Como nós a compreendemos.
Notícia aqui
Tiago Mestre
15 de março de 2012
Com a seca haverá menor produção de cereais, logo os preços irão subir. Será?
Caros leitores, a seca que Portugal atravessa terá efeitos irreversíveis na produção de cereais.
Se a produção diminui, pressupõe-se que o preço irá aumentar, mesmo com um consumo estagnado ou até em recessão. Infelizmente este pressuposto não é verdade, prejudicando duplamente os produtores. Porquê?
Portugal importa grandes quantidades de cereais todos os anos, e portanto uma quebra na produção nacional não é suficiente para alterar a estrutura de preços. Como já dependemos muito do exterior (mais de 70%), uma quebra de 50% na produção nacional equivalerá a uma redução na oferta ao consumidor de 15%. O défice na produção portuguesa será facilmente neutralizado em aquisições adicionais ao estrangeiro. E como esse acréscimo de aquisições ao estrangeiro é irrisório no contexto de produção mundial, os preços manter-se-ão sem oscilações significativas.
Quem fica a perder são os produtores, que ao verem a produção cair, não vêem os custos a cair proporcionalmente, e com o preço de venda a não subir, ficam duplamente penalizados.
Estas não são boas notícias para os produtores de cereais de Verão (milho) e de Inverno (trigo e aveia).
Menos agricultura significa mais importações. Mais importações significam agravamento da balança comercial e maior esforço pedido às exportações. São Pedro não nos está a ajudar!
Tiago Mestre
Se a produção diminui, pressupõe-se que o preço irá aumentar, mesmo com um consumo estagnado ou até em recessão. Infelizmente este pressuposto não é verdade, prejudicando duplamente os produtores. Porquê?
Portugal importa grandes quantidades de cereais todos os anos, e portanto uma quebra na produção nacional não é suficiente para alterar a estrutura de preços. Como já dependemos muito do exterior (mais de 70%), uma quebra de 50% na produção nacional equivalerá a uma redução na oferta ao consumidor de 15%. O défice na produção portuguesa será facilmente neutralizado em aquisições adicionais ao estrangeiro. E como esse acréscimo de aquisições ao estrangeiro é irrisório no contexto de produção mundial, os preços manter-se-ão sem oscilações significativas.
Quem fica a perder são os produtores, que ao verem a produção cair, não vêem os custos a cair proporcionalmente, e com o preço de venda a não subir, ficam duplamente penalizados.
Estas não são boas notícias para os produtores de cereais de Verão (milho) e de Inverno (trigo e aveia).
Menos agricultura significa mais importações. Mais importações significam agravamento da balança comercial e maior esforço pedido às exportações. São Pedro não nos está a ajudar!
Tiago Mestre
14 de março de 2012
Inflação sobe em Fevereiro face a Janeiro !
Caros leitores e leitoras, num país que está em plena recessão, com os salários e subsídios a serem reduzidos todos os dias, a inflação teima em não baixar.
O INE publicou a inflação do IPC (Índice de preços ao consumidor) para Fevereiro de 2012 e a percentagem foi de 3,7% face a Fevereiro de 2011. De Janeiro de 2012 para Fevereiro de 2012 a taxa de inflação subiu 0,1 pontos percentuais.
Descontando a energia e os bens alimentares, a inflação foi de 2,2% face a Fevereiro de 2011!
Temos esta situação curiosa:
Deflação nos salários e inflação nos bens!
Estamos duplamente a perder poder de compra.
E porquê? Leia aqui
Tiago Mestre
O INE publicou a inflação do IPC (Índice de preços ao consumidor) para Fevereiro de 2012 e a percentagem foi de 3,7% face a Fevereiro de 2011. De Janeiro de 2012 para Fevereiro de 2012 a taxa de inflação subiu 0,1 pontos percentuais.
Descontando a energia e os bens alimentares, a inflação foi de 2,2% face a Fevereiro de 2011!
Temos esta situação curiosa:
Deflação nos salários e inflação nos bens!
Estamos duplamente a perder poder de compra.
E porquê? Leia aqui
Tiago Mestre
3, 2, 1... Start your printers ! (Parte 2)
Em Outubro de 2011 publicámos um pequeno post que refletia sobre a vontade dos governadores de bancos centrais em imprimir dinheiro como forma de manter as economias e o sistema bancário à tona de água. Na altura o BCE já comprava grandes quantidades de dívida soberana, o Banco de Inglaterra a mesma coisa mas apenas para as obrigações inglesas, o Banco do Japão idem, a China idem e a Reserva Federal, de forma mais velada (manipulando as taxas de juro nos leilões de dívida americana) também. O Banco Nacional Suíço também decidiu imprimir moeda para conter a subida do franco suíço, etc, etc.
Percebemos hoje que os motores das impressores nessa altura começavam apenas a aquecer. Com todo o nervosismo que se acumulou em 2011 e que "explodiu" em Novembro, sobretudo na Europa, o recém-chegado presidente do BCE Mario Draghi decide atuar com mais veemência no mercado bancário, emprestando ainda mais dinheiro e em condições bem mais favoráveis a qualquer banco, desde que apresentasse como colateral ativos que já pouco ou nada valem. A operação LTRO teve a primeira fase em final de Dezembro e a segunda fase em Fevereiro. Houve bancos que aceitaram a "oferta" e outros houve que acharam o risco de dependerem do BCE mais prejudicial do que benéfico. Enfim, com esta injeção massiva de dinheiro no mercado bancário, muito do nervosismo do dia-a-dia dissipou-se.
Com o passar de Janeiro e Fevereiro, o mundo financeiro apercebeu-se de que afinal alguma da relutância que havia por parte da Alemanha na impressão de dinheiro pelo BCE era afinal mais "letra" do que ação. Era isto que faltava aos investidores e aos banqueiros para voltarem a fazer o que sempre fizeram: comprar ações de outras companhias e das suas próprias, investir em dívida soberana de países insustentáveis, emprestar sem regra, agigantar ainda mais os próprios bancos tornando-os cada vez mais frágeis.
Ou seja, o BCE com o consentimento dos restantes bancos centrais deu mais um balão de oxigénio ao mundo financeiro, evitando reformas e preservando o modo de actuar business as usual.
Dito isto, fica a sensação de que não mais haverá no curto prazo problemas de liquidez nos bancos, mesmo os que estão falidos, na medida em que os bancos centrais, perante o aperto de Novembro de 2011, aliviaram tudo o que era regra de boa arte no negócio bancário.
Já em Março de 2012 Mario Draghi afirmou que caso o colateral oferecido pelos bancos para a obtenção de empréstimos seja de qualidade inferior às exigências do BCE, Draghi baixará essas mesmas exigências. Tudo está feito para que o risco sistémico dos bancos se transfira para o sistema público e para a moeda que todos nós utilizamos e que supostamente deveríamos confiar. Até sugerimos a Draghi outra coisa: elimine a necessidade de colateral! Empreste simplesmente o que os bancos precisarem sem pedir garantias de espécie alguma, e assim, de uma só vez, transfere todo o risco do privado para o público.
Todas estas benesses foram do agrado dos investidores e a corrida às bolsas e à dívida soberana dos países que estão no limbo (Itália, Espanha, Bélgica, etc) voltou novamente.
Conclusão: Se Trichet já era um mãos largas, Draghi é muito mais, e talvez fosse esta a engrenagem que faltava na mega impressão de dinheiro que se espera neste planeta Terra nos próximos anos.
Sempre que houver um aperto já sabem, os governadores dos bancos centrais (políticos) sucumbirão aos princípios morais que devem reger qualquer cidadão, só para que se salve mais um dia.
Tiago Mestre
Percebemos hoje que os motores das impressores nessa altura começavam apenas a aquecer. Com todo o nervosismo que se acumulou em 2011 e que "explodiu" em Novembro, sobretudo na Europa, o recém-chegado presidente do BCE Mario Draghi decide atuar com mais veemência no mercado bancário, emprestando ainda mais dinheiro e em condições bem mais favoráveis a qualquer banco, desde que apresentasse como colateral ativos que já pouco ou nada valem. A operação LTRO teve a primeira fase em final de Dezembro e a segunda fase em Fevereiro. Houve bancos que aceitaram a "oferta" e outros houve que acharam o risco de dependerem do BCE mais prejudicial do que benéfico. Enfim, com esta injeção massiva de dinheiro no mercado bancário, muito do nervosismo do dia-a-dia dissipou-se.
Com o passar de Janeiro e Fevereiro, o mundo financeiro apercebeu-se de que afinal alguma da relutância que havia por parte da Alemanha na impressão de dinheiro pelo BCE era afinal mais "letra" do que ação. Era isto que faltava aos investidores e aos banqueiros para voltarem a fazer o que sempre fizeram: comprar ações de outras companhias e das suas próprias, investir em dívida soberana de países insustentáveis, emprestar sem regra, agigantar ainda mais os próprios bancos tornando-os cada vez mais frágeis.
Ou seja, o BCE com o consentimento dos restantes bancos centrais deu mais um balão de oxigénio ao mundo financeiro, evitando reformas e preservando o modo de actuar business as usual.
Dito isto, fica a sensação de que não mais haverá no curto prazo problemas de liquidez nos bancos, mesmo os que estão falidos, na medida em que os bancos centrais, perante o aperto de Novembro de 2011, aliviaram tudo o que era regra de boa arte no negócio bancário.
