? (Parte2)
Caros leitores e leitoras, temos ouvido aqui e acolá algumas reacções criticando a vantagem abusiva dos bancos em adquirirem dinheiro ao BCE a 1% e depois investirem-no em obrigações dos países periféricos a 6,7 ou 10%.
Do que conseguimos perceber destas reacções é que os bancos aproveitam-se da condição frágil dos países e ganham dinheiro com isso. Esta argumentação, à primeira vista, até parece "colar o barro à parede". Mas não é bem assim!
Já referimos noutro post com o mesmo título deste, que o juro reflete o risco que o credor pressupõe existir ao transferir temporariamente a alguém uma parte da sua riqueza. O juro é o prémio do risco que o credor toma.
Na nossa análise, se os juros das obrigações estão a 6, 7 10 ou 12%, isso significa que os credores perderam confiança para com o devedor, talvez pelas atitudes irresponsáveis de políticos que abusaram da dívida sem salvaguardarem a sua sustentabilidade.
Vai daí, é nossa opinião que o juro que atualmente se pratica reflete o risco real das dívidas soberanas.
Aliás, o risco real esteve camuflado durante muitos anos com o advento do euro, e os políticos embalaram na lenga-lenga que o risco nominal correspondia ao risco real.. Errado
Por exclusão de partes, consideramos que o problema não está nos mercados mas antes nos empréstimos concedidos pelo BCE a 1%. E porquê?
Por que não correlaciona o juro com o risco dos devedores que se candidataram ao LTRO. O que o BCE fez foi uma manipulação grosseira (entre muitas outras) em que se "esqueceu" dos princípios da boa finança e, em nome dos contribuintes, emprestou com critérios duvidosos, ou até mesmo contraditórios. Do que conhecemos, o BCE exigia aos bancos do LTRO que apresentassem obrigações soberanas como garantia, mas só que também elas são consideradas lixo ou quase. Eis um exemplo de um critério altamente duvidoso. Juro de 1% com maturidade de 3 anos são condições mais do que generosas, são mesmo aviltantes para o cidadão comum. Quem nos dera ter um banco!!
Para se perceber o ridículo da situação:
Caso o banco X não pague ao BCE o que pediu, terá que apresentar as obrigações como garantia, mas que dizer da qualidade destas se são consideradas lixo e perdem valor semana sim semana também? O BCE usou este expediente, não para se salvaguardar, mas para "estimular" os bancos a adquirirem dívida soberana, baixando a percepção de risco deste tipo de ativos e assim ajudar um bocadinho os políticos famintos de credores que lhes emprestem qq coisa.
Mas os mercados, atentos a esta errada avaliação de risco por parte do BCE, tomaram providências para se protegerem. E como?
Identificaram os bancos europeus do LTRO, que são sobretudo do Sul da Europa, e marcaram-nos com um índice: LTRO bank credit spread
Os que não foram ao LTRO ficaram noutro índice: non-LTRO bank credit spread
Feita a análise técnica pelos especialistas, toca de fazer gráficos e atuar em conformidade, cortesia ZeroHedge
O que se percebe do gráfico de cima é que a partir de Março de 2012, após o 2º leilão a 27 de Fevereiro, os LTRO banks começaram a desviar-se nos seus spreads em relação aos que não foram ao LTRO.
O logro estava desmontado e a festa durou um Inverno apenas.
O 2º gráfico diz-nos que entre os 2 leilões, os LTRO banks conseguiram baixar o seu spread (risco), mas rapidamente voltaram para valores pré LTRO já em Maio.
Qual foi a vantagem do LTRO para os políticos?
Comprou 3 meses..
Qual foi a desvantagem do LTRO para todos nós?
1 trilião de euros criados do nada que entraram no balanço dos bancos e na economia sem crescimento económico que justifique tanta entrada de dinheiro.
E já todos sabemos o que acontece quando há mais dinheiro a perseguir os mesmos bens!
A suposta vantagem concedida pelo BCE aos bancos LTRO foi já neutralizada pelos mercados, voltando tudo à estaca zero.
A manipulação, já tantas vezes aqui referida no Contas, é sempre uma aldrabice porque tenta condicionar uma realidade muito mais forte do que a força intrínseca da própria manipulação.
É como a mentira: tem sempre pernas curtas.
Tiago Mestre
Do que conseguimos perceber destas reacções é que os bancos aproveitam-se da condição frágil dos países e ganham dinheiro com isso. Esta argumentação, à primeira vista, até parece "colar o barro à parede". Mas não é bem assim!
