Caros leitores e leitoras, com a ajuda do Eurostat e do Financial Times é possível perceber qualquer coisa sobre esta história da inflação e da deflação nos tempos que correm.
O gráfico mostra a criação de dinheiro na zona euro, tanto pelo BCE (M3) como pelos bancos privados, sob a forma de crédito. Esta "criação" de dinheiro pode ser feita de duas maneiras:
Ou por "Fractional Reserve Banking", que permite ao banco mostrar o mesmo dinheiro duas vezes, de um lado como sendo emprestado à pessoa X, do outro como sendo um depósito da pessoa Y.
Ou pelos bancos centrais, que imprimem dinheiro para emprestar aos bancos.
Se a economia prospera significa que há mais transacções e em maior volume, logo a expansão monetária tende a aumentar através dos 2 mecanismos anteriormente descritos para dar suporte a essa prosperidade. Desta forma tenta-se equilibrar a quantidade de dinheiro com a quantidade de bens postos à disposição da economia.
Mas nem sempre é assim. Se por acaso houver mais recursos que dinheiro, o preço desses mesmos recursos tenderá a descer - deflação. Se for ao contrário, mais dinheiro que recursos, o preço tenderá a subir - inflação.
No gráfico percebe-se que até inícios de 2008 os bancos privados europeus e o banco central europeu (M3) trabalharam a todo o vapor. Emprestavam ano após ano 8 a 14% mais do que ano anterior. Esta taxa era bem superior à taxa de crescimento da economia, que não ultrapassava os 3 a 4%, criando as raízes para o aparecimento da inflação. Toda esta bebedeira financeira estava fortemente ligada às baixas taxas de juro que os bancos centrais mantiveram durante alguns anos, nomeadamente a Reserva Federal e o BCE, como forma de forçarem as economias a crescer pela abundância de crédito. Ainda hoje a sabedoria convencional trata este assunto da mesma forma - é preciso crédito fácil e barato para a economia crescer. Já deveriam ter percebido nesta altura que o processo é inverso - só com a economia a prosperar é que o crédito pode avançar.
Todos estes estímulos "keynesianos" que jorraram durante anos acabaram por colocar as economias recessivas sob ainda maior stresse. Porquê?
Porque os recursos oferecidos à economia não aumentaram de sobremaneira ou se calhar até reduziram, mas o dinheiro para os adquirir cresceu numa proporção desmedida. Resultado:
Dinheiro a mais para recursos a menos - inflação.
Esse "muito" dinheiro de que estamos a falar continua hoje a ser criado mas em muito menor quantidade, na medida em que os bancos desconfiam muito mais uns dos outros e as economias ocidentais teimam em não arrancar. O facto relevante no meio disto tudo é que o dinheiro já não "transpira" para a sociedade, ou seja, não se revela sob a forma de aumento de salários, aumento de emprego e por aí fora. E porquê? Porque os banqueiros obtêm o dinheiro do BCE, que é a única instituição disposta a emprestar sem contrapartidas, mas em vez de "entregarem" o dinheiro nas economias preferem investir em ações, em petróleo, em dívida soberana (sobretudo a alemã) e noutros produtos financeiros mais ou menos arriscados. O gráfico evidencia bem este fenómeno de contração do crédito, sobretudo a partir de 2008.
E assim ficamos nesta situação em que as populações vêm o seu poder de compra duplamente reduzido, tanto pelo não aumento de salários, como pelo aumento generalizado dos preços dos bens de primeira necessidade, que foram objeto de manipulação pelos banqueiros nos grandes mercados internacionais
Mesmo assim, ainda há economistas que afirmam que havendo recessão e deflação, não há grande mal em imprimir dinheiro para compensar essa quebra. Infelizmente a realidade mostra-nos que com a contração do consumo ocorre também... a contração na produção. Por exemplo, se há menos gente a "consumir" petróleo, é natural que as refinarias baixem a sua produção, ou então se há menos consumo de hortaliças, é natural que os produtores reduzam a sua produção. Até é plausível que o primeiro passo dos empresários seja baixar preços para tentar manter os níveis das vendas, reduzindo margens e custos de produção. Mas se o consumo continuar a cair mesmo com abaixamento de preços, não há outra hipótese senão reduzir produção, despedir pessoal e no extremo declarar falência. Passando a haver menos produtos no mercado o preço tenderá a subir. Se os produtos desaparecem a uma taxa maior do que o dinheiro que os persegue, o preço dos mesmos terá que subir.
Desta forma percebe-se que é possível ter em simultâneo inflação e recessão económica, sobretudo se a expansão monetária for uma realidade, o que é o caso actual.
A própria inflação é inimiga do crescimento económico, na medida em que promove contração do consumo e logo de seguida contração na produção. Parece um ciclo vicioso.
Os dados publicados pelo eurostat esta semana dizem-nos que a par da recessão que se vive na periferia europeia a inflação teima em não descer para níveis compatíveis:
Portugal continua com uma inflação de 3,4%, mesmo com toda a quebra que houve no imobiliário, no consumo privado e no público. Inclusivamente a inflação subiu 0,3 por cento de Dezembro 2011 para Janeiro 2012, conforme se percebe pela última coluna.
Mas veja-se o caso da Grécia:
Recessões sucessivas desde 2008;
Contração total do PIB já de quase 20%;
Desemprego bem acima dos 20%;
... e continua com uma inflação de 2%!!
Não fossem os estímulos financeiros que o BCE dá e há muito que este país tinha entrado em deflação. Ao menos os gregos veriam os preços dos bens a baixar, o que já era uma ajuda para compensar a queda dos salários e dos subsídios de desemprego.
Se a impressão de dinheiro aumentar e se os bens à disposição da economia encolherem, a inflação continuará a existir.
Caso a impressão de dinheiro se torne massiva e os bens cada vez mais escassos, aí podemos caminhar para a hiper-inflação. Veremos em que ponto é que os políticos param, se é que pararão em alguma circunstância.
Como esta impressão de dinheiro é um fenómeno à escala planetária, pouco pode fazer o "Portugal dos pequenitos". Mas ficar calado e aceitar este estado de coisas é que é imperdoável.
Tiago Mestre
1 de março de 2012
Democracia a la carte
Não temos nada contra estes senhores, aliás, até é bem possível que desempenhem um melhor serviço do que os democraticamente eleitos, mas... e a democracia? À boa maneira europeia, mantêm-se a fachada e remodela-se o interior sem pedir autorização a ninguém. É o desespero a comandar. O problema não é tanto a ação, mas o precedente que se cria. Qualquer líder europeu que vá contra a sabedoria convencional europeia e dos seus paladinos já sabe o destino que lhe espera! Esta gente é mais perigosa do que se julgava..
Tiago Mestre
Tiago Mestre
ISDA - acrónimo a reter (Parte 2)
Hoje será decidido pela ISDA se o incumprimento grego será declarado como "incumprimento formal".
Se for, os contratos CDS poderão ser reclamados junto dos emissores desses contratos (grandes bancos de Wall Street)
Se não for, os contratos CDS não poderão ser reclamados junto dos emissores, ficando os compradores dos CDS a "lerpar" com todo este negócio fraudulento.
Aqui no Contas inclinamo-nos para um NÃO como justificámos no post de 27 Fevereiro, contudo o nosso desejo é que o SIM vença.
Se o SIM ganhar pode criar desde já um terramoto financeiro, mas quem luta e aspira pela verdade, pelo rigor dos princípios e pela retidão no comportamento não deve recear as consequências de escolher o caminho mais difícil. Só assim se salvará do lamaçal moral em que o mundo se atascou.
Se o Não ganhar compram-se mais uns meses, negócio que a elite política tem sabido efetuar frequentemente e com grande mestria.
Tiago Mestre
Se for, os contratos CDS poderão ser reclamados junto dos emissores desses contratos (grandes bancos de Wall Street)
Se não for, os contratos CDS não poderão ser reclamados junto dos emissores, ficando os compradores dos CDS a "lerpar" com todo este negócio fraudulento.
Aqui no Contas inclinamo-nos para um NÃO como justificámos no post de 27 Fevereiro, contudo o nosso desejo é que o SIM vença.