Já em Março de 2012 Mario Draghi afirmou que caso o colateral oferecido pelos bancos para a obtenção de empréstimos seja de qualidade inferior às exigências do BCE, Draghi baixará essas mesmas exigências. Tudo está feito para que o risco sistémico dos bancos se transfira para o sistema público e para a moeda que todos nós utilizamos e que supostamente deveríamos confiar. Até sugerimos a Draghi outra coisa: elimine a necessidade de colateral! Empreste simplesmente o que os bancos precisarem sem pedir garantias de espécie alguma, e assim, de uma só vez, transfere todo o risco do privado para o público.
Todas estas benesses foram do agrado dos investidores e a corrida às bolsas e à dívida soberana dos países que estão no limbo (Itália, Espanha, Bélgica, etc) voltou novamente.
Conclusão: Se Trichet já era um mãos largas, Draghi é muito mais, e talvez fosse esta a engrenagem que faltava na mega impressão de dinheiro que se espera neste planeta Terra nos próximos anos.
Sempre que houver um aperto já sabem, os governadores dos bancos centrais (políticos) sucumbirão aos princípios morais que devem reger qualquer cidadão, só para que se salve mais um dia.
Tiago Mestre
13 de março de 2012
6º Post: A energia (renovável) somos nós - O contexto que levou à demissão do secretário de estado da energia
Caros leitores e leitoras, não esperávamos já em Março 2012 que aparecessem notícias sobre a barafunda energética em que Portugal e os portugueses por arrasto estão metidos.
Com a demissão do secretário de estado da energia, Henrique Gomes, reabre uma ferida bem profunda que só deveria aparecer lá para Outubro de 2012, quando se renegociassem as tarifas da energia para 2013.
Esta ferida chama-se: DÉFICE TARIFÁRIO
Abordámos aqui no Contas de forma exaustiva ao longo de Agosto, Setembro e Outubro de 2011 todo este dossier, com os posts intitulados "A energia (renovável) somos nós"
A energia (renovável) somos nós porque somos nós, cidadãos consumidores, que a estamos a pagar a um preço bem acima da energia produzida em centrais térmicas e termoelétricas.
Henrique Gomes, tanto quanto conseguimos perceber, tinha a vontade de baixar o valor destes subsídios pagos à EDP e a outras empresas produtoras, minimizando o impacto no aumento do preço da energia aos consumidores.
Mantendo as rendas à EDP, aos outros produtores e não aumentando o défice tarifário para 2012, o aumento de preço deveria ser de 30% em 2012. Esta era a proposta do PS, mas Passos Coelho e Álvaro Santos Pereira decidiram adiar este embate para 2013. Em Novembro de 2011 Álvaro Santos Pereira e Henrique Gomes tentaram reduzir essas rendas, mas tal decisão pressupunha violação unilateral de contrato, e a EDP (e bem) defendeu-se juridicamente. A negociação falhou e ficou a promessa que depois da privatização da EDP o assunto seria retomado. Henrique Gomes consentiu a espera, e não percebeu ou não quis perceber que o adiamento era de carácter perpétuo e não temporário. Quando percebeu essa nuance fez aquilo que um homem de princípios deve fazer: demitir-se.
Toda esta trapalhada deriva da monumental asneira política de subsidiar as energias renováveis sem haver dinheiro para o fazer. Não discutimos a nobreza e a categoria tecnológica que tais avanços garantem ao país, mas se não há dinheiro, é nossa opinião aqui no Contas que não se deve fazer.
Explicámos em Agosto de 2011 esta questão da subsidiação às renováveis e respetivas consequências.
Henrique Gomes sabe que o aumento da energia eléctrica para 2013 será bem superior a 20% caso não se mexam nos contratos. O Governo não quer anunciar para já aumentos dessa dimensão, mas também não quer mexer nos contratos - e Henrique Gomes demite-se por não poder aceitar esta criatividade política à boa maneira dos líderes europeus. Esperamos não estar a fugir muito à verdade.
Veremos a criatividade de Passos Coelho em querer agradar a gregos e a troianos!
Nós aqui no Contas já temos um conjunto de sugestões para Passos "resolver" este problema: (esperamos que não leia):
1. Incluir o défice e a dívida energética na dívida pública;
2. Estipular aumentos das tarifas mais "suaves" ao longo dos próximos anos, aproximando gradualmente as tarifas aos custos totais com a produção de energia elétrica;
3. "Tentar" reduzir alguns custos com as rendas oferecendo outras contrapartidas aos chineses, nomeadamente a venda de outros monopólios a estes, como o das águas e esgotos, ou dos lixos, enfim!;
4. Pedir à troika que introduza no segundo resgate (que todos ainda o negam) mais dinheiro que permita acomodar esta dívida energética do passado "transformada" em dívida pública e alguma que ainda venha a subsistir enquanto não houver equilíbrio entre tarifário e custos de produção.
Quais as consequências nefastas deste tipo de decisões?
Aumenta-se a dívida pública mais uns milhares de milhão e adia-se para o futuro as verdadeiras reformas que deveriam estar já a ocorrer, nomeadamente a redução da produção e da subsidiação de energia eólica.
Tiago Mestre
Com a demissão do secretário de estado da energia, Henrique Gomes, reabre uma ferida bem profunda que só deveria aparecer lá para Outubro de 2012, quando se renegociassem as tarifas da energia para 2013.
Esta ferida chama-se: DÉFICE TARIFÁRIO
Abordámos aqui no Contas de forma exaustiva ao longo de Agosto, Setembro e Outubro de 2011 todo este dossier, com os posts intitulados "A energia (renovável) somos nós"
A energia (renovável) somos nós porque somos nós, cidadãos consumidores, que a estamos a pagar a um preço bem acima da energia produzida em centrais térmicas e termoelétricas.
Henrique Gomes, tanto quanto conseguimos perceber, tinha a vontade de baixar o valor destes subsídios pagos à EDP e a outras empresas produtoras, minimizando o impacto no aumento do preço da energia aos consumidores.
Mantendo as rendas à EDP, aos outros produtores e não aumentando o défice tarifário para 2012, o aumento de preço deveria ser de 30% em 2012. Esta era a proposta do PS, mas Passos Coelho e Álvaro Santos Pereira decidiram adiar este embate para 2013. Em Novembro de 2011 Álvaro Santos Pereira e Henrique Gomes tentaram reduzir essas rendas, mas tal decisão pressupunha violação unilateral de contrato, e a EDP (e bem) defendeu-se juridicamente. A negociação falhou e ficou a promessa que depois da privatização da EDP o assunto seria retomado. Henrique Gomes consentiu a espera, e não percebeu ou não quis perceber que o adiamento era de carácter perpétuo e não temporário. Quando percebeu essa nuance fez aquilo que um homem de princípios deve fazer: demitir-se.
Toda esta trapalhada deriva da monumental asneira política de subsidiar as energias renováveis sem haver dinheiro para o fazer. Não discutimos a nobreza e a categoria tecnológica que tais avanços garantem ao país, mas se não há dinheiro, é nossa opinião aqui no Contas que não se deve fazer.
Explicámos em Agosto de 2011 esta questão da subsidiação às renováveis e respetivas consequências.
Henrique Gomes sabe que o aumento da energia eléctrica para 2013 será bem superior a 20% caso não se mexam nos contratos. O Governo não quer anunciar para já aumentos dessa dimensão, mas também não quer mexer nos contratos - e Henrique Gomes demite-se por não poder aceitar esta criatividade política à boa maneira dos líderes europeus. Esperamos não estar a fugir muito à verdade.
Veremos a criatividade de Passos Coelho em querer agradar a gregos e a troianos!
Nós aqui no Contas já temos um conjunto de sugestões para Passos "resolver" este problema: (esperamos que não leia):
1. Incluir o défice e a dívida energética na dívida pública;
2. Estipular aumentos das tarifas mais "suaves" ao longo dos próximos anos, aproximando gradualmente as tarifas aos custos totais com a produção de energia elétrica;
3. "Tentar" reduzir alguns custos com as rendas oferecendo outras contrapartidas aos chineses, nomeadamente a venda de outros monopólios a estes, como o das águas e esgotos, ou dos lixos, enfim!;
4. Pedir à troika que introduza no segundo resgate (que todos ainda o negam) mais dinheiro que permita acomodar esta dívida energética do passado "transformada" em dívida pública e alguma que ainda venha a subsistir enquanto não houver equilíbrio entre tarifário e custos de produção.
Quais as consequências nefastas deste tipo de decisões?
Aumenta-se a dívida pública mais uns milhares de milhão e adia-se para o futuro as verdadeiras reformas que deveriam estar já a ocorrer, nomeadamente a redução da produção e da subsidiação de energia eólica.
Tiago Mestre
Mais Moral Hazard - Espanha alivia metas do défice!
Espanha já não terá que cumprir 4,4% de défice público para 2012, conforme estava acordado. Rajoy "pediu" à UE que concedesse uma folga para que o défice seja de 5,8%. A UE percebeu a situação mas "pediu" à Espanha que afinal baixasse para 5,3%.
Ou seja, passa de 4,4% para 5,3%: uma diferença de 0,9% do PIB, ou aproximadamente 9 mil milhões de euros de diferença.
Este tipo de decisões são uma constante na UE. Nesta insane vontade de manter a coesão a tudo o custo, tem que ceder e declarar exceções para tudo e para todos.
Salva-se o dia de hoje, mas prejudica o dia de manhã. Sem argumentos para o futuro, a UE terá que autorizar aos outros países (caso o queiram) aquilo que autorizou a Espanha. E assim os desequilíbrios adensam-se, a moralidade perde-se e a autoridade passa a ser uma anedota. Aliás, a UE só conseguiu exercer alguma autoridade quando os países ficaram sem financiamento, na medida em que violaram sistematicamente os acordos de Maastricht e as regras básicas de responsabilidade orçamental, não tendo outra alternativa senão estenderem a mão à UE e à Alemanha.