Já referimos noutro post com o mesmo título deste, que o juro reflete o risco que o credor pressupõe existir ao transferir temporariamente a alguém uma parte da sua riqueza. O juro é o prémio do risco que o credor toma.
Na nossa análise, se os juros das obrigações estão a 6, 7 10 ou 12%, isso significa que os credores perderam confiança para com o devedor, talvez pelas atitudes irresponsáveis de políticos que abusaram da dívida sem salvaguardarem a sua sustentabilidade.
Vai daí, é nossa opinião que o juro que atualmente se pratica reflete o risco real das dívidas soberanas.
Aliás, o risco real esteve camuflado durante muitos anos com o advento do euro, e os políticos embalaram na lenga-lenga que o risco nominal correspondia ao risco real.. Errado
Por exclusão de partes, consideramos que o problema não está nos mercados mas antes nos empréstimos concedidos pelo BCE a 1%. E porquê?
Por que não correlaciona o juro com o risco dos devedores que se candidataram ao LTRO. O que o BCE fez foi uma manipulação grosseira (entre muitas outras) em que se "esqueceu" dos princípios da boa finança e, em nome dos contribuintes, emprestou com critérios duvidosos, ou até mesmo contraditórios. Do que conhecemos, o BCE exigia aos bancos do LTRO que apresentassem obrigações soberanas como garantia, mas só que também elas são consideradas lixo ou quase. Eis um exemplo de um critério altamente duvidoso. Juro de 1% com maturidade de 3 anos são condições mais do que generosas, são mesmo aviltantes para o cidadão comum. Quem nos dera ter um banco!!
Para se perceber o ridículo da situação:
Caso o banco X não pague ao BCE o que pediu, terá que apresentar as obrigações como garantia, mas que dizer da qualidade destas se são consideradas lixo e perdem valor semana sim semana também? O BCE usou este expediente, não para se salvaguardar, mas para "estimular" os bancos a adquirirem dívida soberana, baixando a percepção de risco deste tipo de ativos e assim ajudar um bocadinho os políticos famintos de credores que lhes emprestem qq coisa.
Mas os mercados, atentos a esta errada avaliação de risco por parte do BCE, tomaram providências para se protegerem. E como?
Identificaram os bancos europeus do LTRO, que são sobretudo do Sul da Europa, e marcaram-nos com um índice: LTRO bank credit spread
Os que não foram ao LTRO ficaram noutro índice: non-LTRO bank credit spread
Feita a análise técnica pelos especialistas, toca de fazer gráficos e atuar em conformidade, cortesia ZeroHedge
O que se percebe do gráfico de cima é que a partir de Março de 2012, após o 2º leilão a 27 de Fevereiro, os LTRO banks começaram a desviar-se nos seus spreads em relação aos que não foram ao LTRO.
O logro estava desmontado e a festa durou um Inverno apenas.
O 2º gráfico diz-nos que entre os 2 leilões, os LTRO banks conseguiram baixar o seu spread (risco), mas rapidamente voltaram para valores pré LTRO já em Maio.
Qual foi a vantagem do LTRO para os políticos?
Comprou 3 meses..
Qual foi a desvantagem do LTRO para todos nós?
1 trilião de euros criados do nada que entraram no balanço dos bancos e na economia sem crescimento económico que justifique tanta entrada de dinheiro.
E já todos sabemos o que acontece quando há mais dinheiro a perseguir os mesmos bens!
A suposta vantagem concedida pelo BCE aos bancos LTRO foi já neutralizada pelos mercados, voltando tudo à estaca zero.
A manipulação, já tantas vezes aqui referida no Contas, é sempre uma aldrabice porque tenta condicionar uma realidade muito mais forte do que a força intrínseca da própria manipulação.
É como a mentira: tem sempre pernas curtas.
Tiago Mestre
14 de maio de 2012
Hugh Hendry vs mediocridade
Caros leitores, gente boa, séria e inteligente merece o nosso maior apreço.
Aldrabões e falsificadores da realidade merecem o nosso desagrado.
Só em raras ocasiões se juntam sérios e aldrabões no mesmo espaço e ao mesmo tempo: a verdade transpira no ar!
Gente séria: Hugh Hendry
Aldrabões: Stiglitz e um qualquer embaixador espanhol no Reino Unido.