Se o SIM ganhar pode criar desde já um terramoto financeiro, mas quem luta e aspira pela verdade, pelo rigor dos princípios e pela retidão no comportamento não deve recear as consequências de escolher o caminho mais difícil. Só assim se salvará do lamaçal moral em que o mundo se atascou.
Se o Não ganhar compram-se mais uns meses, negócio que a elite política tem sabido efetuar frequentemente e com grande mestria.
Tiago Mestre
29 de fevereiro de 2012
Quem sabe, sabe, e o BCE é que sabe!
A moeda euro sofreu hoje mais uma depreciação. O BCE emprestou 529 mil milhões de euros a 800 bancos !!...
Taxa de juro: 1%
Maturidade: 3 anos
É mais uma mão cheia de dinheiro que vai parar aos bancos e aos banqueiros, que por sua vez irão competir entre eles para comprar contratos de petróleo, metais preciosos, ações, e com alguma sorte, até emprestarão qualquer coisa às empresas. Basicamente temos mais dinheiro a competir pelos mesmos recursos. Consequência? Os preços sobem.
Quando perguntarem a vós próprios porque é que temos preços tão elevados na energia e na alimentação, nunca se esqueçam: expansão monetária.
Mario Draghi e o lusitano Vítor Constâncio dizem que isto é feito para proteger a economia. Porquê?
Porque são os bancos que alimentam as economias modernas, e sem bancos a economia trava. E porque precisam os bancos de liquidez do BCE?
Porque não emprestam entre eles. Porquê?
Porque desconfiam uns dos outros. Porquê?
Porque os capitais próprios dos bancos são uma mera fracção dos seus ativos. Basta declarar perdas nos seus ativos superiores ao seu capital próprio e têm que apresentar insolvência. Porquê?
Porque lhes foi permitido ter capital próprio de 2, pedir emprestado 98 a outros bancos a curto prazo e emprestar 100 aos seus clientes a longo prazo. Estão os nossos depósitos bancários seguros?
Não. E quem permitiu?
BANCO CENTRAL EUROPEU
A quem beneficia com tudo isto?
Aos bancos, que por terem sido perdulários e indisciplinados são recompensados e resgatados pela enésima vez.
A quem prejudica?
Ao povo, que paga tudo isto de forma indirecta através da inflação sem ser visto nem achado no processo.
Tudo isto patrocinado pela elite política, que nada faz para alterar este estado de coisas.
Get it!
Tiago Mestre
Taxa de juro: 1%
Maturidade: 3 anos
É mais uma mão cheia de dinheiro que vai parar aos bancos e aos banqueiros, que por sua vez irão competir entre eles para comprar contratos de petróleo, metais preciosos, ações, e com alguma sorte, até emprestarão qualquer coisa às empresas. Basicamente temos mais dinheiro a competir pelos mesmos recursos. Consequência? Os preços sobem.
Quando perguntarem a vós próprios porque é que temos preços tão elevados na energia e na alimentação, nunca se esqueçam: expansão monetária.
Mario Draghi e o lusitano Vítor Constâncio dizem que isto é feito para proteger a economia. Porquê?
Porque são os bancos que alimentam as economias modernas, e sem bancos a economia trava. E porque precisam os bancos de liquidez do BCE?
Porque não emprestam entre eles. Porquê?
Porque desconfiam uns dos outros. Porquê?
Porque os capitais próprios dos bancos são uma mera fracção dos seus ativos. Basta declarar perdas nos seus ativos superiores ao seu capital próprio e têm que apresentar insolvência. Porquê?
Porque lhes foi permitido ter capital próprio de 2, pedir emprestado 98 a outros bancos a curto prazo e emprestar 100 aos seus clientes a longo prazo. Estão os nossos depósitos bancários seguros?
Não. E quem permitiu?
BANCO CENTRAL EUROPEU
A quem beneficia com tudo isto?
Aos bancos, que por terem sido perdulários e indisciplinados são recompensados e resgatados pela enésima vez.
A quem prejudica?
Ao povo, que paga tudo isto de forma indirecta através da inflação sem ser visto nem achado no processo.
Tudo isto patrocinado pela elite política, que nada faz para alterar este estado de coisas.
Get it!
Tiago Mestre
Comissão de finanças norte-americana questiona Ben Bernanke sobre banalidades
Caros leitores e leitoras, após ter ouvido hoje o presidente Ben Bernanke na comissão de finanças do congresso norte-americano, bem como os congressistas que compõe a comissão e respectivas perguntas, o que se retira é de "uma pobreza quase franciscana".
Há congressistas a perguntar como é que a Reserva Federal pode baixar o mais o desemprego!!! Como se a Reserva Federal tivesse poderes para tal.
Há congressistas que pedem a Ben Bernanke para lhes explicar porque é que os preços do petróleo são tão elevados e como é que é possível baixá-los !!! outra pergunta disparatada.
Outros há que pedem a Ben Bernanke que lhes diga o que eles querem ouvir, talvez com intenções políticas.
Só mesmo Ron Paul lhe faz frente.
Conclusão: com uma comissão tão mal fiscalizadora da ação da Reserva Federal e do seu presidente, não admira que este faça a seu bel-prazer o que considera mais adequado. Dólar e Euro estão condenados a serem extintos ou reformulados com tão pouca fiscalização.
Tiago Mestre
Há congressistas a perguntar como é que a Reserva Federal pode baixar o mais o desemprego!!! Como se a Reserva Federal tivesse poderes para tal.
Há congressistas que pedem a Ben Bernanke para lhes explicar porque é que os preços do petróleo são tão elevados e como é que é possível baixá-los !!! outra pergunta disparatada.
Outros há que pedem a Ben Bernanke que lhes diga o que eles querem ouvir, talvez com intenções políticas.
Só mesmo Ron Paul lhe faz frente.
Conclusão: com uma comissão tão mal fiscalizadora da ação da Reserva Federal e do seu presidente, não admira que este faça a seu bel-prazer o que considera mais adequado. Dólar e Euro estão condenados a serem extintos ou reformulados com tão pouca fiscalização.
Tiago Mestre
28 de fevereiro de 2012
Sobre as dívidas dos hospitais...
Caros leitores e leitoras, é sabedoria comum nos corredores das administrações hospitalares deste país que as receitas de um hospital dificilmente neutralizam as despesas. Ou seja, os hospitais vivem há décadas com défices de exploração e cash flows negativos. Este problema era "solucionado" com uma injeção de capital esporádica pelo Estado, dando assim uma nova vida às instituições.
Foi assim que o setor da saúde, vaca sagradíssima da nossa constituição, resistiu aos constantes défices crónicos dos hospitais.
Mais recentemente, o dinheiro deixou de jorrar mas os serviços necessitavam de continuar abertos. As urgências tinham que ficar abertas 24 horas, a hemodiálise tinha que ter uma equipa permanente, a radiologia a mesma coisa, etc, etc. Quem não quer um hospital com todas as especialidades permanentemente disponíveis?
O problema é que os custos globais desta opção são bem acima dos valores que os portugueses podem pagar. Recorreu-se à dívida e recorreu-se também ao crédito dos fornecedores para compensar o cash flow negativo.
Os fornecedores de fármacos foram aqueles que mais sofreram com esta política "cobardolas". Como não houve coragem para assumir a realidade dos factos, foi-se ficando a dever a quem aceitava esse crédito. As indústrias farmacêuticas foram também bastante perdulárias em ter aceitado prazos de pagamento tão alargados.
Agora que o dinheiro já não jorra, é preciso que a classe política e a classe das administrações hospitalares venham explicar à população que a hemodiálise só funcionará em dias úteis das 09.00 às 18.00, as urgências fecham a partir da meia noite, e certas extensões de saúde terão que ser simplesmente suprimidas. A realidade custa a encarar quando é desagradável, mas é nesses momentos que vemos a fibra moral de cada indivíduo.
Tiago Mestre
Foi assim que o setor da saúde, vaca sagradíssima da nossa constituição, resistiu aos constantes défices crónicos dos hospitais.
Mais recentemente, o dinheiro deixou de jorrar mas os serviços necessitavam de continuar abertos. As urgências tinham que ficar abertas 24 horas, a hemodiálise tinha que ter uma equipa permanente, a radiologia a mesma coisa, etc, etc. Quem não quer um hospital com todas as especialidades permanentemente disponíveis?