Esta é a verdade da política da UE: gente que comete erros na conceção, sem coragem para reformar nem para defender princípios morais e éticos, persistindo em "resolver" erros com mais erros e trazendo cada vez mais incerteza às populações e ao regime democrático. MORAL HAZARD, meus caros.
Tiago Mestre
Ou seja, passa de 4,4% para 5,3%: uma diferença de 0,9% do PIB, ou aproximadamente 9 mil milhões de euros de diferença.
Este tipo de decisões são uma constante na UE. Nesta insane vontade de manter a coesão a tudo o custo, tem que ceder e declarar exceções para tudo e para todos.
Salva-se o dia de hoje, mas prejudica o dia de manhã. Sem argumentos para o futuro, a UE terá que autorizar aos outros países (caso o queiram) aquilo que autorizou a Espanha. E assim os desequilíbrios adensam-se, a moralidade perde-se e a autoridade passa a ser uma anedota. Aliás, a UE só conseguiu exercer alguma autoridade quando os países ficaram sem financiamento, na medida em que violaram sistematicamente os acordos de Maastricht e as regras básicas de responsabilidade orçamental, não tendo outra alternativa senão estenderem a mão à UE e à Alemanha.
Esta é a verdade da política da UE: gente que comete erros na conceção, sem coragem para reformar nem para defender princípios morais e éticos, persistindo em "resolver" erros com mais erros e trazendo cada vez mais incerteza às populações e ao regime democrático. MORAL HAZARD, meus caros.
Tiago Mestre
12 de março de 2012
A distribuição de terras pelo Estado à população já foi tentada em 1975. Convêm que a história não se repita desta vez.. (Conclusão)
Continuação do post anterior
11. Se estes assuntos não forem explicados a quem pretende investir, os terrenos não serão devidamente explorados e o investimento não se rentabilizará.
Suspeitamos que face às restrições e aos conhecimentos que a agricultura exige, estas terras serão tendencialmente arrendadas por quem já possui máquinas, ferramentas e explorações latifundiárias em zonas adjacentes. É muito difícil para um pequeno investidor obter os meios e gastar o dinheiro de forma produtiva num terreno que não é dele. E se o senhorio não possuir condições para investir, nomeadamente na captação de água, na transmissão de conhecimento e na gestão das terras por forma a promover economias de escala, dificilmente o pequeno investidor será auxiliado.
Se não se contrariar esta tendência "natural", estas terras servirão tendencialmente quem já é latifundiário, promovendo eventuais fenómenos de injustiça para com os "pequenos" e destruindo o espírito do projecto aquando da sua conceção. A não ser que estejamos enganados quanto ao cariz social desta política.
Tiago Mestre
11. Se estes assuntos não forem explicados a quem pretende investir, os terrenos não serão devidamente explorados e o investimento não se rentabilizará.
Suspeitamos que face às restrições e aos conhecimentos que a agricultura exige, estas terras serão tendencialmente arrendadas por quem já possui máquinas, ferramentas e explorações latifundiárias em zonas adjacentes. É muito difícil para um pequeno investidor obter os meios e gastar o dinheiro de forma produtiva num terreno que não é dele. E se o senhorio não possuir condições para investir, nomeadamente na captação de água, na transmissão de conhecimento e na gestão das terras por forma a promover economias de escala, dificilmente o pequeno investidor será auxiliado.
Se não se contrariar esta tendência "natural", estas terras servirão tendencialmente quem já é latifundiário, promovendo eventuais fenómenos de injustiça para com os "pequenos" e destruindo o espírito do projecto aquando da sua conceção. A não ser que estejamos enganados quanto ao cariz social desta política.
Tiago Mestre
A distribuição de terras pelo Estado à população já foi tentada em 1975. Convêm que a história não se repita desta vez.. (Parte 2)
Continuação do post anterior
4. Energia Eléctrica
Para uma exploração agrícola funcionar de forma produtiva, a energia eléctrica é muito importante. Com energia eléctrica é possível movimentar águas de um lado para o outro, automatizar regas, fornecer iluminação e garantir condições mínimas para o agricultor que passa várias horas por dia horas na propriedade.
A automatização da rega permite poupar muito tempo ao arrendatário, tornar a exploração mais rentável, adequar os períodos de rega às necessidades da cultura e muito importante, permitir a rega em período noturno. Como durante a noite as temperaturas atmosféricas e do terreno são mais baixas do que durante o dia, a água evapora em muito menor quantidade. Por outro lado, em culturas hortículas a rega por aspersor durante o dia provoca choques térmicos na folhagem, podendo atrair doenças para a cultura.
5. Adubos para enriquecer a terra
Existem muitos tipos de adubos. É preciso saber adequar o tipo de adubo em função dos terrenos, das culturas, do tipo de rega, etc. A gestão dos adubos requer bastante conhecimento para que o investimento não seja desperdiçado. Se no terreno estiver instalado um sistema de rega gota-a-gota ou de fita, os adubos líquidos que se misturam na água podem ser uma boa solução. Nesta questão é fundamental a ajuda de gente especializada
6. Mexer a terra periodicamente
As terras devem ser tratadas periodicamente. Preferencialmente devem ser fresadas/lavradas após o terminus da cultura e fresadas antes de se iniciar a semeadura. Se a terra não for mexida torna-se muito mais difícil trabalhá-la, sobretudo no acto da semeadura. Se a terra for do tipo barrenta e não for mexida, pode dar-se o caso de não ser possível trabalhar nela, de todo! Só com economia de escala fará sentido tratar das terras. Um trator e respetivas alfaias é um grande investimento para cada pequeno agricultor. Se o senhorio não gerir o processo, os investidores poderão facilmente abandonar as terras só por este motivo.
7. Doenças e respectivo tratamento
Para cada árvore de fruto, para cada hortícula e para cada cada tipo de terreno e zona, as doenças variam em toda a forma e feitio. É importante os arrendatários saberem que tipo de doenças mais comuns aparecem na zona e quais os tratamentos mais adequados. Também nesta matéria há muitas opções no mercado e para que o investimento não seja em vão é fundamental recorrer a pessoas com experiência na matéria.
8. Podar as árvores de fruto
A actividade de podar as árvores de fruto deve ser executada por pessoas especialistas na matéria. Podar é uma arte e não apenas cortar uns ramos aqui e acolá. esta atividade merece a maior atenção para que a árvore "rebente" com força na primavera.
9. Furtos
Se as propriedades não forem muradas ou vigiadas há grande probabilidade de ocorrerem furtos, sobretudo se o cultivo for de hortículas e tubérculos. Tais furtos inviabilizam o investimento e desmotivam o arrendatário. Para se murar é preciso muito investimento, e caberá ao senhorio efetuá-lo. Possuirá dinheiro para tal?
10. Agricultura biológica
Esta é uma área produtiva que exige ao investidor possuir conhecimentos sobre a agricultura convencional. Só depois de conhecer os limites das terras, das culturas, da água, da atmosfera, das curas e dos adubos é que se pode investir na agricultura biológica. Mais do que nunca, nesta área específica da agricultura, o conhecimento é fundamental.
Termina no próximo post
Tiago Mestre
4. Energia Eléctrica
Para uma exploração agrícola funcionar de forma produtiva, a energia eléctrica é muito importante. Com energia eléctrica é possível movimentar águas de um lado para o outro, automatizar regas, fornecer iluminação e garantir condições mínimas para o agricultor que passa várias horas por dia horas na propriedade.
A automatização da rega permite poupar muito tempo ao arrendatário, tornar a exploração mais rentável, adequar os períodos de rega às necessidades da cultura e muito importante, permitir a rega em período noturno. Como durante a noite as temperaturas atmosféricas e do terreno são mais baixas do que durante o dia, a água evapora em muito menor quantidade. Por outro lado, em culturas hortículas a rega por aspersor durante o dia provoca choques térmicos na folhagem, podendo atrair doenças para a cultura.
5. Adubos para enriquecer a terra
Existem muitos tipos de adubos. É preciso saber adequar o tipo de adubo em função dos terrenos, das culturas, do tipo de rega, etc. A gestão dos adubos requer bastante conhecimento para que o investimento não seja desperdiçado. Se no terreno estiver instalado um sistema de rega gota-a-gota ou de fita, os adubos líquidos que se misturam na água podem ser uma boa solução. Nesta questão é fundamental a ajuda de gente especializada
6. Mexer a terra periodicamente
As terras devem ser tratadas periodicamente. Preferencialmente devem ser fresadas/lavradas após o terminus da cultura e fresadas antes de se iniciar a semeadura. Se a terra não for mexida torna-se muito mais difícil trabalhá-la, sobretudo no acto da semeadura. Se a terra for do tipo barrenta e não for mexida, pode dar-se o caso de não ser possível trabalhar nela, de todo! Só com economia de escala fará sentido tratar das terras. Um trator e respetivas alfaias é um grande investimento para cada pequeno agricultor. Se o senhorio não gerir o processo, os investidores poderão facilmente abandonar as terras só por este motivo.
7. Doenças e respectivo tratamento
Para cada árvore de fruto, para cada hortícula e para cada cada tipo de terreno e zona, as doenças variam em toda a forma e feitio. É importante os arrendatários saberem que tipo de doenças mais comuns aparecem na zona e quais os tratamentos mais adequados. Também nesta matéria há muitas opções no mercado e para que o investimento não seja em vão é fundamental recorrer a pessoas com experiência na matéria.
