Nigel Farage, nosso muito apreciado deputado europeu resume num 1 minuto e 54 segundos o que está a acontecer à Grécia e o que aí virá!
Ao menos alguém que diga em voz alta os disparates que estão a ser cometidos. Durão Barroso e colegas não poderão invocar quando se sentarem no "banco dos réus" que não sabiam o que estava a acontecer.
Tiago Mestre
15 de fevereiro de 2012
Paul Krugman será agraciado com doutoramento honoris causa por 3 universidades portuguesas!
Paul Krugman é um economista muito "especial" porque se tornou comentador, articulista, e pelo meio, julgamos nós, foi-se esquecendo de que já fora... economista.
As suas visões sobre a economia e o mundo entraram num patamar de defesa (irracional) a tudo o custo das suas "soluções" para "concertar" as economias globais. O espírito crítico há muito que se perdeu na consciência deste laureado.
Paul Krugman defende de forma enérgica que as economias em "baixo" de forma devem ser estimuladas com injecção de dinheiro público, custe o que custar. Os frutos revelar-se-ão posteriormente, nomeadamente com a salvação da economia, redução do desemprego e retorno ao crescimento.
À primeira vista esta política de expansão monetária através da geração de dívida e injecção de moeda no mercado parece resultar. Foi assim que John Maynard Keynes, o conhecido economista da década de 40, arranjou uma solução para tirar algumas economias do lamaçal. Infelizmente pouco se fala hoje que no final da sua vida este já receava as implicações negativas desta política económica, sobretudo quando fica na mão de políticos irresponsáveis e esbanjadores.
Desde aí que a política keynesiana serviu de argumento para tudo quanto seja impressão de moeda, geração de défices públicos, aumento de impostos e aumento de despesa. Se no início do século XX a presença dos governos era residual na economia, hoje representa mais de 30 a 40%. Na Europa os estado ocupam mais de 45%. Em Portugal a percentagem é de 51% em 2011 versus 13% em 1974.
Lado a lado com o crescimento público, a economia privada foi perdendo crescimento, restando saber se uma foi a causa do outro, se vice-versa ou se não têm nada a ver. Tais raciocínios terão que ficar para outro post.
Para além deste crescimento "keynesiano" dos monstros públicos durante décadas, economistas como Paul Krugman defendem que em períodos de recessão o estado deve ser ainda mais intervencionista.
Nós aqui no contas acreditamos que as economias privadas europeia e americana chegaram ao limite dos "estímulos" que o sector público tem para dar. Injectar mais dinheiro significará colocar o Estado numa posição maioritária e relegar a economia para uma posição minoritária.
Todos sabemos que o Estado depende da economia privada e não o contrário. Se o Estado se torna maioritário então tudo se torna insustentável.
As recessões anteriores vividas pelos países ocidentais foram sobretudo corrigidas pela força intrínseca que a economia privada possuía nesses países. O Estado dava uma ajuda para acelerar essa recuperação (política keynesiana) e as coisas corriam sobre rodas. Hoje pede-se ao Estado para "salvar" a economia quase na totalidade. Não se salva economia nenhuma e arrasta-se o Estado para o lamaçal completo, sobreendividado e sem armas para responder aos problemas.
É esta consequência natural da overdose keynesiana que Krugman continua a não querer ver.
Não podemos dar grande credibilidade a este senhor e muito nos espanta que 3 universidades portuguesas tenham chegado a este consenso. Ultrapassa a nossa compreensão e muito gostávamos de ouvir as explicações académicas para este reconhecimento.
Tiago Mestre
As suas visões sobre a economia e o mundo entraram num patamar de defesa (irracional) a tudo o custo das suas "soluções" para "concertar" as economias globais. O espírito crítico há muito que se perdeu na consciência deste laureado.
Paul Krugman defende de forma enérgica que as economias em "baixo" de forma devem ser estimuladas com injecção de dinheiro público, custe o que custar. Os frutos revelar-se-ão posteriormente, nomeadamente com a salvação da economia, redução do desemprego e retorno ao crescimento.
À primeira vista esta política de expansão monetária através da geração de dívida e injecção de moeda no mercado parece resultar. Foi assim que John Maynard Keynes, o conhecido economista da década de 40, arranjou uma solução para tirar algumas economias do lamaçal. Infelizmente pouco se fala hoje que no final da sua vida este já receava as implicações negativas desta política económica, sobretudo quando fica na mão de políticos irresponsáveis e esbanjadores.
Desde aí que a política keynesiana serviu de argumento para tudo quanto seja impressão de moeda, geração de défices públicos, aumento de impostos e aumento de despesa. Se no início do século XX a presença dos governos era residual na economia, hoje representa mais de 30 a 40%. Na Europa os estado ocupam mais de 45%. Em Portugal a percentagem é de 51% em 2011 versus 13% em 1974.
Lado a lado com o crescimento público, a economia privada foi perdendo crescimento, restando saber se uma foi a causa do outro, se vice-versa ou se não têm nada a ver. Tais raciocínios terão que ficar para outro post.
Para além deste crescimento "keynesiano" dos monstros públicos durante décadas, economistas como Paul Krugman defendem que em períodos de recessão o estado deve ser ainda mais intervencionista.
Nós aqui no contas acreditamos que as economias privadas europeia e americana chegaram ao limite dos "estímulos" que o sector público tem para dar. Injectar mais dinheiro significará colocar o Estado numa posição maioritária e relegar a economia para uma posição minoritária.
Todos sabemos que o Estado depende da economia privada e não o contrário. Se o Estado se torna maioritário então tudo se torna insustentável.
As recessões anteriores vividas pelos países ocidentais foram sobretudo corrigidas pela força intrínseca que a economia privada possuía nesses países. O Estado dava uma ajuda para acelerar essa recuperação (política keynesiana) e as coisas corriam sobre rodas. Hoje pede-se ao Estado para "salvar" a economia quase na totalidade. Não se salva economia nenhuma e arrasta-se o Estado para o lamaçal completo, sobreendividado e sem armas para responder aos problemas.
É esta consequência natural da overdose keynesiana que Krugman continua a não querer ver.
Não podemos dar grande credibilidade a este senhor e muito nos espanta que 3 universidades portuguesas tenham chegado a este consenso. Ultrapassa a nossa compreensão e muito gostávamos de ouvir as explicações académicas para este reconhecimento.
Tiago Mestre
Irão corta fornecimento do bem mais precioso das economias europeias..
Cuidado com as decisões unilaterais sobre embargos a países.
Tais extravagâncias comerciais só devem ser implementadas se soubermos compreender o risco e a falta de bens que esse mesmo embargo pode provocar.
A Europa há muito que deixou de ser independente do crude da OPEP. Sem esse crude teremos o barril de Brent a subir forte e feio. Não acreditamos que haverá falta de abastecimento, o que irá faltar é o dinheiro para comprar um bem que encarece de mês para mês, reduzindo o consumo e gerando economias mais recessivas, mais austeridade, mais dívida, etc, etc.
A Europa tem que saber com que cartas é que joga no poker petrolífero mundial.
Tiago Mestre
Tais extravagâncias comerciais só devem ser implementadas se soubermos compreender o risco e a falta de bens que esse mesmo embargo pode provocar.
A Europa há muito que deixou de ser independente do crude da OPEP. Sem esse crude teremos o barril de Brent a subir forte e feio. Não acreditamos que haverá falta de abastecimento, o que irá faltar é o dinheiro para comprar um bem que encarece de mês para mês, reduzindo o consumo e gerando economias mais recessivas, mais austeridade, mais dívida, etc, etc.