Tiago Mestre
Aldrabões e falsificadores da realidade merecem o nosso desagrado.
Só em raras ocasiões se juntam sérios e aldrabões no mesmo espaço e ao mesmo tempo: a verdade transpira no ar!
Aldrabões: Stiglitz e um qualquer embaixador espanhol no Reino Unido.
Tiago Mestre
Podemos aprender com o Estado Novo? Ou ainda é tabu? (Parte 5)
O que pensava Salazar acerca da moeda e da gestão desta em 1933:
"A moeda é uma medida delicada, mas é para servir e não para dominar. Geralmente não se lhe deve mexer e é perigoso tocar-lhe, mas nós vivemos um daqueles raros períodos em que se podia, sem grande perigo e antes com reais vantagens, fazer uma espécie de reajustamento da moeda aos preços em vez de acumular maiores males no ajustamento dos preços à moeda. E nós vimos que, passada a primeira hora de incompreensão ou de dúvida, os benefícios da política adoptada começaram a ser tão sensíveis que parece que nunca mais ninguém falou nisso. As exportações aumentaram, a indústria colheu novas asas, a agricultura sustou a sua marcha para o abismo, o Banco de Portugal continua reforçando as suas reservas de ouro, de modo que espero seja dentro de poucos anos um dos melhores bancos emissores da Europa. "
Tiago Mestre
"A moeda é uma medida delicada, mas é para servir e não para dominar. Geralmente não se lhe deve mexer e é perigoso tocar-lhe, mas nós vivemos um daqueles raros períodos em que se podia, sem grande perigo e antes com reais vantagens, fazer uma espécie de reajustamento da moeda aos preços em vez de acumular maiores males no ajustamento dos preços à moeda. E nós vimos que, passada a primeira hora de incompreensão ou de dúvida, os benefícios da política adoptada começaram a ser tão sensíveis que parece que nunca mais ninguém falou nisso. As exportações aumentaram, a indústria colheu novas asas, a agricultura sustou a sua marcha para o abismo, o Banco de Portugal continua reforçando as suas reservas de ouro, de modo que espero seja dentro de poucos anos um dos melhores bancos emissores da Europa. "
Tiago Mestre
Crise financeira: De quem é a culpa? Dos políticos? Ou dos mercados?
Este artigo é um pouco maior. A história é longa e convêm ser minimamente bem contada!
Desde 2008 que o mundo assiste quase que incrédulo a tudo o que se está a passar nas economias dos países ocidentais. Primeiro foi a recessão em 2009, seguida de estímulos, muitos estímulos.
2010 teve os resultados desses estímulos: algum crescimento e muito, muito endividamento, sobretudo público.
Em 2011 o tal crescimento proveniente dos estímulo começou a esfumar-se.
E 2012 entra em ação com vários países da UE em recessão, e os que não acusam, crescem umas magras décimas acima de zero.
Pergunta: Por que é que desta vez não é como no passado, em que uns pozinhos aqui e acolá do lado público permitiam à economia regressar ao seu crescimento normal, como sempre fora?
Desta vez já não é assim porque para tudo na vida há um limite. Os recursos são finitos e os metros quadrados de superfície terrestre também o são. Crer que há sempre terreno à nossa espera e pronto a utilizar tem sido o "milagre" na salvação de períodos economicamente mais conturbados.
No século passado a classe política embrenhou-se de tal forma na condução das economias ao pknto de achar que nos períodos de recessão deveria interferir, redistribuindo riqueza na tentativa de estimular mais aqui em detrimento de acolá. Infelizmente também descobriu que poderia interferir HOJE recorrendo a energia que vinha do futuro, do AMANHÃ. Essa energia tem um nome: DÍVIDA.
E foi a má conceptualização por parte dos políticos acerca deste tipo de energia que acabou por deixá-los embalar naquilo que se tornou o maior logro das teorias económicas que promovem estímulo público à contração privada: É POSSÍVEL CORRIGIR OS CICLOS ECONÓMICOS.
E com a descoberta desta poção mágica podíamos chegar a outro tipo de conclusões:
Tornava-se possível promover políticas ditas sociais, prometendo sempre, ano após ano, a melhoria das condições de vida das populações, através da incorporação de subsídios, aumento de salários públicos e privados e novas infra-estruturas. Com esta redistribuição de dinheiro assegurava-se um certo socialismo equitativo, agradava-se aos eleitores, e a economia ainda beneficiava, já que mesmo em momentos de contracção, "arranjar" dinheiro vindo do futuro acelerava a recuperação do crescimento económico no presente.