O problema é que os custos globais desta opção são bem acima dos valores que os portugueses podem pagar. Recorreu-se à dívida e recorreu-se também ao crédito dos fornecedores para compensar o cash flow negativo.
Os fornecedores de fármacos foram aqueles que mais sofreram com esta política "cobardolas". Como não houve coragem para assumir a realidade dos factos, foi-se ficando a dever a quem aceitava esse crédito. As indústrias farmacêuticas foram também bastante perdulárias em ter aceitado prazos de pagamento tão alargados.
Agora que o dinheiro já não jorra, é preciso que a classe política e a classe das administrações hospitalares venham explicar à população que a hemodiálise só funcionará em dias úteis das 09.00 às 18.00, as urgências fecham a partir da meia noite, e certas extensões de saúde terão que ser simplesmente suprimidas. A realidade custa a encarar quando é desagradável, mas é nesses momentos que vemos a fibra moral de cada indivíduo.
Tiago Mestre
Uma ideia para o BCE (não) implementar.. (Parte 2)
Ficámos a saber que a 1ª ideia que sugerimos para o BCE (não) implementar no post de 22 Fevereiro 2012, afinal já foi ontem decretada:
A ideia era esta:
BCE Deixa de aceitar as obrigações gregas (velhas) que os credores possuem no seu portfolio como colateral para a obtenção de crédito junto do BCE.
Segundo uma notícia do site Business Insider, o BCE deixou de aceitar as obrigações gregas como colateral para novos empréstimos logo que se soube que a S&P baixou este ativo tóxico para o nível de default (incumprimento).
Mas para que os bancos gregos e alguns franceses não caiam na falência por falta de liquidez, o BCE remeteu a concessão de empréstimos comcarácter de emergência para os bancos centrais de cada país. Terá que ser o banco central da Grécia a emprestar aos bancos gregos, e por aí fora. Desconhecemos os termos desta operação, quem sai beneficiado ou prejudicado, mas uma coisa é certa: há sempre uma última alternativa para que os bancos não caiam na falência. Como nós gostávamos de ser banqueiros!
Tiago Mestre
A ideia era esta:
BCE Deixa de aceitar as obrigações gregas (velhas) que os credores possuem no seu portfolio como colateral para a obtenção de crédito junto do BCE.
Segundo uma notícia do site Business Insider, o BCE deixou de aceitar as obrigações gregas como colateral para novos empréstimos logo que se soube que a S&P baixou este ativo tóxico para o nível de default (incumprimento).
Mas para que os bancos gregos e alguns franceses não caiam na falência por falta de liquidez, o BCE remeteu a concessão de empréstimos comcarácter de emergência para os bancos centrais de cada país. Terá que ser o banco central da Grécia a emprestar aos bancos gregos, e por aí fora. Desconhecemos os termos desta operação, quem sai beneficiado ou prejudicado, mas uma coisa é certa: há sempre uma última alternativa para que os bancos não caiam na falência. Como nós gostávamos de ser banqueiros!
Tiago Mestre
27 de fevereiro de 2012
ISDA - acrónimo a reter
ISDA - International Swaps and Derivatives Association
Pouca gente conhece esta instituição, contudo o seu poder ultrapassa o de muitos governos soberanos.
A ISDA entre muitas outras coisas "regula" os contratos dos Credit Default Swaps (CDS) e determina se certos eventos de crédito se podem considerar como incumprimentos.
Se a ISDA determina que não há incumprimento, mesmo que tenha havido reestruturação da dívida, os detentores dos CDS não poderão reclamar o seguro.
Aguardamos esta semana se o evento de crédito da Grécia será considerado como incumprimento. Nós aqui no Contas já adivinhámos a resposta: não será declarado incumprimento! E porquê?
Porque o ISDA é "gerido" pelos principais bancos mundiais e foram estes que venderam milhões de contratos CDS ao planeta inteiro.
Como um incumprimento de dívida soberana era inimaginável até há 2 anos, foi vender até fartar, e agora que o incumprimento está prestes a acontecer, há que assegurar que tal evento não seja declarado incumprimento.
Para se perceber a aldrabice gigantesca que foi montada, os grandes bancos de Wall Street lucraram biliões com a venda deste lixo contratual, enganando milhões de investidores que se julgavam protegidos em caso de incumprimento. Os contratos tornam-se uma fraude na medida em que o "regulador" manipula a favor do emissor dos contratos. Máfia banqueira no seu melhor..
Os líderes europeus calam-se perante tal alarvidade porque lhes interessa. Se não se declarar incumprimento à dívida grega, o castelo de cartas dos contratos CDS não cai para já. A troca das obrigações velhas pelas novas assume uma perda REAL de mais de 70%. Se isto não é incumprimento, então o que será? 100%?
Esta decisão da ISDA servirá de lição a todos os investidores que confiaram na JP Morgan, Morgan Stanley, Deutche Bank, Barclays, Bank of America, etc, etc.
Tiago Mestre
Pouca gente conhece esta instituição, contudo o seu poder ultrapassa o de muitos governos soberanos.
A ISDA entre muitas outras coisas "regula" os contratos dos Credit Default Swaps (CDS) e determina se certos eventos de crédito se podem considerar como incumprimentos.
Se a ISDA determina que não há incumprimento, mesmo que tenha havido reestruturação da dívida, os detentores dos CDS não poderão reclamar o seguro.
Aguardamos esta semana se o evento de crédito da Grécia será considerado como incumprimento. Nós aqui no Contas já adivinhámos a resposta: não será declarado incumprimento! E porquê?
Porque o ISDA é "gerido" pelos principais bancos mundiais e foram estes que venderam milhões de contratos CDS ao planeta inteiro.
Como um incumprimento de dívida soberana era inimaginável até há 2 anos, foi vender até fartar, e agora que o incumprimento está prestes a acontecer, há que assegurar que tal evento não seja declarado incumprimento.
Para se perceber a aldrabice gigantesca que foi montada, os grandes bancos de Wall Street lucraram biliões com a venda deste lixo contratual, enganando milhões de investidores que se julgavam protegidos em caso de incumprimento. Os contratos tornam-se uma fraude na medida em que o "regulador" manipula a favor do emissor dos contratos. Máfia banqueira no seu melhor..
Os líderes europeus calam-se perante tal alarvidade porque lhes interessa. Se não se declarar incumprimento à dívida grega, o castelo de cartas dos contratos CDS não cai para já. A troca das obrigações velhas pelas novas assume uma perda REAL de mais de 70%. Se isto não é incumprimento, então o que será? 100%?
Esta decisão da ISDA servirá de lição a todos os investidores que confiaram na JP Morgan, Morgan Stanley, Deutche Bank, Barclays, Bank of America, etc, etc.
Tiago Mestre
26 de fevereiro de 2012
Alemanha, esse colosso de diferenças
Muito se tem pedido à Alemanha que salve os pobres europeus. Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Itália seriam aqueles a quem a rica Alemanha teria que suportar com tudo aquilo que eles precisassem.
Se os mercados desconfiam, a Alemanha chega-se à frente e não tosse.
A loucura dos tecnocratas europeus em sugerir o aumento do EFSF para 2 triliões de euros, a criação dos Eurobonds e a impressão ilimitada de euros pelo BCE revela que em tempos desesperados o que não falta é gente a suplicar medidas suicidas.
A Alemanha não é UM PAÍS. É UM CONJUNTO DE REGIÕES. Não é como Portugal que possui fronteiras definidas há muitos séculos e história que nunca mais acaba. Da Grécia então nem se fala.
A Alemanha com os seus desvarios ideológicos prometeu às suas descendências que a salvação se faria pelo trabalho e pela obediência cega. Não admira que quando aparece um líder mais "quente" se criem as condições ideais para regimes totalitários altamente idealistas e... irrealistas!
Numa Alemanha que ainda não tem 200 anos de fronteiras solidificadas, muita coisa já lá aconteceu e nada bonito de se ver.
Se a 1ª Guerra mundial foi demasiado sangrenta, de pouco serviu para atenuar a impetuosidade das elites que iniciaram a 2ª. Tiveram uma hiper-inflação gravíssima entre as 2 guerras e quando o país em 1945 já estava destruído, tiveram a "sorte" de o ver dividido em dois.
Desde os finais da década de 40 até 1990, a Alemanha esteve dividida física, cultural e economicamente.