A Europa tem que saber com que cartas é que joga no poker petrolífero mundial.
Tiago Mestre
14 de fevereiro de 2012
Portugal está no bom ou mau caminho?
Se bem nos lembramos, há 1 ou 2 semanas tivemos um elogio informal por parte de uma agência de notação (não nos recordamos se foi a Moody's ou a Fitch) acerca da evolução do programa da troika em Portugal. Nesse dia da notícia comentámos que esse elogio seria mais interessante se se traduzisse na forma de um aumento da notação, mas enfim!
Agora temos a Moody's a declarar oficialmente, e sob a forma de descida de notação, que Portugal, bem como outros países europeus, ainda se encontra num caminho de agravamento da sua condição económica e financeira.
Oops, dispensamos elogios informais e agravamentos formais. Seria preferível o contrário. O que aconteceu foi que tais elogios foram amplificados e rebatidos no espaço mediático. Deu-se excessiva importância a uma qualquer declaração que em nada de concreto se traduz.
Em que é que ficamos? Portugal está a melhorar ou está a piorar? Nem já as agências de notação sabem como avaliar o atoleiro financeiro em que estamos metidos.
Tiago Mestre
Agora temos a Moody's a declarar oficialmente, e sob a forma de descida de notação, que Portugal, bem como outros países europeus, ainda se encontra num caminho de agravamento da sua condição económica e financeira.
Oops, dispensamos elogios informais e agravamentos formais. Seria preferível o contrário. O que aconteceu foi que tais elogios foram amplificados e rebatidos no espaço mediático. Deu-se excessiva importância a uma qualquer declaração que em nada de concreto se traduz.
Em que é que ficamos? Portugal está a melhorar ou está a piorar? Nem já as agências de notação sabem como avaliar o atoleiro financeiro em que estamos metidos.
Tiago Mestre
13 de fevereiro de 2012
Na Grécia está quase quase... falta um bocadinho assim (Parte 6)
E pronto, lá se deu o nó na Grécia. Parlamento aprova, mas a rua desaprova.
Aguardamos agora pela confirmação dos países credores, que sim senhora, vão assinar a livrança já de seguida.
Tiago Mestre
Aguardamos agora pela confirmação dos países credores, que sim senhora, vão assinar a livrança já de seguida.
Tiago Mestre
12 de fevereiro de 2012
Como preparar uma bancarrota de um país europeu de forma unilateral e forçada
Caros leitores eleitoras, no espectro mediático, tanto político como económico, ouvimos vezes sem conta que uma bancarrota é uma calamidade e o colapso de um país. Ninguém explica como e porquê, apenas intimida e mantêm a sociedade embebedada, que é esse o grande objectivo: sofrer mas sem gritar.
Para quem se interessa por planos B's, certamente que já se interrogou como seria declarar bancarrota de forma unilateral, e mais ainda, que plano se pode pôr em marcha para minimizar tal calamidade.
Cortesia do site Zerohedge, remetemos a hiperligação para um artigo escrito em inglês que já ajuda na estratégia e definição de um plano de bancarrota unilateral.
Nunca se esqueçam disto: nós portugueses poderemos ter muito a perder, mas a comunidade internacional mais medo terá do que poderá vir a perder.
Quem ficará pior?
Tiago Mestre
Para quem se interessa por planos B's, certamente que já se interrogou como seria declarar bancarrota de forma unilateral, e mais ainda, que plano se pode pôr em marcha para minimizar tal calamidade.
Cortesia do site Zerohedge, remetemos a hiperligação para um artigo escrito em inglês que já ajuda na estratégia e definição de um plano de bancarrota unilateral.
Nunca se esqueçam disto: nós portugueses poderemos ter muito a perder, mas a comunidade internacional mais medo terá do que poderá vir a perder.
Quem ficará pior?
Tiago Mestre
A grande ironia das democracias europeias
Ironia das democracias europeias:
UE defende democracias estáveis para entrarem na UE. Mas as democracias elegem pessoas que nem sempre estão de acordo com as regras e políticas da UE. Em momentos de crise, a UE vira costas às democracias e retira os eleitos do poder, substituindo-os por outros que simpatizam com as políticas europeias, mas com nenhuma legitimidade democrática. Foi assim na Grécia e foi assim na Itália num intervalo de poucos meses.
Este é um reconhecimento pelas próprias instituições europeias de que a democracia funciona mal, na medida em que apenas perdura quando tudo vai bem. Quando as coisas começam a correr mal, paciência, as circunstâncias tornam-se mais prementes do que os princípios, e é aí que o veneno da tirania, da cleptocracia e da plutocracia ganha terreno. Boa sorte.
Tiago Mestre
UE defende democracias estáveis para entrarem na UE. Mas as democracias elegem pessoas que nem sempre estão de acordo com as regras e políticas da UE. Em momentos de crise, a UE vira costas às democracias e retira os eleitos do poder, substituindo-os por outros que simpatizam com as políticas europeias, mas com nenhuma legitimidade democrática. Foi assim na Grécia e foi assim na Itália num intervalo de poucos meses.
Este é um reconhecimento pelas próprias instituições europeias de que a democracia funciona mal, na medida em que apenas perdura quando tudo vai bem. Quando as coisas começam a correr mal, paciência, as circunstâncias tornam-se mais prementes do que os princípios, e é aí que o veneno da tirania, da cleptocracia e da plutocracia ganha terreno. Boa sorte.
Tiago Mestre
11 de fevereiro de 2012
2º pacote de resgate grego é só mais uma insanidade financeira
Mais um grande serviço público prestado pelo site Zerohedge, onde compila, reflecte, ironiza e retrata as ironias do segundo pacote de resgate à Grécia.
Neste artigo, Tyler Durden compila as várias informações disponibilizadas pela comunidade financeira e, juntando as peças do puzzle, como deveria ser a actividade jornalística de referência, totaliza o dinheiro que a Grécia receberá neste segundo pacote de resgate.
É triste que não haja uma única entidade jornalística no mundo inteiro que faça o "trabalho de casa" e informe os europeus e os gregos do que se está a passar nos bastidores da elite europeia. Tem que ser um blog...
Basicamente, o segundo pacote de resgate à Grécia que está a ser ultimado não será de 120 mil milhões de euros, mas sim de 210 mil milhões! Milagre dos pães? Não. Basta somar as várias parcelas que compõem este resgate:
130 mil milhões acordados em Julho de 2011
15 mil milhões que se "descobriu" serem necessários porque os 130 não são suficientes
30 mil milhões pedidos pelo BCE ao EFSF em troca de obrigações gregas. O EFSF terá que se financiar no mercado para obter o dinheiro e comprar as obrigações ao BCE.
35 mil milhões que a Grécia pedirá emprestado ao EFSF para adquirir obrigações gregas que o BCE adquiriu nestes últimos meses."Bond buy back"
Tudo somado: 210 mil milhões euros
Veremos o que Angela Merkel terá a dizer sobre isto!
Somando este resgate ao resgate anterior de 110 mil milhões, a Grécia terá uma ajuda de 320 mil milhões de euros. É um valor quase igual à dívida pública que a Grécia possui.
Surge a pergunta: seria preferível a Grécia ter renunciado à totalidade da dívida em Maio de 2010 quando os mercados fecharam a torneira?
Estas ajudas europeias só adiam o inevitável, com a agravante de arrastar aqueles que ainda se seguram de pé.