Estava encontrada a fórmula económica perfeita das economias ditas liberais capitalistas. Certo? Errado!
O que talvez não tenha sido percebido pela maioria dos políticos é que quando estamos pouco endividados, uma pequena ajuda vinda do futuro auxilia muito o presente e pouco coarcta o próprio futuro. Mas a repetição mais acelerada desta operação apresenta um duplo efeito: afeta cada vez menos o presente e afeta cada vez mais o futuro.
E à medida que a operação se repete com cada vez maior frequência e intensidade, chega a um ponto em que pouco ou nada influencia o presente e destrói completamente o futuro.
Hoje é o futuro de há 5 anos, como há 5 anos era o futuro de há 10 anos. A fatura tinha que chegar algum dia. O nosso presente, futuro de ontem, apresenta-se já sem força nem energia para pedir mais ao futuro porvir. A fórmula atingiu o seu ponto de saturação, e da magia passámos ao pesadelo.
A saturação acabou por ser "descoberta" pelos credores, não por terem esgotado as suas reservas, mas por terem esgotado a sua confiança para connosco. Desconhecia-se quando descobririam, e tudo se fez para que a realidade fosse camuflada. O próprio Euro foi um disfarce maravilhoso, na medida em que sob o seu chapéu, investidores de todo o mundo acreditaram que a dívida grega a 10 anos possuía o mesmo risco que a alemã.
E foi o disfarce que agravou ainda mais os desequilíbrios, porque quando a percepção de risco é mal calculada, sofre o credor e sofre o devedor, na medida em que os cálculos não refletem a realidade económica do país.
Dum momento para o outro os credores descobrem o logro, e sem apelo nem agravo, decidem declarar num espaço de 2 anos que biliões e biliões de euros de dívida soberana são ativos tóxicos, ou seja, de fugir.
A classe política, lenta a perceber e ainda mais lenta a atuar, chega tarde e adia a resolução do problema, defendendo alguns julgando que assim protege o sistema.
Por nos termos endividado um pouquinho mais por cada dia que passa, o crédito virou descrédito, e a classe política tornou-se no devedor mais perigoso do planeta, e com toda a razão, dizemos nós, porque o que é um facto é que estes nunca se preocuparam em tornar o mercado de obrigações num produto financeiro sustentável. O stock de dívida crescia e ainda cresce na maior parte dos países ocidentais, e é hoje um dado adquirido que ninguém acredita que aquilo seja mesmo para pagar; vai-se gerindo, como alguém dizia.
Na conceção "filosófica" do mercado de obrigações, pressupõe-se que a emissão de dívida por parte dos políticos serve para cobrir despesas que não estão cabimentadas pela receita, e logo por aí há que desconfiar.
Poderia haver um ano ou outro em que recorrer à dívida serviria apenas para cabimentar uma despesa extraordinária ou uma quebra de receita ordinária, mas tal percalço teria que ser corrigido no ano seguinte ou através de um plano credível de pagamentos.
Sabemos que tudo resvalou muito para além deste caso simplista que descrevemos acima. A dívida tornou-se um mecanismo permanente de financiamento das despesas, levando até à exaustão a vontade política em prometer o que não devia.
Serão os "mercados" os culpados? Quanto muito serão cúmplices de alguns crimes, mas não mais do que isso. Não foram eles que forçaram os empréstimos, foram os políticos que dia sim e dia também pediram sem regra aos mercados que lhes emprestassem e que acreditassem na sua palavra, quando por trás nenhuma certeza podiam apresentar aos credores, a não ser o capital humano (contribuintes) que faziam parte do país ou região que lideravam.
O mercado de obrigações cresceu de ano para ano, sofisticou-se e tornou-se altamente apetecível para quem queria investir. Criaram-se instrumentos financeiros: o mercado secundário, os indíces de fundos soberanos, os índices de volatilidade, os respetivos derivados, os seguros contra incumprimento (CDS) e o chamado short selling, que beneficia quem aposta na queda do preço das obrigações mas que prejudica BRUTALMENTE caso subam, devido ao chamado margin call.
Para muitos países ocidentais, a dívida é hoje um mecanismo totalmente insustentável. Atrás da dívida vem o juro, e atrás do juro vem mais dívida, perpetuando-se o ciclo!