Com a queda do muro de Berlim em 1990, a Alemanha unificou-se... mas apenas no papel. A antiga rica RFA iniciou um programa gigantesco, que ainda hoje dura, de transferência de fundos públicos para a antiga RDA, na esperança de que o despejo de dinheiro em cima duma coisa a transforme naquilo que mais desejamos: desenvolvimento económico. Infelizmente não foi o caso, e após todo este (des)investimento, a zona da antiga RDA está longe do poderio económico da antiga RFA.
O desemprego grassa, há subsídios para tudo, e não há maneira de desenvolver a região. Zonas há onde a população envelheceu e os jovens fugiram para outras paragens (onde é que já vimos este filme). A própria Angela Merkel é proveniente do Leste e certamente tem a perceção dos problemas que grassam naquela região alemã. Berlim localiza-se naquela zona mas é protegida economicamente por ser a capital da reunificação alemã.
Curiosamente, é na zona leste que a extrema-direita continua a marcar pontos e onde o fantasma do nazismo mais aparece.
Isto tudo para dizer que Angela Merkel tem internamente muitos equilíbrios para gerir, muitas sensibilidades para conciliar e certamente, muita dificuldade em passar a mensagem de que mais dinheiro é necessário para salvar a pobre Europa. Angela Merkel tem a sua própria europazinha interna para gerir.
Para convencer os contribuintes alemães de que há mais europeus, para além dos alemães pobres que ocupam quase metade do país, a precisar de ajuda financeira, Merkel teve que exigir "coisas" à UE e aos países financeiramente assistidos. Eis a chamada austeridade.
Pouco interessava se a austeridade funcionaria num país como a Grécia; o que era importante era haver uma contrapartida do lado lá para "descansar" os contribuintes alemães de que o seu dinheiro estava (outra vez) a ser bem empregue. Com esta "acrobacia" política, Merkel conseguiu não dizer não a toda a gente. Eis a magia da política em todo o seu esplendor.
Infelizmente todo este romance tem muitas falhas e o próprio conceito de assistência financeira é um logro como se está a ver na Grécia, contudo é de louvar a capacidade dos políticos na arte de comprar tempo bem para lá do inimaginável.
Tiago Mestre
Se os mercados desconfiam, a Alemanha chega-se à frente e não tosse.
A loucura dos tecnocratas europeus em sugerir o aumento do EFSF para 2 triliões de euros, a criação dos Eurobonds e a impressão ilimitada de euros pelo BCE revela que em tempos desesperados o que não falta é gente a suplicar medidas suicidas.
A Alemanha não é UM PAÍS. É UM CONJUNTO DE REGIÕES. Não é como Portugal que possui fronteiras definidas há muitos séculos e história que nunca mais acaba. Da Grécia então nem se fala.
A Alemanha com os seus desvarios ideológicos prometeu às suas descendências que a salvação se faria pelo trabalho e pela obediência cega. Não admira que quando aparece um líder mais "quente" se criem as condições ideais para regimes totalitários altamente idealistas e... irrealistas!
Numa Alemanha que ainda não tem 200 anos de fronteiras solidificadas, muita coisa já lá aconteceu e nada bonito de se ver.
Se a 1ª Guerra mundial foi demasiado sangrenta, de pouco serviu para atenuar a impetuosidade das elites que iniciaram a 2ª. Tiveram uma hiper-inflação gravíssima entre as 2 guerras e quando o país em 1945 já estava destruído, tiveram a "sorte" de o ver dividido em dois.
Desde os finais da década de 40 até 1990, a Alemanha esteve dividida física, cultural e economicamente.
Com a queda do muro de Berlim em 1990, a Alemanha unificou-se... mas apenas no papel. A antiga rica RFA iniciou um programa gigantesco, que ainda hoje dura, de transferência de fundos públicos para a antiga RDA, na esperança de que o despejo de dinheiro em cima duma coisa a transforme naquilo que mais desejamos: desenvolvimento económico. Infelizmente não foi o caso, e após todo este (des)investimento, a zona da antiga RDA está longe do poderio económico da antiga RFA.
O desemprego grassa, há subsídios para tudo, e não há maneira de desenvolver a região. Zonas há onde a população envelheceu e os jovens fugiram para outras paragens (onde é que já vimos este filme). A própria Angela Merkel é proveniente do Leste e certamente tem a perceção dos problemas que grassam naquela região alemã. Berlim localiza-se naquela zona mas é protegida economicamente por ser a capital da reunificação alemã.
Curiosamente, é na zona leste que a extrema-direita continua a marcar pontos e onde o fantasma do nazismo mais aparece.
Isto tudo para dizer que Angela Merkel tem internamente muitos equilíbrios para gerir, muitas sensibilidades para conciliar e certamente, muita dificuldade em passar a mensagem de que mais dinheiro é necessário para salvar a pobre Europa. Angela Merkel tem a sua própria europazinha interna para gerir.
Para convencer os contribuintes alemães de que há mais europeus, para além dos alemães pobres que ocupam quase metade do país, a precisar de ajuda financeira, Merkel teve que exigir "coisas" à UE e aos países financeiramente assistidos. Eis a chamada austeridade.
Pouco interessava se a austeridade funcionaria num país como a Grécia; o que era importante era haver uma contrapartida do lado lá para "descansar" os contribuintes alemães de que o seu dinheiro estava (outra vez) a ser bem empregue. Com esta "acrobacia" política, Merkel conseguiu não dizer não a toda a gente. Eis a magia da política em todo o seu esplendor.
Infelizmente todo este romance tem muitas falhas e o próprio conceito de assistência financeira é um logro como se está a ver na Grécia, contudo é de louvar a capacidade dos políticos na arte de comprar tempo bem para lá do inimaginável.
Tiago Mestre
25 de fevereiro de 2012
Petróleo teima em não descer (Parte 3)
Caros leitores e leitoras, algo de muito estranho se está a passar. Parece que houve uma corrida desenfreada por parte dos investidores na aquisição de commodities, nomeadamente petróleo, ouro, prata, etc
Para os governadores dos bancos centrais, isto são péssimas notícias. Toda aquela liquidez que injectaram no mercado (QE, LTRO, SMP, etc) julgavam eles que seria utilizada para adquirir obrigações soberanas, ações de empresas nas bolsas, empréstimos à economia privada, e outros, mas não para petróleo e metais raros.
Adquirir petróleo nos mercados e fazê-lo aumentar de preço significa tornar tudo, mas mesmo tudo, mais caro. O petróleo serve para produzir bens e transportá-los, de um lado do planeta para o outro. O petróleo é o combustível da globalização. Sem petróleo barato a globalização começa a colapsar aqui e acolá.
Petróleo mais caro significa INFLAÇÃO fora de controle e recessões económicas nos países ocidentais.
As recessões já aí estão em força, com Portugal e Grécia a liderar, mas seguidos de perto pela Itália, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos etc, etc. Quem diria que com tantos países ocidentais a roçar a recessão económica, o petróleo se fosse comportar desta maneira. NENHUM governador de banco central acreditou que tal evolução seria possível e agora que a liquidez já foi injectada nos mercados, é uma chatice trazê-la de volta.
Bom, há uma maneira de o fazer, mas nenhum político possui atualmente coragem para tal: AUMENTAR AS TAXAS DE JURO. Ninguém o quer fazer porque os mercados financeiros estão todos dependentes de taxas de juro a roçar os 0%. Aumentá-las significa colocar os bancos em apuros, e todos nós sabemos para quem trabalham os governadores dos bancos centrais!
Mario Draghi, o recente nomeado presidente do BCE, jogou tudo o que tinha e o que não tinha quando decidiu efectuar as seguintes políticas expansionistas:
Baixar a taxa de juro principal para 1%
Reforço da aquisição de obrigações soberanas, nomeadamente italianas e espanholas
Concessão de empréstimos de 700 mil milhões de euros aos bancos privados europeus, com maturidades a 3 anos e taxas de juro a 1%. (LTRO 1)
Novo empréstimo para 29 Fevereiro 2012 nas mesmas condições do anterior mas com um montante que pode ir até ao trilião de euros (1 000 000 000 000 euros) (LTRO 2)
Com estas jogadas estancou algum nervosismo que pairava no setor, mas não ponderou as consequências indiretas das suas ações. É quase sempre assim com os políticos. Muita energia, muita força, muitas ações, mas não percebem que podem fazer mais mal do que bem. Este aumento súbito do preço do petróleo pode muito bem ser a abertura da caixa de Pandora.