Tiago Mestre
Neste artigo, Tyler Durden compila as várias informações disponibilizadas pela comunidade financeira e, juntando as peças do puzzle, como deveria ser a actividade jornalística de referência, totaliza o dinheiro que a Grécia receberá neste segundo pacote de resgate.
É triste que não haja uma única entidade jornalística no mundo inteiro que faça o "trabalho de casa" e informe os europeus e os gregos do que se está a passar nos bastidores da elite europeia. Tem que ser um blog...
Basicamente, o segundo pacote de resgate à Grécia que está a ser ultimado não será de 120 mil milhões de euros, mas sim de 210 mil milhões! Milagre dos pães? Não. Basta somar as várias parcelas que compõem este resgate:
130 mil milhões acordados em Julho de 2011
15 mil milhões que se "descobriu" serem necessários porque os 130 não são suficientes
30 mil milhões pedidos pelo BCE ao EFSF em troca de obrigações gregas. O EFSF terá que se financiar no mercado para obter o dinheiro e comprar as obrigações ao BCE.
35 mil milhões que a Grécia pedirá emprestado ao EFSF para adquirir obrigações gregas que o BCE adquiriu nestes últimos meses."Bond buy back"
Tudo somado: 210 mil milhões euros
Veremos o que Angela Merkel terá a dizer sobre isto!
Somando este resgate ao resgate anterior de 110 mil milhões, a Grécia terá uma ajuda de 320 mil milhões de euros. É um valor quase igual à dívida pública que a Grécia possui.
Surge a pergunta: seria preferível a Grécia ter renunciado à totalidade da dívida em Maio de 2010 quando os mercados fecharam a torneira?
Estas ajudas europeias só adiam o inevitável, com a agravante de arrastar aqueles que ainda se seguram de pé.
Tiago Mestre
Suavemente o preço do petróleo subiu para máximos de Julho de 2011
Pouca importância se deu esta semana ao preço do petróleo no mercado de Brent na agena mediática.
Não obstante, passou "suavemente" de 112 para 118 dólares em 2 semanas. Teremos novos máximos nos preços do combustível na semana que vem, puxando as economias ocidentais ainda mais para o território da recessão.
Talvez as pressões da Europa sobre o Irão tenham induzido nos investidores a vontade de comprar mais ouro negro, contudo a questão que é relevante, e que já várias vezes abordámos aqui no Contas, é que em clima recessivo ou pré-recessivo, seria normal o preço começar a descer devido à quebra na procura e à falta de entusiasmo dos investidores. Mas os preços continuam bem altos, quase a atingir o máximo de Julho do ano passado.
Acreditamos que o mundo emergente (China e Índia) compensam a falta de procura do mundo ocidental, e a produção total de crude teima em não subir dos 74 a 75 milhões de barris diários.
Resultado: preços elevados, mesmo para países que já entraram na grande recessão do mundo ocidental.
Esta é mais uma das muitas consequências de uma globalização sem regras e sem critérios iguais para os participantes. A riqueza está a ser drenada do Ocidente para o Oriente e Médio Oriente.
Tiago Mestre
Não obstante, passou "suavemente" de 112 para 118 dólares em 2 semanas. Teremos novos máximos nos preços do combustível na semana que vem, puxando as economias ocidentais ainda mais para o território da recessão.
Talvez as pressões da Europa sobre o Irão tenham induzido nos investidores a vontade de comprar mais ouro negro, contudo a questão que é relevante, e que já várias vezes abordámos aqui no Contas, é que em clima recessivo ou pré-recessivo, seria normal o preço começar a descer devido à quebra na procura e à falta de entusiasmo dos investidores. Mas os preços continuam bem altos, quase a atingir o máximo de Julho do ano passado.
Acreditamos que o mundo emergente (China e Índia) compensam a falta de procura do mundo ocidental, e a produção total de crude teima em não subir dos 74 a 75 milhões de barris diários.
Resultado: preços elevados, mesmo para países que já entraram na grande recessão do mundo ocidental.
Esta é mais uma das muitas consequências de uma globalização sem regras e sem critérios iguais para os participantes. A riqueza está a ser drenada do Ocidente para o Oriente e Médio Oriente.
Tiago Mestre
10 de fevereiro de 2012
O choque cultural começa a aquecer... (Parte 2)
Inédito, o principal sindicato de polícias grego ameaçou emitir um mandato de prisão para a equipa da troika que está envolvida no programa de resgate da civilização helénica... Fonte
Presumimos que tal pretensão seja meramente simbólica, já que a polícia não tem autoridade para emitir mandados de captura. Mas fica o registo de como o limite da paciência começa a ser atingido no seio das forças de segurança.
Continuamos a questionar: Porque é que a Europa tem que ser "solidária" com os países mais fracos emprestando-lhes dinheiro? O que é que os contribuintes alemães têm que ver com o estado grego ou o estado português? Nada, da mesma forma que não admitimos que o governo alemão venha dar ordens aos contribuintes portugueses.
Tiago Mestre
Presumimos que tal pretensão seja meramente simbólica, já que a polícia não tem autoridade para emitir mandados de captura. Mas fica o registo de como o limite da paciência começa a ser atingido no seio das forças de segurança.
Continuamos a questionar: Porque é que a Europa tem que ser "solidária" com os países mais fracos emprestando-lhes dinheiro? O que é que os contribuintes alemães têm que ver com o estado grego ou o estado português? Nada, da mesma forma que não admitimos que o governo alemão venha dar ordens aos contribuintes portugueses.
Tiago Mestre
Na Grécia está quase quase... falta um bocadinho assim (Parte 5)
A farsa já tem cronologia
2/10/12
* Líder político grego da extrema-direita Karatzaferis retirou a sua concordância do acordo anteriormente alcançado. O acordo político cai e volta tudo à estaca zero.
2/9/12
* Ministro das Finanças grego Venizelos informa Bruxelas de que há acordo político para aceitar as medidas de austeridade propostas pela troika
1/30/12
* Sarkozy afirma no final da cimeira de que as negociações estão a avançar na boa direcção e há esperanças que nos próximos dias seja anunciado um acordo. Fonte
1/29/12
* IIF afirma que acordo deverá ser alcançado no decorrer da próxima semana. Fonte
1/28/12
* Venizelos afirma que o acordo está a um passo de ser firmado. Na próxima semana será assinado. Fonte
Gostavam que o vosso filho, o vosso patrão, o vosso melhor amigo ou até o vosso cônjuge vos enganasse assim tão descaradamente?
Tiago Mestre
2/10/12
* Líder político grego da extrema-direita Karatzaferis retirou a sua concordância do acordo anteriormente alcançado. O acordo político cai e volta tudo à estaca zero.
2/9/12
* Ministro das Finanças grego Venizelos informa Bruxelas de que há acordo político para aceitar as medidas de austeridade propostas pela troika
1/30/12
* Sarkozy afirma no final da cimeira de que as negociações estão a avançar na boa direcção e há esperanças que nos próximos dias seja anunciado um acordo. Fonte
1/29/12
* IIF afirma que acordo deverá ser alcançado no decorrer da próxima semana. Fonte
1/28/12
* Venizelos afirma que o acordo está a um passo de ser firmado. Na próxima semana será assinado. Fonte
Gostavam que o vosso filho, o vosso patrão, o vosso melhor amigo ou até o vosso cônjuge vos enganasse assim tão descaradamente?
Tiago Mestre
O choque cultural começa a aquecer...