8. Podar as árvores de fruto
A actividade de podar as árvores de fruto deve ser executada por pessoas especialistas na matéria. Podar é uma arte e não apenas cortar uns ramos aqui e acolá. esta atividade merece a maior atenção para que a árvore "rebente" com força na primavera.
9. Furtos
Se as propriedades não forem muradas ou vigiadas há grande probabilidade de ocorrerem furtos, sobretudo se o cultivo for de hortículas e tubérculos. Tais furtos inviabilizam o investimento e desmotivam o arrendatário. Para se murar é preciso muito investimento, e caberá ao senhorio efetuá-lo. Possuirá dinheiro para tal?
10. Agricultura biológica
Esta é uma área produtiva que exige ao investidor possuir conhecimentos sobre a agricultura convencional. Só depois de conhecer os limites das terras, das culturas, da água, da atmosfera, das curas e dos adubos é que se pode investir na agricultura biológica. Mais do que nunca, nesta área específica da agricultura, o conhecimento é fundamental.
Termina no próximo post
Tiago Mestre
A distribuição de terras pelo Estado à população já foi tentada em 1975. Convêm que a história não se repita desta vez.. (Parte 1)
Caros leitores e leitoras, temos ouvido da Ministra da Lavoura algumas afirmações na televisão sobre a distribuição de terras para quem se candidatar a arrendá-las.
A forma ligeira com que a afirmação está a ser passada cá para fora dá a sensação de que esta "coisa" de semear, plantar e colher é tarefa simples e acessível a qualquer um. Não é! E em jeito de conselho à Ministra, colocamos em 3 posts algumas questões que devem ser respondidas nos gabinetes do Ministério antes que saiam leis que depois não se adequam à realidade. (perdoem-nos a falta de modéstia)
As terras que estarão disponíveis para arrendar podem ser analisadas da seguinte forma:
1. Características fisico-químicas, de temperatura e de humidade do terreno, para se perceber o que é preferível semear:
Hortículas de ano inteiro - necessitam de água na primavera e no verão. Se há ocorrência de geada, apenas as couves e algumas espécies de alface aguentam.
Hortículas de primavera/verão como tomateiros, pepineiros, pimenteiros e feijão - não podem ter temperaturas frias de noite, necessitam de água em abundância
Tubérculos - necessitam de terras com humidade, e devem ser regados na primavera/verão;
Cenouras - necessitam de terras tendencialmente arenosas e não as do tipo barrento.
Cereais de sequeiro - necessitam de terras com humidade e que chova pelo menos na primavera
Cereais de inverno - necessitam de água durante o Inverno e Primavera
Morangos - necessitam de pouca terra (podem ser cultivados em estruturas tipo vasos ou recipientes). Devem ser regados na Primavera e no Verão.
Árvores de fruto para terras mais frias, como pereiras e kiwis - necessitam de água no inverno, na primavera. e no verão, sobretudo se forem árvores novas
Árvores de fruto para terras mais quentes, como laranjeiras, limoeiros, macieiras - necessitam de rega na primavera e no Verão.
Oliveiras - necessitam de água nos primeiros 2 anos de vida, sobretudo se for em terras mais arenosas que deixam escapar mais a água.
2. Grau de pluviosidade na região, linhas de água e lençois freáticos.
Para culturas menos exigentes de água, como o cereal (milho) de sequeiro, bastará saber as probabilidades de chuva para o trimestre da Primavera, e se a terra for boa a reter humidade (terras fortes, tipo barrentas) pode não haver necessidade de regar, tornando a cultura bastante eficaz e com custos muito baixos
Para culturas mais exigentes de água, como hortículas e árvores de fruto, é preciso saber onde se vai buscar a água, já que a água da rede pública não é a mais adequada. É preciso saber se há linhas de água perto, lagoas, barrancos, e caso não haja, ter-se que se optar por furo ou poço. Qualquer uma destas opções requer investimentos avultados, dificultando a execução deste tipo de culturas, sobretudo num sistema em que as terras são arrendadas, em que cabe ao senhorio realizar este tipo de investimentos.
3. Tipos de rega
Consoante a cultura e a dimensão da mesma, o tipo de terreno, o grau de pluviosidade da região e o acesso a água, deve-se adaptar o sistema de rega mais adequado e com menores custos.
Caso estes assuntos não sejam estudados, o pequeno arrendatário ver-se-á obrigado na sua ignorância a regar de forma manual, com regador ou com mangueira, tornando a sua cultura bastante cara e com um desaproveitamento enorme de água.
Rega de gota a gota é adequada para todo o tipo de árvores de fruto e tubérculos. Se o terreno for desnivelado ou o depósito de armazenamento de água estiver num ponto mais elevado, é possível regar sem recorrer a bomba eléctrica ou a gasolina, poupando nos custos de exploração. Este tipo de rega poupa muita água, contudo requer investimento inicial.
Rega com fita ou tubo perfurado é adequada para todo o tipo de hortículas, sobretudo as trepadeiras, como tomateiros, pepineiros, pimenteiros e feijão. Também é ideal para tubérculos. Se o terreno for desnivelado ou o depósito de armazenamento de água estiver num ponto mais elevado, é possível regar sem recorrer a bomba eléctrica ou a gasolina, poupando nos custos de exploração. Este tipo de rega poupa muita água, contudo requer algum investimento inicial.
Rega com aspersor é adequada para hortículas rasteiras, sobretudo as que "gostam" de receber água na folha, como alfaces, couves, abóboras ou courgettes. Necessita de água com pressão superior a 2-3 bar, exigindo maior consumo de água e bomba eléctrica ou a gasolina para garantir a pressão mínima do aspersor. Este tipo de rega não poupa muita água e requer investimento inicial avultado. Promove o aparecimento de ervas daninhas, exigindo ao produtor que faça monda manual ou monda química.
Rega com pivot serve grandes áreas de cultivo, como pasto e cereais de regadio. Apenas acessível a lactifundiários devido ao investimento e às grandes áreas de cultivo exigidos.
Continua no próximo post
Tiago Mestre
A forma ligeira com que a afirmação está a ser passada cá para fora dá a sensação de que esta "coisa" de semear, plantar e colher é tarefa simples e acessível a qualquer um. Não é! E em jeito de conselho à Ministra, colocamos em 3 posts algumas questões que devem ser respondidas nos gabinetes do Ministério antes que saiam leis que depois não se adequam à realidade. (perdoem-nos a falta de modéstia)
As terras que estarão disponíveis para arrendar podem ser analisadas da seguinte forma:
1. Características fisico-químicas, de temperatura e de humidade do terreno, para se perceber o que é preferível semear:
Hortículas de ano inteiro - necessitam de água na primavera e no verão. Se há ocorrência de geada, apenas as couves e algumas espécies de alface aguentam.
Hortículas de primavera/verão como tomateiros, pepineiros, pimenteiros e feijão - não podem ter temperaturas frias de noite, necessitam de água em abundância
Tubérculos - necessitam de terras com humidade, e devem ser regados na primavera/verão;
Cenouras - necessitam de terras tendencialmente arenosas e não as do tipo barrento.
Cereais de sequeiro - necessitam de terras com humidade e que chova pelo menos na primavera
Cereais de inverno - necessitam de água durante o Inverno e Primavera
Morangos - necessitam de pouca terra (podem ser cultivados em estruturas tipo vasos ou recipientes). Devem ser regados na Primavera e no Verão.
Árvores de fruto para terras mais frias, como pereiras e kiwis - necessitam de água no inverno, na primavera. e no verão, sobretudo se forem árvores novas
Árvores de fruto para terras mais quentes, como laranjeiras, limoeiros, macieiras - necessitam de rega na primavera e no Verão.
Oliveiras - necessitam de água nos primeiros 2 anos de vida, sobretudo se for em terras mais arenosas que deixam escapar mais a água.
2. Grau de pluviosidade na região, linhas de água e lençois freáticos.
Para culturas menos exigentes de água, como o cereal (milho) de sequeiro, bastará saber as probabilidades de chuva para o trimestre da Primavera, e se a terra for boa a reter humidade (terras fortes, tipo barrentas) pode não haver necessidade de regar, tornando a cultura bastante eficaz e com custos muito baixos
Para culturas mais exigentes de água, como hortículas e árvores de fruto, é preciso saber onde se vai buscar a água, já que a água da rede pública não é a mais adequada. É preciso saber se há linhas de água perto, lagoas, barrancos, e caso não haja, ter-se que se optar por furo ou poço. Qualquer uma destas opções requer investimentos avultados, dificultando a execução deste tipo de culturas, sobretudo num sistema em que as terras são arrendadas, em que cabe ao senhorio realizar este tipo de investimentos.
3. Tipos de rega
Consoante a cultura e a dimensão da mesma, o tipo de terreno, o grau de pluviosidade da região e o acesso a água, deve-se adaptar o sistema de rega mais adequado e com menores custos.
Caso estes assuntos não sejam estudados, o pequeno arrendatário ver-se-á obrigado na sua ignorância a regar de forma manual, com regador ou com mangueira, tornando a sua cultura bastante cara e com um desaproveitamento enorme de água.
Rega de gota a gota é adequada para todo o tipo de árvores de fruto e tubérculos. Se o terreno for desnivelado ou o depósito de armazenamento de água estiver num ponto mais elevado, é possível regar sem recorrer a bomba eléctrica ou a gasolina, poupando nos custos de exploração. Este tipo de rega poupa muita água, contudo requer investimento inicial.