Portugal pagava 6 mil milhões de juros em 2007, hoje paga quase 9 mil milhões, tanto como a saúde ou a educação. Pouco faltará para ultrapassar a barreira dos 10 mil milhões de euros. O juro ainda se paga, agora o capital, esse nem vê-lo, ou seja, o stock de dívida está sempre a aumentar. É como se nós pedíssemos um empréstimo e só pagaríamos os juros.
Para terminar, a economia é uma função da energia que o país consegue gerar. Essa energia vem dos recursos naturais e do talento humano da região confinada. A energia só se traduz em riqueza quando se torna útil para produzir algo que é do interesse de alguém.
"Viver acima das nossas possibilidades", como tantas vezes se diz, significa isto mesmo: consumir mais do que se produz, usar mais energia do que aquela que está disponível.
Tudo isto foi possível porque o futuro (a dívida) veio dar uma mãozinha ao nosso presente.
A correção já está em marcha, e infelizmente ela vem sobretudo do lado do consumo.
Tiago Mestre
Desde 2008 que o mundo assiste quase que incrédulo a tudo o que se está a passar nas economias dos países ocidentais. Primeiro foi a recessão em 2009, seguida de estímulos, muitos estímulos.
2010 teve os resultados desses estímulos: algum crescimento e muito, muito endividamento, sobretudo público.
Em 2011 o tal crescimento proveniente dos estímulo começou a esfumar-se.
E 2012 entra em ação com vários países da UE em recessão, e os que não acusam, crescem umas magras décimas acima de zero.
Pergunta: Por que é que desta vez não é como no passado, em que uns pozinhos aqui e acolá do lado público permitiam à economia regressar ao seu crescimento normal, como sempre fora?
Desta vez já não é assim porque para tudo na vida há um limite. Os recursos são finitos e os metros quadrados de superfície terrestre também o são. Crer que há sempre terreno à nossa espera e pronto a utilizar tem sido o "milagre" na salvação de períodos economicamente mais conturbados.
No século passado a classe política embrenhou-se de tal forma na condução das economias ao pknto de achar que nos períodos de recessão deveria interferir, redistribuindo riqueza na tentativa de estimular mais aqui em detrimento de acolá. Infelizmente também descobriu que poderia interferir HOJE recorrendo a energia que vinha do futuro, do AMANHÃ. Essa energia tem um nome: DÍVIDA.
E foi a má conceptualização por parte dos políticos acerca deste tipo de energia que acabou por deixá-los embalar naquilo que se tornou o maior logro das teorias económicas que promovem estímulo público à contração privada: É POSSÍVEL CORRIGIR OS CICLOS ECONÓMICOS.
E com a descoberta desta poção mágica podíamos chegar a outro tipo de conclusões:
Tornava-se possível promover políticas ditas sociais, prometendo sempre, ano após ano, a melhoria das condições de vida das populações, através da incorporação de subsídios, aumento de salários públicos e privados e novas infra-estruturas. Com esta redistribuição de dinheiro assegurava-se um certo socialismo equitativo, agradava-se aos eleitores, e a economia ainda beneficiava, já que mesmo em momentos de contracção, "arranjar" dinheiro vindo do futuro acelerava a recuperação do crescimento económico no presente.
Estava encontrada a fórmula económica perfeita das economias ditas liberais capitalistas. Certo? Errado!
O que talvez não tenha sido percebido pela maioria dos políticos é que quando estamos pouco endividados, uma pequena ajuda vinda do futuro auxilia muito o presente e pouco coarcta o próprio futuro. Mas a repetição mais acelerada desta operação apresenta um duplo efeito: afeta cada vez menos o presente e afeta cada vez mais o futuro.
E à medida que a operação se repete com cada vez maior frequência e intensidade, chega a um ponto em que pouco ou nada influencia o presente e destrói completamente o futuro.
Hoje é o futuro de há 5 anos, como há 5 anos era o futuro de há 10 anos. A fatura tinha que chegar algum dia. O nosso presente, futuro de ontem, apresenta-se já sem força nem energia para pedir mais ao futuro porvir. A fórmula atingiu o seu ponto de saturação, e da magia passámos ao pesadelo.
A saturação acabou por ser "descoberta" pelos credores, não por terem esgotado as suas reservas, mas por terem esgotado a sua confiança para connosco. Desconhecia-se quando descobririam, e tudo se fez para que a realidade fosse camuflada. O próprio Euro foi um disfarce maravilhoso, na medida em que sob o seu chapéu, investidores de todo o mundo acreditaram que a dívida grega a 10 anos possuía o mesmo risco que a alemã.