Caros leitores e leitoras, a economia é que comanda as nossas vidas, mas as nossas vidas nem sempre se regem pela economia.
Quando o modelo económico não acomoda as diferentes culturas dos diferentes povos, este perdura apenas enquanto houver dinheiro para todos.
Quando escasseia o guito, as dicotomias culturais emergem.
O que se está hoje a passar na europa, a luta de titãs: Grécia vs Alemanha, começa a atingir proporções que já nos deixa baralhados. Ficamos na dúvida se o projeto europeu colapsa pela via económica (que sempre acreditámos aqui no Contas) ou se pela via social/cultural (algo que julgávamos impensável porque acreditávamos que os políticos deitariam a toalha ao chão antes da revolta rebentar).
Esta semana assistimos à queima de bandeiras alemãs na praça Syntagma, temos agora um jornal a publicar esta linda capa:
... e um comentador televisivo grego, de seu nome Georgios Trandas, a instigar cada vez mais ressentimento nos gregos acerca da atitude dos líderes alemães e europeus.
Ou seja, as elites políticas não estão a compreender que as divergências culturais e sociais dos vários povos europeus são de tal forma distintas que em momentos de aperto económico, os ódios e ressentimentos começam a tomar conta da população.
Não podemos pedir aos portugueses e gregos que sejam disciplinados, obedientes, austeros e protestantes porque não o são, ponto final. Como também não podemos pedir aos alemães que sejam espirituosos, emocionais, fraternos, comiseráveis, comunitários e católicos.
Caso a Alemanha se imponha com mais determinação na liderança da UE, veremos que estes são totalmente incapazes de criar e gerir uma comunidade com esta diversidade cultural. Não é essa a sua natureza. Aliás, a UE foi criada já com o espírito de "juntar" os alemães a uma comunidade europeia para que não dessem azo a devaneios ideológicos totalitários. Esta é a grande fraqueza da Alemanha e já agora da Holanda. Não admitem maçãs podres na família, e para esses deserdados só há 2 caminhos: a expiação ou a expulsão.
É assim que se tratam uns aos outros e é assim que estabelecem a sua própria comunidade, os não-perfeitos não podem ter ajudas: têm que crescem pessoal e espiritualmente à sua custa (a tal expiação), senão ficam entregues à sua sorte. Foi assim que conseguiram criar máquinas de guerra, máquinas industriais e todo o tipo de organização vertical, obediente e altamente organizada. Para quem tem dúvidas sobre o que estamos a falar podem sempre ver o filme "O Laço Branco", de 2010 que retrata a vida "pacata" de uma aldeia alemã nas vésperas da I Guerra Mundial. Até dói ao coração ver como os jovens alemães são perversos quando não aceitam a disciplina familiar jacobina...
Cuidado
Tiago Mestre
Quando o modelo económico não acomoda as diferentes culturas dos diferentes povos, este perdura apenas enquanto houver dinheiro para todos.
Quando escasseia o guito, as dicotomias culturais emergem.
O que se está hoje a passar na europa, a luta de titãs: Grécia vs Alemanha, começa a atingir proporções que já nos deixa baralhados. Ficamos na dúvida se o projeto europeu colapsa pela via económica (que sempre acreditámos aqui no Contas) ou se pela via social/cultural (algo que julgávamos impensável porque acreditávamos que os políticos deitariam a toalha ao chão antes da revolta rebentar).
Esta semana assistimos à queima de bandeiras alemãs na praça Syntagma, temos agora um jornal a publicar esta linda capa:
... e um comentador televisivo grego, de seu nome Georgios Trandas, a instigar cada vez mais ressentimento nos gregos acerca da atitude dos líderes alemães e europeus.
Ou seja, as elites políticas não estão a compreender que as divergências culturais e sociais dos vários povos europeus são de tal forma distintas que em momentos de aperto económico, os ódios e ressentimentos começam a tomar conta da população.
Não podemos pedir aos portugueses e gregos que sejam disciplinados, obedientes, austeros e protestantes porque não o são, ponto final. Como também não podemos pedir aos alemães que sejam espirituosos, emocionais, fraternos, comiseráveis, comunitários e católicos.
Caso a Alemanha se imponha com mais determinação na liderança da UE, veremos que estes são totalmente incapazes de criar e gerir uma comunidade com esta diversidade cultural. Não é essa a sua natureza. Aliás, a UE foi criada já com o espírito de "juntar" os alemães a uma comunidade europeia para que não dessem azo a devaneios ideológicos totalitários. Esta é a grande fraqueza da Alemanha e já agora da Holanda. Não admitem maçãs podres na família, e para esses deserdados só há 2 caminhos: a expiação ou a expulsão.
É assim que se tratam uns aos outros e é assim que estabelecem a sua própria comunidade, os não-perfeitos não podem ter ajudas: têm que crescem pessoal e espiritualmente à sua custa (a tal expiação), senão ficam entregues à sua sorte. Foi assim que conseguiram criar máquinas de guerra, máquinas industriais e todo o tipo de organização vertical, obediente e altamente organizada. Para quem tem dúvidas sobre o que estamos a falar podem sempre ver o filme "O Laço Branco", de 2010 que retrata a vida "pacata" de uma aldeia alemã nas vésperas da I Guerra Mundial. Até dói ao coração ver como os jovens alemães são perversos quando não aceitam a disciplina familiar jacobina...
Cuidado
Tiago Mestre
9 de fevereiro de 2012
Esta Europa é só conversa
Uns falam para as câmaras aquilo que querem transmitir, mas se depois são mal interpretados vêm justificar-se que o que disseram não era bem bem aquilo que queriam dizer;
Outros conversavam julgando que ninguém os estava a ouvir, e agora terão que dizer às câmaras aquilo que andaram a negar há bem pouco tempo;
Outros continuam a dizer frente às câmaras aquilo que não está a ocorrer nos bastidores. É conversa para aquecer espíritos, mais nada.
Todas estas formas de comunicação possuem uma característica em comum: distanciam-se da verdade com receio que esta crie danos aqui ou acolá.
Tiago Mestre
Outros conversavam julgando que ninguém os estava a ouvir, e agora terão que dizer às câmaras aquilo que andaram a negar há bem pouco tempo;
Outros continuam a dizer frente às câmaras aquilo que não está a ocorrer nos bastidores. É conversa para aquecer espíritos, mais nada.
Todas estas formas de comunicação possuem uma característica em comum: distanciam-se da verdade com receio que esta crie danos aqui ou acolá.
Tiago Mestre
8 de fevereiro de 2012
O nosso receio revelou-se - BCE aceita assumir perdas nas obrigações gregas
Mais uma sensação de deja vu, ou usando outra expressão: onde é que eu já vi este filme?
Fomos hoje brindados com a notícia do que o BCE terá que reportar perdas sobre as obrigações gregas que possui, na tentativa de "ajudar" na resolução acordo de bancarrota que a Grécia está a preparar com os credores privados.
Em 25 de Outubro de 2011 explicávamos aqui no Contas o mau negócio que é para o BCE adquirir obrigações tóxicas.
A 24 de Janeiro surgiu o alarme dos credores: estes queriam que o BCE entrasse na bancarrota da Grécia, reportando perdas sobre as obrigações que possuía no seu balanço. A primeira reação do BCE foi NÃO, mas os dias foram passando e acordo, nem vê-lo.