Rega com fita ou tubo perfurado é adequada para todo o tipo de hortículas, sobretudo as trepadeiras, como tomateiros, pepineiros, pimenteiros e feijão. Também é ideal para tubérculos. Se o terreno for desnivelado ou o depósito de armazenamento de água estiver num ponto mais elevado, é possível regar sem recorrer a bomba eléctrica ou a gasolina, poupando nos custos de exploração. Este tipo de rega poupa muita água, contudo requer algum investimento inicial.
Rega com aspersor é adequada para hortículas rasteiras, sobretudo as que "gostam" de receber água na folha, como alfaces, couves, abóboras ou courgettes. Necessita de água com pressão superior a 2-3 bar, exigindo maior consumo de água e bomba eléctrica ou a gasolina para garantir a pressão mínima do aspersor. Este tipo de rega não poupa muita água e requer investimento inicial avultado. Promove o aparecimento de ervas daninhas, exigindo ao produtor que faça monda manual ou monda química.
Rega com pivot serve grandes áreas de cultivo, como pasto e cereais de regadio. Apenas acessível a lactifundiários devido ao investimento e às grandes áreas de cultivo exigidos.
Continua no próximo post
Tiago Mestre
11 de março de 2012
Louça afirma que os empréstimos dos bancos gregos são mais baratos do que os dos portugueses. Humm!
Caros leitores e leitoras, numa notícia da SIC Notícias esta manhã, Francisco Louça informou a população portuguesa de que os empréstimos gregos possuem uma taxa de juro mais baixa do que os empréstimos portugueses. Não diz quanto, nem mesmo em termos médios, mas pior não explica as razões que possam estar por detrás.
O objectivo destas afirmações é dar a entender à população de forma velada que os bancos aproveitam-se mais em Portugal do que na Grécia, e que tal é "injusto" para o povo português, podendo assim o povo encontrar em Louçã o justiceiro e o verdadeiro zelador dos nosso direitos.
Para reforçar a mensagem, Louçã afirma que na Grécia as coisas estão muito pior do que em Portugal, nomeadamente ao nível do desemprego e portanto (concluímos nós) na Grécia os bancos até poderiam carregar mais nos empréstimos do que em Portugal. Não percebemos aonde Louçã quer chegar. Mas o que sabemos é o seguinte:
Há muitos meses que os bancos gregos vêem os depósitos desaparecerem, refletindo a necessidade da população recorrer às suas poupanças, e sobretudo retirar capitais para o estrangeiro.
Em Portugal, os depósitos têm aumentado, e se se lembram, até há pouco tempo havia publicidade na televisão a promover depósitos com taxas de juro muito, muito aliciantes. Tal fenómeno de remuneração elevada dos depósitos encarece naturalmente os empréstimos concedidos, na medida em que é na diferença que o banco ganha dinheiro.
Louçã esqueceu-se de referir que se taxas de juro mais altas nos empréstimos agravam a condição dos devedores, é porque os depósitos são mais bem remunerados, e se são mais bem remunerados, então estamos a favorecer aforradores e gente que poupa. E é exatamente este tipo de gente que deve ser apoiada porque país sem poupança é país sem capital para investir. Não podemos basear-nos apenas na "criação" de dinheiro pelos bancos através do sistema Fractional Reserve Lending, arte mágica que promove bancos maiores, com mais lucros mas muito mais frágeis e sujeitos a insolvência num abrir e fechar de olhos.
É preciso haver dinheiro parado (aforradores) para que os bancos peguem em parte (não muita) dele e o emprestem a quem não pode mas tem vontade.
Outro fenómeno que interfere com tudo isto são os empréstimos quase de graça que o BCE concede a todo o tipo de bancos, bons maus ou assim assim. Há anos que os bancos gregos dependem do financiamento do BCE, e não fosse esta manipulação grosseira do banco central, os bancos que supostamente emprestam a taxas de juro baixas já nem sequer existiam, dando lugar a outros que talvez favorecessem mais os aforradores gregos. Paralelamente, ficando os bancos gregos na mão do BCE, estes obtêm financiamento a 1%, e sem poderem recorrer aos depósitos (porque estão a desaparecer), acredito que façam empréstimos à população a 4, 5 ou a 6%, ficando com a diferença. Mas os portugueses voltaram-se há 1-2 anos para os depósitos como forma de obter mais solidez bancária e emprestar de forma mais segura, e tiveram que subir os juros para cativar depositantes. Ora, se remuneram os depósitos a 4, 5 e 6% como vemos todos os dias na televisão, parece-nos difícil que emprestem também a 4, 5 e 6%.
Acreditamos que o BCE também financia os bancos portugueses, e por aí estes até podem aliviar os juros cobrados, mas não acreditamos que isso faça muita diferença.
Moral da história:
Na Grécia os depósitos desaparecem por cada dia que passa, e os bancos voltaram-se exclusivamente para o BCE, que empresta a 1%.
Em Portugal a orientação dos bancos foi de captar depósitos e financiarem-se o menos possível no BCE, e com isso a taxa de juro para os empréstimos teve inevitavelmente de subir.
Para atrapalhar mais a situação, os bancos portugueses e presumimos que os gregos também registaram prejuízos recorde, tornando a vida dos banqueiros mais difícil e sujeitando-os a decisões que tendencialmente resvalam para cobrar juros e comissões para tudo e mais alguma coisa cada vez mais elevados.
Louçã, se quer informar a população sobre opiniões formadas na sua mente, deve dar o contexto, a informação e as conclusões de forma desassombrada. Ele (como nós), não tem que ser nem a favor de uns bancos nem contra outros. Basta apresentar os números e a informação estatística, fazendo jus à sua reputação de economista, e não de político à caça de mais uns votos.
Já agora, sugerimos a Louçã que reflita sobre esta forma de fazer política, não tanto pelo plano moral, que esse já nem discutimos, mas pelo simples facto que a população já não está para o aturar com estas atordoadas informativas, como se viu nas últimas eleições.
Algum pragmatismo para o economista que se tornou político não lhe fará mal certamente!
Tiago Mestre
O objectivo destas afirmações é dar a entender à população de forma velada que os bancos aproveitam-se mais em Portugal do que na Grécia, e que tal é "injusto" para o povo português, podendo assim o povo encontrar em Louçã o justiceiro e o verdadeiro zelador dos nosso direitos.
Para reforçar a mensagem, Louçã afirma que na Grécia as coisas estão muito pior do que em Portugal, nomeadamente ao nível do desemprego e portanto (concluímos nós) na Grécia os bancos até poderiam carregar mais nos empréstimos do que em Portugal. Não percebemos aonde Louçã quer chegar. Mas o que sabemos é o seguinte:
Há muitos meses que os bancos gregos vêem os depósitos desaparecerem, refletindo a necessidade da população recorrer às suas poupanças, e sobretudo retirar capitais para o estrangeiro.
Em Portugal, os depósitos têm aumentado, e se se lembram, até há pouco tempo havia publicidade na televisão a promover depósitos com taxas de juro muito, muito aliciantes. Tal fenómeno de remuneração elevada dos depósitos encarece naturalmente os empréstimos concedidos, na medida em que é na diferença que o banco ganha dinheiro.
Louçã esqueceu-se de referir que se taxas de juro mais altas nos empréstimos agravam a condição dos devedores, é porque os depósitos são mais bem remunerados, e se são mais bem remunerados, então estamos a favorecer aforradores e gente que poupa. E é exatamente este tipo de gente que deve ser apoiada porque país sem poupança é país sem capital para investir. Não podemos basear-nos apenas na "criação" de dinheiro pelos bancos através do sistema Fractional Reserve Lending, arte mágica que promove bancos maiores, com mais lucros mas muito mais frágeis e sujeitos a insolvência num abrir e fechar de olhos.
É preciso haver dinheiro parado (aforradores) para que os bancos peguem em parte (não muita) dele e o emprestem a quem não pode mas tem vontade.
Outro fenómeno que interfere com tudo isto são os empréstimos quase de graça que o BCE concede a todo o tipo de bancos, bons maus ou assim assim. Há anos que os bancos gregos dependem do financiamento do BCE, e não fosse esta manipulação grosseira do banco central, os bancos que supostamente emprestam a taxas de juro baixas já nem sequer existiam, dando lugar a outros que talvez favorecessem mais os aforradores gregos. Paralelamente, ficando os bancos gregos na mão do BCE, estes obtêm financiamento a 1%, e sem poderem recorrer aos depósitos (porque estão a desaparecer), acredito que façam empréstimos à população a 4, 5 ou a 6%, ficando com a diferença. Mas os portugueses voltaram-se há 1-2 anos para os depósitos como forma de obter mais solidez bancária e emprestar de forma mais segura, e tiveram que subir os juros para cativar depositantes. Ora, se remuneram os depósitos a 4, 5 e 6% como vemos todos os dias na televisão, parece-nos difícil que emprestem também a 4, 5 e 6%.
Acreditamos que o BCE também financia os bancos portugueses, e por aí estes até podem aliviar os juros cobrados, mas não acreditamos que isso faça muita diferença.
Moral da história:
Na Grécia os depósitos desaparecem por cada dia que passa, e os bancos voltaram-se exclusivamente para o BCE, que empresta a 1%.
Em Portugal a orientação dos bancos foi de captar depósitos e financiarem-se o menos possível no BCE, e com isso a taxa de juro para os empréstimos teve inevitavelmente de subir.
Para atrapalhar mais a situação, os bancos portugueses e presumimos que os gregos também registaram prejuízos recorde, tornando a vida dos banqueiros mais difícil e sujeitando-os a decisões que tendencialmente resvalam para cobrar juros e comissões para tudo e mais alguma coisa cada vez mais elevados.