Evolução do preço do barril de Brent (negociado em Inglaterra) num ano:
Evolução do barril de crude (negociado no Texas, EUA) num ano:
O OURO é outro indicador razoável para se compreender a expansão monetária que os governos centrais têm executado ao longo desta última década. Quem compra OURO quer proteger-se contra a desvalorização da moeda.
Sem comentários...
Tiago Mestre
Para os governadores dos bancos centrais, isto são péssimas notícias. Toda aquela liquidez que injectaram no mercado (QE, LTRO, SMP, etc) julgavam eles que seria utilizada para adquirir obrigações soberanas, ações de empresas nas bolsas, empréstimos à economia privada, e outros, mas não para petróleo e metais raros.
Adquirir petróleo nos mercados e fazê-lo aumentar de preço significa tornar tudo, mas mesmo tudo, mais caro. O petróleo serve para produzir bens e transportá-los, de um lado do planeta para o outro. O petróleo é o combustível da globalização. Sem petróleo barato a globalização começa a colapsar aqui e acolá.
Petróleo mais caro significa INFLAÇÃO fora de controle e recessões económicas nos países ocidentais.
As recessões já aí estão em força, com Portugal e Grécia a liderar, mas seguidos de perto pela Itália, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos etc, etc. Quem diria que com tantos países ocidentais a roçar a recessão económica, o petróleo se fosse comportar desta maneira. NENHUM governador de banco central acreditou que tal evolução seria possível e agora que a liquidez já foi injectada nos mercados, é uma chatice trazê-la de volta.
Bom, há uma maneira de o fazer, mas nenhum político possui atualmente coragem para tal: AUMENTAR AS TAXAS DE JURO. Ninguém o quer fazer porque os mercados financeiros estão todos dependentes de taxas de juro a roçar os 0%. Aumentá-las significa colocar os bancos em apuros, e todos nós sabemos para quem trabalham os governadores dos bancos centrais!
Mario Draghi, o recente nomeado presidente do BCE, jogou tudo o que tinha e o que não tinha quando decidiu efectuar as seguintes políticas expansionistas:
Baixar a taxa de juro principal para 1%
Reforço da aquisição de obrigações soberanas, nomeadamente italianas e espanholas
Concessão de empréstimos de 700 mil milhões de euros aos bancos privados europeus, com maturidades a 3 anos e taxas de juro a 1%. (LTRO 1)
Novo empréstimo para 29 Fevereiro 2012 nas mesmas condições do anterior mas com um montante que pode ir até ao trilião de euros (1 000 000 000 000 euros) (LTRO 2)
Com estas jogadas estancou algum nervosismo que pairava no setor, mas não ponderou as consequências indiretas das suas ações. É quase sempre assim com os políticos. Muita energia, muita força, muitas ações, mas não percebem que podem fazer mais mal do que bem. Este aumento súbito do preço do petróleo pode muito bem ser a abertura da caixa de Pandora.
Evolução do preço do barril de Brent (negociado em Inglaterra) num ano:
Evolução do barril de crude (negociado no Texas, EUA) num ano:
O OURO é outro indicador razoável para se compreender a expansão monetária que os governos centrais têm executado ao longo desta última década. Quem compra OURO quer proteger-se contra a desvalorização da moeda.
Sem comentários...
Tiago Mestre
23 de fevereiro de 2012
China - parceiro comercial e... cultural
Temos insistido aqui no Contas em relatar aos leitores o que de mal se faz hoje na União Europeia e a insustentabilidade económica em que Portugal se encavalitou nas últimas décadas.
A partilha económica e cultural entre Portugal e a Europa do Norte tem sido desequilibrada e sobretudo leonina para a segunda parte.
Também aqui no Contas temos relatado as divergências culturais e civilizacionais entre as culturas do Sul e do Norte da Europa. Estas divergências começam a emergir, tal e qual como um icebergue que está perdendo nível de água.
Mais do que nunca, os portugueses e as portuguesas precisam de se reencontrar consigo próprios, como portugueses assumidos, sem comparações com as culturas do Norte. Precisamos de saber com que país é que podemos contar e quais as potencialidades internas que temos.
Reduzir a presença do Estado e tornar a economia menos dependente da manipulação estatal só reforçará a nossa capacidade de sobrevivência e criatividade. Outra alteração essencial é transitar população ativa do setor dos serviços para a indústria e fundamentalmente para a agricultura. Precisamos de evitar bens importados, tanto de primeira necessidade com de segunda e até de terceira. Os serviços têm que cair dos seus 78% do PIB para 60% ou até 50%. Mas se juntarmos a tudo isto um parceiro económico, com pontos culturais em comum, que nos forneça meios e ferramentas para que o país mude a sua trajetória de endividamento e dependência do jugo europeu, então meus amigos, a conversa muda de figura.
A China entrou recentemente em Portugal, pelo menos de forma oficial, na aquisição de acções de empresas que até agora eram detidas maioritariamente pelo estado português. Suspeitamos que a presença chinesa em Portugal ao mais alto nível não seja de agora, e pela “calada”, à boa maneira chinesa, já realizam trabalho preparatório há algum tempo tendo em vista novos investimentos.
A cultura chinesa ainda é um paradoxo para nós, na medida em que grande parte da sua história secular reflecte guerras “intestinas”, fecho de fronteiras, e pouca ou nenhuma abertura ao mundo exterior.
Recentemente vimos um documentário sobre o percurso político do ex-secretário de estado norte-americano Henry Kissinger, e este afirmava que há 40 anos a China não comunicava com o exterior. Simplesmente não se sabia o que lá acontecia.
Recentemente vimos um documentário sobre o percurso político do ex-secretário de estado norte-americano Henry Kissinger, e este afirmava que há 40 anos a China não comunicava com o exterior. Simplesmente não se sabia o que lá acontecia.
A história secular da China sempre reforçou a ideia de que a sua cultura é de dentro para dentro, e daí a nossa perplexidade nesta expansão imperialista/capitalista que Deng Xiau Ping iniciou em finais dos anos 70 e que hoje chegou à categoria de potência industrial do planeta.
Suspeitamos da sua capacidade em manter-se como uma potência imperialista durante muito tempo no mundo, mas tais reservas não nos devem inibir de experimentar uma relação que se pode tornar frutuosa.
É crucial perceber o que é que eles querem de Portugal e que tipo de relação querem estabelecer com os portugueses. A relação só será interessante se perceberem e respeitarem primeiro a nossa história e a nossa cultura. Se for para jogar connosco da mesma maneira que os países do norte da Europa jogaram, então, não obrigado!
Tiago Mestre
22 de fevereiro de 2012
Uma ideia para o BCE (não) implementar..
Como já estamos habituados aos esquemas do BCE, começa a tornar-se interessante "pensar" pela cabeça deles, na perspectiva de compreender os mecanismos subjacentes à sua ação.
Premissa:
O BCE tem todo o interesse que os credores privados participem na troca de obrigações gregas para Março
Pergunta:
Como "influenciar" os credores para que tal objectivo seja atingido?
Resposta:
Informa o sector financeiro de várias decisões:
1ª Deixa de aceitar as obrigações gregas (velhas) que os credores possuem no seu portfolio como colateral para a obtenção de crédito junto do BCE;
2ª Aceita as obrigações gregas novas como colateral para o pedido de empréstimos;
3ª Exige aos credores que apresentem uma certa percentagem de obrigações gregas novas numa eventual 3ª fase do programa LTRO. Este programa teve a 1ª fase em Dezembro, a 2ª será no final de Fevereiro e para já não há indicações de haver uma 3ª. Este programa permite aos bancos obter fundos quase ilimitados do BCE, com maturidade a 3 anos e uma taxa de juro de 1%. Ninguém quer ficar de fora de um financiamento tão atractivo quando o mercado interbancário funciona mal.
Em jeito de desespero, é possível que os banqueiros prefiram trocar eventuais prejuízos (aquisição de obrigações gregas) por liquidez (acesso ao financiamento do BCE). É assim que as manipulações começam e eventualmente acabam. BCE, Reserva Federal e outros bancos centrais têm o mercado"todo" agarrado a estes exercícios manipulatórios. E ainda há políticos e opinion makers da nossa parça que querem o BCE ainda mais interventivo. Sem comentários.