Era para nós aqui no Contas uma questão de dias até o BCE ceder à pressão, que é o que Draghi e Constâncio melhor sabem fazer, ceder. Aceitaram finalmente reportar perdas para ajudar no acordo de bancarrota grego, colocando o BCE numa trajectória de ainda maior insolvência. Recordamos aos leitores e leitoras que o BCE entrará em insolvência quando as perdas que reporta num determinado ano são inferiores ao capital próprio da instituição nesse mesmo ano. O capital próprio do BCE rondou a 31/12/2012 6 a 8 mil milhões de euros (ainda não sabemos). Se em 2012 reportar perdas superiores ao capital próprio, ficamos com o banco central em insolvência.
Fomos aqui no contas mais do que exaustivos a referir os problemas legais, económicos e morais deste tipo de decisões por parte do BCE. Foi por não quererem participar nesta caixa de pandora de asneiras que se demitiram os presidentes do BCE Jurgen Stark e Alex Weber. A procissão ainda vai no adro porque o BCE terá que registar muitas mais perdas das obrigações gregas, ficando a faltar as portuguesas, as espanholas, as italianas, etc. A troika levará também por tabela, onde se incluem o BCE (outra vez), o FMI e o EFSF (FEEF em português). Parece que os bancos nacionais de cada país também possuem obrigações tóxicas (desconhecíamos esta operação) pelo que mais cedo ou mais tarde serão chamados ao castigo-
Meus senhoras e minhas senhoras, a este tipo de decisões dá-se em inglês a designação de MORAL HAZARD, ou má moral (mal traduzido para português). Fez-se asneira uma vez e agora já não se consegue voltar atrás.
Tudo serve para salvar o dia de hoje, amanhã logo se vê.
Tiago Mestre
Não pagar impostos ao Estado tornou-se a moeda de troca na Grécia
Enganas-me a mim, eu engano-te a ti. É mais ou menos este o sentimento dos gregos que pagam impostos. Suspeitamos sobretudo daqueles empresários que têm que efectuar as transferências de IVA e outros impostos ao Estado todos os meses, mas que por razões de encolhimento das vendas começam a ter que decidir se despedem ou se deixam de pagar ao Estado!
Segundo uma notícia do Ekathimerini, o Estado grego chegou ontem às seguintes conclusões sobre a gestão orçamental de Janeiro de 2012:
- Receitas dos impostos estão abaixo em mil milhões de euros do que aquilo que se previa.
- Do total de impostos, o IVA arrecadou 1,85 mil milhões de euros, quando em Janeiro de 2011 tinha sido de 2,29 mil milhões. É uma redução de 440 milhões de euros.
- Esta continuada quebra nas receitas desde 2009 significa que a recessão continuará por 2012, mas em vez de ser de 2,8% como se estimava, será de 4 ou 5%.
- Bem cedo terão que realizar orçamento rectificativo para acomodar esta diferença. Não conseguirão reduzir a despesa proporcionalmente, mesmo cumprindo com a medida dos despedimentos que a troika exige.
- Uma contração desta dimensão significa que terão que pedir mais dinheiro à UE lá mais para a frente, a fim de compensar a diferença, com todos os problemas políticos europeus subjacentes.
Boa sorte
Tiago Mestre
Segundo uma notícia do Ekathimerini, o Estado grego chegou ontem às seguintes conclusões sobre a gestão orçamental de Janeiro de 2012:
- Receitas dos impostos estão abaixo em mil milhões de euros do que aquilo que se previa.
- Do total de impostos, o IVA arrecadou 1,85 mil milhões de euros, quando em Janeiro de 2011 tinha sido de 2,29 mil milhões. É uma redução de 440 milhões de euros.
- Esta continuada quebra nas receitas desde 2009 significa que a recessão continuará por 2012, mas em vez de ser de 2,8% como se estimava, será de 4 ou 5%.
- Bem cedo terão que realizar orçamento rectificativo para acomodar esta diferença. Não conseguirão reduzir a despesa proporcionalmente, mesmo cumprindo com a medida dos despedimentos que a troika exige.
- Uma contração desta dimensão significa que terão que pedir mais dinheiro à UE lá mais para a frente, a fim de compensar a diferença, com todos os problemas políticos europeus subjacentes.
Boa sorte
Tiago Mestre
7 de fevereiro de 2012
Mais um obstáculo marcado hoje para a Grécia
Hoje assiste-se a mais uma greve na Grécia.
Está tudo farto de austeridade.
Os partidos políticos acomodam-se para a rampa de lançamento que serão as eleições em Abril.
Nenhum líder político quer dizer às câmaras de televisão que concorda na redução do salário mínimo e noutros azares destinados ao povo helénico.
E no meio temos um primeiro ministro não eleito, tecnocrata, amigo das instituições europeias, e sem legitimidade política para mexer uma palha.
Mais um dia no concurso mundial de poker económico.
Tiago Mestre
Está tudo farto de austeridade.
Os partidos políticos acomodam-se para a rampa de lançamento que serão as eleições em Abril.
Nenhum líder político quer dizer às câmaras de televisão que concorda na redução do salário mínimo e noutros azares destinados ao povo helénico.
E no meio temos um primeiro ministro não eleito, tecnocrata, amigo das instituições europeias, e sem legitimidade política para mexer uma palha.
Mais um dia no concurso mundial de poker económico.
Tiago Mestre
6 de fevereiro de 2012
Dívida portuguesa a Setembro de 2011 totalizava o lindo rácio de 110% do PIB.
Caros leitores e leitoras, estamos com uma sensação de deja vu sobre uma notícia avançada hoje na edição online do Diário Económico baseada na informação hoje disponibilizada pelo Eurostat.
A dívida pública atingiu 110% do PIB no terceiro trimestre de 2011!!
Estes valores são simplesmente astronómicos e impossíveis de pagar com a riqueza que geramos anualmente. Para este rácio contribui o aumento do stock da dívida e a diminuição do PIB, acelerando esta escalada até aos 110%.
É exactamente este o nosso receio com o plano da troika. Ainda ninguém explicou aos credores qual será o valor da dívida face ao PIB quando a troika fizer as malas daqui a 1 ano e meio. Se já vai em 110%, provavelmente subirá para 130 ou 140%! Tudo dependerá da evolução do PIB e do défice público.
Com rácios destes não se convence ninguém. São indicadores demasiado maus para ter a "esperança" de que nos iremos financiar a taxas de juro razoáveis.
Em 2012 o Estado pagará aproximadamente 9 mil milhões de euros em juros segundo as suas projecções. Mas em 2013 iremos certamente para os 10 mil milhões. Em meia dúzia de anos passámos de 6 mil milhões para 10 mil milhões de juros. É muito dinheiro se compararmos com as receitas totais do estado: 65 mil milhões de euros aproximadamente.
Aonde é que Portugal irá arranjar riqueza suficiente para liquidar tanto juro e tanto capital? O cenário da bancarrota deve ser equacionado o mais brevemente possível pela classe política, sob pena de agravarmos ainda mais a nossa condição.
Portugal só se financiará razoavelmente se a sua dívida pública não exceder os 40 a 50% do PIB. Este rácio existia no final da década de 90. É preciso voltar para lá, se não for a bem, terá que ser a mal !!!
Tiago Mestre
A dívida pública atingiu 110% do PIB no terceiro trimestre de 2011!!
Estes valores são simplesmente astronómicos e impossíveis de pagar com a riqueza que geramos anualmente. Para este rácio contribui o aumento do stock da dívida e a diminuição do PIB, acelerando esta escalada até aos 110%.