Louçã, se quer informar a população sobre opiniões formadas na sua mente, deve dar o contexto, a informação e as conclusões de forma desassombrada. Ele (como nós), não tem que ser nem a favor de uns bancos nem contra outros. Basta apresentar os números e a informação estatística, fazendo jus à sua reputação de economista, e não de político à caça de mais uns votos.
Já agora, sugerimos a Louçã que reflita sobre esta forma de fazer política, não tanto pelo plano moral, que esse já nem discutimos, mas pelo simples facto que a população já não está para o aturar com estas atordoadas informativas, como se viu nas últimas eleições.
Algum pragmatismo para o economista que se tornou político não lhe fará mal certamente!
Tiago Mestre
10 de março de 2012
ISDA pronuncia-se... pelo incumprimento
Caros leitores e leitoras, sobre as obrigações que não foram sujeitas a troca, a ISDA pronunciou-se pelo incumprimento, ou seja, a Grécia não pagará 1 cêntimo sobre estas obrigações mas os emissores dos CDS terão que pagar as indemnizações aos investidores.
Esta decisão recai sobre um montante de 25 mil milhões de euros de obrigações. Aguardamos pelas reacções dos mercados a esta notícia.
Muitos bancos europeus emitiram CDS a investidores, e certamente que alguns destes terão que indemnizar os clientes. Talvez haja liquidez para o fazer, graças ao programa LTRO 1 e 2 do BCE, mas veremos se há capital próprio para cobrir estas perdas.
Tiago Mestre
Esta decisão recai sobre um montante de 25 mil milhões de euros de obrigações. Aguardamos pelas reacções dos mercados a esta notícia.
Muitos bancos europeus emitiram CDS a investidores, e certamente que alguns destes terão que indemnizar os clientes. Talvez haja liquidez para o fazer, graças ao programa LTRO 1 e 2 do BCE, mas veremos se há capital próprio para cobrir estas perdas.
Tiago Mestre
9 de março de 2012
E termina a troca de obrigações gregas velhas por novas...
Caros leitores e leitoras, terminou ontem o prazo para a troca de obrigações velhas por novas que a Grécia "sugeriu" aos seus credores privados. Notícia Zerohedge
Aqui no Contas tínhamos a opinião de que a aceitação não seria em massa. Bom, o sentimento é misto:
Para as obrigações que foram emitidas pela lei grega, a aceitação foi de 85%
Para as obrigações que foram emitidas pela lei (uk law), a aceitação foi de 69%.
O prazo para a troca destas obrigações uk law ainda está em vigor, terminando a 23 Março (uma novidade para nós.)
Com estas percentagens estamos na dúvida se a troca foi um sucesso ou não, pelo que aguardamos mais desenvolvimentos sobre o caso.
Os credores que possuem obrigações sob a alçada da lei grega e que não aceitaram a troca (15%) correspondem a 25 mil milhões euros aproximadamente. Para estes, a entidade que gere os CDS, a ISDA (International Swaps and Derivatives Association) determinará hoje em comunicado se ocorreu um credit event ou não, e com isso saber-se-á se os seguros CDS poderão ser ativados.
Não temos ideia do que a ISDA irá dizer, tal é a complexidade de toda esta situação e do conflito de interesses a que a ISDA está sujeita.
Se por um lado a Grécia já disse que não pagará um cêntimo destas obrigações velhas, e por aí a ISDA deveria declarar incumprimento, por outro, a Grécia ofereceu este pacote de troca de obrigações aos credores com perdas de 70%, mas estes voluntariamente não o aceitaram, podendo a ISDA ir por aí e referir que não se pode declarar incumprimento. Aguardamos pelo veredicto.
Tiago Mestre
Aqui no Contas tínhamos a opinião de que a aceitação não seria em massa. Bom, o sentimento é misto:
Para as obrigações que foram emitidas pela lei grega, a aceitação foi de 85%
Para as obrigações que foram emitidas pela lei (uk law), a aceitação foi de 69%.
O prazo para a troca destas obrigações uk law ainda está em vigor, terminando a 23 Março (uma novidade para nós.)
Com estas percentagens estamos na dúvida se a troca foi um sucesso ou não, pelo que aguardamos mais desenvolvimentos sobre o caso.
Os credores que possuem obrigações sob a alçada da lei grega e que não aceitaram a troca (15%) correspondem a 25 mil milhões euros aproximadamente. Para estes, a entidade que gere os CDS, a ISDA (International Swaps and Derivatives Association) determinará hoje em comunicado se ocorreu um credit event ou não, e com isso saber-se-á se os seguros CDS poderão ser ativados.
Não temos ideia do que a ISDA irá dizer, tal é a complexidade de toda esta situação e do conflito de interesses a que a ISDA está sujeita.
Se por um lado a Grécia já disse que não pagará um cêntimo destas obrigações velhas, e por aí a ISDA deveria declarar incumprimento, por outro, a Grécia ofereceu este pacote de troca de obrigações aos credores com perdas de 70%, mas estes voluntariamente não o aceitaram, podendo a ISDA ir por aí e referir que não se pode declarar incumprimento. Aguardamos pelo veredicto.
Tiago Mestre
7 de março de 2012
Augusto Santos Silva surpreende-nos pela positiva!
Caros leitores e leitoras, não sendo nós aqui no Contas apreciadores de escrita sobre a actualidade política portuguesa, até porque inúmeros blogs já o fazem de forma competente, não podemos deixar de referir a relevância para o jornalismo português das intervenções de Augusto Santos Silva, ex-ministro do governo anterior, sobre a actualidade política.
Temo-lo ouvido com atenção no canal de cabo TVI24, e as suas explicações e pareceres revelam uma capacidade de análise substantiva sobre os assuntos em causa que muito nos agrada. António José Seguro não se aproxima sequer desta postura e, na nossa opinião, fica a perder.
Hoje, Augusto Santos Silva explicou a falácia noticiosa que esteve no espaço mediático português durante algum tempo em que se referia que os custos da empresa Parque Escolar eram 400% mais elevados do que inicialmente planeado. Faltou explicar a quem produziu a notícia de que os custos que serviram de base refletiam apenas remodelações e "arranjos" aos edifícios existentes. Todos sabemos que as obras realizadas foram muito mais estruturais, com a construção de novos espaços (não lhe chamamos equipamentos por não concordarmos com o termo), como bibliotecas e a reestruturação profunda de outros. A tal derrapagem de 400% não pode ser tida em conta porque estamos a comparar "alhos com bugalhos".
Mais, Augusto Santos Silva deixa bem claro que este tipo de notícias são produzidas e gizadas pela máquina mediática social democrata, inferindo-se que há ingerência que se pode considerar "escandalosa" da máquina social democrata dentro dos jornais e outros.
Pior, Augusto Santos Silva conclui que este tipo de notícias servem apenas para descredibilizar a empresa Parque Escolar e o seu projeto, no sentido de legitimar o governo a alterar/suspender o programa a seu bel-prazer, evitando ter que informar a população que afinal tais decisões são opções políticas deste governo, mas antes porque o programa Parque Escolar é "mau" financeiramente e portanto alguma coisa terá que ser feita.
Feio, esquisito e difícil de acreditar. Custa-nos a aceitar que Passos Coelho saiba e corrobore com este tipo de manipulação informativa tão descarada.
Marinho e Pinto, bastonário da ordem dos advogados, alertava em meados de 2011 que certas notícias nos jornais só podiam provir da máquina mediática social democrata, na medida em que algumas delas incidiam sobre assuntos em que ele participava de forma direta, como no caso das custa judiciais, e espantava-se com a manipulação da informação em favorecimento do governo. Agora compreendemo-lo perfeitamente..
Tiago Mestre
Temo-lo ouvido com atenção no canal de cabo TVI24, e as suas explicações e pareceres revelam uma capacidade de análise substantiva sobre os assuntos em causa que muito nos agrada. António José Seguro não se aproxima sequer desta postura e, na nossa opinião, fica a perder.
Hoje, Augusto Santos Silva explicou a falácia noticiosa que esteve no espaço mediático português durante algum tempo em que se referia que os custos da empresa Parque Escolar eram 400% mais elevados do que inicialmente planeado. Faltou explicar a quem produziu a notícia de que os custos que serviram de base refletiam apenas remodelações e "arranjos" aos edifícios existentes. Todos sabemos que as obras realizadas foram muito mais estruturais, com a construção de novos espaços (não lhe chamamos equipamentos por não concordarmos com o termo), como bibliotecas e a reestruturação profunda de outros. A tal derrapagem de 400% não pode ser tida em conta porque estamos a comparar "alhos com bugalhos".
Mais, Augusto Santos Silva deixa bem claro que este tipo de notícias são produzidas e gizadas pela máquina mediática social democrata, inferindo-se que há ingerência que se pode considerar "escandalosa" da máquina social democrata dentro dos jornais e outros.
Pior, Augusto Santos Silva conclui que este tipo de notícias servem apenas para descredibilizar a empresa Parque Escolar e o seu projeto, no sentido de legitimar o governo a alterar/suspender o programa a seu bel-prazer, evitando ter que informar a população que afinal tais decisões são opções políticas deste governo, mas antes porque o programa Parque Escolar é "mau" financeiramente e portanto alguma coisa terá que ser feita.
Feio, esquisito e difícil de acreditar. Custa-nos a aceitar que Passos Coelho saiba e corrobore com este tipo de manipulação informativa tão descarada.