Ahh, e esperamos não estar a dar "dicas" a Constâncio e a Draghi...
Tiago Mestre
Premissa:
O BCE tem todo o interesse que os credores privados participem na troca de obrigações gregas para Março
Pergunta:
Como "influenciar" os credores para que tal objectivo seja atingido?
Resposta:
Informa o sector financeiro de várias decisões:
1ª Deixa de aceitar as obrigações gregas (velhas) que os credores possuem no seu portfolio como colateral para a obtenção de crédito junto do BCE;
2ª Aceita as obrigações gregas novas como colateral para o pedido de empréstimos;
3ª Exige aos credores que apresentem uma certa percentagem de obrigações gregas novas numa eventual 3ª fase do programa LTRO. Este programa teve a 1ª fase em Dezembro, a 2ª será no final de Fevereiro e para já não há indicações de haver uma 3ª. Este programa permite aos bancos obter fundos quase ilimitados do BCE, com maturidade a 3 anos e uma taxa de juro de 1%. Ninguém quer ficar de fora de um financiamento tão atractivo quando o mercado interbancário funciona mal.
Em jeito de desespero, é possível que os banqueiros prefiram trocar eventuais prejuízos (aquisição de obrigações gregas) por liquidez (acesso ao financiamento do BCE). É assim que as manipulações começam e eventualmente acabam. BCE, Reserva Federal e outros bancos centrais têm o mercado"todo" agarrado a estes exercícios manipulatórios. E ainda há políticos e opinion makers da nossa parça que querem o BCE ainda mais interventivo. Sem comentários.
Ahh, e esperamos não estar a dar "dicas" a Constâncio e a Draghi...
Tiago Mestre
O OBJECTIVO É: AGUENTAR A GRÉCIA (Parte 2)
Não está fácil para os políticos europeus passarem a mensagem de que este acordo é uma delícia e que resolve os problemas da Grécia. Infelizmente não resolve, mesmo com declarações rosa choque.
Cortesia ZeroHedge:
Taxa de juro das obrigações a 1 ano atingem 763%. Em Setembro de 2011 situavam-se em 100%.
Azar para os investidores que ainda há uma semana compraram obrigações quando a taxa de juro se situava nos 630%!
O índice das ações dos bancos gregos também teve uma evolução curiosa:
Numa semana houve euforia, baseada nos cabeçalhos otimistas e esperançosos de que o acordo estaria na calha e que tudo seria resolvido.
Na seguinte houve depressão (ainda só estamos a meio!), JÁ DEPOIS DO ACORDO ENTRE UE E A GRÉCIA!
Ontem reforçámos a ideia de que a aprovação do acordo provavelmente não seduziria os investidores. Parece que para já é esse o sentimento.
O grande teste está marcado para Março, altura em que os credores serão "convidados" a trocar as suas obrigações gregas por outras novas assumindo as perdas nominais de 53% e as perdas reais superiores a 70%! Boa sorte..
Tiago Mestre
Cortesia ZeroHedge:
Taxa de juro das obrigações a 1 ano atingem 763%. Em Setembro de 2011 situavam-se em 100%.
Azar para os investidores que ainda há uma semana compraram obrigações quando a taxa de juro se situava nos 630%!
O índice das ações dos bancos gregos também teve uma evolução curiosa:
Numa semana houve euforia, baseada nos cabeçalhos otimistas e esperançosos de que o acordo estaria na calha e que tudo seria resolvido.
Na seguinte houve depressão (ainda só estamos a meio!), JÁ DEPOIS DO ACORDO ENTRE UE E A GRÉCIA!
Ontem reforçámos a ideia de que a aprovação do acordo provavelmente não seduziria os investidores. Parece que para já é esse o sentimento.
O grande teste está marcado para Março, altura em que os credores serão "convidados" a trocar as suas obrigações gregas por outras novas assumindo as perdas nominais de 53% e as perdas reais superiores a 70%! Boa sorte..
Tiago Mestre
21 de fevereiro de 2012
O OBJECTIVO É: AGUENTAR A GRÉCIA...
O objectivo é: AGUENTAR..
Aguentar o mais possível, fugir do incumprimento unilateral e continuar a emprestar dinheiro à Grécia.
A UE aprovou mais um plano de financiamento à Grécia em condições que já toda a gente percebe que não são satisfatórias para ninguém, à exceção de Durão Barroso e Venizelos, arautos das coisas boas da vida, mesmo que elas nunca cheguem a acontecer.
Falta agora perceber se os credores privados aceitarão as condições da Grécia para a declaração da bancarrota. É necessária uma participação de 95% , ou seja, toda a gente. E aqui é que a "porca torce o rabo."
Estatisticamente falando, há 6 meses a Grécia propôs uma perda de 21% das suas obrigações em condições altamente favoráveis. Não se atingiu a participação desejada e nunca revelaram a percentagem, indiciando um potencial vexame público pela paupérrima adesão.
Hoje pede-se que assumam perdas de mais de 70% em valor real face ao preço inicial da obrigação, ou então 53% do valor nominal. Em qualquer dos casos, é mais do dobro do esforço que foi pedido aos credores privados há 6 meses. À exceção dos bancos gregos e de mais alguns estrangeiros, suspeitamos que a adesão seja fraca e com isso novas nuvens negras pairarão sobre a bancarrota unilateral da Grécia. Sabemos que a UE aprovou a utilização de 30 mil milhões de euros do EFSF como "estímulo" ao envolvimento dos credores privados no negócio, mas será tal operação suficiente?
Este tipo de "jogadas" financeiras são muito à maneira de Jean Claude Juncker, mas este não tem tido grande sucesso com as artimanhas que inventa.
Será que ainda se lembram do fundo EFSF que em Setembro 2011 seria elevado a 2 biliões de euros? Este seria transformado num mecanismo de seguro de crédito suportado pelas garantias dos vários países membros do euro. Basicamente os países não poriam 1 cêntimo de lado para o EFSF, a não ser que alguma bancarrota ocorresse. Os credores perceberam a aldrabice e o projecto ruiu. O EFSF ficou-se por menos de metade do que se pretendia. Juncker - tem paciência!
No passado recente tínhamos escrito que era nossa convicção de que um acordo entre políticos seria atingido, mas a história do envolvimento dos credores privados assume outros contornos e apenas boa vontade política não basta.
Estes muniram-se de CDS (Credit Default Swaps) para se protegerem de quebra de contrato (bancarrota) pela Grécia nas obrigações que compraram. Um "acordo" com a Grécia ou PSI (Private Sector Involvement) não lhes dará o direito de reclamar o seguro dos CDS, e assim perdem dos dois lados. Nenhum investidor quer perder dos dois lados. Se perde de um lado quer ganhar qualquer coisa pelo outro, neutralizando a "asneira" de ter comprado obrigações de um país pouco credível em termos financeiros.
Aguardamos pela resposta (positiva?) dos credores privados, e já agora também a resposta dos gregos, que marcaram já para amanhã um Corso de Carnaval bem animado na praça Syntagma.
Tiago Mestre
Aguentar o mais possível, fugir do incumprimento unilateral e continuar a emprestar dinheiro à Grécia.
A UE aprovou mais um plano de financiamento à Grécia em condições que já toda a gente percebe que não são satisfatórias para ninguém, à exceção de Durão Barroso e Venizelos, arautos das coisas boas da vida, mesmo que elas nunca cheguem a acontecer.
Falta agora perceber se os credores privados aceitarão as condições da Grécia para a declaração da bancarrota. É necessária uma participação de 95% , ou seja, toda a gente. E aqui é que a "porca torce o rabo."
Estatisticamente falando, há 6 meses a Grécia propôs uma perda de 21% das suas obrigações em condições altamente favoráveis. Não se atingiu a participação desejada e nunca revelaram a percentagem, indiciando um potencial vexame público pela paupérrima adesão.