É exactamente este o nosso receio com o plano da troika. Ainda ninguém explicou aos credores qual será o valor da dívida face ao PIB quando a troika fizer as malas daqui a 1 ano e meio. Se já vai em 110%, provavelmente subirá para 130 ou 140%! Tudo dependerá da evolução do PIB e do défice público.
Com rácios destes não se convence ninguém. São indicadores demasiado maus para ter a "esperança" de que nos iremos financiar a taxas de juro razoáveis.
Em 2012 o Estado pagará aproximadamente 9 mil milhões de euros em juros segundo as suas projecções. Mas em 2013 iremos certamente para os 10 mil milhões. Em meia dúzia de anos passámos de 6 mil milhões para 10 mil milhões de juros. É muito dinheiro se compararmos com as receitas totais do estado: 65 mil milhões de euros aproximadamente.
Aonde é que Portugal irá arranjar riqueza suficiente para liquidar tanto juro e tanto capital? O cenário da bancarrota deve ser equacionado o mais brevemente possível pela classe política, sob pena de agravarmos ainda mais a nossa condição.
Portugal só se financiará razoavelmente se a sua dívida pública não exceder os 40 a 50% do PIB. Este rácio existia no final da década de 90. É preciso voltar para lá, se não for a bem, terá que ser a mal !!!
Tiago Mestre
5 de fevereiro de 2012
Grécia, uma cultura milenar agora ridicularizada por ter aderido à UE
Sobre a Grécia, berço da democracia.
Atribui-se ao cidadão Sólon os primórdios da democracia. No início era o povo que votava para eleger os orgãos de justiça e estava impedido de eleger os governantes e os legisladores, ao contrário do que acontece nas democracias que conhecemos hoje.
O território que se define como Grécia foi palco de inúmeras guerras, disputas e toda a espécie de conflitos regionais. Estando na fronteira entre a Europa e a Ásia, frequentemente era assolada por invasores, vindos tanto de um lado como do outro.
A guerra e as discórdias foram sempre ingrediente fundamental na história grega, pelo que daí se pode inferir que a democracia foi mais uma tentativa de resposta a todos estes problemas. Por outro lado, a democracia exercia-se fundamentalmente na cidade-estado de Atenas, não se estendendo a todas as partes do território grego, com especial relevância para Esparta, onde as regras de sociedade eram bastante diferentes das dos restantes territórios. Muitas zonas da Grécia eram regidas por outro tipo de leis e constituições, como a Calcedónia, a Lacedemónia, a Macedónia ou Creta, revelando a pluralidade de ideais e modos de construir uma sociedade.
Da história que conhecemos da Grécia antiga, e recorrendo a escritores e filósofos como Heródoto, Platão, Sócrates, Aristóteles ou Tucídides, nunca em tempo algum houve descanso naquelas paragens. O Império Persa foi sempre um engulho e a vontade de se degladiarem nunca cessou. A democracia alternou com a tirania e ciclicamente trocavam de lugar. Talvez o melhor exemplo de democracia tenha sido o principado de Péricles, por volta de 450 A.C. Este homem exerceu durante duas décadas uma verdadeira liderança sobre a cidade de Atenas, tendo sido o seu opositor político, Tucídides, o biógrafo que escreveu para a posteridade as qualidades e a vida deste homem. Esta democracia resvalou para uma quase liderança de monarca, tendo sido apelidada de principado por Tucídides, aludindo às qualidades de príncipe de Péricles. Outro exemplo das dificuldades da democracia naquelas paragens demonstrou-se com a condenação à morte de Sócrates, indívíduo que pelo seu estilo de argumentação provocava a ira daqueles que diminuia intelectualmente no dia-a-dia. A liberdade de expressão era ainda um conceito embrionário e certamente mal interpretado na sociedade.
Sobre a personalidade dos gregos e seus mistérios, numa das muitas guerras entre gregos e persas, Heródoto conta-nos a história de Temistócles, bravo guerreiro naval grego que granjeou fama e prestígio em Atenas. As coisas começam a correr mal a este senhor quando opta por defender uma estratégia diferente à que os seus líderes navais preconizavam. A ousadia em querer atacar os persas numa enseada onde estavam "estacionados" em vez de esperar por eles em território mais helénico saiu-lhe cara e rapidamente se tornou alguém muito indesejável. Atenas não lhe perdoou, e já depois de uma campanha naval ao largo da ilha de Egina iniciou negociações com o império persa para lhe darem guarida nos vastos territórios que conquistara. Este comportamento de negociar em ambos os lados para conquistar tempo e levar a sua a melhor faz-nos lembrar atitudes recentes do governo grego.
Outra história que revela a capacidade dos gregos de se dissimularem e arriscarem tudo foi a famosa ideia de Ulisses, líder guerreiro no confronto entre a Grécia e o reino de Tróia, em fabricar um cavalo gigante de madeira, oferecendo-o ao rei Príamo de Tróia como presente pela rendição dos gregos, mas armadilhado com guerreiros atenienses no seu interior. Esta ideia engenhosa, bem "out of the box" valeu a vitória da Grécia sobre Tróia e com isso a sua total destruição.
As histórias multiplicam-se e revelam a sabedoria dos gregos em negociar, em fazer bluff, em dissimular e, no meio de tudo isso, praticar alguma espécie de democracia. A cultura helénica é muito mais do que transparece nos jornais e televisões da actualidade, é a arte do engenho e da filosofia ao serviço da resolução dos problemas da sociedade e das limitações dos seus cidadãos. Lamentamos profundamente o escárnio com que o mundo olha hoje para a Grécia e para o seu recente namoro com a União Europeia.
Tiago Mestre
Atribui-se ao cidadão Sólon os primórdios da democracia. No início era o povo que votava para eleger os orgãos de justiça e estava impedido de eleger os governantes e os legisladores, ao contrário do que acontece nas democracias que conhecemos hoje.
O território que se define como Grécia foi palco de inúmeras guerras, disputas e toda a espécie de conflitos regionais. Estando na fronteira entre a Europa e a Ásia, frequentemente era assolada por invasores, vindos tanto de um lado como do outro.
A guerra e as discórdias foram sempre ingrediente fundamental na história grega, pelo que daí se pode inferir que a democracia foi mais uma tentativa de resposta a todos estes problemas. Por outro lado, a democracia exercia-se fundamentalmente na cidade-estado de Atenas, não se estendendo a todas as partes do território grego, com especial relevância para Esparta, onde as regras de sociedade eram bastante diferentes das dos restantes territórios. Muitas zonas da Grécia eram regidas por outro tipo de leis e constituições, como a Calcedónia, a Lacedemónia, a Macedónia ou Creta, revelando a pluralidade de ideais e modos de construir uma sociedade.
Da história que conhecemos da Grécia antiga, e recorrendo a escritores e filósofos como Heródoto, Platão, Sócrates, Aristóteles ou Tucídides, nunca em tempo algum houve descanso naquelas paragens. O Império Persa foi sempre um engulho e a vontade de se degladiarem nunca cessou. A democracia alternou com a tirania e ciclicamente trocavam de lugar. Talvez o melhor exemplo de democracia tenha sido o principado de Péricles, por volta de 450 A.C. Este homem exerceu durante duas décadas uma verdadeira liderança sobre a cidade de Atenas, tendo sido o seu opositor político, Tucídides, o biógrafo que escreveu para a posteridade as qualidades e a vida deste homem. Esta democracia resvalou para uma quase liderança de monarca, tendo sido apelidada de principado por Tucídides, aludindo às qualidades de príncipe de Péricles. Outro exemplo das dificuldades da democracia naquelas paragens demonstrou-se com a condenação à morte de Sócrates, indívíduo que pelo seu estilo de argumentação provocava a ira daqueles que diminuia intelectualmente no dia-a-dia. A liberdade de expressão era ainda um conceito embrionário e certamente mal interpretado na sociedade.