E foi o disfarce que agravou ainda mais os desequilíbrios, porque quando a percepção de risco é mal calculada, sofre o credor e sofre o devedor, na medida em que os cálculos não refletem a realidade económica do país.
Dum momento para o outro os credores descobrem o logro, e sem apelo nem agravo, decidem declarar num espaço de 2 anos que biliões e biliões de euros de dívida soberana são ativos tóxicos, ou seja, de fugir.
A classe política, lenta a perceber e ainda mais lenta a atuar, chega tarde e adia a resolução do problema, defendendo alguns julgando que assim protege o sistema.
Por nos termos endividado um pouquinho mais por cada dia que passa, o crédito virou descrédito, e a classe política tornou-se no devedor mais perigoso do planeta, e com toda a razão, dizemos nós, porque o que é um facto é que estes nunca se preocuparam em tornar o mercado de obrigações num produto financeiro sustentável. O stock de dívida crescia e ainda cresce na maior parte dos países ocidentais, e é hoje um dado adquirido que ninguém acredita que aquilo seja mesmo para pagar; vai-se gerindo, como alguém dizia.
Na conceção "filosófica" do mercado de obrigações, pressupõe-se que a emissão de dívida por parte dos políticos serve para cobrir despesas que não estão cabimentadas pela receita, e logo por aí há que desconfiar.
Poderia haver um ano ou outro em que recorrer à dívida serviria apenas para cabimentar uma despesa extraordinária ou uma quebra de receita ordinária, mas tal percalço teria que ser corrigido no ano seguinte ou através de um plano credível de pagamentos.
Sabemos que tudo resvalou muito para além deste caso simplista que descrevemos acima. A dívida tornou-se um mecanismo permanente de financiamento das despesas, levando até à exaustão a vontade política em prometer o que não devia.
Serão os "mercados" os culpados? Quanto muito serão cúmplices de alguns crimes, mas não mais do que isso. Não foram eles que forçaram os empréstimos, foram os políticos que dia sim e dia também pediram sem regra aos mercados que lhes emprestassem e que acreditassem na sua palavra, quando por trás nenhuma certeza podiam apresentar aos credores, a não ser o capital humano (contribuintes) que faziam parte do país ou região que lideravam.
O mercado de obrigações cresceu de ano para ano, sofisticou-se e tornou-se altamente apetecível para quem queria investir. Criaram-se instrumentos financeiros: o mercado secundário, os indíces de fundos soberanos, os índices de volatilidade, os respetivos derivados, os seguros contra incumprimento (CDS) e o chamado short selling, que beneficia quem aposta na queda do preço das obrigações mas que prejudica BRUTALMENTE caso subam, devido ao chamado margin call.
Para muitos países ocidentais, a dívida é hoje um mecanismo totalmente insustentável. Atrás da dívida vem o juro, e atrás do juro vem mais dívida, perpetuando-se o ciclo!
Portugal pagava 6 mil milhões de juros em 2007, hoje paga quase 9 mil milhões, tanto como a saúde ou a educação. Pouco faltará para ultrapassar a barreira dos 10 mil milhões de euros. O juro ainda se paga, agora o capital, esse nem vê-lo, ou seja, o stock de dívida está sempre a aumentar. É como se nós pedíssemos um empréstimo e só pagaríamos os juros.
Para terminar, a economia é uma função da energia que o país consegue gerar. Essa energia vem dos recursos naturais e do talento humano da região confinada. A energia só se traduz em riqueza quando se torna útil para produzir algo que é do interesse de alguém.
"Viver acima das nossas possibilidades", como tantas vezes se diz, significa isto mesmo: consumir mais do que se produz, usar mais energia do que aquela que está disponível.
Tudo isto foi possível porque o futuro (a dívida) veio dar uma mãozinha ao nosso presente.
A correção já está em marcha, e infelizmente ela vem sobretudo do lado do consumo.
Tiago Mestre
13 de maio de 2012
Austeridade é coisa má !
Pouco menos de 4 minutos para que qualquer cidadão perceba porque é que a austeridade é tão odiada pela população europeia, sobretudo por aqueles que têm que se sujeitar a ela.
Charles Biderman é muito mais do que um mero consultor financeiro:
Tiago Mestre
Vários líderes a dizerem a mesma coisa! Humm... (Parte 3)
Vendo de fora, pensamos estar a assistir ao pré anúncio de uma decisão conjunta de alguns países do Euro em relação à permanência da Grécia no projeto.