Hoje pede-se que assumam perdas de mais de 70% em valor real face ao preço inicial da obrigação, ou então 53% do valor nominal. Em qualquer dos casos, é mais do dobro do esforço que foi pedido aos credores privados há 6 meses. À exceção dos bancos gregos e de mais alguns estrangeiros, suspeitamos que a adesão seja fraca e com isso novas nuvens negras pairarão sobre a bancarrota unilateral da Grécia. Sabemos que a UE aprovou a utilização de 30 mil milhões de euros do EFSF como "estímulo" ao envolvimento dos credores privados no negócio, mas será tal operação suficiente?
Este tipo de "jogadas" financeiras são muito à maneira de Jean Claude Juncker, mas este não tem tido grande sucesso com as artimanhas que inventa.
Será que ainda se lembram do fundo EFSF que em Setembro 2011 seria elevado a 2 biliões de euros? Este seria transformado num mecanismo de seguro de crédito suportado pelas garantias dos vários países membros do euro. Basicamente os países não poriam 1 cêntimo de lado para o EFSF, a não ser que alguma bancarrota ocorresse. Os credores perceberam a aldrabice e o projecto ruiu. O EFSF ficou-se por menos de metade do que se pretendia. Juncker - tem paciência!
No passado recente tínhamos escrito que era nossa convicção de que um acordo entre políticos seria atingido, mas a história do envolvimento dos credores privados assume outros contornos e apenas boa vontade política não basta.
Estes muniram-se de CDS (Credit Default Swaps) para se protegerem de quebra de contrato (bancarrota) pela Grécia nas obrigações que compraram. Um "acordo" com a Grécia ou PSI (Private Sector Involvement) não lhes dará o direito de reclamar o seguro dos CDS, e assim perdem dos dois lados. Nenhum investidor quer perder dos dois lados. Se perde de um lado quer ganhar qualquer coisa pelo outro, neutralizando a "asneira" de ter comprado obrigações de um país pouco credível em termos financeiros.
Aguardamos pela resposta (positiva?) dos credores privados, e já agora também a resposta dos gregos, que marcaram já para amanhã um Corso de Carnaval bem animado na praça Syntagma.
Tiago Mestre
20 de fevereiro de 2012
BCE troca obrigações com a Grécia. Confuso? Talvez não (Parte2)
Pelos vistos a operação de troca de obrigações que o BCE realizou com a Grécia foi totalmente à revelia do mercado.
Para o BCE não assumir perdas nas obrigações gregas, preocupação que referimos aqui no Contas vezes sem conta, vendeu o que tinha à pressa, "limpando" o seu balanço como se nada tivesse passado. À primeira vista até parece uma operação airosa, mas analisando de forma mais profunda, esta foi a mensagem que passou para os mercados:
Nós BCE, estamos acima de qualquer lei ou de qualquer regra tácita ou explícita. Fazemos o que queremos, quando queremos e como queremos. Se hoje seguimos as regras, amanhã podemos fugir delas sem dar "cavaco" a ninguém. Os mercados que se aguentem com as perdas e com os prejuízos, porque nós, BCE, não nos podemos dar ao "luxo" de relatar perdas no nosso balanço, o que exigiria mais dinheiro dos bancos nacionais e respectivas economias para compensar a perda dos capitais próprios.
Se se lembram, o BCE começou em Maio de 2010 a adquirir obrigações de países "aflitos" para controlar a desconfiança dos investidores e travar a subida dos juros. Não só esta operação é ilegal pelo Tratado de Lisboa, fenómeno que abordámos aqui no Contas tantas vezes, como as consequências de tais operações são nefastas para a credibilidade do Banco e em última analise para o euro. O BCE deveria ser o último bastião na defesa do euro e no respeito pelas regras de transacções financeiras na zona euro. Começou a perder esse estatuto quando se imiscuiu no mercado, comprando e vendendo como se fosse um qualquer investidor, e agora que deveria reportar perdas, como qualquer outro investidor, foge das suas responsabilidades, tal como um cobarde se esconde quando não quer enfrentar as consequências das suas ações.
É nisto que dá a irresponsabilidade política. Se hoje o BCE faz isto com obrigações da Grécia, amanhã fará com as taxas de juro das de Portugal, com a maturidade das de Espanha e por aí a fora. Imaginem como se sentem os investidores de obrigações soberanas da Europa - a maior região económica do mundo.
Esta decisão que vai ao arrepio das regras mais elementares dos mercados financeiros deveria ser severamente punida pelas instituições europeias (Quais??), culminando nas demissões de Mario Draghi, Vitor Constâncio e a instauração de processos judiciais aos visados por gestão danosa, abuso de poder e outros.
Este último parágrafo foi um devaneio nosso porque a realidade está demasiado distante desta pretensão.
Tiago Mestre
Para o BCE não assumir perdas nas obrigações gregas, preocupação que referimos aqui no Contas vezes sem conta, vendeu o que tinha à pressa, "limpando" o seu balanço como se nada tivesse passado. À primeira vista até parece uma operação airosa, mas analisando de forma mais profunda, esta foi a mensagem que passou para os mercados:
Nós BCE, estamos acima de qualquer lei ou de qualquer regra tácita ou explícita. Fazemos o que queremos, quando queremos e como queremos. Se hoje seguimos as regras, amanhã podemos fugir delas sem dar "cavaco" a ninguém. Os mercados que se aguentem com as perdas e com os prejuízos, porque nós, BCE, não nos podemos dar ao "luxo" de relatar perdas no nosso balanço, o que exigiria mais dinheiro dos bancos nacionais e respectivas economias para compensar a perda dos capitais próprios.
Se se lembram, o BCE começou em Maio de 2010 a adquirir obrigações de países "aflitos" para controlar a desconfiança dos investidores e travar a subida dos juros. Não só esta operação é ilegal pelo Tratado de Lisboa, fenómeno que abordámos aqui no Contas tantas vezes, como as consequências de tais operações são nefastas para a credibilidade do Banco e em última analise para o euro. O BCE deveria ser o último bastião na defesa do euro e no respeito pelas regras de transacções financeiras na zona euro. Começou a perder esse estatuto quando se imiscuiu no mercado, comprando e vendendo como se fosse um qualquer investidor, e agora que deveria reportar perdas, como qualquer outro investidor, foge das suas responsabilidades, tal como um cobarde se esconde quando não quer enfrentar as consequências das suas ações.
É nisto que dá a irresponsabilidade política. Se hoje o BCE faz isto com obrigações da Grécia, amanhã fará com as taxas de juro das de Portugal, com a maturidade das de Espanha e por aí a fora. Imaginem como se sentem os investidores de obrigações soberanas da Europa - a maior região económica do mundo.
Esta decisão que vai ao arrepio das regras mais elementares dos mercados financeiros deveria ser severamente punida pelas instituições europeias (Quais??), culminando nas demissões de Mario Draghi, Vitor Constâncio e a instauração de processos judiciais aos visados por gestão danosa, abuso de poder e outros.
Este último parágrafo foi um devaneio nosso porque a realidade está demasiado distante desta pretensão.
Tiago Mestre
17 de fevereiro de 2012
As mentiras de Jean Claude Juncker no radar mediático
Caros leitores e leitoras, não somos só nós aqui no Contas que nos preocupamos com as mentiras, omissões e outras inverdades proclamadas pelos líderes políticos europeus à frente das câmaras.
O newsbote tem um pequeno artigo que relata um excerto de uma entrevista do Der Spiegel a Jean Claude Juncker em que este é confrontado com uma notícia de que ele teria mentido à comunicação social acerca da existência de uma suposta reunião "secreta" com líderes europeus. A resposta de Juncker sobre esta questão revela como a manipulação das ideias e das respostas está totalmente ao serviço destas lideranças.
Afinal de contas, Deus percebe tudo, até as circunstâncias, e tudo perdoa, sem exceção.
Muito gostaríamos nós que o jornalismo português estivesse ao serviço do povo, escrutinando as ações da classe política e "entalando-a" no momento certo.. Mentir deixaria de ser compensatório e talvez a coisa começasse a inverter-se. Estamos longe desse cenário, e o que temos visto são horas e horas de espaço mediático concedido aos políticos para dizerem o que bem lhes aprouver sem qualquer escrutínio jornalístico. Isto acontece sobretudo nos canais de notícias da televisão por cabo. É propaganda política que ainda por cima lhes é paga com avenças. Esquisita maneira de conquistar votos.