Sobre a personalidade dos gregos e seus mistérios, numa das muitas guerras entre gregos e persas, Heródoto conta-nos a história de Temistócles, bravo guerreiro naval grego que granjeou fama e prestígio em Atenas. As coisas começam a correr mal a este senhor quando opta por defender uma estratégia diferente à que os seus líderes navais preconizavam. A ousadia em querer atacar os persas numa enseada onde estavam "estacionados" em vez de esperar por eles em território mais helénico saiu-lhe cara e rapidamente se tornou alguém muito indesejável. Atenas não lhe perdoou, e já depois de uma campanha naval ao largo da ilha de Egina iniciou negociações com o império persa para lhe darem guarida nos vastos territórios que conquistara. Este comportamento de negociar em ambos os lados para conquistar tempo e levar a sua a melhor faz-nos lembrar atitudes recentes do governo grego.
Outra história que revela a capacidade dos gregos de se dissimularem e arriscarem tudo foi a famosa ideia de Ulisses, líder guerreiro no confronto entre a Grécia e o reino de Tróia, em fabricar um cavalo gigante de madeira, oferecendo-o ao rei Príamo de Tróia como presente pela rendição dos gregos, mas armadilhado com guerreiros atenienses no seu interior. Esta ideia engenhosa, bem "out of the box" valeu a vitória da Grécia sobre Tróia e com isso a sua total destruição.
As histórias multiplicam-se e revelam a sabedoria dos gregos em negociar, em fazer bluff, em dissimular e, no meio de tudo isso, praticar alguma espécie de democracia. A cultura helénica é muito mais do que transparece nos jornais e televisões da actualidade, é a arte do engenho e da filosofia ao serviço da resolução dos problemas da sociedade e das limitações dos seus cidadãos. Lamentamos profundamente o escárnio com que o mundo olha hoje para a Grécia e para o seu recente namoro com a União Europeia.
Tiago Mestre
Será que o bluff da bancarrota grega terminou?
Caros leitores e leitoras, desde o dia 24 de Janeiro que temos acompanhado bem de perto as múltiplas declarações das lideranças europeias acerca do quase quase acordo entre o governo grego e os credores internacionais.
Ao início, devido à nossa ingenuidade, acreditámos que as declarações reflectiam o mínimo de colagem à realidade, mas rapidamente percebemos que se estava perante mais uma das muitas campanhas de atirar areia para os olhos do mundo em que a elite europeia se especializou.
A esperança era esta: aguentar os mercados e esperar que a Grécia arranjasse um qualquer acordo entre os coredores e a troika.
As últimas notícias davam conta de que o acordo entre a Grécia e os credores estava quase pronto (vamos dar de barato que sim, que estava mesmo pronto).
Mas toda a gente no mundo jornalístico, literalmente toda a gente, esqueceu-se que a Grécia teria também de acordar novas medidas de austeridade com a União Europeia para receber o segundo resgate, e que esta parte do acordo era tão importante como as restantes.
Apesar de ainda estarmos a um mês do tal vencimento do empréstimo de 14 mil milhões de euros que a Grécia terá que liquidar, algo de muito grave se passou no dia de ontem (Sábado) entre o governo grego e as autoridades europeias.
Basicamente, e segundo a Reuters, os gregos jogaram ontem mais uma grande cartada com a União Europeia, adiando sucessivamente a implementação de medidas que a troika tem vindo a impôr, deixando os líderes europeus à beira de um ataque de nervos.
Jean Claude Juncker, líder dos ministros das finanças do euro, perdeu "oficialmente" a esperança de "ajudar" os gregos, tornando-o um dos maiores oficiais "mentirosos" da história (talvez sem ainda se ter apercebido) por ter referido sistematicamente desde há 3 anos que os problemas da Grécia se iriam resolver e que esta seria salva pelos "amigos" europeus. No seu grupo teremos que incluir, infelizmente, personalidades como Durão Barroso, Sarkozy, Lagarde, Van Rompuy e outros. Enfim, gente que pouco diz aos portugueses mas que jogaram tudo no jogo de espectativas europeu para ver se o barro colava à parede.
Ainda acreditamos que a um mês de distância se arranje um qualquer acordo, nem que seja um remendo da proposta actual, mas basicamente os líderes gregos souberam jogar até à última com as cartas que tinham, mostrando o que queriam mostrar, omitindo a todos o que queriam esconder, arrastando os pés comprando tempo e, de vez em vez, lançando uma bomba atómica mediática para prender a Europa mais algum tempo. Esta estratégia do tudo ou nada teve o seu apogeu com a exigência de um segundo resgate em Julho de 2011, a convocação de um referendo em Outubro de 2011 e a ameaça de uma bancarrota caótica que colapsaria o sistema bancário europeu em Dezembro de 2011. O barro colou sempre e os líderes europeus lá foram assinando umas livranças à Grécia, cheios de medo das consequências de o não fazerem.
Parabéns aos gregos por terem chegado tão longe no concurso mundial de poker económico com umas mãos tão fracas. Infelizmente para eles não é suficiente porque os seus problemas internos são demasiado graves para se resolverem com uns dinheiritos extorquidos à União Europeia.
E esta, julgando que teria demasiado a perder, lá foi aceitando o jogo grego, transferindo alguma riqueza dos países mais "fortes" para a civilização helénica ao longo destes 3 últimos anos.
Esta é uma triste história para se contar porque revela o jogo político demasiado ordinário em que estamos todos metidos. Histórias como esta deixam graves sequelas em todos os participantes, sobretudo nos mais parolos, leia-se Juncker, Sarkozy, Durão Barroso, Lagarde e outros. Foram os gregos provincianos que se disfarçaram de parolos e manipularam os líderes europeus, esses sim, verdadeiros parolos que se disfarçaram de "líderes" todo este tempo.
Os bastidores ganharam ao palco mediático e foi aí que a Grécia demonstrou maior habilidade política para infligir derrotas a um "oponente" muito mais forte do que ela.
A vida tem destas coisas e oxalá que tal fiasco europeu sirva de lição (estamos a ser otimistas) para os líderes europeus quando se oferecem futuramente para "ajudar" países à rasca.
Com Portugal não têm que se preocupar: a nossa candura e sentimento de inferioridade para com o centro e norte da Europa, tão bem personificado pela nossa liderança actual, incapacita-nos de jogar póquer com óculos de sol. Acatamos as ordens, dizemos que sim, e depois só quebramos os contratos apenas com os cidadãos portugueses mais fracos, deixando de fora a austeridade para os credores e outras vivas forças da finança mundial. Somos assim mesmo, e muito nos entristece que a armadilha europeia montada a Portugal tenho resultado na perfeição. Caímos que nem uns patinhos, gastámos o guito e agora não sabemos como iremos pagar a dívida, à exceção de que terão que ser os portugueses (essas criaturas meio fraquinhas) a ter que se chegar à frente com o dinheiro (ninguém sabe como). Nós aqui no contas acreditamos que tal operação é tão só impossível recorrendo à riqueza gerada em solo nacional. (Será a China?)
A dívida foi a droga, o crédito o prazer e a austeridade a ressaca. Infelizmente esta última fica reservada para os que menos participaram na 1ª orgia económica do século XXI (os meio fraquinhos).