Ora senão, vejamos:
Ministro das Finanças alemão referiu há 1 semana que o Euro está preparado sobreviver sem a Grécia.
Governador do banco da Irlanda e membro do BCE referiu mais ou menos a mesma coisa ontem.
Não acreditamos que estas afirmações sejam desconectadas uma da outra. Acreditamos mesmo que há uma agenda informativa no seio destes grupos para que estas "fugas" de informação se escapem por aqui ou por acolá...
Sem crermos na teoria da conspiração, até é possível que estas tímidas afirmações sejam um teste aos mercados, para ver o que de lá vem. Em bom português: "Apalpar o terreno".
Se as reações forem positivas, talvez esteja montado o cenário..
Só a União Europeia, pela voz de Olli Rhen, é que lá vai dizendo que a saída da Grécia do euro é coisa má... Mas quem é que ainda ouve a Comissão Europeia? Toda a gente sabe que é um orgão esvaziado de poder dentro da UE..
Tiago Mestre
12 de maio de 2012
Brisa do mar, trá lá lá lá lá lá !
De: Williambanzai7
Deste lado do Atlântico já imaginamos Mario Draghi a segurar... Durão Barroso?
Tiago Mestre
11 de maio de 2012
Na hora de verdade... eles imprimem sempre, sempre!
Na hora da verdade, eles imprimem sempre...
Para mal dos nossos pecados, esta afirmação tem-se cumprido religiosamente, qual profecia bíblica.
A União Europeia, depois de uma sesta que durou 4 meses à base de LTRO, volta a estar no epicentro da tempestade com enormes dúvidas acerca da Grécia, Espanha, Itália e tudo quanto cheira mal.
E com esta nova pressão política europeia de retirar (alguma) austeridade a troco de um suposto (falso) crescimento é tanta que já temos a própria Alemanha a tergiversar, ou seja, já há declarações de gente a sugerir que realmente a inflação na Alemanha pode crescer um pouco mais a troco de mais impressão pelo BCE.
Temos que dar os parabéns ao sr. Hollande e ao partido grego Syriza por terem criado as condições para que a pressão junto dos alemães tivesse resultado. E aparentemente resultou.
Titubear desta maneira significa que os próprios alemães não sabem bem o que fazer, e pior que isso, têm medo de fazer o que deve ser feito. Tanto apostam na disciplina financeira e exigem incondicionalmente essa receitas aos outros, como perante o pânico, estendem a farsa mais uns meses.
"Crescimento baseado em dívida levar-nos-á para o início da crise" disse Angela Merkel no Bundestag esta semana, insinuando que estas políticas expansionistas devem ser bem "consideradas".
E o próprio Bundesbank, através de Jens Weidmann, já veio dizer que afinal a Alemanha pode suportar um pouquinho mais de inflação a troco de ajuda suplementar ao resto da Europa, em particular ao Sul. Ou seja, imprimir dinheiro até já nem é tão mau assim.
E nós, que julgávamos que Weidmann estava pior que estragado com a política expansionista do BCE em função das suas recentes declarações, percebemos agora que outras forças se impõe: políticas, claro..
Ainda ontem aqui no Contas tentámos! ajudar os alemães a perceber a insustentabilidade (cultural) deste caminho, mas enfim, a história política recente da Alemanha, como também já evidenciámos aqui no Contas, não é muito dada a princípios nem à moralidade, sobretudo nos momentos difíceis.
Até nós, cidadãos anónimos que tentamos formar uma opinião esclarecida, vemo-nos cada vez mais na dúvida e na desconfiança.
Ter uma opinião hoje é sempre coisa de curta duração, dada a volatilidade das mentes europeias.
Se repararem, esta vontade de equilíbrio orçamental é hoje apenas defendida pela... Alemanha, e às vezes!
O restante planeta "ocidental" clama por mais dívida por e mais impressão de dinheiro:
Barack Obama, para gastar 200 mil milhões de dólares por mês, 100 vêm de impostos e os outros 100 vêm de nova dívida emitida!! Isto não é consolidação nem crescimento: é uma insanidade, pura e dura!
O Japão apresenta o mesmo rácio: metade da receita vem dos impostos e outra metade vem de endividamento.
Hollande e Cameron prometem o que não podem, sendo que Cameron tem um parceiro no crime: o banco de Inglaterra, que copia fielmente o que a Reserva Federal de mal faz.