Tiago Mestre
O newsbote tem um pequeno artigo que relata um excerto de uma entrevista do Der Spiegel a Jean Claude Juncker em que este é confrontado com uma notícia de que ele teria mentido à comunicação social acerca da existência de uma suposta reunião "secreta" com líderes europeus. A resposta de Juncker sobre esta questão revela como a manipulação das ideias e das respostas está totalmente ao serviço destas lideranças.
Afinal de contas, Deus percebe tudo, até as circunstâncias, e tudo perdoa, sem exceção.
Muito gostaríamos nós que o jornalismo português estivesse ao serviço do povo, escrutinando as ações da classe política e "entalando-a" no momento certo.. Mentir deixaria de ser compensatório e talvez a coisa começasse a inverter-se. Estamos longe desse cenário, e o que temos visto são horas e horas de espaço mediático concedido aos políticos para dizerem o que bem lhes aprouver sem qualquer escrutínio jornalístico. Isto acontece sobretudo nos canais de notícias da televisão por cabo. É propaganda política que ainda por cima lhes é paga com avenças. Esquisita maneira de conquistar votos.
Tiago Mestre
16 de fevereiro de 2012
BCE troca obrigações gregas com a Grécia. Confuso? Talvez
Vejam lá esta artimanha do BCE:
Vai vender as obrigações que possui da Grécia à Grécia, em troca de novas obrigações emitidas pela... Grécia.
Desta forma foge às perdas que a Grécia e os credores querem impor às obrigações que o BCE tem vindo a adquirir desde Maio de 2010. Assim sendo, se a Grécia declarar bancarrota e tiver que incluir perdas nestas obrigações que "comprou" ao BCE, mais prejuízo para a Grécia. São só 50 mil milhões de euros em obrigações...
Será que o Dr. Vitor Constâncio não sente o mínimo de vergonha pela aldrabice financeira em que está metido ao gerir o BCE como se estivesse a viver o sonho da Alice no País das Maravilhas?
Ainda estamos a tentar perceber melhor que esquema é este e suas consequências.
Muita aparência, nenhuma substância. Leia a notícia aqui
Tiago Mestre
Vai vender as obrigações que possui da Grécia à Grécia, em troca de novas obrigações emitidas pela... Grécia.
Desta forma foge às perdas que a Grécia e os credores querem impor às obrigações que o BCE tem vindo a adquirir desde Maio de 2010. Assim sendo, se a Grécia declarar bancarrota e tiver que incluir perdas nestas obrigações que "comprou" ao BCE, mais prejuízo para a Grécia. São só 50 mil milhões de euros em obrigações...
Será que o Dr. Vitor Constâncio não sente o mínimo de vergonha pela aldrabice financeira em que está metido ao gerir o BCE como se estivesse a viver o sonho da Alice no País das Maravilhas?
Ainda estamos a tentar perceber melhor que esquema é este e suas consequências.
Muita aparência, nenhuma substância. Leia a notícia aqui
Tiago Mestre
Petróleo teima em não descer (Parte 2)
Caros leitores e leitoras, com as economias europeias a entrar em recessão e a economia americana a perder fôlego, o consumo de petróleo baixa, sobretudo os derivados deste, como a gasolina ou o gasóleo.
Aparentemente tal fenómeno deveria desencadear uma queda nos preços do barril, sinónimo de que o mercado estaria a funcionar.
Mas algo de muito estranho se passa: o petróleo teima em não baixar de preço. No gráfico abaixo percebe-se que em 2011 o preço médio do barril de Brent esteve bem acima dos 100 dólares.
Por outro lado, o consumo de gasolina dos Estados Unidos caiu de uma forma abrupta:
Humm... não é normal.
Parece que as economias emergentes estão-nos a levar o petróleo, da mesma forma que há 10 anos levaram as indústrias e mais recentemente os cérebros.
E o que fazem os governos ocidentais? Imprimem dinheiro, colocando-o à disposição dos bancos de investimento para estes decidirem o que fazer com ele. Imaginem o que é que eles vão comprar? Entre várias coisas: petróleo - encarecendo-o ainda mais.
E que nome se dá a este encarecimento dos preços devido à expansão da moeda? INFLAÇÃO
Em condições menos anormais, o preço deveria andar cá mais para baixo, mas com o consumo dos países emergentes a neutralizar a redução dos ocidentais, o não aumento (redução até) da produção de crude e a impressão de moeda à escala planetária ninguém se espante com o que está a acontecer..
Tiago Mestre
Aparentemente tal fenómeno deveria desencadear uma queda nos preços do barril, sinónimo de que o mercado estaria a funcionar.
Mas algo de muito estranho se passa: o petróleo teima em não baixar de preço. No gráfico abaixo percebe-se que em 2011 o preço médio do barril de Brent esteve bem acima dos 100 dólares.
Por outro lado, o consumo de gasolina dos Estados Unidos caiu de uma forma abrupta:
Humm... não é normal.
Parece que as economias emergentes estão-nos a levar o petróleo, da mesma forma que há 10 anos levaram as indústrias e mais recentemente os cérebros.
E o que fazem os governos ocidentais? Imprimem dinheiro, colocando-o à disposição dos bancos de investimento para estes decidirem o que fazer com ele. Imaginem o que é que eles vão comprar? Entre várias coisas: petróleo - encarecendo-o ainda mais.
E que nome se dá a este encarecimento dos preços devido à expansão da moeda? INFLAÇÃO
Em condições menos anormais, o preço deveria andar cá mais para baixo, mas com o consumo dos países emergentes a neutralizar a redução dos ocidentais, o não aumento (redução até) da produção de crude e a impressão de moeda à escala planetária ninguém se espante com o que está a acontecer..
Tiago Mestre
O choque cultural começa a aquecer... (Parte 3)
Caros leitores e leitoras, o presidente da república grega veio dizer ao mundo que, como combatente na II Guerra Mundial contra a invasão NAZI, não tolera as atitudes do actual ministro das finanças alemão.
Pois, para quem ainda não percebeu o que é choque cultural, é isto: Ambos os lados julgam que têm razão, com perspectivas diametralmente opostas sobre o mesmo assunto.
A Alemanha foca-se na necessidade dos gregos serem sérios e cumprirem com o que prometeram.
Os gregos não querem cumprir porque tendo implementado medidas tímidas de redução do défice estão a ver com os seus próprios olhos o país a ir pelo cano de esgoto abaixo. O que dizer com a aplicação de medidas mais duras?
Quem tem razão? Qual das perspectivas apresenta maior bom senso e maturidade sociológica? E de onde virá o dinheiro para manter a Grécia a flutuar? Fica a resposta ao critério de cada leitor.
Tiago Mestre
Pois, para quem ainda não percebeu o que é choque cultural, é isto: Ambos os lados julgam que têm razão, com perspectivas diametralmente opostas sobre o mesmo assunto.
A Alemanha foca-se na necessidade dos gregos serem sérios e cumprirem com o que prometeram.
Os gregos não querem cumprir porque tendo implementado medidas tímidas de redução do défice estão a ver com os seus próprios olhos o país a ir pelo cano de esgoto abaixo. O que dizer com a aplicação de medidas mais duras?
Quem tem razão? Qual das perspectivas apresenta maior bom senso e maturidade sociológica? E de onde virá o dinheiro para manter a Grécia a flutuar? Fica a resposta ao critério de cada leitor.
Tiago Mestre
15 de fevereiro de 2012
Consequência ridículas de uma sociedade "dirigida" pelo Estado
Para perceberem a insanidade que se apoderou dos estados "democráticos" que querem comandar tudo e todos, fazendo passar leis e mais leis, o governo americano passou uma proposta, dentro do chamado "Obamacare", que exige aos empregadores oferecerem um seguro de saúde aos trabalhadores, com a nuance de que às mulheres deve-se estender o usufruto GRÁTIS de métodos contraceptivos.
A proposta é tão ridícula em tantos aspectos que ninguém melhor do que Peter Schiff para explicar porque é que governos grandes e que querem mandar em tudo só pode dar em disparate. 16 minutos de genialidade:
Tiago Mestre
A proposta é tão ridícula em tantos aspectos que ninguém melhor do que Peter Schiff para explicar porque é que governos grandes e que querem mandar em tudo só pode dar em disparate. 16 minutos de genialidade:
Tiago Mestre
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