Marinho e Pinto, bastonário da ordem dos advogados, alertava em meados de 2011 que certas notícias nos jornais só podiam provir da máquina mediática social democrata, na medida em que algumas delas incidiam sobre assuntos em que ele participava de forma direta, como no caso das custa judiciais, e espantava-se com a manipulação da informação em favorecimento do governo. Agora compreendemo-lo perfeitamente..
Tiago Mestre
6 de março de 2012
QREN, Álvaro o idílico, e Gaspar o quotidiano
Caros leitores e leitoras, o QREN volta para as Finanças, não porque Gaspar deseja essa pasta, mas porque essa pasta exige dinheiro, a saber:
O QREN financia-se 85% na Europa e 15% em Portugal, ou seja, em Gaspar. Por cada milhão de investimento, o estado português tem que entrar com 150 mil euros. E aonde se vai buscar o dinheiro? Até há 1 ano ia-se ao BEI (Banco Europeu de Investimento). Hoje não se vai a lado nenhum porque não há margem de manobra. E é isso que Gaspar quer tentar travar: o aumento da despesa e do endividamento para cumprir o défice que está inscrito no programa da troika.
Não é difícil perceber que em função desta explicação a pasta do QREN não pode ficar sob a tutela exclusiva do Ministério da Economia. É natural que seja este ministério a mexer os cordelinhos, mas quem diz se há guito ou não são as Finanças. Ponto final.
Pelo meio perde-se o Álvaro, um moço que nos parece de boa índole, novinho, mas triturado na máquina mediática.
Tiago Mestre
O QREN financia-se 85% na Europa e 15% em Portugal, ou seja, em Gaspar. Por cada milhão de investimento, o estado português tem que entrar com 150 mil euros. E aonde se vai buscar o dinheiro? Até há 1 ano ia-se ao BEI (Banco Europeu de Investimento). Hoje não se vai a lado nenhum porque não há margem de manobra. E é isso que Gaspar quer tentar travar: o aumento da despesa e do endividamento para cumprir o défice que está inscrito no programa da troika.
Não é difícil perceber que em função desta explicação a pasta do QREN não pode ficar sob a tutela exclusiva do Ministério da Economia. É natural que seja este ministério a mexer os cordelinhos, mas quem diz se há guito ou não são as Finanças. Ponto final.
Pelo meio perde-se o Álvaro, um moço que nos parece de boa índole, novinho, mas triturado na máquina mediática.
Tiago Mestre
Quem sabe, sabe, e o BCE é que sabe! (Parte 2)
Caros leitores e leitoras, informámos a 29 de Fevereiro de que achávamos difícil que o programa de financiamento do BCE aos bancos privados, denominado LTRO, tivesse algum impacto na concessão de crédito à economia, apesar de que era essa a principal intenção dos "manipuladores" Draghi e Constâncio, a par da aquisição de dívida soberana.
Numa notícia de ontem da edição online do Económico, o Banco de Portugal divulgou a informação de que a concessão de crédito pelos bancos portugueses à economia portuguesa desceu na globalidade, e em percentagens superiores a 20%. Só no crédito à habitação a queda é de 46% de Janeiro 2012 face a Dezembro 2011.
Não nos espanta esta situação porque temos a noção de que o dinheiro que o BCE emprestou a 3 anos aos bancos será para tratar da vida dos próprios bancos, e não da vida da economia. Os bancos estão à procura de mercados que lhes garantam a maior retorno possível de investimento com o máximo de segurança nesse retorno. Não acredito que seja na concessão de empréstimos a pessoas sobrendividadas e a empresas sem capitais próprios e sem rentabilidade que os bancos irão fazer negócios em 2012 e em 2013. A economia que se aguente.
Por outro lado, é nossa convicção de que as economias portuguesa e europeia já possuem dinheiro emprestado a mais para as suas operações diárias. Não precisamos de mais dinheiro emprestado, precisamos sim de empresas e de cidadãos que poupem mais. E como é que isso se consegue? Os cidadãos poupam aplicando o dinheiro no banco ou investindo em bens que considerem valorizáveis no futuro. As empresas devem usar todo o lucro que obtêm da atividade corrente para gerar capitais próprios, aumentar capitais sociais, liquidar dívida e investir dentro da empresa.
Os empresários viveram muito acima das suas possibilidades com esta asneirada das empresas darem lucro mas estarem permanentemente a pedir mais dinheiro aos bancos. A empresa tem que crescer mais com o lucro gerado internamente e não no suposto alavancamento bancário. Fernando Ulrich, alguém que até nos merece algum respeito, vem afirmar também este pressuposto numa notícia da edição online do Económico.
Se os bancos cortarem o crédito às empresas, os empresários terão que abusar menos dos lucros para as suas fantasias pessoais e verão que o negócio terá que ser rentável por ele mesmo e o financiamento deverá vir da riqueza produzida internamente. Os bancos podem sempre ajudar, mas não deve passar disso mesmo. Quem arrisca é sempre o empresário porque incorpora deveres nos estatutos da sociedade, e não a entidade bancária.
Se assim o for, os empresários serão obrigados imediatamente a subir as margens de rentabilidade do negócio, na medida em que o fundo de maneio que outrora fora garantido pela concessão de crédito reduz-se e terá que ser a tesouraria interna da empresa a viver dentro das suas possibilidades. Como era antigamente...
As empresas ficariam muito mais sólidas, os postos de trabalho muito mais garantidos e as perspectivas de suportar embates em momentos críticos muito mais otimistas. A inflação teria que aparecer como consequência negativa destes ajustes macroeconómicos, mas tal é uma inevitabilidade na medida em que os preços ainda reflectem todo este esmagamento de rentabilidade que ocorreu nas empresas devido à concessão de empréstimos para financiar tesouraria e financiar "supostos" lucros aos acionistas.
Tiago Mestre
Numa notícia de ontem da edição online do Económico, o Banco de Portugal divulgou a informação de que a concessão de crédito pelos bancos portugueses à economia portuguesa desceu na globalidade, e em percentagens superiores a 20%. Só no crédito à habitação a queda é de 46% de Janeiro 2012 face a Dezembro 2011.
Não nos espanta esta situação porque temos a noção de que o dinheiro que o BCE emprestou a 3 anos aos bancos será para tratar da vida dos próprios bancos, e não da vida da economia. Os bancos estão à procura de mercados que lhes garantam a maior retorno possível de investimento com o máximo de segurança nesse retorno. Não acredito que seja na concessão de empréstimos a pessoas sobrendividadas e a empresas sem capitais próprios e sem rentabilidade que os bancos irão fazer negócios em 2012 e em 2013. A economia que se aguente.
Por outro lado, é nossa convicção de que as economias portuguesa e europeia já possuem dinheiro emprestado a mais para as suas operações diárias. Não precisamos de mais dinheiro emprestado, precisamos sim de empresas e de cidadãos que poupem mais. E como é que isso se consegue? Os cidadãos poupam aplicando o dinheiro no banco ou investindo em bens que considerem valorizáveis no futuro. As empresas devem usar todo o lucro que obtêm da atividade corrente para gerar capitais próprios, aumentar capitais sociais, liquidar dívida e investir dentro da empresa.
Os empresários viveram muito acima das suas possibilidades com esta asneirada das empresas darem lucro mas estarem permanentemente a pedir mais dinheiro aos bancos. A empresa tem que crescer mais com o lucro gerado internamente e não no suposto alavancamento bancário. Fernando Ulrich, alguém que até nos merece algum respeito, vem afirmar também este pressuposto numa notícia da edição online do Económico.
Se os bancos cortarem o crédito às empresas, os empresários terão que abusar menos dos lucros para as suas fantasias pessoais e verão que o negócio terá que ser rentável por ele mesmo e o financiamento deverá vir da riqueza produzida internamente. Os bancos podem sempre ajudar, mas não deve passar disso mesmo. Quem arrisca é sempre o empresário porque incorpora deveres nos estatutos da sociedade, e não a entidade bancária.
Se assim o for, os empresários serão obrigados imediatamente a subir as margens de rentabilidade do negócio, na medida em que o fundo de maneio que outrora fora garantido pela concessão de crédito reduz-se e terá que ser a tesouraria interna da empresa a viver dentro das suas possibilidades. Como era antigamente...
As empresas ficariam muito mais sólidas, os postos de trabalho muito mais garantidos e as perspectivas de suportar embates em momentos críticos muito mais otimistas. A inflação teria que aparecer como consequência negativa destes ajustes macroeconómicos, mas tal é uma inevitabilidade na medida em que os preços ainda reflectem todo este esmagamento de rentabilidade que ocorreu nas empresas devido à concessão de empréstimos para financiar tesouraria e financiar "supostos" lucros aos acionistas.
Tiago Mestre
5 de março de 2012
Todos ouvimos dizer que desvalorizar moeda significa mais exportações e mais economia... humm! Será?
Caros leitores e leitoras, é sabedoria convencional na nossa praça de que países economicamente mais fracos devem coabitar com moedas mais fracas. E a razão para tal fenómeno é que uma moeda mais fraca significa maior incentivo às exportações e maior estímulo ao turismo estrangeiro, assim o dizem!
Já é tempo de desmistificar este conceito:
1. Quando a moeda desvaloriza conseguimos vender mais barato, mas também temos que comprar mais caro.
2. A maioria dos nossos exportadores necessita de comprar matéria prima e energia ao estrangeiro, à exceção de quando a matéria prima é proveniente do setor primário endógeno (agricultura, pescas e minério).
3. Os restantes exportadores necessitam de comprar matéria prima e energia ao exterior, logo a vantagem de vender mais barato é neutralizada pelas importações mais caras.