Quanto tempo mais será preciso para percebermos que a Europa é e sempre foi, ao longo da nossa história, a potencial namorada por quem sempre estivémos apaixonados mas que sempre nos "desprezou" com esquemas, armadilhas, tratados, invasões e outros belíssimos presentes. Esta namorada despreza-nos em casa e trata-nos como semelhantes à frente das câmaras. O sacrifício tem limites, mas como parece que gostamos de sofrer, fica difícil cortar com esta relação amor-ódio.
Precisávamos de estadistas e gente com coragem para enfrentar os tubarões, protegendo ao mesmo tempo aqueles que menos contribuíram para esta desgraça nacional, nomeadamente os aforradores, os que se precaveram, os que produziram muito e consomem pouco, os que não se endividaram em excesso: basicamente ajudar as formigas e penalizar as cigarras. Tomar todos por igual e ainda por cima deixar de fora os tubarões é mau negócio: mas é assim que a troika nos agradece. Paciência.
Tiago Mestre
Ao início, devido à nossa ingenuidade, acreditámos que as declarações reflectiam o mínimo de colagem à realidade, mas rapidamente percebemos que se estava perante mais uma das muitas campanhas de atirar areia para os olhos do mundo em que a elite europeia se especializou.
A esperança era esta: aguentar os mercados e esperar que a Grécia arranjasse um qualquer acordo entre os coredores e a troika.
As últimas notícias davam conta de que o acordo entre a Grécia e os credores estava quase pronto (vamos dar de barato que sim, que estava mesmo pronto).
Mas toda a gente no mundo jornalístico, literalmente toda a gente, esqueceu-se que a Grécia teria também de acordar novas medidas de austeridade com a União Europeia para receber o segundo resgate, e que esta parte do acordo era tão importante como as restantes.
Apesar de ainda estarmos a um mês do tal vencimento do empréstimo de 14 mil milhões de euros que a Grécia terá que liquidar, algo de muito grave se passou no dia de ontem (Sábado) entre o governo grego e as autoridades europeias.
Basicamente, e segundo a Reuters, os gregos jogaram ontem mais uma grande cartada com a União Europeia, adiando sucessivamente a implementação de medidas que a troika tem vindo a impôr, deixando os líderes europeus à beira de um ataque de nervos.
Jean Claude Juncker, líder dos ministros das finanças do euro, perdeu "oficialmente" a esperança de "ajudar" os gregos, tornando-o um dos maiores oficiais "mentirosos" da história (talvez sem ainda se ter apercebido) por ter referido sistematicamente desde há 3 anos que os problemas da Grécia se iriam resolver e que esta seria salva pelos "amigos" europeus. No seu grupo teremos que incluir, infelizmente, personalidades como Durão Barroso, Sarkozy, Lagarde, Van Rompuy e outros. Enfim, gente que pouco diz aos portugueses mas que jogaram tudo no jogo de espectativas europeu para ver se o barro colava à parede.
Ainda acreditamos que a um mês de distância se arranje um qualquer acordo, nem que seja um remendo da proposta actual, mas basicamente os líderes gregos souberam jogar até à última com as cartas que tinham, mostrando o que queriam mostrar, omitindo a todos o que queriam esconder, arrastando os pés comprando tempo e, de vez em vez, lançando uma bomba atómica mediática para prender a Europa mais algum tempo. Esta estratégia do tudo ou nada teve o seu apogeu com a exigência de um segundo resgate em Julho de 2011, a convocação de um referendo em Outubro de 2011 e a ameaça de uma bancarrota caótica que colapsaria o sistema bancário europeu em Dezembro de 2011. O barro colou sempre e os líderes europeus lá foram assinando umas livranças à Grécia, cheios de medo das consequências de o não fazerem.
Parabéns aos gregos por terem chegado tão longe no concurso mundial de poker económico com umas mãos tão fracas. Infelizmente para eles não é suficiente porque os seus problemas internos são demasiado graves para se resolverem com uns dinheiritos extorquidos à União Europeia.
E esta, julgando que teria demasiado a perder, lá foi aceitando o jogo grego, transferindo alguma riqueza dos países mais "fortes" para a civilização helénica ao longo destes 3 últimos anos.
Esta é uma triste história para se contar porque revela o jogo político demasiado ordinário em que estamos todos metidos. Histórias como esta deixam graves sequelas em todos os participantes, sobretudo nos mais parolos, leia-se Juncker, Sarkozy, Durão Barroso, Lagarde e outros. Foram os gregos provincianos que se disfarçaram de parolos e manipularam os líderes europeus, esses sim, verdadeiros parolos que se disfarçaram de "líderes" todo este tempo.
Os bastidores ganharam ao palco mediático e foi aí que a Grécia demonstrou maior habilidade política para infligir derrotas a um "oponente" muito mais forte do que ela.
A vida tem destas coisas e oxalá que tal fiasco europeu sirva de lição (estamos a ser otimistas) para os líderes europeus quando se oferecem futuramente para "ajudar" países à rasca.
Com Portugal não têm que se preocupar: a nossa candura e sentimento de inferioridade para com o centro e norte da Europa, tão bem personificado pela nossa liderança actual, incapacita-nos de jogar póquer com óculos de sol. Acatamos as ordens, dizemos que sim, e depois só quebramos os contratos apenas com os cidadãos portugueses mais fracos, deixando de fora a austeridade para os credores e outras vivas forças da finança mundial. Somos assim mesmo, e muito nos entristece que a armadilha europeia montada a Portugal tenho resultado na perfeição. Caímos que nem uns patinhos, gastámos o guito e agora não sabemos como iremos pagar a dívida, à exceção de que terão que ser os portugueses (essas criaturas meio fraquinhas) a ter que se chegar à frente com o dinheiro (ninguém sabe como). Nós aqui no contas acreditamos que tal operação é tão só impossível recorrendo à riqueza gerada em solo nacional. (Será a China?)
A dívida foi a droga, o crédito o prazer e a austeridade a ressaca. Infelizmente esta última fica reservada para os que menos participaram na 1ª orgia económica do século XXI (os meio fraquinhos).
Quanto tempo mais será preciso para percebermos que a Europa é e sempre foi, ao longo da nossa história, a potencial namorada por quem sempre estivémos apaixonados mas que sempre nos "desprezou" com esquemas, armadilhas, tratados, invasões e outros belíssimos presentes. Esta namorada despreza-nos em casa e trata-nos como semelhantes à frente das câmaras. O sacrifício tem limites, mas como parece que gostamos de sofrer, fica difícil cortar com esta relação amor-ódio.
Precisávamos de estadistas e gente com coragem para enfrentar os tubarões, protegendo ao mesmo tempo aqueles que menos contribuíram para esta desgraça nacional, nomeadamente os aforradores, os que se precaveram, os que produziram muito e consomem pouco, os que não se endividaram em excesso: basicamente ajudar as formigas e penalizar as cigarras. Tomar todos por igual e ainda por cima deixar de fora os tubarões é mau negócio: mas é assim que a troika nos agradece. Paciência.
Tiago Mestre
4 de fevereiro de 2012
Bancarrota de dívida soberana discutir-se-á numa conferência do... Banco de Portugal !
Na terça-feira da semana passada foi o Sr. Presidente do STJ a falar sobre as questões da bancarrota, na semana que aí vem teremos uma conferência no Banco de Portugal.
As consciências começam a despertar...
Tiago Mestre
As consciências começam a despertar...
Tiago Mestre
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