O que será preciso fazer para esclarecer a população mundial de que a impressão de moeda é um imposto silencioso que recai sobre todos, de forma injusta e cobarde?
E que ministrado em doses massivas descredibiliza a moeda ao ponto de ninguém querer ficar com ela e de com esta nada se conseguir comprar?
E que ninguém sabe em que momento a desconfiança da população atinge um patamar em que a destruição da confiança e do valor da moeda se auto-alimente?
A China e outros países desenvolvidos, como a Suécia e a Noruega, que optaram pelo equilíbrio orçamental, pouco falam sobre o "segredo" do seu sucesso.
A causa parece mesmo perdida!
Tiago Mestre
Para mal dos nossos pecados, esta afirmação tem-se cumprido religiosamente, qual profecia bíblica.
A União Europeia, depois de uma sesta que durou 4 meses à base de LTRO, volta a estar no epicentro da tempestade com enormes dúvidas acerca da Grécia, Espanha, Itália e tudo quanto cheira mal.
E com esta nova pressão política europeia de retirar (alguma) austeridade a troco de um suposto (falso) crescimento é tanta que já temos a própria Alemanha a tergiversar, ou seja, já há declarações de gente a sugerir que realmente a inflação na Alemanha pode crescer um pouco mais a troco de mais impressão pelo BCE.
Temos que dar os parabéns ao sr. Hollande e ao partido grego Syriza por terem criado as condições para que a pressão junto dos alemães tivesse resultado. E aparentemente resultou.
Titubear desta maneira significa que os próprios alemães não sabem bem o que fazer, e pior que isso, têm medo de fazer o que deve ser feito. Tanto apostam na disciplina financeira e exigem incondicionalmente essa receitas aos outros, como perante o pânico, estendem a farsa mais uns meses.
"Crescimento baseado em dívida levar-nos-á para o início da crise" disse Angela Merkel no Bundestag esta semana, insinuando que estas políticas expansionistas devem ser bem "consideradas".
E o próprio Bundesbank, através de Jens Weidmann, já veio dizer que afinal a Alemanha pode suportar um pouquinho mais de inflação a troco de ajuda suplementar ao resto da Europa, em particular ao Sul. Ou seja, imprimir dinheiro até já nem é tão mau assim.
E nós, que julgávamos que Weidmann estava pior que estragado com a política expansionista do BCE em função das suas recentes declarações, percebemos agora que outras forças se impõe: políticas, claro..
Ainda ontem aqui no Contas tentámos! ajudar os alemães a perceber a insustentabilidade (cultural) deste caminho, mas enfim, a história política recente da Alemanha, como também já evidenciámos aqui no Contas, não é muito dada a princípios nem à moralidade, sobretudo nos momentos difíceis.
Até nós, cidadãos anónimos que tentamos formar uma opinião esclarecida, vemo-nos cada vez mais na dúvida e na desconfiança.
Ter uma opinião hoje é sempre coisa de curta duração, dada a volatilidade das mentes europeias.
Se repararem, esta vontade de equilíbrio orçamental é hoje apenas defendida pela... Alemanha, e às vezes!
O restante planeta "ocidental" clama por mais dívida por e mais impressão de dinheiro:
Barack Obama, para gastar 200 mil milhões de dólares por mês, 100 vêm de impostos e os outros 100 vêm de nova dívida emitida!! Isto não é consolidação nem crescimento: é uma insanidade, pura e dura!
O Japão apresenta o mesmo rácio: metade da receita vem dos impostos e outra metade vem de endividamento.
Hollande e Cameron prometem o que não podem, sendo que Cameron tem um parceiro no crime: o banco de Inglaterra, que copia fielmente o que a Reserva Federal de mal faz.
O que será preciso fazer para esclarecer a população mundial de que a impressão de moeda é um imposto silencioso que recai sobre todos, de forma injusta e cobarde?
E que ministrado em doses massivas descredibiliza a moeda ao ponto de ninguém querer ficar com ela e de com esta nada se conseguir comprar?
E que ninguém sabe em que momento a desconfiança da população atinge um patamar em que a destruição da confiança e do valor da moeda se auto-alimente?
A China e outros países desenvolvidos, como a Suécia e a Noruega, que optaram pelo equilíbrio orçamental, pouco falam sobre o "segredo" do seu sucesso.
A causa parece mesmo perdida!
Tiago Mestre
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