4. Desvalorizar moeda significa inflação e pouca segurança para quem quer investir. A médio prazo haverá menos investidores.
5. A desvalorização da moeda estimula os industriais a tentar vender mais para fora e menos para dentro, prejudicando os consumidores nacionais na medida em que terão que competir por menos produtos e logo mais caros - mais dinheiro do que bens à disposição da economia - inflação.
6. Outra consequência da manipulação monetária prende-se com a fuga de capitais para o estrangeiro. Quando os políticos imprimem dinheiro e manipulam moeda influenciam negativamente a espetativa dos investidores, obrigando-os a fugir do país.
No gráfico abaixo mostramos um gráfico que reflete a falácia destas supostas vantagens na desvalorização monetária:
As moedas que assumem trajetórias descendentes perderam poder de compra para com o exterior, ou seja, compram cada vez menos ao exterior para o mesmo valor de exportação. Moedas como o dólar americano, o euro, o iene japonês e o yuan chinês fazem parte deste clube, e todos sabemos o que têm feito os bancos centrais destes governos: desvalorizar para (supostamente) ganhar competitividade.
Curiosamente temos um exemplo extraordinário de um país que manteve uma moeda forte e consolidada durante décadas e conseguiu suportar taxas de crescimento do PIB acima de 6% ao ano e crescer muito em exportações: PORTUGAL na década de 50 e 60.
É verdade, Portugal era considerado um caso de disciplina financeira, orçamental e monetária, que muito agradava a investidores estrangeiros. Os finais da década de 60 e inícios de 70 foram anos de grande injeção de capitais estrangeiros em Portugal, tanto no setor industrial como imobiliário. A reserva de ouro, acumulada no Banco de Portugal ao longo de décadas e que suportava as notas em circulação, tornava o escudo uma moeda verdadeiramente à prova de bala e muito apetecível a quem queria investir no país.
Sempre que ouvirem economistas a insistir na desvalorização da moeda para se ganhar nas exportações pensem duas vezes antes de concordar com a ideia!
Tiago Mestre
Já é tempo de desmistificar este conceito:
1. Quando a moeda desvaloriza conseguimos vender mais barato, mas também temos que comprar mais caro.
2. A maioria dos nossos exportadores necessita de comprar matéria prima e energia ao estrangeiro, à exceção de quando a matéria prima é proveniente do setor primário endógeno (agricultura, pescas e minério).
3. Os restantes exportadores necessitam de comprar matéria prima e energia ao exterior, logo a vantagem de vender mais barato é neutralizada pelas importações mais caras.
4. Desvalorizar moeda significa inflação e pouca segurança para quem quer investir. A médio prazo haverá menos investidores.
5. A desvalorização da moeda estimula os industriais a tentar vender mais para fora e menos para dentro, prejudicando os consumidores nacionais na medida em que terão que competir por menos produtos e logo mais caros - mais dinheiro do que bens à disposição da economia - inflação.
6. Outra consequência da manipulação monetária prende-se com a fuga de capitais para o estrangeiro. Quando os políticos imprimem dinheiro e manipulam moeda influenciam negativamente a espetativa dos investidores, obrigando-os a fugir do país.
No gráfico abaixo mostramos um gráfico que reflete a falácia destas supostas vantagens na desvalorização monetária:
As moedas que assumem trajetórias descendentes perderam poder de compra para com o exterior, ou seja, compram cada vez menos ao exterior para o mesmo valor de exportação. Moedas como o dólar americano, o euro, o iene japonês e o yuan chinês fazem parte deste clube, e todos sabemos o que têm feito os bancos centrais destes governos: desvalorizar para (supostamente) ganhar competitividade.
Curiosamente temos um exemplo extraordinário de um país que manteve uma moeda forte e consolidada durante décadas e conseguiu suportar taxas de crescimento do PIB acima de 6% ao ano e crescer muito em exportações: PORTUGAL na década de 50 e 60.
É verdade, Portugal era considerado um caso de disciplina financeira, orçamental e monetária, que muito agradava a investidores estrangeiros. Os finais da década de 60 e inícios de 70 foram anos de grande injeção de capitais estrangeiros em Portugal, tanto no setor industrial como imobiliário. A reserva de ouro, acumulada no Banco de Portugal ao longo de décadas e que suportava as notas em circulação, tornava o escudo uma moeda verdadeiramente à prova de bala e muito apetecível a quem queria investir no país.
Sempre que ouvirem economistas a insistir na desvalorização da moeda para se ganhar nas exportações pensem duas vezes antes de concordar com a ideia!
Tiago Mestre
A Grécia mais uma vez , claro!
Caros leitores e leitoras, esta semana serão anunciados os resultados da operação de troca de obrigações velhas por novas com perdas reais acima de 70% para os subscritores da operação.
As "más línguas" já dizem que poderá não haver investidores suficientes a subscrever. Como nós os compreendemos!
A notícia de quinta-feira passada de que a ISDA não assumirá esta troca de obrigações como um Incumprimento deve ter deixado os investidores que detêm CDS com os cabelos em pé.
A decisão influencia os investidores que possuem obrigações gregas e CDS gregos que protegem essas mesmas obrigações a não participarem nesta troca.
Ao aceitarem ficam duplamente prejudicados:
assumem as perdas de 70% na troca;
e não recuperam o que investiram nos CDS.
Mau negócio. O melhor é esperarem que a Grécia declare mesmo um incumprimento de 100%, aí talvez os CDS possam ser ativados. Perder por cem, por mil...
Vamos ver quem é mais teimoso! Típico de guerrinha entre homens
Tiago Mestre
As "más línguas" já dizem que poderá não haver investidores suficientes a subscrever. Como nós os compreendemos!
A notícia de quinta-feira passada de que a ISDA não assumirá esta troca de obrigações como um Incumprimento deve ter deixado os investidores que detêm CDS com os cabelos em pé.
A decisão influencia os investidores que possuem obrigações gregas e CDS gregos que protegem essas mesmas obrigações a não participarem nesta troca.
Ao aceitarem ficam duplamente prejudicados:
assumem as perdas de 70% na troca;
e não recuperam o que investiram nos CDS.
Mau negócio. O melhor é esperarem que a Grécia declare mesmo um incumprimento de 100%, aí talvez os CDS possam ser ativados. Perder por cem, por mil...
Vamos ver quem é mais teimoso! Típico de guerrinha entre homens
Tiago Mestre
4 de março de 2012
EUA - exemplo fiscal para ninguém
Já não é segredo para ninguém de que a saúde fiscal dos EUA apresenta problemas graves de sustentabilidade.
Com as últimas informações que temos, as contas públicas dos EUA estão totalmente insolventes, e só não colapsa a sua liquidez porque há muita gente (parolos) a comprar dívida americana todo o santo dia.
De acordo com o site ZeroHedge, blog que se dá ao trabalho de fazer contas e de apresentar previsões, fomos hoje informados de que para o ano fiscal de 2012 o estado americano vai pedir mais dinheiro emprestado do que aquele que recebe por via dos impostos. É verdade. Esta deterioração fiscal só se assemelha com o Japão. Para terem uma noção de escala, Portugal costuma ter 65 mil milhões de euros em receitas fiscais e endivida-se entre 10 a 15 mil milhões ao ano.
Os Estados Unidos como país com o maior PIB do mundo (15 triliões dólares) está atualmente numa posição vergonhosa de indisciplina orçamental. Pode dar-se ao luxo comprar um dia de cada vez porque (irracionalmente) existem ainda milhares de investidores a comprar as obrigações do tesouro que são emitidas pelo Tesouro norte-americano. O dólar está a ser destruído diariamente porque ninguém quer prometer austeridade aos americanos. Barack Obama tem sido o evangelista de toda esta farsa política, e prevê-se que em ano de eleições, como será 2012, as despesas baterão novos recordes. Alguns dados:
EUA
PIB: 15 triliões dólares
Dívida: 15,4 triliões
Rácio da dívida face ao PIB: ligeiramente acima de 100% do PIB
Défice anual: 1,3 triliões de dólares
Endividamento de 1 Janeiro 2012 até agora: 710 biliões
Receitas de 1 Janeiro 2012 até agora: 607 biliões
Nesta condição a Grécia está bem melhor do que os EUA. Mas tudo depende da escala e do (ainda) poder dos impérios decadentes do ocidente.
Quando vêm economistas americanos laureados e outros dizer o que se deve fazer na Europa e em Portugal para resolverem os seus problemas, simplesmente não lhes liguem. tratem primeiro de arrumar a sua casa, só depois têm credibilidade para falar da casa dos outros.
Tiago Mestre
1 de março de 2012
Houston, we have a problem!
Problemas na Arábia Saudita. Um oleduto na zona leste foi bombardeado, fazendo os preços do petróleo subir alguns dólares num espaço de 2 horas. O preço do barril de Brent em EUR já deve estar perto dos 97 euros, um recorde absoluto, presumimos nós.
Notícia aqui
Tiago Mestre
Notícia aqui
Tiago Mestre
ISDA - acrónimo a reter (Parte 3)
Está decidido!
ISDA não considera como incumprimento a troca de obrigações gregas velhas por novas, mesmo que tal operação produza perdas reais de mais de 70% para os investidores visados.
No comment!
Notícia do site ZeroHedge
Tiago Mestre
ISDA não considera como incumprimento a troca de obrigações gregas velhas por novas, mesmo que tal operação produza perdas reais de mais de 70% para os investidores visados.
No comment!
Notícia do site ZeroHedge
Tiago Mestre
Subscrever:
Mensagens (Atom)
